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Capa do romance Grávida do homem errado

Grávida do homem errado

Após uma noite de excessos, um erro irreversível muda tudo: ela engravida do maior rival de seu noivo sem ter consciência disso. O que começou como um deslize acidental logo se transforma em um turbilhão de consequências imprevisíveis. Entre segredos guardados e desejos proibidos, a trama mergulha em um cenário de vingança e intensa paixão. Agora, ela precisa enfrentar as tempestades do destino em uma jornada marcada por redenção e escolhas fatais.
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Capítulo 3

O som do tráfego, as vozes dos pedestres e a luz dos postes iluminavam as ruas da cidade enquanto Ana Lucía caminhava devagar pela calçada. A discussão com Rodrigo ainda ecoava em sua cabeça, e embora tentasse se acalmar, não conseguia evitar se sentir presa em um turbilhão de emoções contraditórias. Aquela noite, depois da festa, ela decidira que precisava de uma mudança, mesmo que pequena. A tensão entre ela e Rodrigo tinha chegado a um ponto crítico, e ela havia deixado claro que precisava de espaço. Mas, naquele momento, não estava certa do que tipo de espaço queria.

Decidiu dar uma volta pela cidade para clarear a mente. As luzes do bar no final da rua chamaram sua atenção. Era um lugar discreto, daqueles que não costumam ser frequentados pelas multidões, com uma entrada escura e janelas que apenas deixavam transparecer a luz suave do interior. Era perfeito para ela. Não queria estar cercada por pessoas conhecidas, muito menos pelo olhar inquisitivo de suas amigas. Só queria estar sozinha, nem que fosse por um tempo.

Ela parou diante da porta do bar, hesitando por um momento. Já estivera naquele lugar antes, com Rodrigo, em uma ocasião, mas nunca sentira necessidade de voltar. Porém, daquela vez, sua intuição lhe dizia que era exatamente o que precisava: algo diferente. Ela se sentiu atraída pela atmosfera tranquila, quase misteriosa, do lugar. Respirou fundo e empurrou a porta.

O ambiente interno era acolhedor, quente, com uma iluminação suave que banhava as paredes em tons escuros. As conversas eram baixas, e o murmúrio geral se misturava com a música de fundo, que mais parecia uma melodia de jazz. Ana Lucía se dirigiu ao bar, procurando um canto onde pudesse se sentar e, por um momento, desaparecer de tudo. Sem fazer barulho, acomodou-se em um banco vazio e pediu uma taça de vinho tinto.

O bartender, um homem de uns quarenta anos com um sorriso amigável, serviu a taça sem fazer perguntas. Ana Lucía ergueu o copo e deu um longo gole, sentindo o álcool descer pela garganta, levando com ele parte da tensão acumulada em seus ombros. Fechou os olhos por um momento, desfrutando da sensação de relaxamento, mas sua mente continuava voltando para Rodrigo. Para tudo o que ele dissera. Para o que não dissera. O peso da discussão ainda estava lá, como uma sombra que se recusava a ir embora.

- Você não tem medo de estar sozinha em um lugar como esse? - A voz masculina ao seu lado fez com que ela abrisse os olhos rapidamente.

Ana Lucía se virou para o dono da voz. Era um homem que ela não tinha notado ao entrar. Ele tinha um olhar penetrante, quase desafiador, e uma postura relaxada, mas segura. Estava sentado no banco ao lado dela, com um copo de uísque na mão. Sua presença não era intimidadora, mas sim intrigante. Seu olhar a observava com calma, como se estivesse avaliando-a, mas sem julgá-la.

- Não tenho medo, - respondeu Ana Lucía com um leve sorriso, um pouco surpresa pela pergunta. - Só precisava de um pouco de paz.

O homem assentiu lentamente, como se estivesse entendendo algo que ela não havia dito em voz alta. Sua expressão era séria, mas havia algo em seu modo de olhar que fazia Ana Lucía se sentir vista, compreendida, pela primeira vez em muito tempo.

- Parece que você não está muito afim de estar cercada de gente, não é? - continuou ele, sem esperar uma resposta imediata. - Eu entendo. Eu também venho aqui para escapar um pouco do barulho do mundo.

Ana Lucía o olhou com curiosidade. Não sabia se deveria se sentir confortável ou desconfiada. Havia algo nele que a atraía, mas ao mesmo tempo, uma parte dela a alertava de que ele não era o tipo de pessoa com quem deveria se envolver. No entanto, havia algo refrescante em sua atitude. Não era o típico desconhecido que se aproximava dela com um sorriso cortês ou, pior ainda, com intenções evidentes. Este homem simplesmente falava com uma sinceridade que ela raramente encontrava.

- Acho que cada um tem seus próprios demônios, né? - disse ela, sem pensar muito.

O homem a olhou por um momento, como se estivesse avaliando suas palavras. Depois, assentiu.

- Isso é verdade. - Os olhos dele brilharam com uma luz que causou uma sensação estranha em Ana Lucía. Como se ele soubesse muito mais do que estava dizendo. - Mas às vezes, os demônios precisam de um bom trago para ficarem quietos.

Ana Lucía sorriu levemente. Não sabia se era o vinho ou algo mais, mas naquele momento ela sentia que poderia relaxar um pouco mais. A conversa, embora leve, a fazia esquecer por um segundo tudo o que a atormentava.

- E você? O que te traz aqui? - perguntou ela, interessada.

O homem se recostou na cadeira, olhando ao redor antes de responder.

- Eu venho pela mesma razão que você. Escapar. - Fez uma pausa, como se estivesse decidindo se deveria continuar falando. - As pessoas às vezes não entendem o que é estar no meio de tudo e, ao mesmo tempo, se sentir completamente sozinho.

Ana Lucía o observou em silêncio, surpresa pela sua franqueza. Havia algo no olhar dele que transmitia uma verdade crua, como se ele tivesse vivido o suficiente para compreender o que significava dor ou perda. Mesmo assim, ele não parecia alguém vulnerável. Pelo contrário, sua serenidade parecia uma armadura, algo que ele aprendera a construir ao longo do tempo.

- E o que você faz? - perguntou ela, mudando um pouco o rumo da conversa.

- Sou empresário, - respondeu sem muita emoção. - Embora, neste momento, esteja procurando algo mais... algo que não se compra com dinheiro.

Ana Lucía o observou com curiosidade. Havia algo em seu tom que não soava pretensioso, mas sim cansado, como se tudo o que ele tivesse conquistado não lhe tivesse dado o que realmente buscava. Como se, assim como ela, estivesse em um momento da vida em que se perguntava sobre seu propósito.

- E o que é isso que você está procurando? - perguntou ela, mais por curiosidade do que por qualquer outra coisa.

O homem a olhou fixamente, com uma intensidade que a desconcertou. Durante alguns segundos, Ana Lucía sentiu que havia algo mais nele, algo que ela não conseguia compreender, mas que, de algum modo, a atraía. Seus olhos eram escuros, quase impenetráveis, mas havia algo em seu olhar que a convidava a descobrir mais.

- A resposta está em saber o que deixar para trás e o que levar consigo. - Ele respondeu com um leve sorriso, como se estivesse falando sobre algo muito profundo, mas sem querer revelar demais.

Ana Lucía não tinha certeza do que ele queria dizer com aquilo, mas algo na forma como ele falava a fez sentir que talvez ele soubesse algo que ela não sabia sobre si mesma. Havia algo nele que a fazia sentir-se compreendida de uma maneira que ela não experimentava com Rodrigo há muito tempo.

Um silêncio desconfortável caiu entre eles, mas não foi desagradável. A música continuava tocando suavemente ao fundo, e o barulho da cidade parecia estar muito distante. Ana Lucía percebeu que estava completamente relaxada, algo que não sentia há dias. De alguma maneira, aquele desconhecido lhe transmitia uma sensação de tranquilidade, uma paz que ela não conseguia encontrar em sua vida cotidiana.

- Que tal tomarmos um drink juntos? - perguntou o homem, finalmente, quebrando o silêncio.

Ana Lucía hesitou por um momento. Sua intuição lhe dizia que havia algo nele que não deveria ignorar. Mas, por outro lado, algo dentro dela a alertava para se manter cautelosa. Mesmo assim, havia algo no olhar dele que a convidava a seguir em frente, a viver o momento sem pensar demais nas consequências.

- Claro. - Respondeu ela, e o sorriso que ele lhe deu foi suficiente para fazê-la sentir-se completamente segura em sua decisão.

Era um começo inesperado, mas talvez, pensou Ana Lucía, fosse o primeiro passo para algo diferente. Algo que ela não sabia se queria, mas que, de algum modo, precisava.

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