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Capa do romance Imarcescível

Imarcescível

Simon acredita que o amor de Utima por ele é eterno e resistente a qualquer obstáculo. No entanto, ele descobre que sentimentos podem se apagar quando ela finalmente desiste dessa relação. Enquanto tenta lidar com as consequências e a dúvida se ainda há conserto para o passado, Utima conhece Dylan. Os dois iniciam uma conexão peculiar que desafia antigas certezas. No fim, fica a lição de que nada no mundo é realmente imarcescível.
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Capítulo 3

Simon

Mais uma vez Lanick colocou as suas mãos em mim, estou tão farto de ouvir as suas palavras horríveis.

"Si". Ouço sua voz suave e me viro para ela com um sorriso já implantado nos lábios.

"Hei Ti". Digo envergonhado por ela ter notado a minha expressão e olho para o chão.

"Por que você não fala nada?". Ela pergunta vendo os meus machucados que tento esconder.

"Não tenho nada para falar". Digo e começo a andar e ela vem atrás de mim.

"Andar a bulha não é solução para seja lá qual for o seu problema, se quiseres podes falar para mim". Ela diz simpática e preocupada como sempre.

"Você não precisa se preocupar com isso Ti, não é nada de importante, é só estupidez mesmo, coisa de rapazes". Digo tentando me livrar de seu questionário.

"Eu te conheço, não penses que me enganas, eu vou para aula, te vejo depois?". Eu aceno e partimos caminho, vou até ao pátio e me sento.

***

"Até quando você vai apanhar para defender aquele filho do macaco?". Lanick pergunta enquanto empurra o meu ombro e eu não respondo. "Não sei como você ainda não notou, mas ele até que tem força, ele partiu o braço de um dos meus amigos, mas você é outra história, você é fraquinho e mesmo assim você apanha para defender os seus amiguinhos, eu já te disse, fica com os seus, você está a nos envergonhar".

"Porque você não desiste?". Empurro a sua mão e me afasto dele.

"E o salvador chegou, vai deixar que esse daí te defenda?". Lanick declara afrontoso e sorridente, por instinto me viro para quem ele fala, e um sentimento estranho surge em meu interior.

"Ele tem nome seu idiota". Vocifero pela primeira vez.

"O quê? Essa coisa horrível que vocês o chamam". Lanick goza, Uami dá mais passo para frente e estufa o peito.

"É estranho sim, para você, mas é o que me identifica, tal como o resto das minhas características". Ele defende como sempre, orgulhoso.

"SIMON". Lanick grita para mim, eu dou as costas e corro até onde o Uami está. "Isso não vai ficar assim". Ele diz e vai embora quando avista o director.

"Uami, você tem de parar com isso". Cruzo os meus braços meio amuado e insatisfeito.

"Parar com o quê?". Uami pergunta baralhado.

"Com isso, eu não preciso da tua ajuda sempre, eu consigo me defender sozinho". Explico, tentando mostrar o meu lado.

"Nós somos amigos, amigos são para isso, se defendem uns aos outros". Ele responde divertido como sempre e isso me irrita.

"Chega Uami, isso é cansativo, eu estou cansado". Digo com raiva e vou para longe dele.

"Simon, você discutiu com o Uami?". Minha irmã pergunta quando chegamos em casa.

"Eu não sou uma criança, eu sei me defender sozinho". Informo para ela e olho para o outro lado e evito olhar para ela.

"Você. Ainda. É. Uma. Criança. E evita discutir com o Uami, ele é teu melhor amigo, melhores amigos devem ficar juntos para sempre", Sun diz com a sua inocência e sabedoria de velha.

"Eu sei que ele é meu amigo". Abaixo a minha cabeça e olho para os meus dedos entrelaçados.

"Então lhe diz o que sentes e deixa-o te ajudar de vez em quando, não custa nada". Ela diz sorridente e eu a abraço a fazendo rir.

"Estás muito espertinha não acha?". Pergunto fazendo cócegas e ela ri.

"Para Si, para". Ela diz contente e eu paro rindo do seu rosto vermelho.

"Eu também gosto de você Sunny". Digo contente e decido fazer as pazes com o Uami, ela tem razão, nós somos os melhores amigos.

***

"Lanick, para!". Eu grito assim que o vejo. Eu ouvi os gritos da Sun e corri, para encontrar Lanick a puxar o cabelo dela.

"Isso dói". Sun diz chorosa e eu fico furioso.

"Vocês os dois devem aprender que devem andar com os da sua própria raça, parem de se misturar com cor podre". Lanick cospe e eu parto para cima dele, tento bater nele, mas ele sempre foi mais forte que, sempre foi maior que eu, e ele tem razão quando diz que sou fraco, mas eu não vou deixar ele sair impune depois do que fez a minha irmã.

"Onde está o seu herói Simon? Ele não vem hoje?". Lanick zomba.

"Cala a tua boca". Explodi de ódio e tento dar-lhe um soco e falho, ele dá um bico em minha barriga e eu caiu ao chão tossindo, os outros meninos se reúnem a nossa volta.

"LUTA, LUTA, LUTA, LUTA". Eles cantavam a nossa volta, procuro Sun com os meus olhos e nesse momento Lanick me atinge no rosto, me sinto meio tonto no instante.

"HEI, SEU IDIOTA!". Reconheço a voz do Uami e ele se aproxima de nós.

"Vez, basta te magoar um pouco que o teu herói chega rapidinho, o que você vai fazer agora que o escravo chegou para te defender?". Lanick pergunta em meu ouvido e eu o empurro fazendo força para conseguir me levantar.

"Eu já disse para fechares essa boca". Digo respirando com dificuldade.

"Hoje eu acabo com você Lanick". Uami diz, e o mesmo dá passos largos em sua direcção.

"NÃO!". Eu grito e ele pára de andar.

"Hamm...?". Perplexo, Uami olha para mim.

" Eu disse não, pára de te armar em herói, pára de me defender, eu tenho mãos, eu consigo fazer as coisas sozinho, eu não dependo de você". Dirijo a minha raiva para ele.

"O que você quer dizer com isso Si?". Desorientado ele vem até mim.

"O que você ouviu, ou és mesmo burro? A tua cor, mesmo demonstra o quão burro você é". Falo e o vejo parar de andar e mudar de postura.

"Retira o que você disse". Ele diz apontando o dedo para mim.

"Não, não vou, eu estou cansado de você estar sempre lá, pare, apenas pare, a luta é minha, fui eu quem a comprei". Declaro.

"Simon, eu estou a avisar". Uami se aproxima ameaçador.

"Não vou repetir, eu não preciso que um escravo como você me defenda sempre". Digo e não vejo quando ele me dá um soco, eu tento me recuperar, mas ele me dá uma rasteira, puxa o meu pé e eu caiu no chão, ele sobe em cima de mim e desfere vários socos, e um é mais doloroso que o outro.

"PAREM!". Ouço a voz da Sun, e no momento em que ele olha para ela o empurro fazendo com que ele saia de cima de mim e eu fico em pé.

"É tempo suficiente para te arrependeres". Ele avisa.

"Não, seu gorila bruto". Digo irritado e ele vem mais uma vez, eu só consegui o acertar uma vez até que nos separaram, eu olho para ele furioso e ele devolve o olhar. "Eu não sou mais seu amigo". Cuspo o sangue que tenha em minha boca.

"Igual". Ele diz antes de nos levarem para a sala do director. Nós fomos suspensos e os meus pais ficaram furiosos com tudo.

"Sun". Chamo por ela quando chegamos em casa.

"Não fala comigo". Ela diz e parece zangada.

"Sun, olha para mim". Pego em seus ombros e a obrigo a olhar para mim, vejo os seus olhos cheios de lágrimas.

"Eu te odeio". Ela diz chorando, se levanta e corre pelas escadas até ao andar de cima.

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