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Capa do romance GROSS

GROSS

Buscando paz após um passado traumático, Victoria Carver vive isolada até encontrar 1001, um Nova Espécie ferido que fugiu de testes cruéis de procriação. Enquanto cuida do imenso macho, uma paixão intensa surge entre eles. Agora, o casal precisa enfrentar a possessividade instintiva de 1001 e a ameaça de Robert, o ex-companheiro de Victoria, um homem obcecado que não aceita perdê-la e fará de tudo para caçá-los nessa perigosa luta por liberdade.
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Capítulo 2

Victoria

A chuva cai forte no teto do meu carro velho fazendo barulho como se tivesse perfurando o ferro. Está quase escurecendo e eu começo a me arrepender de ter passado no supermercado logo hoje para fazer a compra da semana porque simplesmente não consigo ver quase nada da estrada a minha frente.

O vidro todo embaçado me faz ficar com medo de não conseguir ver direito e acabar sofrendo um acidente ou atropelando alguém.

— Se eu tivesse ido direito para casa desde o momento que sai do trabalho, não estaria nessa situação agora. — me culpo, falando sozinha — Mas como eu iria saber que a chuva seria tão forte assim? — emendo defendendo a mim mesma, enfim, a bipolaridade.

Mantenho a calma e dirijo bem devagar, demorando quase o dobro do tempo que normalmente eu levo para chegar em casa. Assim que estaciono a caminhonete em frente a cabana, desço rápido pegando as compras no banco carona e correndo para debaixo da varanda, procuro a chave no bolso da calça e abro a porta, aperto o interruptor para acender a luz e para minha surpresa está sem energia.

Com certeza a chuva forte deve ter causado algum dano em um poste de energia nas proximidades.

Xingo chateada, mas não há o que fazer, sendo assim, começo a procurar as velas que sempre tenho guardadas, afinal não é a primeira vez que passo por perrengues morando nessa cabana velha. Acendo algumas pela cabana e volto para a varanda para pegar as sacolas. Apenas quando retorno, me lembro de que quando chove, pinga em quase todos os cômodos.

Lá vou eu procurar baldes para espalhar nas goteiras. Quando termino, tiro a roupa molhada, pronta para tomar um banho e vestir um pijama quente, no entanto quando abro o chuveiro, não cai um pingo de água. Corro para a pia da cozinha e nada, estou sem energia e sem água também.

— Que droga! O cano deve ter soltado lá embaixo perto do poço. — exclamo irritada.

Começo a procurar um guarda-chuva debaixo da cama onde tem algumas bagunças que não tenho lugar para colocar, parece que quando fizeram essa cabana, fizeram também uma cama com os pés de ferro grudados ao chão de cimento que não tem como arrastar nem ferrando. Quando o encontro pego uma lanterna e saio da cabana sentindo o vento frio no meu rosto.

Caminho em direção ao poço de água que abastece minha cabana e quando estou quase chegando ao meu destino, um gemido baixo me faz congelar no lugar.

Mordo o lábio enquanto me movo lentamente na direção do gemido que ouvi, apenas porque parece um cachorro machucado e eu jamais poderia ignorar isso. Eu só espero de coração que realmente seja um animalzinho ferido e que eu tenha condições de cuidar dele, espero também que já não seja tarde demais.

Meu coração acelera em desespero quando meus olhos capturam a imagem que não é de um animal e sim de uma pessoa, especificamente um homem, um homem muito grande, caído de bruços na grama úmida.

Movendo-me hesitantemente, me abaixo perto dele, ele tem cabelos longos castanhos e está vestindo apenas uma calça velha, nada mais. Seu cabelo cobre todo o rosto e eu não consigo ver seus traços.

Coloco a lanterna entre minhas coxas para deixar uma mão livre para tocar no homem, balanço seu ombro para tentar acordá-lo mas não se mexe, apenas geme de dor como um cachorrinho, meu coração aperta.

— Vamos pensar pelo lado positivo, se está fazendo sons, mesmo que de dor, não está morto. Graças a Deus.

Suavemente coloco um pouco do seu cabelo para longe do pescoço para tentar sentir a pulsação e sinto uma pulsação fraca.

— Deus, sua pele está queimando! — murmuro com a preocupação aumentando dentro de mim.

O que eu faço? Como vou arrastar esse homem daqui? Não posso simplesmente deixá-lo na chuva quase morto e ardendo em febre!

Coloco meu guarda-chuva sobre ele e me sento ao seu lado pouco me importando se estou molhando e sujando toda minha roupa.

Preciso pensar em alguma coisa.

Vários minutos se passam e eu chego a conclusão de que não há o que fazer a não ser tentar arrastá-lo. Me sentindo péssima em fazer isso, percorro minhas mãos pelo seu corpo enorme para verificar se há contusões severas que me impeça de arrastá-lo e que possa acabar machucado-o mais.

— Mas o que eu estou fazendo? Eu nunca vou saber se tem algo grave porque não sou uma maldita médica. — grito comigo mesma — Desculpa desconhecido, mas será pior se eu deixá-lo aqui na chuva. Terei que arrastá-lo da maneira que posso.

Rolo seu corpo de costas com um pouco de dificuldade, jogo o guarda-chuva e a lanterna para longe pois não irei conseguir fazer duas coisas ao mesmo tempo, depois volto para buscar. Agora com seu corpo virado, eu retiro todo seu cabelo do rosto para não arrastar no chão e faço um nó nele.

Arregalo meus olhos um pouco chocada, porque agora consigo ver todos os traços do seu rosto e ele é sem exageros o homem mais bonito e exótico que já vi na vida. E nem as severas marcas de espancamento em seu rosto consegue deixá-lo menos bonito.

Meus olhos se enchem de lágrimas ao ver tantos machucados.

— Como alguém pode ser tão ruim a ponto de fazer isso com outra pessoa? — sussurro sentindo meu coração partido com a imagem.

Há um pedaço de pano velho amarrado em seu tórax e nele também há muitas marcas de sangue. Seus traços faciais não são muito estranhos para mim, parece que já o vi em algum lugar, o observo enquanto faço toda força que consigo para movê-lo. Minhas costas doem, ele é extremamente pesado e eu não sei se vou conseguir.

Na medida que a água da chuva cai sobre seu rosto, vai levando as marcas de sangue, deixando suas características mais visíveis para mim. Choque percorre todo meu sistema nervoso quando me dou conta do que ele é.

Ele tem características fortes e marcantes. Lábios carnudos. Seu nariz é um pouco mais achatado do que o normal e ele tem maçãs do rosto proeminentes. Sua pele é de um bronzeado mais claro.

— É claro! — exclamo exasperada — Eu já ouvi muito falar de vocês antes de me mudar para a cabana. Você é um daqueles Nova Espécie de Homeland e Reserva!

Tiro forças de onde eu não tenho e começo a puxá-lo com tudo que sou. Ele não é um homem qualquer que poderia estar ferido porque feriu alguém ou fez algum mal. Ele é um Nova Espécie, ele nunca deveria ser machucado independente de qualquer coisa. Eu conheço a história deles e esse aqui parece ter fugido de algum cativeiro.

— Eu irei protegê-lo em tudo que eu puder! — juro determinada.

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