
Irresistível Atração
Capítulo 2
_ Eu acho que um coque alto combinaria perfeitamente com o vestido que tenho em mente para você. _ Cora disse, depois que os cabelos de Emma haviam sido lavados e hidratados antes de o secarem novamente.
_ Tem certeza disso? _ Emma perguntou, em dúvida, pois sempre considerara seu pescoço longo e fino demais para deixá-lo exposto.
_ Confie em mim. _ Cora pediu e Emma apenas deixou que as garotas terminassem de trabalhar em seus cabelos e unhas dos pés e das mãos.
***
Após passar pelo menos três horas no salão, as duas pararam para comer alguma coisa antes de voltar ao apartamento.
Durante todo o tempo em que estavam sentadas, comendo, Emma percebeu olhares masculinos se voltando para elas e sorriu internamente.
Pela primeira vez ela se sentia bela e isso tudo era graças a sua amiga louca.
Dentro do apartamento, enquanto se arrumavam depois de Emma ajeitar sua mala, ela ficou curiosa em relação à Cora.
_ Eu nunca perguntei isso, porque não queria ser intrometida. _ ela começou, fechando os olhos para que Cora aplicasse a maquiagem em suas pálpebras. _ Você me contou que seu irmão é um grande empresário e vai assumir a empresa da família. Isso me deixa crer que ele pode cuidar de você. Então, por que resolveu fazer gastronomia se não precisa trabalhar para se sustentar?
Cora riu e terminou de maquiá-la, afastando-se em seguida.
Emma a observou atentamente, esperando sua resposta, enquanto Cora fazia uma careta e retocava o batom.
_ Eu jamais viveria as custas do meu irmão. Fazer isso significaria aceitar o que minha família quer para mim e não gosto de ser manipulada. _ respondeu. _ Meu irmão deixa meu pai manipulá-lo porque só tem a ganhar com isso, mas eu...?
_ O que quer dizer com isso? _ Emma perguntou, curiosa. _ Falando assim, faz parecer que não pode tomar decisões por si mesma.
Cora abandonou seu reflexo no espelho e olhou para Emma com uma sobrancelha arqueada.
_ Se eu permitir que eles façam comigo o que vêm fazendo com meu irmão há anos, então isso será verdade. _ disse com evidente rancor. _ Mas enquanto meu irmão ganha a presidência da empresa, tornando nossa família mais rica e prestigiada, a única coisa que eu ganho é um casamento indesejado.
Emma ficou surpresa com aquilo.
Não imaginava que coisas daquele tipo ainda aconteciam.
Por um lado, a vida de Cora não era tão perfeita como ela havia pensado.
_ Agora chega de conversa fiada e vamos logo._ ela ordenou. _ Só não se deixe levar pelo lado charmoso do meu irmão, porque ele não resiste a uma bela loira e tudo o que poderia conseguir dele seria uma boa noitada de sexo.
Emma sentiu as faces corarem com aquele comentário, enquanto seguia Cora para fora do apartamento.
_ Não tenho nenhuma intenção de me envolver com seu irmão. _ respondeu de imediato. _ Muito menos estou interessada em uma noitada de sexo.
Cora entortou os lábios antes de sorrir para ela, misteriosamente.
_ Não diga que não avisei.
*******
Emma olhou em volta, admirada com a beleza da casa do irmão de Cora enquanto adentraram o enorme salão principal.
Sentiu os olhares sobre elas e de repente ficou incomodada com o vestido vermelho de cetim que Cora lhe emprestara, que se ajustava perfeitamente em seu corpo apesar de ficar um pouco colado demais em cima.
Não era muito decotado e evidenciava sua cintura fina antes de cair em uma saia solta do quadril até os seus pés.
Ela teria adorado o vestido, não fosse pela fenda em uma das laterais que deixava a mostra boa parte de sua coxa a medida que andava.
_ Aproveite a festa, garota! _ Cora lhe deu um cutucão.
Emma pigarreou antes de levar a mão ao rosto e coçar a ponta do nariz.
_ Vou tentar... _ prometeu.
_ Prometa que vai me chamar para inauguração do seu próprio restaurante em Los Angeles…
Emma riu baixinho, enquanto assentia.
_ Claro que sim. _ Prometeu. _ Não sei se teria chegado até aqui se não tivesse conhecido você...
Cora meneou a cabeça em negativa, pegando duas taças de champanhe da bandeja do garçom que passava e entregando uma para ela.
_ Você estaria exatamente onde está agora, Emma. _ ela exclamou com confiança. _ Porque você se esforçou para isso e, porque você merece.
Emma sentiu um aperto na garganta.
Não poderia chorar agora!
Ela nunca chorava, na verdade.
Então apenas engoliu em seco e levou a taça aos lábios, provando da bebida que fazia cócegas em seu nariz.
Vincent e Cora eram as únicas pessoas que disseram coisas daquele tipo para ela, enquanto sua própria mãe apenas desprezava tudo o que fazia.
Por diversas vezes Emma fizera de tudo para que sua mãe olhasse para ela com um pouco de orgulho e lhe desse o carinho e amor materno que ela sempre almejara.
Mas não importava o que fizesse, tudo o que recebia eram críticas e Maia críticas.
Até que ela decidiu parar de tentar.
_ Veja se não é minha querida irmãzinha que resolveu aparecer... _ uma voz soou por trás de Emma, fazendo os pelos de sua nuca se eriçarem enquanto observava um sorriso enorme e sincero se formar nos lábios de sua amiga.
Emma olhou para o lado no exato instante em que um homem muito mais alto que ela, parava ao seu lado antes de puxar Cora para um abraço apertado.
Seu perfume era amadeirado e marcante, usava um terno preto que parecia ter sido feito sob medida, deixando evidente seu físico malhado e em forma.
_ Sabe que eu não gosto desse tipo de reunião, meu querido irmão. _ Cora respondeu, ao se afastar e olhar para ele carinhosamente. _ Eu prefiro algo menos monótono e com gente da minha idade.
Seu irmão deu uma risada, antes de seus olhos se voltarem com interesse evidente para Emma.
_ E não vai me apresentar sua amiga? _ ele perguntou a Cora, mas sem desviar o olhar de Emma nem um instante sequer.
Emma levou a mão ao rosto novamente, tocando a ponta do nariz com evidente nervosismo.
Cora revirou os olhos enquanto encarava o irmão com um olhar afiado.
_ Essa é minha amiga Emma Davis. _ ela disse ao irmão. _ Emma, esse é o meu irmão Enrico.
_ Sr. D’Angelo… _ Emma murmurou, tímida, fazendo com que ele entortasse os lábios em uma pequena careta.
Cora riu, divertida com sua formalidade.
_ Por favor, Srta. Davis, me chame apenas de Enrico. _ ele pediu. _ Apenas meus funcionários me chamam de senhor.
Emma assentiu, colando.
_ Então pode me chamar apenas de Emma. _ ela pediu também, e naquele momento o telefone de Cora tocou e ela pegou o aparelho de dentro da pequena bolsa de mão.
Uma expressão preocupada tomou conta de sua face, antes de ela se voltar para Enrico:
_ Papai também está aqui? _ ela perguntou quase num murmúrio, e ele assentiu.
_ No meu escritório. _ respondeu.
Cora suspirou, antes de olhar para Emma com um pedido de desculpas.
_ Emma, meu pai quer conversar comigo. Acha que pode me esperar aqui por alguns minutos? Prometo que não vou me demorar. _ ela pediu, tornando a guardar o telefone na bolsa.
Emma assentiu, rapidamente.
_ Claro que sim, eu ficarei bem. _ garantiu, tomando mais um gole de sua bebida, ainda completamente ciente da presença de Enrico ao seu lado.
_ Eu farei companhia a Emma enquanto fala com o nosso pai. _ Enrico garantiu, colocando as mãos nos bolsos da calça de maneira casual.
Cora encarou o irmão por mais alguns segundos antes.
_ Comporte-se com ela! _ ela ordenou antes de tocar o braço de Emma rapidamente e então se afastou para o outro extremo da sala, sumindo por um corredor que Emma imaginava que daria no escritório de Enrico.
Um pigarro a fez se lembrar de que ainda tinha companhia, apesar de que ela não precisava disso para sentir a presença dele ao seu lado.
_ Senhor... _ ela murmurou, antes de se corrigir rapidamente. _ Enrico, sei que deve estar ocupado e precisa dar atenção aos seus parceiros de negócios. Não precisa perder seu tempo aqui comigo.
Ela se sentiria um pouco mais confortável se ficasse sozinha.
Porque olhar para o belo homem a sua frente, com aqueles cabelos cor de amêndoas ligeiramente bagunçados como se tivesse acabado de passar a mão por eles descuidadamente, e os olhos dourados que lhe davam um ar de sensualidade, não lhe provocava conforto e sim uma reação que ela não compreendia.
Você pode gostar





