
Humilhada no Altar, Encontrei a Verdade
Capítulo 3
Beatriz Gentil POV:
"Nós vamos para a lua de mel", eu declarei, minhas palavras soando estranhas, mas firmes.
Dante me olhou, uma ruga de confusão em sua testa.
"Agora", eu acrescentei, antes que ele pudesse perguntar. "Precisamos de um novo começo. Longe daqui."
Eu já estava comprando as passagens aéreas no meu telefone, meus dedos ágeis digitando, uma pressa súbita tomando conta de mim. A necessidade de sair, de escapar daquele inferno, era avassaladora.
"Precisamos ir para casa primeiro, pegar algumas coisas", Dante disse, com a voz calma, mas com um toque de urgência.
Assenti, sem tirar os olhos da tela. Ele estava certo. Eu precisava ir para casa, para a casa que eu compartilhava com Artur, e retirar minhas últimas posses. A ideia de entrar naquele lugar novamente me embrulhava o estômago, mas era necessário.
Enquanto dirigíamos para o que ainda era, tecnicamente, minha casa, uma estranha sensação de liberdade começou a se instalar em mim. Eu era uma mulher casada de novo. Mas desta vez, as circunstâncias eram completamente diferentes.
Meu telefone tocou. O nome de Artur apareceu na tela.
Um arrepio percorreu minha espinha. Ele sempre fazia isso. Me bloqueava, me forçava a implorar para que me desbloqueasse, apenas para me humilhar. Mas desta vez, ele me desbloqueou rapidamente. Era um sinal de sua urgência.
"Ele deve estar furioso", pensei. "O casamento... ele não vai aceitar isso."
Respirei fundo e atendi.
"Beatriz! Como você ousa bloquear Sofia?!" a voz dele explodiu no meu ouvido, cheia de raiva e incredulidade. "Você sabe o que ela significa para mim!"
Meus dedos apertaram o volante, a dor no meu peito era quase insuportável, mas eu me forcei a manter a calma.
"Não vou pedir desculpas por proteger minha sanidade", eu disse, a voz embargada, mas firme.
"Você vai desbloqueá-la agora e pedir desculpas, ou juro que vai se arrepender", ele ameaçou, o tom frio e cortante.
"Eu...", tentei começar, querendo contar sobre o casamento, sobre minha nova vida.
Mas ele me interrompeu com uma risada cruel. "Você não tem coragem, Beatriz. Você nunca teve."
"Não me teste, Artur", eu disse, minha voz tremendo, mas com uma nova determinação. "Você não sabe do que sou capaz agora."
A risada dele cessou. Houve um silêncio tenso.
"Ah, é mesmo? Quer saber do que sou capaz?", ele disse, a voz fria como gelo, e meus olhos se arregalaram. "Sua avó está no hospital, não está? Naquele hospitalzinho particular da nossa família. Onde ela recebe o tratamento exclusivo dela."
Meu sangue gelou. Minha avó.
"O que você fez?", minha voz saiu em um sussurro aterrorizado.
"Digamos que, se você não aparecer em uma hora para pedir desculpas a Sofia e implorar pelo meu perdão, sua avó pode ter uma 'pioria' repentina. E quem sabe... Ser transferida para um hospital público. Sem o medicamento especial dela. Ou pior. Para a rua."
Meu coração parou. Ele sabia. Ele sabia o quanto minha avó significava para mim. Ele estava usando a única pessoa que eu amava de verdade contra mim.
"Artur, por favor, não faça isso! Ela é frágil, ela não tem culpa de nada!", eu implorei, minha voz se quebrando em desespero.
Ele apenas riu. Uma risada fria e sem alma.
"Você tem uma hora, Beatriz. Ou as consequências serão dela. E você sabe que não estou brincando."
E então ele desligou.
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