
Império e Corações Partidos
Capítulo 2
Laura desligou o telefone, seu corpo tremendo incontrolavelmente. A voz de sua meia-irmã, Sofia, ainda ecoava em sua mente, melosa e triunfante, descrevendo para uma amiga os detalhes íntimos de sua noite com Marcos, o noivo de Laura.
Ela estava no estacionamento do seu próprio prédio de escritórios, um império que construiu do zero, mas se sentia completamente perdida, como se o chão tivesse desaparecido sob seus pés. A traição não era apenas de seu noivo, era de sua própria família, uma conspiração para roubar tudo o que ela tinha.
Com os dedos trêmulos, ela abriu o navegador em seu celular, digitando palavras que nunca imaginou que procuraria: "acompanhante de luxo". Uma lista de sites apareceu, e ela clicou no primeiro, o mais elegante e discreto.
Uma galeria de homens apareceu na tela. Todos eram bonitos, mas suas expressões eram vazias, profissionais. Laura passou por eles sem interesse, até que uma foto a fez parar.
O homem na foto se chamava Enzo. Ele não estava sorrindo para a câmera com uma expressão forçada, ele olhava diretamente para a frente, seus olhos escuros e profundos pareciam conter um universo de segredos, e um leve sorriso brincava no canto de seus lábios, quase como se ele soubesse de um segredo divertido. Ele não parecia um acompanhante, parecia um homem que tinha o mundo aos seus pés.
Uma memória dolorosa invadiu a mente de Laura sem aviso. Ela se lembrou de ter voltado para casa mais cedo na semana passada, querendo fazer uma surpresa para Marcos, e o encontrou no quarto com Sofia. As risadas deles, os sons de seus corpos juntos, a imagem dos dois se virando para ela, chocados, mas sem nenhum pingo de remorso. A imagem queimava em sua memória.
"Laura, não é o que você está pensando", Marcos disse, com a voz mais falsa que ela já tinha ouvido.
Sofia, enrolada no lençol, apenas a olhou com um sorriso de desprezo, um sorriso de vitória.
Laura sacudiu a cabeça, forçando a memória para longe. A dor se transformou em uma raiva fria e calculista. Eles queriam jogar? Então ela jogaria também.
Ela encontrou o número de contato da agência e ligou. Uma voz profissional atendeu.
"Eu quero contratar Enzo", Laura disse, sua voz surpreendentemente firme. "Agora."
Houve uma pausa do outro lado da linha. "Senhora, o Sr. Enzo tem uma agenda muito cheia. Geralmente, as reservas precisam ser feitas com semanas de antecedência."
"Eu pago o dobro", disse Laura, sem hesitar. "O triplo. O que for preciso. Eu preciso dele esta noite."
A determinação em sua voz deve ter convencido o agente. Após alguns minutos de espera, uma nova voz entrou na linha, uma voz masculina, profunda e suave, que parecia vibrar através do telefone.
"Aqui é o Enzo. Ouvi dizer que alguém está com pressa para me ver."
Laura respirou fundo. "Sim. Eu preciso de você."
"Precisa de mim para quê, exatamente?" A voz dele era sedutora, com um toque de diversão.
Laura não hesitou. Ela não ia recuar agora. "Eu preciso que você seja meu namorado."
Houve um silêncio do outro lado, mas não era um silêncio chocado, era um silêncio pensativo.
"Um namorado?", ele repetiu lentamente, a diversão em sua voz crescendo. "Isso é um pedido novo. Geralmente, as clientes são mais... diretas."
"Eu não sou suas outras clientes", respondeu Laura, a frieza voltando à sua voz. "Eu preciso de um namorado de aluguel. Alguém para me acompanhar em eventos, para conhecer minha família, para fazer todos acreditarem que estamos em um relacionamento sério."
Ela pensou em Marcos, em Sofia, em seus pais que sempre a viram como um caixa eletrônico. Eles a usaram, a descartaram e planejaram roubar sua vida. A vingança era a única coisa que fazia sentido. Contratar Enzo não era um ato de desespero, era o primeiro movimento em seu tabuleiro de xadrez.
"Interessante", disse Enzo, sua voz agora séria, mas ainda com um toque de curiosidade. "Um relacionamento falso para enganar a todos. Isso soa complicado. E por quanto tempo você precisaria desse... namorado de aluguel?"
A pergunta pairou no ar, cheia de possibilidades. Enzo não era apenas um rosto bonito, ele era inteligente, e sua pergunta simples sugeria que ele entendia as complexidades por trás de um pedido tão estranho. Ele não era apenas um peão que ela estava contratando, ele era um jogador por si só.
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