Capa do romance Malditamente quebrados

Malditamente quebrados

9.6 / 10.0
Blaire sempre viveu sob o peso da perfeição imposta por seus pais, sendo a filha e aluna ideal. Contudo, um encontro inesperado com Liam Lambert na casa de sua tia muda seu destino. Ao ingressar no Morgan Helton College, ela reencontra o rebelde playboy, que promete transformar sua rotina em um caos. Determinada a conquistar sua autonomia, Blaire enfrentará a fúria da família para seguir seus desejos, mesmo que a escolha por Liam seja o desafio mais difícil de sua vida.

Malditamente quebrados Capítulo 1

Estou cansada de ser perseguida pelos meus pais. Eles esperavam muito de mim, e eu fiz tudo que eles queriam. Tive sucesso escolar, sempre fui uma boa menina, filha obediente e exemplar, tudo que meus pais queriam que fosse. Tudo o que eu fazia era por eles, e não por mim. Minha vida parecia ser deles e não minha. E eu estou cansada de tudo isso. Quero tomar minhas próprias decisões, seguir meus próprios rumos. Quer dizer, eu tenho 17 anos, sou crescida suficiente para o fazer, mas meus pais sempre me viam como aquela menina inocente de cinco anos que pensava que o mundo era um conto de fadas, mas não era assim. Eu cresci, e minha inocência está se escassando. Eu não sou mais uma criança.

                  Eu me preparo para ir ter com a sua tia. Minha adorável tia Angel, que sempre me incentivou a seguir meus próprios caminhos, a ser quem sou, ou seja alguém que George meu pai, não gosta muito, mas a suporta por ser irmã de Mirian, minha mãe.

                   Visto minha blusa verde e minha calça jeans, coloco alguns livros na mochila que estou levando, calço minhas sandálias e saio do quarto. Eu adoro ler. Na verdade a leitura é o meu grande amor. Nunca tive nenhum namorado, meu pai nunca deixou. Ele é protetor demais, eu nem nunca tive amigos.

                 Desço da escada, e encontro meu pai e minha mãe sentados no sofá. Eu moro com seus pais, obviamente. Meu pai nunca deixou eu morar com minha tia Angel, pedi milhares de vezes, mas ele negava sempre, até que me cansei.

                    — Eu vou para a casa da tia Angel! — Eu chego até eles.

                     — Tudo bem. Se divirta! — Mamãe sorri para mim.

                   — Mas não tanto! — Papai levanta e me abraça.

                   — Tudo bem, papai, eu vou me comportar! Como sempre!

                    — Nós confiamos em você! — Eu abraço minha mãe.

                    — Então até domingo! — Eu solto ela e saio para fora de casa.

                  Pego um táxi e entro. Coloco os fones nos ouvidos e começo a ouvir música. Olho pelo vidro do carro pensando sobre a vida. Na segunda começam as aulas e eu não faço ideia do que vou fazer. Acabaram as aulas particulares. É um pouco assustador.

                    Chegando na casa da minha tia, desço do táxi, e ando pela grama até à pequena casa. Alcançou a porta e toco a campainha. Finalmente um fim de semana longe de regras. Descanso que estava precisando.

                  Angel abre a porta e me deixa entrar. Ela é uma espécie de tia super divertida, liberal, a tia que muitos jovens gostariam de ter. Por isso, meu pai não a suporta.

                  — Olá tia! — Nós nos abraçamos.

                  — Blaire, como você está?

                 — Como sempre. — Digo um pouco desanimada. — E você?

                  — Sempre bem, querida sobrinha!

                 — Que bom, saber.

                     — Como estão os seus pais?

                   — Apaixonados como sempre, protetores como sempre, e intransigentes como sempre. A senhora já sabe!

                   — Não se preocupe, esse fim de semana será o melhor da sua vida!

                   — Eu vou ler até não poder mais! — Minha tia ri.

                   — A sério? Esses são os seus planos?

                    — Sim! — Respondo um pouco desiludida comigo mesma.

                    — Hoje a noite, eu vou te mostrar um lugar fantástico! Você vai adorar! — Ela passa a mão pelo meu cabelo.

                   — Espero bem que sim. Eu vou para o quarto. - Aponto para a porta do fundo.

                   — Tudo bem. Eu vou fazer o almoço.

                   — Está bem.

                     Ando até ao quarto, entro e fecho a porta. Jogo a mochila na cama e sento na cadeira junto à janela. A única vista que tem é a casa ao lado. Uma casa bastante peculiar. A janela do quarto está aberta, e eu não tiro os olhos dela.

                      Posso ver uma parte do quarto. Cheio de cartazes de estrelas de rock, e cores escuras nas paredes parecendo meio sinistro. Não consigo desviar o olhar do quarto.

                    Um homem alto e muito bonito, aparece de repente naquele quarto. Ele está quase pelado vestido apenas uma cueca. Ele tem tatuagens no braço direito, e músculos definidos.

                      Eu quero desviar o olhar, mas não consigo. O meu subconsciente quer que eu veja, e eu vejo, sem pestanejar,  até que ele se apercebe que alguém o observa. Ele se virou para mim e sorri. Desvio o olhar imediatamente.

                    Quando volto a olhar, ele já não está lá. Foi embora. Eu levanto, tiro o meu livro favorito da mochila, volto para a janela e começo a ler.

                    A noite está apenas começando. Continuo na minha leitura, sem me aperceber que já é noite. Normalmente quando leio, me perco na leitura, viajo para lugares longínquos que na realidade não existem.

                 Angel entra no meu quarto, me assustando. Está vestida que nem uma louca. Calção curto, meias liga, blusa super decotada e saltos altos. Deve ser normal, ela tem 28 anos.

               — O que é isso? — Pergunto assustada. Não é todos os dias que vejo alguém a vestir daquela maneira.

                  — Você ainda não está pronta! Vamos eu te ajudo, querida sobrinha! 

                 — Aonde nós vamos?

                 — Você vai ver depois! — Ela segura a minha mão e me leva em seu quarto. Tira um monte de roupas do armário.

                    — Toma vista, isto, isto e isto! — Ela me entrega a roupa.

                    — Essas roupas são escandalosas! — Falo.

                    — Eu sei. É esse o objetivo! Agora vá vestir imediatamente!

                         Volto para o quarto, tomo banho e visto a roupa que minha tia escolheu. Saia rasgada, meias, blusa decotada e saltos altos. Olho para mim mesma no espelho e fico horrorizada. Não pareço eu!

                     Angel volta no quarto e olha para mim. Ela sorri e me abraça apertado. Eu me sento mal vestida desse jeito, mas não digo nada.

                     — Você está fantástica! Agora vamos. — Ela pega sua bolsa e me leva para a boate.

                    O lugar é estranho para mim, há muito barulho. Muita gente a falar, a gritar, a dançar, a beijar, a beber e a drogarem-se. Fico logo assustada neste clima. Quão diferente eles são? Eu definitivamente não me encaixo aqui.

                   — Se divirta! Com sorte, você encontra um cara legal! — Ela disse, depois desapareceu na multidão.

                   Olho para um lado e para o outro, mas não encontro rumo. Estou perdida, não sei o que fazer. De repente, uma mão toco no meu ombro e me viro e vejo o mesmo homem que estava na janela da casa ao lado.

                   — Está sozinha?

                   — Sim!

                   — Vem comigo! — Ele pega na minha mão e me leva até ao balcão. Olho para ele com simpatia, agradecendo por ter aparecido.

                    — Duas cervejas por favor! — Ele diz e se vira para ela. — Então, como você se chama, e o que faz aqui sozinha? — Olho para seus olhos verdes brilhantes e completamente lindos.

                 — Meu nome é Blaire, e eu estava aqui com a minha tia, mas ela desapareceu. — O garçom entrega as cervejas e ele me entrega uma. Eu nunca bebi uma cerveja, na verdade, nunca bebi álcool.

                    — Meu nome é Liam. Você nunca esteve num lugar desses, pois não? — Ele bebe a cerveja.

                      — Não! — Olho para a multidão, procurando minha tia. Mas não a encontro.

                     — Ela pode ter fugido. — Olho para ele e bebo a cerveja sem aperceber. É muito bom.

                      — Ela vai aparecer daqui a pouco. — Dou mais um gole na cerveja.

                     — Você tem namorado? — Encaro ele incrédula.

                     — Não! Eu não tenho namorado. — Ele sorri amplamente e bebe a cerveja. — Porquê a pergunta? — Ele faz muitas perguntas. Perguntas que não tem nada a ver com ele.  Eu não quero que faça perguntas que não me sinto confortável em responder. 

                — Curiosidade. — Nós bebemos a cerveja ao mesmo tempo. — E também gostaria que você fosse comigo a um lugar muito divertido.

                   — Aonde?

                   — Na casa de um amigo meu! — Ele diz. Bebo a cerveja novamente.

                    — Eu não te conheço! Você é um estranho para mim! Porquê é que eu quereria ir para casa dos seus amigos?

                      — É uma oportunidade única! Sim ou não?

                      — É sério?

                      — Não aceito um não como resposta! — Ele dá um último gole na cerveja.

                     — Eu não sei.

                     — Ele é seu vizinho, se você quiser fugir, é só olhar para o lado e... tcharam, lá está a sua casa. — Rio.

                     — Tudo bem. E a casa não é minha, é da minha tia, só estou de visita.

                     — Isso explica, porquê eu nunca vi você por lá! — Eu também termino a cerveja.

                       — Sim!

                       — Mais duas cervejas! — O garçom abre e nos entrega. — Sabe, você é muito linda! — Eu sorrio que nem uma idiota e bebo a cerveja.

                    — Você acha mesmo? — Ele também sorri para mim. 

                    — Claro que acho. Aliás, tenho a certeza absoluta disso.

                   Eu me apercebo que o que estou fazendo é errado, meus pais acabariam comigo se souberem o que eu estou fazendo. Largo a cerveja e me viro.

                    — O que foi? Disse alguma coisa que não devia?

                    — Não. Eu apenas, preciso ir embora daqui.

                     — Mas a noite ainda é uma criança!

                     — Eu preciso mesmo ir embora!

                   — Eu te levo para casa!

                   — Não precisa.

                      — Você sabe o caminho para casa? — Olho para o chão.

                     — Não!

                     — Então, eu te levo. — Ele estendeu a mão para mim e eu coloco a minha mão na dele.

                     — Tudo bem, Liam. — Ele sorri. — Mas antes podemos sei lá, dançar, só por um tempo? — Isso foi repentino, estranho a minha própria pergunta.

                     — Claro! — Ele me leva no meio da multidão e dançamos, sem tocar um no outro. Dançamos, e dançamos, e dançamos, até que chega a meia noite.

                  Depois de tanto dançar, voltamos para casa. Sinto uma adrenalina e tanto. Bebi quatro cervejas e meia, acho eu. Dancei como nunca tinha dançado em toda a minha vida, e conheci um cara legal. Nós rimos o caminho todo para casa.

                  — Então, amanhã nos vemos? — Ele pergunta.

                  — Claro que sim.

                  — A janela do quarto onde estou vai estar aberta!

                    — O quê? — Fico confusa. Não estou sóbria, mas também não estou tão bêbada assim.

                    — Eu disse que iria te mostrar um lugar fantástico! Esse lugar é a casa onde estou, do meu amigo, eu já disse. — Diz ele um pouco tonto.

                    — Tudo bem, mas depois podemos ir para outro lugar?

                   — Claro!!! — Ele sorri. Tem um belo sorriso.

                   — Até amanhã. — Eu abraço ele. 

                   — Até amanhã.

                    Entro em casa e vou para o quarto, ficando na janela. Ele também entrou em casa e foi directamente para o quarto.

                     Liam abre a janela e liga a luz. Eu estou mesmo olhando para ele. Ele começa a tirar a roupa a minha frente. Não é apenas efeito do álcool, ele sempre foi assim. Eu acho. Tira a camisa, a calça, os ténis e felizmente não tira mais nada, senão ficaria totalmente pelado, a frente da janela do meu quarto. Sorrio e aceno para ele, e ele também aceno para mim. Os dois rimos.

                    Acho ele engraçado. Mas também uma má influência. Meus pais jamais gostariam dele. Mas que importa? Tenho de ser eu a gostar e não eles. Tenho de fazer algumas alterações na minha vida.

                     Fecho a janela do quarto, e vou vestir o meu pijama para poder finalmente dormir. Não é tão ruim sair um pouco da linha. Talvez essa não seja a última vez que faço.

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