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Capa do romance Galatéia

Galatéia

Projetada para ser uma arma letal entre criaturas, Galatéia falha em despertar seus dons após décadas. Como consequência, ela é enviada a um torneio perigoso. O prêmio inclui um casamento forçado com um rei que despreza as sereias. Agora, esse casal improvável precisa superar a hostilidade mútua e aprender a cooperar. Somente unidos eles conseguirão desvendar as conspirações sombrias e os planos ocultos da corte dos superiores.
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Capítulo 2

As montanhas que levavam ao castelo estavam lotadas, todos estavam ansiosos para conhecer as mulheres que lutariam pelo coração do rei Beron, assim como estavam ansiosos para começar às apostas. Seres de todas as espécies se encontravam no palácio, bebendo e comendo tranquilamente à medida que mais e mais convidados comparecia. O rei estava sentado em seu trono, não parecendo nem um pouco entusiasmado. Por mais que os jogos fossem divertidos e que adorava apostar, esse era um caso diferente.

   Porque agora o envolvia diretamente.

Todas as mulheres se apresentaram de forma elegante, contudo ele apenas acenava com a cabeça, por mais que todas sejam uma beldade ele estava claramente entediado. A música soava alta pelo arredores, elfos dançavam tentando incentivar os outros a fazerem o mesmo, enquanto outros apenas aproveitava a comida.

Um banquete para todos os gostos.

Seu servo apareceu ao seu lado no trono, abaixou sua cabeça na altura da coroa e avisou:

— Ela chegou.

   Em uma entrada épica, os ventos se chocaram com força pelo portão enorme de madeira fortificada do palácio, fazendo-a se abrir com um baque estrondoso, chamando a atenção para si. Uma criatura pequena, de cabelos longos e brancos adentrou o salão com um sorriso perverso nos lábios. Ela usava um vestido branco... vestido não, um pedaço de pano que não lhe cobria muita pele. Estava descalço, contudo tiras de ouro subia até sua panturrilha, assim como também havia algumas aos lados do quadril, mantendo o tecido firme no corpo.

— Exibida — uma da classe demoníaca sussurrou para a colega, que outra concordou prontamente.

— Com certeza, aposto que o rei não gosta desse tipo.

   Ah, mas ele gostava.

   Gostava ainda mais quando era dentro do seu quarto, contudo o que ele não suportava era saber de que linhagem ela pertencia. Havia uma flor no lugar do seu olho direito, enquanto o outro ostentava um cerúleo tão claro quanto o céu. Ela se aproximou do trono, fazendo uma longa reverência quando esteve próxima o suficiente.

— Meu rei, venho...

Ele a interrompeu fazendo um sinal com a mão, indicando para que parasse.

— Eu sei para o que veio.

— Na verdade, eu iria apenas me apresentar, meu senhor — O sorrisinho ainda estava alí, como se zombasse dele.

Só de olhar para ela seu estômago revirava de nojo.

— Galatéia, certo? Eu sei que você faz parte da Elite.

   Os que estavam próximos e ouviam a conversa olharam espantados para a garota de cabelos brancos, enquanto sussuravam entre si, espalhando a notícia para o resto do salão. Galatéia olhou para eles sob o ombro, seu queixo erguido demostrando orgulho. É notório que desde a guerra, era muito raro ver os de poder extremo ao meio deles, muitos acreditavam que a maioria havia morrido, mas pelo visto uma das que participava do comitê dos seres estava em um torneio para ser esposa de Azhill. Chegava até ser piada o fato de que um dos senhores haviam tornado uma sereia em Elite.

— Pelo visto o senhor já pesquisou sobre mim, me sinto lisonjeada.

Ignorando seu comentário, mandou:

— Olhe para mim.

   Galatéia endireitou sua postura e o olhou nos olhos.

— Pensei que as sereias de cabelos brancos haviam sido executadas, já que vocês só obtém essa cor de cabelo quando mata uma quantidade exuberante da própria espécie — Beron a olhava curioso.

   Galatéia sorriu sarcástica, a música ficando ainda mais alta. Ela deu um passo à frente apenas para que a ouvisse, mas sem que ultrapassasse o limite permitido, ela se curvou um pouco para que apenas ele ouvisse.

— Você por acaso está zombando de mim, meu rei?

Sem se abalar, ele responde:

— Não, estou apenas curioso.

— Pois saiba que sua curiosidade me ofende — disparou, o rei mostrou um sorrisinho mínimo, demostrando o quanto não ligava para o que dizia. Ela arrumou sua postura, fitando-o nos olhos. — Eu sou a rainha do meu lar, não matei por prazer, matei porque foi necessário.

   Azhill estalou a língua no céu da boca. Ele se lembrava de ter recusado de ser o rei das águas também, mas não imaginaria que mandariam alguém tão pequena para o comando. Era como se eles estivessem pedindo por uma guerra, já que a menor não parecia nenhum pouco o tipo de pessoa que venceria um combate físico.

Antes que o rei pudesse ponderar mais sobre o assunto, seu servo novamente se abaixou sob ele, avisando:

— A festa está acabando, senhor. Creio que ainda não tenha conversado com todas elas.

   Azhill olhou para a multidão no palácio, com desgosto. Ele gostava de ser rei, contudo havia algumas obrigações que ele desprezava e uma delas era se comunicar com o seu povo, sendo que preferia ficar trancado em seu escritório, bebendo mesmo que não pudesse ficar bêbado. Ele se levantou do trono, fazendo Galatéia se sentir uma mosca prestes a ser esmagada, entretanto ele não se despediu, apenas passou direto por ela, como se a presença dela fosse insignificante.

   Nenhum pouco incomodada, a mesma caminhou em direção as bebidas observando todos os convidados. Ela também estranhou quando um de seus senhores a mandou diretamente para cá, alguma coisa eles queriam, embora ela já tivesse em mente o que seria, porém preferia acreditar que estava errada.

— Porque sempre me coloco em situações arriscadas? —resmungou.

   Apesar de ser forte, sabia que não deveria subestimar suas oponentes. Ela varreu o salão enorme com os olhos, tentando absorver o máximo de informação, porém era como se estivesse em um local qualquer com pessoas superficiais. Elas não demonstravam ser uma ameaça agora, estavam ocupadas demais bebendo vinho e conversando uma com as outras.

   Galatéia se sentiu melancólica, apesar do seu título, estava mais do que claro que ninguém alí iria respeita-lá como tal e agora estava por conta própria, não conhecia ninguém e sabia que eles estariam certo em não se aproximar dela.

   No final ou ela provava ser útil e conseqüentemente dava a glória para o seu povo, ou morreria. Mesmo se não morresse agora, sabia que um dos seus senhores faria questão de matá-lá e ainda faria isto com um sorriso enorme no rosto.

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