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GROSS

Buscando paz após um passado traumático, Victoria Carver vive isolada até encontrar 1001, um Nova Espécie ferido que fugiu de testes cruéis de procriação. Enquanto cuida do imenso macho, uma paixão intensa surge entre eles. Agora, o casal precisa enfrentar a possessividade instintiva de 1001 e a ameaça de Robert, o ex-companheiro de Victoria, um homem obcecado que não aceita perdê-la e fará de tudo para caçá-los nessa perigosa luta por liberdade.
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Capítulo 3

Victoria

A chuva parece cessar um pouco na medida que minha viagem de volta para a cabana se torna mais lenta e difícil. O homem Nova Espécie geme de dor algumas vezes mas não acorda por nada. A parte mais difícil vem agora, os três degraus para a varanda, temo machucá-lo mas pior do que estar, com certeza não fica.

Paro para respirar e retomar um pouco de força, depois de alguns minutos, com um impulso forte eu o puxo degraus acima. A madeira molhada faz deslizar com mais facilidade, até mesmo eu já escorreguei algumas vezes e caí nelas quando choveu.

— Consegui! — expresso feliz quando estamos na porta da cabana.

Minha respiração está tão ofegante meu peito dói ao inspirar e expirar o ar, me recomponho e abro a porta, vou até o quarto e coloco o colchão no chão, nunca iria conseguir levantar o espécie para colocá-lo em cima da cama.

Vários minutos depois, me jogo ao seu lado no colchão, totalmente exausta com minhas articulações doloridas, nunca fiz tanta força na vida e é provável que eu sinta meus músculos por alguns dias. Depois que consegui trazê-lo para dentro, ainda voltei para o poço onde religuei o cano de água, afinal de contas não conseguiria cuidar dele sem limpá-lo.

— Ainda bem que meu colchão é grande, embora estejamos fazendo a maior bagunça, você todo sujo de sangue e eu toda suja de terra. — murmuro sabendo que ele não vai responder.

Para ser um pouco sincera eu até que senti falta de alguém dentro dessa cabana para conversar, as paredes já devem estar cansadas de me ouvir falando sozinha o tempo todo. Os únicos com quem eu falava diariamente eram os clientes da cafeteria mas em sua maioria eram só frases típicas de uma atendente simpática, com excessão é claro do Sr. Paul.

— Outro ponto positivo do meu colchão ser grande é que caso contrário você ocuparia todo o lugar e está frio demais, eu não poderia dormir no chão e meu sofá é todo velho e desproporcional em seu estofado, cheio de buracos. Tem até uma madeira lá que machuca as nádegas.

Percebo que estou falando sozinha como uma maluca, no entanto não posso evitar quando já é corriqueiro para mim fazer isso no meu dia a dia. Me recomponho depois de alguns minutos e me levanto. Agora eu tenho que evitar que ele fique molhado, isso pode agravar seu estado de saúde, infelizmente eu preciso tirar as roupas dele para deixá-lo limpo e seco e depois cuidar de seus machucados.

— A única maneira de tirar sua calça é cortando elas, apesar de já estarem bem velhas pode ter algum ferimento que se eu forçar puxar de você, pode machucar mais. — murmuro e vou atrás de uma tesoura para fazer meu trabalho — Não se preocupe, amanhã irei dar um jeito de comprar uma nova para você na cidade, eu trabalho perto de uma lojinha de roupas.

Não consigo conter as lágrimas com o número de cortes e contusões que vejo no pobre Nova Espécie. Minhas mãos tremem quando corto e arranco sua calça fora, meu rosto fica quente como o inferno no momento em que me dou conta de que ele não usava nada debaixo de suas calças.

Tento ao máximo não olhá-lo lá, mas é um tanto impossível quando ele é impressionantemente grande que eu não posso evitar em meu campo de visão. Faço o meu máximo para manter um toque respeitoso e espero que ele não fique bravo por isso quando acordar.

Meu coração se parte quando constato o tanto de hematomas e cortes pelo seu corpo. Provavelmente ele foi torturado por muito tempo, lágrimas deslizam pelos meus olhos quando retiro a atadura do seu tórax, é o ferimento mais grave até agora e parece estar inflamando.

Me levanto rápido, jogo a calça velha no lixo, entro no banheiro e encho um balde com água, vou até o fogão, despejo em uma panela grande e deixo mornar.

Quando a água atinge a temperatura que eu quero, retiro do fogo, coloco no balde e pego algumas toalhas. Me abaixo perto dele e começo a limpar os ferimentos menores. Tento virá-lo de costas e com dificuldade consigo, lavo toda suas costas até as pernas, em seguida seco com uma toalha limpa, aproveito para arrancar o lençol e o viro novamente.

Tomo todo cuidado do mundo quando limpo o corte maior em sua costela, em seguida faço um curativo rápido com algumas coisas que tenho em casa. Meu rosto fica ainda mais quente quando chego na área íntima dele, parece grandemente construído mesmo em seu estado de inatividade.

Minhas mãos tremem na medida que o limpo suavemente tentando não olhar muito e terminar o mais rápido possível. Assim que termino de limpar por completo seu corpo, desato o nó que fiz em seu cabelo, busco um pente e os penteio com um pouco de dificuldade pois está muito embaraçado, consigo terminar com a ajuda do meu creme para pentear.

— Ufa! Pronto. Agora você está limpinho. — sibilo me levantando e pegando toda a bagunça que fiz.

Minha carne do corpo treme por todo esforço que fiz, mas olhando-o agora, eu faria tudo de novo.

Afasto o corpo do Nova Espécie para um lado do colchão e forro um novo lençol e em seguida puxo do outro lado até ter o colchão completamente forrado. O ajeito direitinho no colchão e o cubro com cobertas.

— Você já parece melhor aparentemente. Espero que acorde logo e me diga o que fazer para ajudá-lo. De forma alguma chamarei alguém, eu não sei em quem podemos confiar.

Nas horas seguintes eu passo arrumando as compras que fiz, lavo todas as toalhas e panos que usei e também o lençol, estendo nos varais pela minha varanda e em seguida entro para tomar um banho, sou rápida em fazer isso e então começo a preparar o jantar, se ele acordar com certeza estará com fome, sendo assim faço um pouco a mais do que estou acostumada a fazer.

Fico aliviada quando as luzes se acendem me deixando saber que a energia voltou. Graças a Deus! Apago as velas e olho para o lado de fora da janela, ainda chove fraco e faz muito frio, fecho toda a cabana e caminho até o colchão com um prato de sopa, observo o grande Nova Espécie deitado, coloco minha mão sobre sua testa e a febre parece ter abaixo um pouco apesar de seu corpo ainda estar mais quente que o normal.

Volto para a sala e me sento no sofá para comer, depois de alguns minutos sinto-me satisfeita, eu poderia dormir nesse sofá mas infelizmente ele é desconfortável demais. Terei que dormir com o Nova Espécie. Vou me sentir melhor estando por perto caso ele piore.

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