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Capa do romance Garras

Garras

Uma auror novata inicia sua primeira missão oficial ao lado de um experiente especialista do Ministério. Juntos, eles precisam investigar uma série de assassinatos brutais que está dizimando a população de dragões. Por trás dessa onda de violência, um vilão enigmático articula um plano sombrio e perigoso. Em uma jornada repleta de mistérios e perigos, a dupla deve descobrir a verdade antes que o objetivo final do inimigo seja alcançado.
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Capítulo 2

Pov Moira

A reserva, como Charles chamava, era uma antiga construção medieval que parecia prestes a cair a qualquer momento, tanto por sua altura e complexidade quanto por sua localização, no topo de uma colina verde, seu interior era quase inteiramente fei...

Charles bateu suas botas na entrada e se encaminhou para a mesa no centro onde encheu uma caneca grande com uma bebida caseira, hidromel talvez.

- Aceita? - ele me ofereceu a caneca.

- Não obrigada.

- Tem certeza? Vai te esquentar.

Eu não tinha dúvidas de que aquele homem poderia me esquentar de muitas maneiras e bebida não era uma delas mas antes que esses pensamentos me distraíssem outra vez eu apontei para o alçapão

- Para onde leva?

- Para baixo - ele riu, antes de vislumbrar meu olhar impassível - a reserva é lá embaixo.

- Não vamos perder tempo.

Charles deu de ombro e usou a mão que não segurava a caneca para agarrar a argola de ferro e puxar a porta em um movimento rápido, fazendo a madeira bater no chão levantando uma pequena nuvem de poeira.

- Primeiro as damas.

Eu passei por ele esfregando a terra que impregnou em meu blazer, o interior da montanha estava quente e úmido e pude respirar melhor sem que o ar frio queimasse minhas narinas.

Charles desceu em um salto, apoiou a caneca em um degrau e tirou sua jaqueta, revelando uma regata solta, por baixo, era possível ver seus ombros e nuca, como boa parte de suas costas.

- Por aqui - seguiu pelo corredor, era amplo e todo coberto de pedras, grandes portas de metal se elevavam quase até o teto, e sons de rosnados, assim como um calor característicos escapava pelas laterais.

- Prendem dragões aqui?

- Não prendemos, só os impedimos de sair.

- Muito engraçado.

- Nós cuidamos, muitos chegam aqui doentes e machucados, então tratamos deles antes de devolver para seu habitat.

- Parece perigoso.

- Você acha? - ele olhou por cima do ombro e sorriu, notei as diversas cicatrizes em seu corpo, queimaduras e cortes.

Minhas bochechas esquentaram e um calor mais intenso passou pelo meu estomago, me obrigando a tirar o blazer.

- Eles te fazem usar uniforme?

- Não, porque acha que estou de uniforme?

- Se veste assim por opção?

- É o mais apropriado pro meu cargo.

- Tudo bem mas essa é uma região inospta, Srta. Scringeour. Seria mais prudente usar algo que lhe permita correr, se necessário.

- Eu sou uma auror em exercício da função, não acho que alguém se meteria em meu caminho.

- Se você diz, mas saiba que há muito mais em Spring's Ville do que homens e bruxos - antes que eu pudesse responder, Charles segurou uma argola em uma porta grande e usou todo seu peso para abri-la - é aqui.

O interior cheirava a carne queimada e fuligem, tudo naquela reserva parecia ter algo com fogo.

Uma longa bancada se estendia pela sala e no topo haviam janelas estreitas e longas, estavamos na ponta da colina e era possível ver o céu que escurecia.

O ar entrava frio e implacável, contrastando com o calor da fornada á frente.

- Humm, acho que nunca vi uma mulher tão bonita nessa sala.

Encarei o homem que se dirigia a mim, ele se aproximou e tomou minha mão em um beijo áspero, era bonito e atlético e a sua atitude exagerada não o tornava menos atraente.

- Esse é Bentley Mordaque, nosso legista.

- E cozinheiro.

- Sou Moira Scringeour, auror.

O rapaz levantou uma sobrancelha mas logo voltou a sorrir.

- Uma auror e um legista, parece um conto de fadas.

Eu sorri e minhas bochechas coraram.

- Trouxeram o segundo? - Charles virou o restante de sua caneca enquanto esperava a resposta.

- Está bem ali - Mordaque apontou para uma segunda bancada tão grande quanto a primeira onde era possível ver um dragão mal coberto por um pano sujo de lama e sangue - o que houve com ele?

- Eu estou tentando descobrir. Onde está o primeiro? - respondi de imediato.

- Aqui. Bem, partes de dele.

Na bancada havia um par de asas cortadas e alguns pedaços grande de carne e pele assim como uma genitália, incluindo os enormes testículos onde meus olhos se demoraram.

- Não achou que fossem modestos, não é? - Mordaque apoiou as mãos sobre a bancada levantando mais o corpo - tendo em vista o tamanho do dragão.

- Só estou pensando - eu me virei bruscamente fazendo Charles que se postara atrás de mim, dar um passo atrás para me encarar - o que eles tem em comum além de serem dragões? Sexo? Idade? Raça?

- Nada.

- Interessante.

- Mórbido, você quer dizer - Mordaque puxava um carrinho com uma asa em direção á fornada.

- Espere - eu corri para impedir e acabei prendendo o salto, pela segunda vez, em um vão no assoalho e precisei me segurar em Charles que me apoiou firmemente com as mãos em minha cintura, quase o suficiente para me machucar, seu hálito perto o suficiente para me enebriar - Conhaque.

- O que disse.

- Conhaque - eu me ajeitei, ficando em pé - estava bebendo em horário de trabalho.

- Eu disse que era pra esquentar.

- E, Mordaque. Eu preciso dessa asa intacta - eu estendi a mão para Charles que não hesitou em me entregar o canivete suiço, eu peguei a escova e passei pelas asas, como eu imaginava elas escamaram e haviam os mesmos simbolos embaixo - Tire fotos.

- Não sei se notou, Srta. Scringeour mas está em um crematório dentro de uma montanha, não temos câmeras aqui.

- Precisamos avaliar.

- Pode voltar quando quiser, auror - Mordaque sorria de canto - eu quardo para você.

- Ou podemos levar o couro.

- Essas asas tem dez metros de envergadura, Weasley. Como sugere que eu as leve?

- Bem simples, docinho - o legista interveio - Vou separar pra você.

Ele sorriu e tirou uma longa faca do coldre, passando-a pelas asas bem acima dos ossos e a pele do animal se soltou facilmente, sem sangue ou qualquer fluído.

- Couro de asa de dragão - Charles enrolou e jogou sobre o ombro - muito resistente.

Voltei a vestir meu blazer assim que deixamos o subsolo, Charles fez o mesmo com sua jaqueta, o que foi uma pena e um aliviou ao mesmo tempo.

- Qual o próximo passo, Srta. Scringeour?

- Descobrir o que significa os símbolos. Tem alguma biblioteca aqui?

- Não, o povo dessa região não é muito de ler, sabe.

- Entendo, preciso de um favor do ministério, então. Tem uma coruja?

- Por sorte sua a Sra. Weasley fez questão de me presentear com uma, ela fica no meu quarto.

- Esposa?

- Mãe, eu não sou casado. Não é fácil com meu trabalho.

- Eu dúvido muito.

Ele se afastou subindo os degraus de dois em dois.

- Você vem?

- O quê?

- Eu disse que a coruja está no meu quarto.

- Claro - mantive a calma enquanto subia as escadas atrás dele, Charles parecia não se importa em ser visto de costas e eu não pude deixar de reparar nas marcas que suas coxas deixavam no jeans.

Ele me guiou até o último andar e por um estreito corredor, entrando na penúltima porta.

- Cuidado - ele avisou bem a tempo de eu me abaixar enquanto uma coruja cinza cruzava o quarto - pode escrever na cama ou usar a cômoda, o tinteiro está alí.

Eu passei pela cama com dificuldade, imaginando como um homem daquele tamanho se movia aqui dentro, peguei um pergaminho e a pena, usando a cômoda como apoio para anotar todos os livros que eu imagina ter algo referente aquele assunto.

Com a visão periférica eu podia ver o Weasley sentado na cama dando migalhas para a coruja que insistia em se esfregar no bíceps dele.

Sortuda.

- Gosta mesmo desses animais, não é?

- É mais fácil que lidar com humanos, eles não traem, não machucam.

- E quanto aos dragões? Acho que podem machucar um bocado - apontei para o pescoço onde ele tinha outra cicatriz.

- São só incompreendidos.

- Ela pode levar, agora? É importante.

- Sim. Vamos, Justine. Precisa levar isso depressa - Charles pulou por cima da cama e me prendeu entre a cômoda e ele.

Sua presença era tão intimidadora e ao mesmo tempo me acolhia, entreguei o pergaminho enrolado e ele prendeu a pata da coruja, fazendo-a voar para fora da janela.

- Obrigada.

- Foi um prazer ajudar.

- Eu preciso ir agora.

- Sim, eu compreendo - Charles afastou o corpo deixando um espaço muito pequeno para passar e eu não sabia como travessar, por fim acabei virando de costa, o que não foi uma boa idéia. Ficou parecendo provocação.

- Bem - eu olhei por cima do ombro antes de passar pela porta - foi um prazer conhecê-lo.

- Igualmente, Srta Scringeour. Chame se precisar de mim?

Para qualquer tarefa?

- Claro, fique atento.

Charles fez questão de me acompanhar durante quase todo o trajeto de volta á vila, mesmo sem que o frio tornasse difícil conversar e a neblina densa mais ainda

A única hospedaria daquele lugar mais parecia um estabulo, ratos correndo libres pelo caibro no teto sem forro, as mesas sujas recebiam novos cardápios e o bar estava com os assentos lotados.

- Moira?

Minha atenção se voltou para o garoto na escada.

- Não temos escolha, temos?

- Sinto dizer que não. Como foi?

- Como eu esperava, as mortes foram obra da mesma pessoa.

- Comunicou o Sr. Philostrade?

- Não, ainda é cedo, preciso saber sobre aqueles símbolos.

- Ah, Moira. Era uma missão simples.

- Se quer simplicidade, Ioannou, sugiro que escolha outra profissão. Se vai trabalhar comigo, aceite que iremos até o fim.

- Tem razão - o garoto abaixou os olhos tristemente - a chave do quarto.

Peguei o objeto e subi, o quarto era ainda mais deplorável, com goteiras e uma janela quebrada por onde passava o ar gélido da noite.

Apanhei o cobertor na ponta de uma das duas camas, estava sujo e duro.

- Eu mereço - bufei e me deitei de costas cruzando os braços na frente do corpo e nem percebi quando adormeci.

Acordei com cheiro de café que fez meu estomago roncar.

- Café? - Dom me perguntou assim que abri os olhos.

Fitei a caneca manchada em sua mão.

- Não, obrigada.

- Você recebeu um telegrama do ministério.

- Já? - eu levantei rápido e apanhei o pequeno envelope na mesa, mas nada dos livros.

- O que diz?

- Nenhum dos livros que eu pedi estavam disponíveis.

- Hum, aposto que aqui não tem biblioteca.

- Tem a catedral - uma mulher gorda e rosada, vestindo uma roupa de camareira muito desbotada entrou no quarto sem bater e começou a esticar a cama - serviço de quarto - ela disse de forma casual.

- Que catedral?

- Na baía, depois do píer. Não conhecem?

- Eu não sou daqui.

Ela olhou para mim pela primeira vez.

- Ah, percebo agora. Bem, a baía é o lado mais movimentado dessa região, tem uma antiga catedral lá, foi destruída e saqueada mas duvido que esses vagabundos tenham levado os livros - ela deixou toalhas novas no banheiro antes de dar uma ultima olhada no quarto - prontinho, com licença.

Ela saiu nos deixando sozinhos.

- Acho que é perda de tempo. Se eram livros antigos certamente foram roubados.

- Também acho, mas vale a pena averiguar. Além do mais, ela disse que é movimentado, alguém pode saber de alguma coisa.

- Certo, vou me informar como faz pra chegar lá.

- Dom?

- Hum - ele parou na porta.

- Chame o Weasley.

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