
Império e Corações Partidos
Capítulo 3
"Eu não sei por quanto tempo", Laura respondeu honestamente, a voz um pouco mais baixa. "O noivado acabou para mim, mas eles ainda não sabem. Preciso de tempo para resolver as coisas, para colocar meu plano em ação."
"Seu plano?", Enzo repetiu, a curiosidade em sua voz era palpável. "Então, eu não serei apenas um namorado, serei uma arma?"
O jeito como ele disse a palavra "arma" fez um arrepio percorrer a espinha de Laura, não era um arrepio de medo, mas de excitação. Ele entendia.
"Exatamente", ela confirmou. "Você será a minha arma. A melhor arma que o dinheiro pode comprar."
Laura sentiu que sua resposta soou fria demais, quase como se estivesse o tratando como um objeto. Ela não queria isso. Por alguma razão, a opinião daquele homem desconhecido importava. "Desculpe, isso soou mal. O que eu quero dizer é..."
"Não, eu entendi", ele a interrompeu, e o tom de diversão voltou. "Ser uma arma soa muito mais interessante do que apenas ser um acompanhante. Mas um contrato assim, sem prazo definido... isso é arriscado para mim. E se você se apaixonar por mim e nunca quiser me deixar ir?"
Laura soltou uma risada seca. "Acredite, amor é a última coisa na minha mente agora."
"Que pena", ele disse, com uma falsa tristeza. "Então, se não é para sempre, quanto tempo? Um mês? Um ano?"
Ele estava a provocando, e por mais estranho que fosse, isso a fez se sentir um pouco melhor.
"Que tal...", ele continuou, com um tom dramático, "um contrato vitalício? Eu serei seu namorado de aluguel para o resto da vida. O que você acha?"
Laura balançou a cabeça, um pequeno sorriso surgindo em seus lábios pela primeira vez naquela noite. "Você é ridículo."
"Sou profissional", ele corrigiu. "E minha profissão é fazer minhas clientes felizes. Um contrato vitalício parece uma ótima maneira de garantir sua felicidade a longo prazo."
A conversa leve a distraiu da dor por um momento, mas a realidade voltou com força total quando ela estacionou o carro na garagem de sua casa, a casa que dividia com seus pais e Sofia.
Assim que entrou, ouviu vozes vindo da sala de estar. A voz de sua mãe, Beatriz, e de Sofia.
"Você tem certeza que o Marcos vai mesmo terminar com a Laura depois que vocês se casarem?", perguntou Beatriz, com um tom de ansiedade.
"Claro, mamãe", respondeu Sofia, com sua voz doce e venenosa. "Ele só está com a Laura pelo dinheiro e pela empresa. Ele me ama. Assim que nos casarmos e ele conseguir o controle das ações dela, a Laura será história. Nós vamos finalmente ter a vida que merecemos, sem precisar depender das migalhas que ela nos joga."
Cada palavra era uma facada no coração de Laura. Migalhas? Ela deu a eles tudo, uma casa luxuosa, carros, um estilo de vida que eles nunca poderiam ter por conta própria. E para eles, eram apenas migalhas.
Ela se encostou na parede fria do corredor, o ar faltando em seus pulmões. Ela sempre soube que seus pais, Carlos e Beatriz, a viam mais como um investimento do que como uma filha, mas ouvir a confirmação de forma tão cruel era devastador. E Sofia... a meia-irmã que ela acolheu em sua casa, a quem deu tudo, era a pior de todas.
Laura fechou os olhos, a raiva substituindo a dor. Ela não era uma vítima. Ela não era um caixa eletrônico. Eles a subestimaram pela última vez. Seu plano não era mais apenas sobre vingança, era sobre sobrevivência, sobre recuperar sua vida e sua dignidade. E Enzo seria a chave para tudo isso.
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