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Capa do romance Ghost, a máscara do mafioso

Ghost, a máscara do mafioso

Conhecido como mediador da morte, Vincent Blake é o carrasco implacável da máfia Ghost, punindo traidores em seu calabouço. Sua vida de violência muda ao conhecer uma mulher audaciosa, herdeira de uma facção inimiga. Obcecado, o mafioso decide protegê-la, mesmo que isso signifique desafiar suas próprias leis e lealdades. Entre o dever sombrio e uma paixão proibida, Vincent enfrenta as consequências letais de se entregar ao seu maior ponto fraco.
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Capítulo 1

Mavie Neumann

Abri meus olhos quando ouvi mais um grito agonizante de dor vindo de algum lugar aqui perto. Forcei meus olhos a se abrirem, me libertando de mais um sono perturbado.

Minha cabeça dói, enviando fagulhas pontiagudas em toda minha mente, como se fossem milhares de estilhaços de vidro que se espalharam em meu crânio.

Soltei o ar com força quando ouvi correntes sendo arrastadas através da porta do quarto escuro e frio em que estou trancada a dias.

Diariamente ouço gritos de dor, choros, lamúrios, correntes sendo arrastadas e pessoas se movimentando nesse lugar.

Estamos em um ambiente onde há pessoas sofrendo 24 horas por dia.

De onde estou, consigo ouvir passos apressados, como se alguém estivesse correndo e logo me agitei internamente, no resquício de esperança que alguém pudesse me salvar, como uma luz no fim do túnel, uma boa pessoa que poderia ter piedade de mim até que ouço um estrondo, e logo em seguida, disparos altos, e então gargalhadas quebram aquele silêncio devastador.

Muitas risadas masculinas explodem lá fora, deixando-me atordoada e sufocada com a escuridão e as risadas se misturando.

O que é isso?

Senti um cheiro metálico invadir o meu espaço e logo me desesperei.

Era sangue. Alguém estava sangrando aqui perto. O sangue fresco se aproximava lentamente e eu não consigo entender de onde vem pois está escuro demais.

Me encolhi sentindo o medo atravessar todo meu corpo trêmulo enquanto fechava meus olhos com força.

Não sei que irá acontecer a partir de agora. Não sei se serei a próxima e com desespero, sinto meu peito apertar.

Sera que irão me matar também?

Eles estão se divertindo com a morte de alguma pessoa lá fora?

Sacudi a cabeça quando senti uma forte náusea me tomar devido ao cheiro forte de sangue que atravessava pela fresta embaixo da porta. Encontrei a fonte do sangue. Daqui consigo ver o líquido espesso se derramar através da porta de uma forma lenta e assustadora e de repente sinto algo andando sobre mim e tenho certeza que é um dos roedores que compartilham do mesmo ambiente que eu.

Chutando o escuro, me encolhi em cima do pequeno e fino colchão em que estou e senti lágrimas descerem pelas minhas bochechas à medida que eu engolia a vontade de gritar por socorro.

Abraçando meu proprio corpo, sinto a dor das horas em más posições nesse colchão e a garantia de algumas horas de sono profundo pelo cansaço extremo e dessa vez, acho que não terei mais chances nem para reclamar da dor em minha lombar.

Tenho certeza.

Irão me matar igual a essa pessoa que esta sangrando nesse corredor.

Apertando minha garganta, fiquei em silêncio apenas sentindo a morte chegar lentamente até mim quando todos os sons que vinham lá de fora se silenciaram e de uma forma agonizante eu me apavorei.

Algo muito ruim está prestes a acontecer, pois em todo o tempo que fiquei aqui, nunca houve esse silêncio, e tremendo muito, me levantei do chão com muita dificuldade em manter meu próprio peso, mas fraca, acabei caindo de joelhos e comecei a me arrastar para frente, e sem forças para me afastar, senti o sangue que corria livre no chão me sujar por inteira. A porta do quarto fétido em que estou foi aberta abruptamente e através dela ninguém apareceu, e com um sorriso, senti o gostinho da liberdade me preencher.

Uma liberdade banhada a sangue mas que poderia ser a última chance em minha vida e por isso não me importei em atravessar essa poça de sangue e apressada, me arrastei em direção a luz através da porta.

Fui atraída pela luz como uma mariposa em direção a lâmpada.

Uma armadilha.

A mariposa não sabia, mas estava presa para sempre.

Engolindo em seco, estremeci por inteira quando um par de sapatos brilhantes pararam de frente para mim, e senti meu corpo inteiro se arrepiar diante da sensação assustadora que me tomou.

De relance, vejo um homem puxando pelos pés um corpo já sem vida que estava próximo da porta. O sangue jorrava do seu corpo e isso foi o suficiente para me arrepender por ter me arrastado até aqui.

Eu não deveria ver isso.

Num movimento lento, o homem que estava a minha frente se abaixou, depositando seus braços em cima dos seus joelhos de um jeito espaçoso, consegui apenas sentir um cheiro forte de perfume masculino que em outras circunstâncias iriam me causar tensão mas que agora só está arrancando o mais puro medo de mim, pois sinto cheiro de sangue fresco também.

Pisquei algumas vezes pedindo a Deus que me salvasse desse lugar enquanto fechava os olhos.

O homem ficou em silêncio por alguns segundos perto de mim, como se estivesse saboreando a sensação de angústia e medo que exalava de mim apenas ao se aproximar.

Naquele momento me senti fraca até mesmo para levantar o rosto e olhá-lo nos olhos, então fiquei parada aquele tempo todo para tentar adiar ao máximo o que ele veio fazer comigo, até que ele se moveu e agarrou meu rosto num gesto brusco e soltou um rosnado baixo.

Foi um som muito baixo, mas ainda assim consegui ouvir pois seus dedos longos me aproximaram demais do seu corpo.

— Você ainda quer fugir?

Fechei os olhos e engoli a vontade de gritar em desespero, sua voz era grossa e rude e me forcei a abrir meus olhos e erguer um pouco mais o meu rosto e foi quando consegui me sentir ainda mais amedrontada internamente, sabendo que eu nunca mais iria me esquecer do que irá acontecer hoje. O brilho que existia nos olhos daquele mascarado só confirmava o que eu já sabia.

Eu nunca mais seria a mesma.

Seus olhos eram penetrantes, firmes e questionadores. Não pareciam ser de alguém que poderia se arrepender de seus atos. Não parecia ser de alguém que poderia reconsiderar antes de matar uma pessoa.

Ele soltou meu queixo bruscamente, me deixando no chão literalmente, meu rosto ainda estava no chão quando desejei morrer naquele momento, sentia cada poro do meu corpo sujo e cheio de suor e sangue tremer internamente.

Desejando a morte tão fortemente quando desejei o bolo de chocolate da minha mãe a alguns dias e apesar de parecer um pensamento aleatório, o bolo foi desejado com muita força assim como estou desejando a minha morte agora pois sei que serei atormentada o resto da minha vida se esse homem não me matar.

Já pensei em fugir desse lugar inúmeras vezes mas nunca tive oportunidade, e mesmo não sabendo que dia é hoje, acredito que já tenha se passado 10 dias desde que fui trazida para esse quarto.

O homem mais uma vez se aproximou e disse num tom baixo. Era possível ver outros homens em formação a alguns metros dele. Todos estavam atentos a qualquer gesto dele e eu estava com meu corpo fraco demais para conseguir olhá-lo.

— Você danificou algo que era meu. Tem noção do que isso significa?

Sua cabeça pendeu para o lado conforme ele me analisava, num gesto certeiro, ele desceu a mão em direção ao meu pescoço mais uma vez e apertou seus dedos em volta da minha garganta, me fazendo levar meus dedos trêmulos aos seus. Pedindo através do meu desespero para que ele me soltasse. Para que me deixasse respirar.

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