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Capa do romance Indomável Paixão

Indomável Paixão

Kiara Elliot é uma arquiteta resiliente que luta por seu mestrado em Harvard enquanto esconde um segredo doloroso. Sua rotina muda com a chegada de Nikolaos Korsac, um empresário russo frio que assumiu os negócios após a morte do irmão. Obrigado por um testamento a se casar, ele vê em Kiara a solução ideal. Entre escândalos e provocações, ela precisa conquistar esse homem indomável, temendo que suas revelações transformem seu grande sonho em um pesadelo.
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Capítulo 2

Kiara estava trancada em seu quarto, deitada de barriga para baixo sobre o carpete, tendo à sua volta inúmeros livros, cadernos e apostilas. Tentava desesperadamente se concentrar para poder estudar, mas os acontecimentos daquela noite não lhe saíam da cabeça.

O shortinho de moletom e a regata azul clara não a protegiam do frio do fim da madrugada e ela começava a tremer, mas não se importava. Em sua cabeça milhões de coisas passavam e por mais que tentasse organizá-las, não obtinha sucesso. Desistindo de estudar, fechou os livros e cadernos e levantando-se do chão colocou-os sobre sua mesinha de cabeceira de forma organizada.

Caminhou com passos lentos até seu guarda-roupa onde parou na frente do espelho. Analisou seu reflexo, procurando alguma coisa em sua aparência que justificasse as palavras de Nikolaos Korsac. Percebeu o que estava fazendo e repreendeu-se por isso. Foi aí que se lembrou de onde ouviu o nome Korsac, essa lembrança lhe causando um tremor involuntário.

Suspirando pesadamente, caminhou até a extremidade do quarto e abriu o guarda-roupa. Retirou com cuidado uma pilha de roupas bem dobradas e as colocou no chão. No espaço vazio que ficou retirou uma placa de madeira que disfarçava a entrada de um compartimento secreto. De dentro desse compartimento, Kiara retirou dois envelopes. Voltando a fechar o compartimento, os pegou e sentou-se em sua cama.

Abrindo o primeiro envelope retirou uma carta datada de três meses antes. Leu-a por inteiro e seus olhos brilharam pelas lágrimas contidas.

Suspirando, abriu o segundo envelope com as mãos trêmulas. Hesitante, começou a ler a carta datada de duas semanas antes. Ao chegar ao meio da carta as lágrimas venceram suas barreiras e vieram lhe banhar o rosto, impedindo-a de continuar a leitura. Dobrou-as e as guardou em seus respectivos envelopes e as pôs sob seu travesseiro.

Levantou-se enxugando as lágrimas que teimavam em cair, indo até a janela do quarto e ali ficou por minutos a observar em silêncio os poucos carros que passavam pela rua.

Sentando-se no parapeito da janela começou a analisar tudo o que lhe aconteceu durante o dia. Seus amigos a obrigando a ir à boate, seu encontro com William, a chegada de Korsac e seu amigo, as informações que Will havia lhe passado, seu esbarrão acidental em Nikolaos e o final catastrófico que se seguiu a isso.

Suas emoções estavam à flor da pele, todas alvoroçadas, borbulhando como lavas de um vulcão prestes a entrar em erupção. A lembrança de Korsac a menosprezando na frente de todos não lhe saía da mente.

Estava furiosa!

Não com Nikolaos. Afinal, não poderia esperar uma atitude educada depois de derrubar bebida na camisa dele. Mas, sim, consigo mesma.

"Como pude ficar calada diante de tamanha afronta?", – pensou enquanto ia até sua cama, onde se deitou olhando para o teto, esperando que o dia amanhecesse.

ooOoo

Nem bem o dia amanheceu e Kiara já estava de pé preparando o café da manhã para si e para Íris. Ambas tinham reunião do grupo de estudo logo pela manhã antes de irem trabalhar. A prova para admissão na Universidade era na próxima semana. Tudo estava tão corrido que as duas mesmo morando juntas quase não se viam, muito menos viam os amigos de longa data. Foi por isso que marcaram de ir à boate, mesmo se encontrando durante as reuniões do grupo de estudo não conseguiam tempo de se divertirem juntos. Mas com o desfecho do encontro, Kiara achou que deveria ter escutado seus instintos e ter ficado em casa estudando.

Não demorou muito e Íris acordou, indo até a cozinha. Não se surpreendeu em nada ao ver a morena lá. Afinal, escutou os passos dela dando voltas e voltas pelo quarto, inquieta.

– Bom dia, Flor do meu dia. – cumprimentou tentando conter um bocejo.

– Bom dia Íris. – respondeu Kiara oferecendo uma xícara de café recém-feito.

As duas tomaram café em silêncio, se conheciam há tanto tempo que não precisavam travar uma conversa para saber como a outra estava. Um simples olhar lhes revelava o que mil palavras não conseguiriam explicar.

Depois de tomarem café e arrumarem o apartamento, as duas saíram juntas rumo a casa de Brenno, onde se preparavam para a prova. Essa era a rotina dos últimos dois meses. Entrar no mestrado em Harvard era um sonho que estava perto de se realizar. Kiara queria se especializar em Restauração de Edificios, Íris queria entrar no curso de Planejamento Urbano.

Andavam pela rua enquanto conversavam sobre amenidades quando Kiara foi chamado por um homem. Sem reconhecer a voz continuou andando até que o chamado se repetiu. Ao olhar para trás para ver quem a chamava, Kiara gelou. De todas as pessoas no mundo ele era a última pessoa que esperava. Nikolaos Korsac caminhava rapidamente em sua direção com uma expressão mal-humorada. Parou a alguns passos de onde Kiara e Íris estavam e disparou a pergunta:

– Você é Kiara Elliot, não?

– Sim, sou eu mesma – Kiara respondeu meio hesitante.

– É você a mulher conhecida como Rato de Biblioteca? – perguntou sacudindo uma folha no ar, bem a frente do rosto de Kiara.

Kiara o encarou, admirando os traços bonitos, porém irritados do homem a sua frente. Seu olhar desceu reparando nas roupas que ele usava. Dessa vez estava vestido com uma camisa azul marinho semi-aberta, deixando à vista boa parte do peito alvo. Uma calça preta e justa, seus classicos sapatos italianos e um Rolex diferente do usado na noite passada.

– Responda! É a...

– Já ouvi. – Kiara o interrompeu.

– E então?

A pergunta veio acompanhada de uma expressão de contrariedade, denunciando a evidente braveza.

– E então o quê? – perguntou Kiara, evitando usar um tom irreverente, enquanto olhava algumas pessoas passarem por eles apressadas, provavelmente rumo aos seus trabalhos seculares.

– Explique isto! – vociferou Nik, sacudindo novamente a folha.

Tranquilamente Kiara pegou a folha que lhe era estendida de forma arrogante. Ao examinar o papel, ela notou que se tratava de uma caricatura, postada como Meme no Facebook. Aliás, muito divertida. Kiara estava representada por um por um ratinho de óculos e aparelho nos dentes roendo livros e Nikolaos, sob a forma de um majestoso Dragão raivoso que apontava para ela e dizia qualquer coisa sobre Aparência.

Os lábios de Kiara se entreabriram em um sorriso divertido enquanto passava a folha para Íris olhar, irritando ainda mais Korsac que a observava atentamente.

– Pode me explicar o que é isso?

– Imagino que alguém achou divertido o que aconteceu entre nós ontem à noite, senhor Korsac e resolveu ilustrar.

– Alguém jogou isso bem na frente da minha casa. Fora que minhas mídias sociais explodiram com a publicação dessa coisa. Isso é um insulto!

Kiara deu de ombros.

– É apenas uma brincadeira. Nós, americanos, gostamos de desenhar coisas do cotidiano de forma a alegrar as pessoas. Bem vindo de volta à América, senhor Korsac!

– Pois eu não gosto! Destrua esse desenho e impeça que outros sejam compartilhados!

– Acho que está falando com a pessoa errada. E agora se me dá licença, precisamos ir agora. – fazendo um sinal a Íris que observava tudo em silêncio, começaram a se afastar.

– Nega que é você que aparece no desenho? – Nikolaos perguntou arrogante.

– Claro que não! Com certeza o Ratinho é uma caricatura minha. E o Dragão parece se referir a você. Obviamente os cartunistas acharam que eu, ou melhor, nós dois servimos como boa matéria para os lápis deles. Mas isso não importa. Logo mais eles encontrarão novas vítimas... Agora realmente precisamos ir, senão chegaremos atrasados em nosso compromisso. – novamente Kiara e Íris começaram a se afastar na direção oposta.

– Não dê as costas para mim, garota! – Nikolaos bufou com raiva.

Kiara que já tinha se afastado alguns metros, girou a cabeça e, espiando sobre o ombro, disse com aspereza:

– Tenho nome. E não recebo ordens do senhor. Tenha um bom dia.

Nem bem tinha dado mais alguns passos quando sentiu seu braço ser puxado com brusquidão. Kiara estreitou os olhos na direção de Nik. A situação estava ficando constrangedora e ela acabaria chegando atrasada ao grupo de estudos, o que a deixava extremamente mal-humorada.

– Nenhuma mulher vira as costas para mim! – Nik falou em um tom raivoso segurando firmemente o braço de Kiara.

– Ficará satisfeito se eu me desculpar? – Kiara respirou fundo se segurando para não rolar os olhos.

– Ainda não terminei.

– Se não deseja ter seu nome envolvido ao meu... Essa não é a melhor maneira de consegui-lo.

– O que quer dizer? – Korsac perguntou um pouco confuso, mas sem perder a pose autoritária.

– Impedir-me de ir embora desse jeito é a pior solução. Se alguém estiver nos observando, não vai demorar muito para que surja outra caricatura.

Nik ergueu as sobrancelhas, revelando perplexidade.

"Ele realmente é um homem muito bonito", – pensou Kiara, antes de decidir explicar-lhe:

– Os cartunistas estão em todos os lugares que possa imaginar e não apenas nas boates. A maioria das pessoas por aqui estudam artes, então os desenhos e caricaturas são formas de praticarem seus estilos. E quando se deparam com uma cena que imaginam interessante para satirizar, não hesitam em passá-la para o papel. Depois a digitalizam e espalham por aí. Principalmente por você ser a nova celebridade do lugar. É a chamada liberdade de expressão.

– A culpa é toda sua! – acusou Nikolaos, apontando o dedo na direção de Kiara.

– Não tenho nada a ver com isso. – Kiara respondeu de forma contrariada. – Também não estou servindo de alvo para tais brincadeiras? Então, faça como eu, não permita que elas o aborreçam.

– Já foi vítima dessas brincadeiras antes? – Nikolaos quis saber.

– Sempre que eles não têm assunto novo... Eles me usam como inspiração para as brincadeiras. – Kiara falou em tom conformado.

– Não concordo com isso. – Nik foi taxativo.

– Não há o que se possa fazer – Kiara deu de ombros.

– Por quê? – teimou o moreno.

– Liberdade. Eles podem brincar com as caricaturas conforme desejarem. Não importa a quem agradem ou desagradem. Por essa razão, prefiro ignorá-las.

– Então não há como impedi-los? – Korsac encarou Kiara com firmeza.

– Lamento desapontá-lo. Agora poderia fazer o favor de soltar meu braço e me deixar ir embora.

– E se formos vistos juntos, apreciando a companhia um do outro, evitaria que nos satirizassem? – Nik falou sem nem prestar atenção ao que Kiara disse.

– Receio que não. Provavelmente, sempre o considerarão como um Dragão enfurecido.

– Não sou assim – rebateu Nik.

– Vou aceitar sua palavra se fizer o favor de soltar meu braço e me deixar ir embora. – Kiara puxou seu braço com brusquidão fazendo com que o moreno a soltasse.

– Está bem. Mas antes devo avisá-la de que vou acompanhá-la à festa promovida pela Universidade para os novos alunos do mestrado. Irei buscá-la às nove horas. Esteja pronta, odeio esperar.

Kiara arregalou os olhos diante de tamanha impertinência.

– Não acha que está sendo insolente? Você nem sabe se irei à festa?

– Se não me engano, você está se preparando para voltar para a Universidade, então é bom que vá as festa promovidas por ela para facilitar sua entrada, não? – Nikolaos falou calmamente.

– Mas é um direito meu escolher quem vai comigo. – Kiara cruzou os braços em uma atitude de desafio.

– Isso é besteira. Vou buscá-la às nove. Poderemos cortar o mal pela raiz. Ser for vista desfrutando da minha companhia, encontrarão outras pessoas para importunar.

– Parece ter se esquecido de um detalhe. – o sarcasmo de Kiara era palpável.

– Qual? – o olhar curioso de Nik irritou Kiara ainda mais.

– O de que não aprecio sua companhia.

Para completa surpresa de Kiara, Nik deu uma gargalhada tão estrondosa que ela estremeceu.

– Esteja pronta às nove horas. Já disse que detesto esperar. – Korsac voltou a falar em tom calmo.

– Você nem sabe onde moro – Kiara tentou desesperadamente se livrar do compromisso.

– No apartamento 15 A do 6º andar do edifício Chizuru.

Kiara o fulminou com o olhar.

– Como você sabe disso?

– Tenho meus informantes. – Nikolaos riu travesso. – Esteja pronto às nove.

– Eu não disse que aceitaria. – teimou Kiara.

– Vai preferir que eu a force?

– Seria capaz disso?

– Duvida?

Nik deixou a questão no ar. Em seguida afastou-se indo em direção de Richard que os observava de longe.

Kiara permaneceu imóvel, observando até que o excêntrico homem sumisse de vista. Respirando fundo, virou-se para Íris que apenas meneou a cabeça e ambas correram para não se atrasarem mais para o compromisso.

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