
Humilhada no Altar, Encontrei a Verdade
Capítulo 2
Beatriz Gentil POV:
O silêncio se estendeu. Ninguém se moveu. Ninguém falou. Os olhares que recebi foram de pena, de vergonha alheia. Meu coração batia forte no peito, cada batida acompanhada pela pulsação em minha têmpora. Eu estava à beira do colapso, o tremor incontrolável se espalhando pelos meus braços. O mundo parecia encolher ao meu redor, Sufocante.
"Quem aceitaria ser parceiro dela agora?" ouvi um murmúrio vindo do fundo da sala.
"Ela está desesperada, totalmente sem moral. Ninguém de peso vai querer associar a imagem com alguém que acabou de ser chutada publicamente assim."
Senti o golpe. A humilhação. A verdade nua e crua de que eu estava sozinha, exposta e vulnerável.
Meus olhos começaram a marejar, a garganta fechada, mas me forcei a manter o queixo erguido. Eu não daria a eles a satisfação de me ver chorar. Não para Artur, não para Sofia, não para o mundo.
Foi então que uma voz grave e firme cortou o ar.
"Eu aceito."
O som veio da parte de trás do auditório, e todos se viraram, chocados. Eu também me virei, meu coração acelerado, a esperança e o medo lutando dentro de mim.
Quem era ele?
Um homem alto, de terno perfeitamente ajustado, caminhava em minha direção. Seus passos eram confiantes, determinados. O rosto, emoldurado por cabelos escuros e olhos penetrantes, era inconfundível.
Dante Do Rêgo.
O maior rival de Artur. O lendário empresário, conhecido por sua integridade e seu império nos negócios.
Minha mente correu para o passado, para os poucos encontros que tive com ele. Sempre em eventos de negócios, sempre um adversário silencioso de Artur.
Lembrei-me de um incidente, anos atrás, quando eu estava começando e um erro quase arruinou um projeto. Artur me humilhou, me trancou em uma sala fria de armazenamento como punição. Dante, que estava por perto, notou minha ausência e, discretamente, perguntou sobre mim. Quando descobriu, ele me ajudou a sair, sem dizer uma palavra sobre isso a Artur.
Outra vez, Artur, em um acesso de raiva ciumenta, me forçou a entrar em um rio gelado durante uma tempestade. Dante, que estava pescando nas proximidades, me viu e me puxou para fora, me cobrindo com seu próprio casaco, antes de Artur sequer notar meu sumiço. Ele nunca contou a Artur.
Ele sempre foi uma sombra protetora, um observador silencioso. Mas nunca um participante direto nos jogos cruéis de Artur.
Seria isso mais uma armadilha? Um jogo orquestrado por Artur para me humilhar ainda mais? Minha desconfiança era um reflexo de anos de manipulação.
"Por que ele faria isso?", pensei. "Ele sabe o que Artur é capaz de fazer."
Ainda assim, a ideia de ter alguém ao meu lado, alguém que não fosse Artur, era inebriante. Mesmo que fosse por um breve momento.
"Ela está desesperada. Esse Dante só pode estar brincando", ouvi alguém dizer.
"Que péssima escolha. Ela está se jogando nos braços de outro problema."
Dante parou diante de mim, seus olhos encontrando os meus. Havia uma intensidade neles, mas também uma estranha calma. Seu olhar era firme.
"Eu aceito a sua proposta, Beatriz", ele disse, sua voz ressoando com autoridade. "Serei seu parceiro."
Minha garganta secou. Eu estava atordoada demais para falar.
Artur, que até então parecia petrificado, finalmente reagiu. O rosto dele ficou vermelho, os olhos arregalados de fúria.
"Dante, você não pode estar falando sério!", Artur gritou, a voz cortando o ar como um chicote. "Essa mulher é um problema. Ela é minha!"
Dante apenas sorriu, um sorriso calculista, que não atingia seus olhos.
"Ela acabou de dizer que estava livre, Artur", Dante retrucou, a voz calma e com um toque de ironia. "E eu estou apenas oferecendo uma nova oportunidade."
Eu engoli em seco. O que estava acontecendo?
"Eu... Eu aceito sua oferta", eu disse, minha voz ainda trêmula, mas com uma nova faísca de desafio. "Mas com uma condição."
Dante levantou uma sobrancelha, curioso.
"Nós nos casaremos", eu declarei, olhando diretamente para Artur. "Agora. Nesta tarde."
O auditório explodiu em um burburinho. Artur cambaleou, como se tivesse levado um soco no estômago. Sofia, até então sorridente, empalideceu.
Dante me olhou, seus olhos avaliando. Por um momento, pensei que ele recusaria. Mas então, um sorriso lento e perigoso se formou em seus lábios.
"Concordo", ele disse. "E faremos isso público. A união de nossas empresas será celebrada com a nossa união pessoal."
"Não pode ser real", Artur murmurou, sua voz embargada pela raiva e incredulidade. Ele estava pálido, chocado.
No final da tarde, eu estava em um cartório, ao lado de Dante. O processo foi rápido, quase surreal.
O homem que eu conhecia apenas como o rival de Artur agora era meu marido.
A certidão de casamento em minhas mãos parecia pesada, o papel um contraste gritante com a leveza que eu sentia. Uma estranha mistura de alívio e pânico.
Olhei para a foto do documento: eu, com os olhos vermelhos de exaustão e choque, ao lado de Dante, que parecia perfeitamente calmo e controlado.
A separação de Artur era agora final, irreversível.
"Se você quiser o divórcio amanhã, eu o darei", Dante disse, sua voz suave, quebrando o silêncio. "Não estou te prendendo a nada."
Meus olhos se encheram de lágrimas, mas não eram lágrimas de tristeza. Eram de um estranho alívio, e de uma gratidão inesperada. A dor que eu sentia por dentro era constante, mas a oportunidade que ele me oferecia era real.
Eu balancei a cabeça, a decisão tomada. "Não. Eu aceito este casamento."
Dante me olhou surpreso, como se esperasse uma resposta diferente. "Você realmente quer isso?"
"Eu não sou uma mulher de segundas intenções", eu disse, minha voz mais firme do que eu esperava. "Minha reputação já foi destruída hoje. Mas eu não sou uma covarde."
A imagem de Artur me humilhando, roubando meu trabalho, ainda queimava em minha mente. A década de controle, de me sentir em dívida com ele, tudo isso me esmagava.
Sofia. O rosto dela, zombeteiro, enquanto Artur me menosprezava. A indiferença dele à minha dor. Seu foco total nela, garantindo que ela estivesse confortável, enquanto eu sofria.
Eu havia permitido que isso acontecesse por tempo demais. Mas agora, tudo estava mudando.
Meu telefone vibrou. O nome de Sofia apareceu na tela.
Artur havia bloqueado Sofia em meu telefone por anos, depois me forçou a desbloqueá-la quando ele sentia ciúmes das raras vezes que eu falava com outras pessoas. Agora, ela estava livre para me enviar mensagens.
"Você realmente acha que ele se importa com você? Ele só quer me irritar", a mensagem dizia, seguida por um emoji de risada.
Outra mensagem apareceu: "Ah, e parabéns pelo casamento de faz de conta. Aposto que foi divertido para ele. Mas é a mim que ele leva para casa."
Eu senti a raiva subir. A repetição. A mesma história, de novo e de novo. Por anos, eu suportei as provocações dela, as manipulações de Artur, e a constante defesa dele em favor dela. Eu sempre engolia meu orgulho, mantinha minhas insatisfações em silêncio.
Mas não mais.
Eu a bloqueei.
Enviei uma última mensagem para ela, antes de o bloqueio se concretizar. "Você não sabe de nada sobre o que é o amor."
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