
Jessie Blasthy - Um Conto de Bruxas
Capítulo 2
Não acontece grandes eventos em Henrique Sanches, cidade pequena com poucos habitantes, e uma única escola do maternal ao ensino médio.
Esta manhã, a cidade está em alvoroço com o início das aulas.
Henrique Sanches, é também uma cidade acolhedora e o futuro lar da família Blasthy.
Um dia antes.
— Olha Jessie, como é linda a nossa nova casa; você vai gostar e não vai ter que dividir seu quarto!- diz Samanta.
— Podemos voltar? Não quero ser a chata, mas deixei uma vida em Campos Flores.
— Desculpe, mas não é uma opção, as coisas mudam e você precisa se adaptar!- Diz Samanta, notando a indiferença de Jessie.
— Como posso me adaptar? Não gostei daqui, estou sentido falta da minha vida, vocês me trouxeram pra cá, e por que?
— Querida não reclame! Vamos conhecer a casa nova!- disse Morgana animada.
— Eu não entendo, essa sua animação vovó!- respondeu Jessie, entrando na casa.
Esta manhã.
— Jessie vamos logo, quer se atrasar no primeiro dia de aula?
— Mãe eu quero voltar pra casa!
— Essa é nossa casa agora!- respondeu Samanta Blasthy
— Não, eu quero voltar pra casa, pros meus amigos, pra minha escola.
—Jessie, não complica as coisas; por que não pode se acostumar com a nossa realidade, tente pelo menos você só reclama, estamos bem aqui!
- Não estamos, mas eu não tenho escolha.
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Capítulo de hoje: Minha vida em círculos.
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— Bom dia alunos!- cumprimentava a diretora no portão da escola.
— Como vai ser o meu dia hoje!- pensou Jessie
— Vai ser maravilhoso!- respondeu sua mãe.
— mãe! Da pra parar de ler meus pensamentos, assim não dá, quero privacidade.
— Desculpe querida, foi sem querer!
— Não faz mais isso!
— Até o almoço!- gritou Samanta.
Em frente a escola.
— E de novo uma nova escola, outra cidade, outra casa, e o pior outras pessoas. Minha vida é um círculo infinito, não adianta eu sempre vou viver tudo isso de novo, pra que fazer amizades se não vou crescer com eles.
As mudanças da família Blasthy, eram constantes e isso entristecia Jessie, não podia se apegar aos amigos, a diferença da nova escola era notável. Andava pelos corredores a procura de alguém ou de uma lista, que indicasse qual era a sua turma, haviam muitas pessoas nos corredores, alunos apressados procurando suas salas. E um esbarrão.
— Me desculpe, eu não a vi!- disse Jessie
— Olha o que você fez, quebrou a minha maquiagem. Sai já da minha frente!- gritou uma aluna.
— Não comecei bem!- pensou Jessie
Depois de olhar algumas listas, enfim achou sua sala, mas o que queria mesmo era sumir daquela escola. Jessie achou a professora simpática, mas não era o momento para amizades. Durante o intervalo visitou a escola e conheceu Lucy Morgado, que por coincidência descobriu ser sua vizinha o que facilitou a amizade entre as duas. A primeira aula foi tranquila; havia um professor novo na cidade, jovem e esforçado, que queria conhecer cada aluno, e Jessie notou que havia alguem mais nervoso que ela, seu nome era Luiz e também tinha doze anos.
Jessie foi a próxima a responder a entrevista do professor, sentia os olhares de cada um de seus colegas, respondeu o mais rápido que pode, e sentou-se o mais rápido aínda.
Na saída da escola, mais um esbarrão dessa vez de propósito.
— Já mandei sair da minha frente, estranha!
— O que disse?- pergunta Jessie
— Além de estranha é surda, sai da minha frente.
— Eu devia queimar esse seu cabelo brilhante! Pensou Jessie.- Desculpe, não à vi.
— Compre óculos, que combine com a sua feiúra!
— Teremos problemas!- disse Lucy
— Hoje não, não estou com vontade de brigar, mas acho bom ela não continuar ou ela vai ter problemas, eu não abaixo a cabeça pra ninguém.
— Acho que eu não fui clara o suficiente, ela é Karen Castro sobrinha da diretora, sabe a garota mais popular de toda a Otaviano Oliver II? Então é ela.
— Não importa, eu não vou ser mais um objeto nas mãos dela.
— Da forma que você agiu, pensei que tinha medo dela!
— Claro que não Lucy, eu acabei de chegar, não quero ver a minha mãe na escola no primeiro dia de aula.
— Como pretende se livrar dela? Ela é poderosa aqui dentro, nenhum aluno da Otaviano Oliver II tem coragem de enfrentar ela, nem de olhar nos olhos dela.
— Parece que vai haver mudanças aqui, eu não só vou olhar nos olhos dela, como mostrar que em mim ela não vai mandar!
— Você é louca!
— Você se acostuma comigo! Que bom que somos vizinhas, vamos poder conversar por mais tempo.
—Sim, vou poder te apresentar o meu Ramster, Senhor Délio, você vai gostar ele é inteligente.
— Quero conhecê-lo logo!
Ao chegar em casa.
— Como foi a aula querida? Pergunta Morgana
— Normal, e minha mãe?
— Ainda não chegou! Fiz lasanha pra você.
— Obrigada vovó, mas eu não queria estar aqui; por favor vó convence a minha mãe!
— Impossível!- Diz Samanta entrando em casa.
— Não é impossível, você é que não quer.
— O quê falamos sobre isso Jessie?- diz Morgana
— Vó eu queria está bem, estar feliz, mas não estou!- fala Jessie. Não entendo porque mudamos tanto.
— Eu estava desempregada, não havia outra saída.
— Não precisamos de emprego, somos bruxas!
— Precisamos manter uma rotina, assim como os Não-bruxos, e eu gosto de trabalhar, de ocupar a minha mente.
— Falando em bruxas, temos que recomeçar as aulas Jessie!- Diz Morgana
— A senhora sempre muda de assunto vovó!
—Sou sua avó, é o meu trabalho evitar desavenças entre você e sua mãe. Anime-se vamos recomeçar as aulas, e eu sei que você gosta.
— Sim eu gosto.
— Mais alguma coisa?- pergunta Samanta
— Como assim?
— Sou sua mãe e também uma bruxa, sei dos problemas que teve na escola, estou errada?
— Porque não estou surpresa mãe, mas sim tem uma garota nao-bruxa claro, ela é um tanto chata, estou pensando em alguma coisa pra ela me deixar em paz.
— Cuidado Jessie você é uma bruxa, e pode ferir gravemente um Não-bruxo.- diz Morgana
— Você não fará nada!- diz Samanta.- Se alguém descobrir você, teremos que ir embora de novo.
— Mas mãe!
— Não me faça repetir, você é normal e todos devem ter certeza disso, você entendeu?
—Sim mãe!- respondeu Jessie.- Mas será que você pode parar de usar a sua magia para me vigiar, eu tenho direito a privacidade.
—Tudo bem, mas quero que se comporte igual a um Não-bruxo.
— Eu sou uma bruxa! Não posso rejeitar os meus poderes.
—Por isso temos as aulas!- comentou Morgana
—Sei que fez amizades!
— Claro que sabe, mas é apenas uma amizade mãe.
— O quê importa é que você tem uma amiga, nos conte o que sabe sobre ela?- diz Samanta
— Não muito, mas sei que seu nome é Lucy Morgado, e que ela é nossa vizinha; assim como eu ela é rejeitada pelos populares ou melhor pela Karen Castro.
— Nossa vizinha! Que ótimo, traga ela para o almoço amanhã.- diz Morgana
— Agora que você tem uma nova amiga, não está tudo tão ruim!- diz Samanta
— Para que fazer amizades, nunca vou crescer com eles, fazer amigos para mim é perda de tempo.
–Nada disso, é importante ter amigos.- diz Morgana
— Chega Jessie, você está passando dos limites!- grita Samanta
Todas as mudanças da família Blasthy, eram difíceis e Jessie não se conformava. Não aguentava a rotina de mudanças, tentou de tudo para persuadir a sua mãe a ceder, e voltar para Campos flores a cidade que Jessie mais gostou.
Jessie era uma bruxa, mas agia como uma adolescente comum, com toda sua rebeldia trancou-se em seu quarto.
- Abre a porta Jessie!- diz Samanta.- Sei que é difícil, mas você não pode agir dessa forma, queremos o melhor pra você.
- Ela precisa de um tempo, ela não é assim só está chateada.
- Mas mamãe, não era necessário tudo isso.
- Samanta, Você era igualzinha, agia assim também se lembra, as mudanças eram terríveis pra você, ela vai entender assim como você entendeu.
- Me desculpe! Agora sei como se sentia.
- Assim como Jessie, você queria criar raízes e conviver com os seus amigos.
- Até sofrer rejeição por parte deles, assim que descobriram minha magia.
- Lembro disso, eu precisei nos apagar das lembranças de cada um deles.
- Acho que, eu era mais difícil que Jessie.
- Não tem comparações Samanta.
- Mãe!
- Falo somente verdades, Jessie não é nem a metade do que você foi, a vida anda em círculos e você está vivendo na minha pele, de nada.
- Porque?
- Porque graças a mim, você sabe como agir com a Jessie.- Diz Morgana deixando o corredor dos quartos.
- Acho que ela desistiu!- diz Jessie colada na porta do seu quarto.- Sei que querem meu bem, mas eu só queria explicações melhores, estou cansada de explicações vagas; fiquei tão estressada com essa mudança que esqueci de ler o livro de bruxaria, a vovó vai discursar um sermão daqueles, é melhor começar agora.
Jessie sonha em se tornar uma bruxa forte e cheia de conhecimentos, deseja ser tão forte quanto a sua Mãe-Bruxa, e para isso precisava estudar minuciosamente tudo que Morgana lhe mandava. Uma bruxa não é só poderes mágicos, ela precisa dominar tudo sobre as artes da magia, sobretudo, conhecer à si mesmo.
Cozinha dos Blasthy
- Mãe, estou indecisa quanto a Jessie!
- Tudo que você está passando, eu já passei; quando você nasceu eu fui perseguida, caçada por todos os lados!- Diz Morgana. - Eu não desisti, nem poderia, eu tinha que proteger a minha filha, assim como você, fui obrigada a provar que não era você que eles queriam.
- Tenho que provar, que a Jessie não é o que eles querem?
- Você não! Nós, eu estou aqui para continuar a ti proteger, e a proteger a minha neta.
- Tenho medo! Se for ela, e se for a minha filha?
- Quando eles nos encontraram, olharam nos seus olhos, e eu fiquei com tanto medo. Eles estavam lendo a sua alma, e você era só um bebê; eles precisam ver a Jessie para ter certeza que ela não é o que eles querem.
- Mas lê a alma? Como podem?
- Magia antiga Samanta, já te ensinei isso! Os olhos são portas para a alma, e eles não se importam com os riscos.
- Eu deixaria, só para eles nos deixarem em paz!- Diz Samanta.- Mas não tenho certeza, tenho medo que seja ela, e o que eles farão com ela.
- Extrair a vitalidade e os poderes, daquela que eles acreditam ser a reencarnação de Callyo ou de Magallyo, são bruxos que desrespeitam as Mães-bruxas; não consigo imaginar tamanha crueldade.
- Me pergunto todos os dias, se a Jessie for uma reencarnação de uma das Mães-bruxas, e se eu não conseguir protege-la, não posso falhar.
- Não existe reencarnação alguma, já tivemos essa conversa.
- Não é uma certeza, ninguém sabe se elas ainda vivem ou se morreram.
- Essa história foi inventada, alguns bruxos acreditam que Callyo e Magallyo estão mortas, e que elas desejam voltar ao plano carnal, uns querem ajudar elas a conseguirem esse propósito, outros querem seus poderes e a possível vitalidade; que não faz sentindo nenhum porque elas não estão mortas!- afirma Morgana.
- Como pode afirmar?
- Não estou afirmando, eu digo isso porque elas são as primeiras bruxas, não envelhecem e possuem a imortalidade.
- Queria acreditar! Ter a mesma certeza que a senhora.
- Pois acredite! Bruxas tão poderosas, não podem ter sido capturadas por Não-bruxos.
- Vou tentar manter a minha fé!- Diz Samanta
- Sossegue o seu coração! Nada pode acontecer a Jessie, estamos fazendo um bom trabalho e a mantendo em segurança.
Casa de Lucy Morgado.
- Lembre-se, não seja vista!
- Eu sei o que faço! Tenho 115 anos, trabalho nisso a décadas; não tente ensinar o meu trabalho.
- Não cometa erros! O Conselho ficará irritado com você, senhora Morgado.
- " Erros não serão tolerados", eu sei bem disso, até agora está tudo acontecendo como planejei, consegui me aproximar da Blasthy adolescente.
- Tome cuidado! A velha Morgana é sabia e astuta, qualquer deslize que seja, ela descobre o seu disfarçe.
- Minha magia é forte! Quem pode acusar uma simples e tímida adolescente!- diz Lucy.
- Manteremos o contato!
- O Conselho me dará honras, quando eu entregar a ingênua Blasthy, como a reencarnação de Callyo!- diz Lucy, antes de fechar o seu livro de magias, por onde faz contato com o Conselho.
Lucy Morgado, uma feiticeira Callyo. Contratada pelo Conselho de Bruxas, para descobrir se Jessie é a reencarnação da Mãe-Bruxa Callyo, Lucy é uma feiticeira esperta e forte, acostumada a fazer esse tipo de trabalho, seu nome verdadeiro é desconhecido.
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