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Capa do romance Inevitável - Máfia Corvi

Inevitável - Máfia Corvi

Donatello Puzzo busca um herdeiro para garantir seu legado na máfia italiana. Ao propor um acordo estratégico a George LeBlanc, ele acaba sendo enganado: em vez da noiva prometida, recebe a sobrinha Flora Callegari. O que era um golpe vira uma oportunidade quando Donatello percebe que Flora é a chave para solucionar um mistério antigo. Agora, ele deve protegê-la enquanto buscam memórias perdidas e enfrentam perigos que conectam o passado a uma nova e perigosa realidade.
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Capítulo 2

O dia marcado para noite de Donatello e Amanda chegou. Flora foi levada logo cedo para o salão e recebeu um tratamento digno de realeza, mas ela sabia que tudo aquilo era apenas para que ela ficasse o mais parecida possível com sua prima. Saiu de lá com as unhas feitas, depilação completa, uma maquiagem em tons de preto e o batom vermelho que a deixou irreconhecível, por fim lhe colocaram uma peruca com enormes fios loiros como os de Amanda, modelaram e enfim ela estava pronta.

— Oh! Quase posso dizer que é você, Amanda. — comentou a tia ao vê-la. — Só tem um problema, Amanda é mais baixa sem os sapatos de salto.

— E você já viu a Amanda andar sem saltos? — brincou George e as duas riram, apenas Flora não viu graça alguma. Na verdade, tudo que saía da boca de seu tio soava nojento para ela. Também não se importou em se olhar no espelho, sabia que aquela não era ela de verdade.

— Vamos Flora, está na hora de ir até o hotel. — ela acompanhou a tia até o carro e ambas seguiram para o hotel no centro da cidade. Deram o nome na recepção e pegaram as chaves, Donatello só chegaria meia hora depois, então a mais velha teria tempo de lhe dar instruções do que fazer.

Assim que entraram no quarto, Flora ficou surpresa com o luxo do local, uma cama king com edredons de cetim e bordados em dourado ocupava o ponto central do quarto, um lustre de cristais fazia a iluminação, um tapete felpudo cobria quase todo o quarto. Num canto havia um frigobar, na parede uma TV e duas portas, uma do closet e outra do banheiro. Flora queria explorar o cômodo, nunca esteve num ambiente tão agradável, mas seria repreendida pela tia e por isso se comportou.

— Preciso te dar algumas orientações. Sente-se. — apontou para a cama e só então as duas notaram a sacola branca ali, a tia pegou a sacola e retirou uma camisola de renda vermelha dali, não havia calcinha, a mulher devolveu a peça para a sacola e voltou a atenção para a sobrinha. — Você deve fazer exatamente o que ele te pedir, não negue nada. Minha filha é um pouco escandalosa, então você também precisa ser, mas nunca, nunca diga que está com dor ou chore, sei que é uma chorona, mas nesse momento segure o choro. Evite diálogos, sua voz é diferente da dela e não sabemos se ele conhece ou não a Amanda. Não faça nada estúpido como tentar fugir ou dizer a verdade, pois quando te acharmos, vamos te trancar no quartinho. Se lembra dele?

Flora engoliu em seco. Faziam anos que não ia para o quartinho, mas se lembrava perfeitamente do que sofreu lá. Passava fome e frio por dias, além de apanhar todas as manhãs e ser tocada por seu tio, que aproveitava que estavam sozinhos, Flora se lembrava perfeitamente dos momentos de angústia e dor que passou no quartinho.

— Sim, senhora.

— Ótimo. Siga minhas ordens e não sofrerá nenhuma consequência. — ela olhou seu relógio de pulso. — A deixarei sozinha a partir de agora, mas a porta ficará trancada. Se troque e espere pelo noivo de sua prima. E lembre-se, não tente nada que nos prejudique.

Depois que a tia saiu, Flora entrou em desespero. O que faria quando o homem descobrisse que ela não é virgem? E quando a família descobrisse? Eles com certeza a deixariam no quartinho por meses. Mas ela não tinha tempo para pensar, em pouco tempo o homem entraria no quarto e ela precisava estar vestida.

Se levantou e foi até o banheiro, encontrando ali uma enorme banheira, bancada em mármore branco, piso de porcelanato branco e os detalhes em dourado. Tirou o vestido justo e vermelho que a mandaram colocar, dobrou a peça juntamente com a calcinha e vestiu a camisola. Ficou um pouco largo no busto, já que era mais magra que sua prima, mas ela gostou de como ficou com a peça.

Depois que saiu do banheiro, por curiosidade abriu o closet, percebendo que estava cheio de roupas masculinas, principalmente ternos e sapatos sociais. Ansiosa e com medo, saiu dali às pressas e se sentou na cama para aguardar seu acompanhante, foi como se adivinhasse, mal havia se sentado e a porta se abriu.

Donatello caminhou à passos lentos para dentro do quarto, observando a mulher que prontamente se pôs de pé. Flora prendeu a respiração ao reconhecer aquele homem, como que por ironia do destino, foi com ele que perdeu a virgindade. Seu coração se apertou, o desejo era de se esconder em qualquer lugar ou até mesmo pular a janela, apenas para evitar passar por aquela noite angustiante. O que ele faria se lembrasse dela?

— Por que Amanda não está aqui? — perguntou, a voz soou fria e seca, fazendo Flora estremecer e perder a voz, não se parecia mais com o homem atraente e sexy que a seduziu anos atrás.— Está muda?

Donatello não esqueceria aquele rosto, da moça que encontrou andando por sua mansão e o olhou como um gatinho assustado. Ele estava entediado com a festa e fez algo que nunca havia feito antes, a levou para o seu quarto. Isso a fez inesquecível, nunca antes ou depois uma mulher deitou em sua cama, sempre as levava para hotéis de sua confiança. E agora ela estava ali em sua frente novamente e mais uma vez ele não esperava encontrá-la.

Ela estava diferente, mais magra, com uma maquiagem forte e cabelo loiro, mas era ela. Por um momento, pensou que ela poderia ser uma profissional do sexo enviada por George afim de enganá-lo, mas a garota parecia assustada demais, com medo e em sua primeira noite, ela não foi nada profissional.

— Deixe eu adivinhar, eles pensaram que você era virgem e tentaram me enganar. — soltou um riso suspirado, pensando que aquilo era bem melhor para o seu plano, um motivo muito mais plausível..

— Eu sou a Amanda, foi o senhor que tirou minha virgindade. — Flora falou num sopro de voz, pensando que talvez pudesse convencê-lo de que ele conheceu sua prima aquele dia. Um pensamento tolo, pois ele descobriria quando visse a verdadeira Amanda.

Donatello não era um homem fácil de enganar, em sua posição, aprendeu a estar atento à detalhes, memorizar nomes e rostos. Jamais esqueceria das mulheres com quem dormiu e aquela era diferente.

— Eu pedi por Amanda, não pela cachorrinha dela. — respondeu ríspido. Flora não ligou para o comentário, era assim que se sentia, então simplesmente puxou as alças da camisola a deixando cair de seu corpo. Não voltaria para casa sem ter ao menos cumprido sua missão, talvez assim o castigo não fosse tão duro.

Donatello analisou a atitude dela, havia sido mandada com um propósito e estava disposta cumprir, talvez uma mulher obediente e sem má fama lhe fosse mais útil e lhe desse menos trabalho. Além dos benefícios, havia algo naquela mulher, algo que o fez quebrar uma regra certa vez, algo que não o fez expulsá-la do quarto logo de início.

— Tire essa peruca ridícula.

Ela retirou a peruca, vendo suas mãos tremerem, seu coração estava acelerado, seu corpo não respondia seus comandos e continuou segurando a peruca até que Donatello se aproximou e a tirou de sua mão.

— Qual o seu nome? — perguntou olhando em seus olhos, a garota baixou o rosto para desviar o olhar, mas Donatello não permitiu, segurou seu rosto fazendo com que o encarasse. — Olhe para mim quando falo com você.

— Flora… Flora Callegari. — Donatello não demonstrou, mas seus pensamentos se turbilharam mediante a descoberta. Se é que fosse verdade. Estaria George tentando enganá-lo novamente?

— Seu nome de verdade. — sua voz soou calma, mas Flora se sentiu muito mais intimidada.

— Esse é meu nome de verdade. — engoliu em seco, temendo vacilar e fazê-lo pensar que mentia.

Ele a estudou por longos segundos e tocou a pele desnuda da garota a puxando para perto. Donatello não gostava de enrolação, mas estava decidido a fazer de Flora sua esposa e lhe beijou, ela o aceitou sem hesitar, mantendo na memória a noite na mansão. Mas não era a mesma situação, o medo corria em suas veias, medo dele matá-la, medo da sua família e do que os dois poderiam fazer.

Don parou o beijo e sem delongas se despiu. Flora rapidamente se lembrou que havia ficado encantada com o homem, as tatuagens a deixava curiosa, queria ver cada uma, as cicatrizes a deixava intrigada, ela também as tinha, o corpo musculoso e o rosto frio, mas belo. Tentou trazer à tona aquele sentimento que teve quase três anos antes, mas estava muito nervosa com o que aconteceria depois.

— Não quero te machucar, mas é isso que vai acontecer se ficar dura como pedra. — Donatello murmurou em seu ouvido, arrancando um arrepio dela e se deitou na cama, apoiando as costas no travesseiro. — Preciso de um incentivo, Flora.

Ela engoliu em seco, sem ter muita certeza do que fazer e como fazer, ficou estática por alguns segundos, até que deu um passo em direção à cama. Subiu na cama, se ajoelhando no colchão e encarando o membro quase duro do don. Flora se inclinou e sentiu os dedos dele entrarem em seu cabelo, fechou os olhos e o colocou na boca, fez o que imaginava que devia, esperando alguma reação dele, mas tudo que obteve foi um puxão de cabelo, a tirando dali.

Donatello pediu que ela se deitasse e ela o fez, agora já estava mais calma e pronta para o que faria. Só porque era ele. Don se colocou em cima dela e num ímpeto a penetrou, Flora soltou um grito e agarrou os lençóis ao senti-lo, mas a dor não veio, não como na primeira vez. Ele se inclinou, apoiando as palmas das mãos na cama, Flora focou os olhos nele, enquanto o sentia se mover, deslizando dentro de si.

Ela estava gostando, mais do que esperava e com isso relaxava cada vez mais. Don estava atento a isso e aumentou o ritmo, tirando um gemido alto da garota, o som das estocadas e das respirações pesadas eram o único que se ouvia, mas os dois estavam focados em suas sensações. Donatello queria mais, porém, decidiu não exigir demais daquela garota ingênua.

Quando terminou, ele se dirigiu ao banheiro, tomou um banho e retornou. Ela permanecia deitada, como se quisesse se fundir a cama e evitar sua realidade. Talvez, poderia pedir a ele que mentisse.

— Deveria se limpar, Flora. — falou a tirando dos pensamentos enquanto colocava suas roupas.

Ela concordou se levantando, cobriu os seios com os braços e foi até o banheiro envergonhada, Donatello a observou com graça, pois a garota voltou a parecer um gatinho assustado. Quando ela terminou o banho, estava decidida a pedir que ele fingisse ter acreditado, mas Don já havia partido, então caminhou até a cama macia e puxando os edredons notou uma pequena mancha molhando o tecido, uma lembrança da noite que teve. Talvez a melhor que teve em anos.

Aquela era a melhor cama que já esteve, mas não conseguiu pregar os olhos pensando no que a esperava na manhã seguinte.

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