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Capa do romance Inevitável - Máfia Corvi

Inevitável - Máfia Corvi

Donatello Puzzo busca um herdeiro para garantir seu legado na máfia italiana. Ao propor um acordo estratégico a George LeBlanc, ele acaba sendo enganado: em vez da noiva prometida, recebe a sobrinha Flora Callegari. O que era um golpe vira uma oportunidade quando Donatello percebe que Flora é a chave para solucionar um mistério antigo. Agora, ele deve protegê-la enquanto buscam memórias perdidas e enfrentam perigos que conectam o passado a uma nova e perigosa realidade.
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Capítulo 3

Quando a manhã chegou, Flora percebeu que era cedo e aproveitou que ainda tinha tempo para tomar um longo banho, lavou seu cabelo com o shampoo e creme disponibilizado pelo hotel, percebendo que até isso era melhor do que o que tinha em casa. Retirou tudo que ficou da maquiagem e finalmente pôde se reconhecer no espelho, apesar de não gostar da imagem refletida. Colocou o vestido vermelho e guardou a camisola de renda na sacola em que veio.

Quando ia descer para esperar o táxi que a família iria enviar, a porta do quarto se abriu e Donatello entrou sem aviso. Flora se assustou, não esperava vê-lo, pensava que aquela seria a última noite que o veria e deu um passo para trás, com medo de que ele teria voltado para machucá-la.

— Te levarei para sua casa apenas para que pegue suas coisas, você virá comigo. — informou ele, Flora entendeu que era uma ordem, mas não entendia o que ele queria.

— Por que? — questionou.

— Você será minha esposa. — respondeu e se virou saindo para o corredor. Flora levou alguns segundos para assimilar o que tinha ouvido, mas o acompanhou, sem fazer mais perguntas.

Nunca pensou que se casaria, ainda mais com um homem como ele, mas estava aliviada, se Donatello agisse como naquela noite, esse casamento seria amplamente melhor que morar na casa dos tios.

Um Rolls-Royce os esperava na entrada do hotel. O motorista abriu a porta para que eles entrassem, Flora entrou primeiro, admirada com o luxo e beleza dentro do automóvel.

Donatello olhou para a mulher percebendo que ela analisava os detalhes do carro e pensou que ela era como todas as outras, interessada apenas no luxo e riqueza, afinal os LeBlanc adoravam exibir até o que não tinham.

Ele sabia pouco sobre ela, Flora era filha de Leonel Callegari que se casou com a irmã da senhora LeBlanc, Leonel era o braço direito de seu pai e numa fatídica noite num jantar especial, os pais de Flora foram mortos juntamente com a mãe de Donatello. A menina que na época tinha cinco anos, também foi dada como morta naquela noite, mas aparentemente, os LeBlanc apenas estavam a escondendo e cometeram o grave erro de deixa-la em suas mãos por uma noite.

Investigando um pouco, ele descobriu que os LeBlanc usaram todo o dinheiro da herança de Flora enquanto ela era menor de idade e estava sob tutela deles. Talvez fosse por isso que esconderam a menina, mas seu instinto lhe dizia que havia algo a mais nessa história, algo que envolvesse o atentado que matou sua mãe e quase tirou a vida de seu pai. Ter Flora consigo era como tirar uma carta boa do baralho, lhe dava uma vantagem que seu pai não teve quando buscou descobrir a verdade sobre aquela noite.

Ele só precisava descobrir o que ela sabia.

Quando o carro de luxo preto estacionou na frente da mansão LeBlanc, George pediu para Amanda se esconder.

— Ele deve ter vindo pessoalmente trazer a nossa "filha". Deve ser um bom sinal. — comentou com a esposa. — Aja como se ela realmente fosse a Amanda.

— Não seja tão otimista, ele pode ter descoberto. — ralhou a mulher.

— Só se ele já conhecesse a Flora, mas isso é quase impossível.

O casal ficou lado a lado e quando a porta se abriu, se assustaram ao ver Flora sem a peruca e a maquiagem. O homem que a acompanhava era mais novo do que eles esperavam e pensaram se tratar de algum segurança vindo se livrar do lixo deixado no hotel.

— Senhor e senhora LeBlanc, finalmente nos conhecemos. Vim pessoalmente trazer a sobrinha de vocês. — Donatello disse e em seguida se virou para Flora. — Vá pegar suas coisas e seja rápida.

Flora saiu andando à passos largos para a cozinha, tinha deixado suas coisas do lado de fora para tentar fugir, mas estava tendo a chance de se livrar daquele inferno, mesmo que talvez fosse passar por outro, não era tão ingênua a ponto de não saber que sua família era ligada a coisas ilegais.

— Quero informá-lo que nossos negócios se encerram aqui, sr. LeBlanc. Te darei dois dias para pagar tudo que me deve.

— Senhor Puzzo, peço piedade. — o homem deu um passo à frente.

— Deveriam pedir piedade à sobrinha de vocês, talvez ela permita que vendam a casa para pagar a dívida.

O casal se entreolhou e quando Flora retornou com uma sacola de roupas, Donatello entendeu, ela nunca soube que tudo aquilo pertencia a ela e a julgar pela maneira que ela trouxe suas roupas, ela não teve o melhor tratamento.

A senhora LeBlanc segurou o braço de Flora e a encarou ameaçando com o olhar.

— Não vá. — ordenou quase num sussurro.

Flora respirou fundo antes de dizer a palavra que tanto desejou dizer em voz alta para aquela família. Suas mãos tremiam e ela sentia uma trava na garganta, mas não suportaria viver sob mais um minuto sequer sob aquele teto, com aquela família e sob as ameaças dos tios.

— Nunca mais ouse tocar em mim. — ela agora tinha uma escolha e jamais permitiria ser humilhada por eles novamente.

— Flora, seu tio tem uma dívida alta comigo, mas te darei a escolha, se aprecia o que seus tios te fizeram durante todos esses anos, eu aceito essa casa como pagamento da dívida. — ela olhou para Donatello sem entender o que dizia, por que ela deveria escolher? — A casa é sua, Flora, e a fortuna que a família usufruiu por anos é herança deixada pelos seus pais em seu nome.

— O que está acontecendo? — Amanda questionou descendo as escadas.

— Isso é verdade? — Flora questionou olhando para os tios.

— Não! — respondeu o tio rindo. — Claro que não, esse homem está louco!

— Esse é o tal Donatello? — interrompeu Amanda, completamente perdida sobre o que acontecia. — Acho que posso gostar muito desse casamento.

Flora olhou para o homem que parecia possuir o controle do mundo, ela seria sua esposa, não poderia mais ser pisada por ninguém e nem permitir que sua bondade fosse vista como fraqueza. E ela seria fraca se tivesse pena de quem nunca teve dela.

— Terão que pagar cada centavo que gastaram da herança e quanto a casa, quero que desocupem no máximo em três dias.

Donatello sorriu orgulhoso da escolha da futura esposa, não podia esperar menos de uma Callegari. Não conheceu Leonel, mas conhecia a história do desembargador que confiou em seu pai e se aliou a ele. Era como se a união de Donatello e Flora fosse coisa do destino, pois se os pais da moça não tivessem morrido, teriam interesse em unir os dois.

— Flora… — a tia se aproximou e a moça deu um passo para trás, abraçando a sacola em seu peito, nada a impediria de ir embora.

— Vamos. — Donatello tocou o ombro dela e os dois saíram.

Flora sequer olhou para trás ao entrar novamente no carro. Depois de alguns minutos em silêncio, Donatello decidiu fazer algumas considerações.

— Fez o que seu pai faria se estivesse vivo. — ela o olhou, mal se lembrava dos pais.

— Você o conheceu?

— Não, mas ouvi falar sobre ele. Leonel Callegari foi importante para o sucesso da minha família. — respondeu.

Finalmente ele parou para observar a mulher que seria sua esposa, Flora era bela aos seus olhos, mas não tanto quanto Amanda, era magra e tinha o semblante apático, a pele pálida como porcelana, a tornava frágil como uma, não havia nada nela que a tornasse muito desejável, mas era como um diamante bruto e ele poderia torná-la apresentável.

Flora não percebeu o olhos atentos de Donatello sobre si, olhava o caminho pensando em como sua vida mudou em menos de 24 horas. O futuro era incerto, mas não esperava amor do homem que iria se casar, no fundo sabia que aquilo tinha um propósito, mas estava agradecida por se livrar daquela família. Qualquer coisa que Donatello lhe pedisse, ela faria de bom grado, desde que não fosse maltrada como foi na casa dos tios.

— Dentro de dois dias irei anunciar nosso noivado e dentro de um mês assinaremos os papéis. Tem que ser um casamento legítimo. Estou me casando, porque preciso de herdeiros, por isso amanhã mesmo você irá numa clínica realizar todos os exames necessários. No demais, nunca pense em me trair e em qualquer lugar que estiver aja como uma mulher de respeito, você não me conhece, mas eu sou um homem perigoso e tenho uma reputação a zelar, não admitirei nenhuma afronta a minha pessoa.

— Sim, senhor, farei como deseja. — respondeu e Donatello relaxou no banco, apesar de que a facilidade com que Flora aceitou lhe parecesse suspeito. Que tipo de mulher aceita tão facilmente se casar com um completo desconhecido? Precisava descobrir mais sobre ela.

Quando chegaram, todos os funcionários os aguardava em fila na frente de sua mansão. O chafariz com uma estátua de querubim no topo, permanecia jorrando sua água cristalina que brilhava sob o sol daquela manhã, Flora ficou encantada com sua beleza, entendendo que sua vida estava prestes a mudar totalmente. Assim que desceram do carro, motorista o levou até a garagem.

— Bom dia a todos, quero que conheçam Flora Callegari, minha noiva. — Donatello informou.

— Don, por que não avisou que a traria cedo? Teríamos preparado uma recepção melhor. — disse Branca, governanta da mansão. — Já tomou seu café da manhã, querida?

Antes que pudesse responder, Branca apoiou a mão nas costas da garota e a levou para dentro da mansão. Flora estava preocupada com suas coisas e se virou para ver se não iriam jogar fora por estar numa sacola.

— Não se preocupe, suas coisas serão levadas ao seu quarto. Aproveite o café da manhã, se quiser algo a mais, posso pedir na cozinha.

A mesa estava farta, havia uma variedade de pães, queijos, frutas, bebidas e doces. Flora nem mesmo sabia por onde começar, Donatello se aproximou, pegou uma xícara de café e saiu, indo para seu escritório.

— Quantas pessoas moram aqui? — ela perguntou para Branca, surpresa pela quantidade de comida.

— Apenas o senhor Puzzo, srta. Callegari. — respondeu prontamente com um sorriso. — Mas a comida é dividida com os funcionários, então não se preocupe com desperdícios.

Ela costumava tomar o café com os empregados, pão com geleia ou torrada e café. Nem mesmo já presenciou tanta fartura e ficou feliz por saber, Flora sorriu para Branca, aliviada ao perceber que o empregados eram bem tratados, se fosse como eles, ainda seria melhor que com os LeBlanc.

Ela se sentou e experimentou um pouco de tudo, muitas coisas eram novas e percebeu o quanto foi privada de coisas simples e era pior pensar que não deveria ter sido assim. Se seus pais não tivessem morrido, ela jamais teria passado por tudo aquilo, teria uma vida tranquila, talvez teria feito faculdade e namorado vários garotos até encontrar aquele com quem desejasse se casar, mas se casaria sem amor, apenas para fugir da maldade de seus tios.

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