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Capa do romance Helene Richard: A Verdade Desvendada

Helene Richard: A Verdade Desvendada

Esposa de Gustavo Arruda por dez anos, Helene limpava os escândalos do herdeiro em troca do tratamento de sua mãe. Após ser traída publicamente, ela pede o divórcio, mas sofre uma vingança cruel: perde o emprego e o amor do filho, manipulado pela amante do marido. Grávida e encurralada em um acordo humilhante, Helene toma uma decisão extrema. Para escapar do controle de Gustavo e puni-lo para sempre, ela sacrifica o próprio ventre em um ato de liberdade final.
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Capítulo 1

Por dez anos, fui a esposa perfeita de Gustavo Arruda, o herdeiro da Faria Lima.

Eu era a âncora impecável da GNB que limpava seus escândalos, enquanto a família dele pagava as contas médicas cada vez mais altas da minha mãe.

Mas quando uma foto dele abraçado com minha rival no ar viralizou, eu cheguei ao meu limite e entreguei os papéis do divórcio.

A vingança dele foi cruel. Ele me fez ser demitida, armou para que eu fosse acusada de aceitar suborno e me humilhou publicamente na minha própria emissora.

Até meu próprio filho se virou contra mim, me chamando de "mamãe má" depois que a avó e a amante de Gustavo envenenaram sua mente.

Presa em nossa cobertura, Gustavo me ofereceu um acordo nojento para continuar como sua esposa silenciosa e bem paga, enquanto sua amante, Dafne, fingia uma gravidez para garantir seu lugar.

Foi então que descobri a ironia mais cruel de todas: eu estava grávida de verdade, esperando um filho dele.

Quando ele avançou para cima de mim, com as mãos em direção ao meu pescoço, eu peguei a arma mais próxima.

"Foi você quem fez isso", sussurrei, olhando diretamente nos olhos dele.

Então, cravei o abridor de cartas de prata na minha própria barriga, sacrificando nosso filho ainda não nascido para garantir que ele carregaria a culpa, e eu, finalmente, estaria livre.

Capítulo 1

Ponto de Vista: Helena Ricci

A tela dividida na redação queimava minhas retinas: meu rosto, perfeitamente penteado, apresentando as manchetes da noite, e ao lado, uma foto granulada de paparazzi do Gustavo. Meu marido. O homem cujo nome era sinônimo da realeza da Faria Lima. Ele estava agarrado em Dafne Tavares, minha rival na emissora, a mão dela enroscada em seu cabelo notoriamente caro. A legenda gritava: "O Último Escândalo do Herdeiro do Grupo Arruda: A Âncora da GNB Helena Ricci Será a Próxima?"

A voz do meu produtor, tensa de pânico, zumbia no meu ponto eletrônico.

"Helena, temos uma entrada ao vivo da equipe de Relações Públicas do Grupo Arruda em menos de sessenta segundos. A própria Célia Arruda está na linha, exigindo uma declaração."

Respirei fundo, a seda cara do meu blazer parecendo uma camisa de força contra minha pele. Meu sorriso, praticado ao longo de uma década noticiando os desastres dos outros, permaneceu fixo. Meu coração, no entanto, parecia um pássaro preso batendo contra uma gaiola. Isso não era apenas um escândalo. Era a minha vida, transmitida ao vivo.

As câmeras ganharam vida.

"Bem-vindos de volta", eu disse, com a voz firme, "ao Jornal GNB. Temos notícias de última hora sobre as recentes alegações envolvendo Gustavo Arruda, herdeiro do Grupo Arruda."

As palavras tinham gosto de cinzas. Meu próprio marido. Minha própria emissora. Minha própria rival.

Minha sogra, Célia Arruda, apareceu na tela, seus cabelos grisalhos presos em um coque severo. Seus olhos, mesmo através da lente, eram gelo puro.

"Meu filho, Gustavo Arruda", ela começou, sua voz um ronronar baixo e autoritário, "sempre foi um indivíduo passional, embora às vezes equivocado. Essas fotos lamentáveis são um assunto particular, que está sendo tratado em família."

Ela fez uma pausa, virando o olhar diretamente para a câmera, diretamente para mim.

"Helena, como esposa devotada de Gustavo, está totalmente ciente das medidas que estamos tomando para resolver esses... mal-entendidos. Estamos unidos."

Unidos. A palavra pairou no ar, uma piada cruel. Eu queria rir. Ou gritar. Em vez disso, assenti, um sorriso fraco e profissional brincando em meus lábios. Meu colega de bancada, um homem cujo charme fácil geralmente me acalmava, desviou o olhar. Todos sabiam. Todos sempre sabiam.

Após o segmento, a redação era uma colmeia de sussurros. Os olhos me seguiam, pena misturada com curiosidade mórbida. Fui direto para o meu camarim. O ar estava pesado com o cheiro de laquê e traição. Minha assistente, uma garota doce e ingênua chamada Clara, pairava perto da porta.

"Sra. Ricci", ela gaguejou, "o Sr. Arruda acabou de ligar. Ele disse que vai para casa hoje à noite. Ele quer... conversar."

Conversar. A definição de conversar de Gustavo geralmente envolvia um presente caro e um pedido de desculpas sem muita vontade. Não desta vez. Desta vez, ele tinha ido longe demais. Dafne Tavares. Minha rival. A loira ambiciosa com o sorriso predatório.

Olhei para o meu reflexo. Dez anos. Dez anos limpando a sujeira dele. Dez anos sendo a esposa obediente e equilibrada que mantinha o nome da família intacto. Chega. A decisão se solidificou em minhas entranhas, fria e dura.

Peguei meu celular, os dedos tremendo levemente. Digitei uma mensagem para meu advogado. "Prepare os papéis. Quero o divórcio. E quero tudo o que eles me devem." A mensagem foi enviada. Um pequeno e desesperado tremor de poder percorreu meu corpo.

Naquela noite, o horizonte de São Paulo brilhava do lado de fora das janelas da nossa cobertura. O silêncio no apartamento era pesado, pontuado apenas pelo lamento distante das sirenes. Gustavo geralmente chegava tarde, cheirando a uísque doze anos e arrependimento. Hoje, eu estava esperando.

Ele finalmente entrou, a gravata frouxa, o terno caro amassado. Ele me viu sentada no sofá, os papéis do divórcio empilhados sobre a mesa de centro. Ele riu, um som desdenhoso que sempre me irritou.

"Helena, querida", ele arrastou as palavras, largando a pasta com um baque. "Ainda acordada? Você está linda, mas um pouco sombria. Não me diga que você realmente acreditou em toda aquela bobagem de tabloide."

Ele caminhou em minha direção, um sorriso descuidado no rosto, tentando beijar minha testa.

Eu recuei. Minha voz era plana, desprovida de emoção.

"Não é bobagem, Gustavo. É real. E isso aqui também é real."

Empurrei os papéis pela mesa com o dedo indicador. As folhas brancas e nítidas deslizaram pela madeira polida, parando bem na frente dele.

O sorriso de Gustavo vacilou. Seus olhos, geralmente nublados pela indiferença, se aguçaram enquanto ele lia as letras em negrito: Petição de Dissolução de Casamento.

"Que porra é essa?" Sua voz subiu, um tom afiado substituindo a nonchalance anterior. "Uma piada? Depois de tudo que a Célia fez hoje para te proteger, para nos proteger?"

"Me proteger?" Eu ri, um som cru e amargo. "Ela protegeu o nome Arruda. Eu fui apenas um escudo conveniente, como sempre."

Meu coração estava batendo forte, mas minha determinação se manteve.

Seu rosto ficou num tom perigoso de vermelho.

"Você acha que pode simplesmente ir embora? Com uma 'parcela significativa dos bens da família'?" Ele bateu a mão na mesa, fazendo os papéis saltarem. "Você não tem ideia de com quem está lidando, Helena. Você não tem ideia do que podemos fazer."

"Ah, eu acho que tenho", contrapus, minha voz perigosamente calma. "Estou lidando com isso há dez anos. E finalmente cansei."

Ele avançou, agarrando meu braço. Seu aperto era forte, doloroso.

"Não se atreva. Não se atreva a me ameaçar ou à minha família. Ou ao nosso filho." Suas palavras eram um rosnado baixo, carregado de veneno. "O Caio precisa da mãe dele. Ele precisa da família intacta."

A menção de Caio deveria ter me destruído. Costumava. Mas não mais. Não depois do jeito que Célia o envenenou contra mim, transformando meu próprio filho em uma arma. "Aquela mulher", Caio tinha me chamado, seu rostinho contorcido de desdém, ecoando as palavras de sua avó. "A Dafne é mais bonita. Ela gosta de brincar comigo." A memória ainda era uma ferida recente, mas não me abalava mais. Me endurecia.

"O Caio", eu disse, puxando meu braço com um puxão forte, "deixou suas escolhas claras. E eu também."

Seus olhos se arregalaram em descrença, depois se estreitaram de fúria. Ele levantou a mão, e por um segundo fugaz, eu vi a crueldade verdadeira e sem verniz sob a fachada encantadora. Minha mão disparou, pegando a coisa mais próxima, um pesado abridor de cartas de prata, e apontei para ele, não para machucar, mas para criar distância, uma barreira.

Ele parou, momentaneamente atordoado pela minha audácia.

"Você acha que pode lutar comigo?", ele zombou. "Acha que pode sair daqui com algo além da roupa do corpo?"

Ele agarrou meu pulso novamente, torcendo-o.

Uma dor aguda e lancinante subiu pelo meu braço. Eu ofeguei, deixando o abridor de cartas cair. Ele bateu ruidosamente no chão polido. Antes que eu pudesse reagir, ele me empurrou com força. Eu tropecei para trás, minha cabeça batendo na borda da lareira de mármore ornamentada com um baque surdo e doentio. Uma onda de tontura me invadiu, e um líquido quente e pegajoso escorreu pela parte de trás do meu pescoço.

Ele ficou de pé sobre mim, respirando pesadamente, o peito arfando. Seus olhos, inicialmente cheios de raiva, agora continham um vislumbre de outra coisa. Medo? Arrependimento? Desapareceu tão rápido quanto apareceu, substituído por uma determinação fria e calculista.

"Você vai se arrepender disso, Helena", ele sibilou, sua voz baixa e ameaçadora. "Eu te fiz. E posso te desfazer com a mesma facilidade. Você vai perder tudo. Sua carreira. Sua reputação. Tudo."

Ele se virou abruptamente, caminhando em direção à porta.

Com um último olhar de desprezo, ele bateu a porta atrás de si, me deixando estirada no mármore frio, o gosto metálico de sangue enchendo minha boca, e a dor latejante na minha cabeça um lembrete gritante da guerra que acabara de começar.

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