Seguir
Capítulos
Compartilhar
Capa do romance Galatéia

Galatéia

Projetada para ser uma arma letal entre criaturas, Galatéia falha em despertar seus dons após décadas. Como consequência, ela é enviada a um torneio perigoso. O prêmio inclui um casamento forçado com um rei que despreza as sereias. Agora, esse casal improvável precisa superar a hostilidade mútua e aprender a cooperar. Somente unidos eles conseguirão desvendar as conspirações sombrias e os planos ocultos da corte dos superiores.
Capítulos
Compartilhar

Capítulo 3

A festa de apresentação estava quase no fim, embora ainda houvesse muitas pessoas no salão de dança e outras comendo, à medida que o rei se aproximava e entrava em um assunto caloroso com cada um e assim se seguia para o próximo e o próximo, até que só restava a sereia bastarda. Ele queria muito ignorar o fato de que ela existia, contudo ele tinha suas obrigações a cumprir e curiosidades para serem supridas, e infelizmente ela tinha as respostas para as suas perguntas e se não tivesse, pelo menos tentaria obter algo útil.

   Desde que havia chegado, ela estava com um apetite enorme. Se debruçou sob a mesa atrás do cacho de uvas, quando finalmente o obteve, a mesma inclinou a cabeça para trás, abrindo bem os lábios botando um grande punhado de uvas na boca.

— Hmm... icho é muto bom — mencionou para o soldado que estava do seu lado, de boca cheia, apontando com o indicador para as uvas que restaram em sua outra mão.

O homem revirou os olhos, dando as costas para ela.

   Um duende de pele azulada passou por ela dançando animadamente, com suas mãozinhas para o alto enquanto um cálice era erguido por uma delas. O rei observou Galatéia olhar para o pequeno de forma tediosa, vendo-a tomar o cálice dele e levar o conteúdo aos lábios junto com as uvas que sobraram. Ela soltou um gemidinho satisfeito, enquanto o duende olhava para ela com os olhos lacrimejando.

— Você é má! — gritou com ela, que apenas deu de ombros. Ele saiu carrancudo, andando a passos firmes até seus amigos pequenos.

   Beron se aproximou dela, suas mãos nas costas, com uma expressão inexpressiva. Ela olhou para ele, que ao contrário das outras mulheres que haviam alí, não tinha nenhum pingo de malícia, apenas tédio e indiferença.

— Você quer um pouco? Pelo menos nisso esses idiotas são bons de verdade — Ela não esperou a resposta dele, olhou para o cálice em sua mão e riu amargurada, sendo assim bebeu um longo gole.

— Por que diz isso? — ele se posicionou ao lado dela, então se permitiu olhar para a pintura que estava pendurada em sua parede, um homem estava sob uma mulher nua, parecia que ele estava a mordendo, mas não tinha como saber, seu rosto estava enterrado no pescoço dela e poderia ser facilmente confundido com apenas um gesto de carinho pela forma que ele fechava os olhos.

— Eles estavam na guerra, todos esses ineptos nojentos poderiam ter ajudado muitas pessoas, mas escolheram se esconder como covardes de — Ela respirou fundo, controlando-se. — Se não fosse pelos meus familiares eu estaria morta. — ela fez uma careta. — Ainda bem que a vida desses seres anojosos não dependem de mim, pois eu teria deixado todos morrerem, os deuses sabem o quanto eu sou boa em guardar rancor.

— E se não fosse pelo seu povo a guerra não teria dado início — percorreu os olhos pela pintura, notando que a mulher debruçada na cama expressava dor em seu rosto, então a ideia de carinho foi totalmente descartada.

— Teria de qualquer jeito, eles só ajudaram a acelerar o caso.

Azhill travou o maxilar, ele odiava essa conversa e odiava ainda mais como ela dizia aquilo.

— Ah, não fique bravo comigo, eu sei o que eles te tomaram — sua expressão facial estava enrugada.

— Havia me esquecido que sereias não se disponibilizam de sentimentos.

Galatéia sorriu, sarcástica.

— Por que eu teria empatia por um vampiro que claramente sente repulsa em está falando comigo?

Ele ergueu os lábios em uma tentativa frívola de um sorriso, deixando transparecer que ela estava mais do que certa.

— Não é como se você fizesse algo para mudar isso.

Os olhos dela brilharam.

— Ah, é? — se aproximou dele. — Então o que eu teria que fazer? — seus lábios se ergueram em um sorriso sedutor, mas quando ela levantou a palma da sua mão para tocar o seu peito, o mesmo se encolheu como se ela o tivesse acertado com um feitiço. — Pelos deuses! — gargalhou. — Você realmente tem medo de mim!

   De forma sutil, ele aperta a própria garganta, não querendo demostrar desconforto. Depois da explosão de risos da garota, que agora lacrimejava com ato, ela parou, suspirando.

— Desculpa, eu não devia ter rido — o minúsculo sorriso que ainda se erguia nos seus lábios dizia que ela não sentia nada. — Você não foi o único que teve perdas, afinal de contas. — sua voz soou amarga, bebendo o conteúdo do recipiente de ouro que estava em sua mão para que ele não notasse sua expressão de contrição.

— Falar sobre isso e ouvir você se lamúriar não vai me fazer criar empatia por você. — sua postura ficou rígida, voltando seu olhar para o quadro.

   Galatéia o observou por um tempo. Ele é, sem dúvidas, uma criatura de beleza extraordinária, porém a tristeza e a comiseração que ele deixava transparecer em intervalos pequenos parecia sugar toda a sua força.

Ela também voltou o olhar para o quadro.

— Nada me surpreende vindo de um vampiro monogâmico — apertou a mão no cálice, levando-o para a boca, saboreando o que restará do vinho lentamente. — Enfim, se você gosta de culpar todos pelos erros de um o problema não é meu.

— Disse a que odeia duendes por não terem ajudado na guerra. O que eles poderiam fazer? Lhes roubar enquanto todos estavam lutando?

Galatéia sorriu como se tivesse sido pega fazendo travessuras.

— Mas todos que estavam lá ainda estão vivos, ao contrário de quem matou sua mãe. Eles poderiam ter dado um jeito de serem úteis, eu fiz o meu trabalho.

   Embora seu coração só existisse no peito por puro enfeite, Beron sentiu como se houvesse sido esfaqueado várias vezes, porém continuou com sua expressão neutra, não deixando transparecer nada. Ela estava indo para um território perigoso, mas não se importava, se ele quisesse a cabeça dela que entrasse na fila. Entretanto, ele apenas mudou de assunto, como se não tivessem tocado no tópico anterior:

— Me diga, Galatéia; O que significa essa flor no seu olho?

— Não é da sua conta.

   Ele se calou por um tempo, decidindo que já conversaram por tempo suficiente, porém se lembrou que ainda não havia feito a pergunta que tanto rodava em sua mente.

— Por que te enviaram?

Galatéia impediu de que o cálice chegasse a boca.

— Nada que também seja da sua conta.

— Mas é importante que eu saiba — revela, ríspido.

— Acredite, meu rei — chegou perto dele, vendo-o lutar para não se encolher novamente. — Você não tem nada a ver com isto. Saiba que se trata apenas de ter que provar algo, e não, não tenho o mínimo interesse em ser sua esposa. — confessou, retornando sua postura normal, colocando o cálice na mesa, atrás de si.

Beron a encarava estarrecido, então sua postura mudou para desconcertado, não sabendo como reagir.

— O que precisa provar? — indagou, baixo.

— Para um ser que não me suporta você é bem curioso, hein? — riu. — Vivo a mil anos e a única coisa que eu sei é que sou um experimento falho.

— Experimento falho? — confusão estava estampada em seus olhos claros.

— Não quero falar sobre isso — decide, por fim.

Beron assentiu, refletindo por um longo tempo. De repente, ele se vira e acena com a cabeça para um dos soldados, se aproximaram pronto para atender suas ordens.

— Leve-a para seu quarto —  ordenou. Azhill virou-se para ela, engolindo em seco. As palavras queimavam sua garganta. — Deveria está preocupada em buscar uma forma de provar a eles que ainda é útil. Se fez isso uma vez na guerra, pode fazer de novo.

Afastou-se sem ouvir o que ela teria para dizer, levantando a mão para os outros subordinados, ordenando que dê um fim a festa.

— Que conselho lixo. — resmunga, deixando ser conduzida.

Continue assistindo!
A história está ficando intensa! Mude para o App para continuar
Desbloquear Todos os Episódios
Abrir o Site Oficial

Você pode gostar

Capa do romance Cafajeste Resturado
9.6
Elizabeth viveu uma noite intensa com o irmão de sua melhor amiga, mas acabou rejeitada. Após forjar a própria morte, Cristian retorna seis meses depois decidido a reconquistar a mulher que nunca esqueceu e assumir seu papel como pai. No entanto, o caminho para o perdão é perigoso. Inimigos do passado ainda o perseguem e planejam silenciá-lo definitivamente, colocando em risco a vida da família que ele mal recuperou. Ele terá que lutar por sua redenção.
Capa do romance Corações em Chamas
9.0
Em um mundo devastado pela violência, o mercenário Wyatt Johnson aceita o contrato de resgatar Leila Alvi, uma ativista focada na liberdade. O que começa como uma missão de resgate logo se transforma em uma fuga perigosa repleta de traições e descobertas. Entre conflitos e dilemas morais, uma paixão inesperada surge entre os dois. Agora, eles precisam unir forças para sobreviver ao caos, provando que o amor e a esperança podem florescer mesmo em meio à destruição total.
Capa do romance Dono do Morro e a Mafiosa
9.4
Ele comanda a Rocinha com punho de ferro e uma personalidade obstinada. Ela lidera a máfia brasileira, escondendo sua natureza implacável sob um véu de mistério. Enquanto ele a vê como uma figura estranha e enigmática, ela o enxerga como um desafio fascinante. Entre a teimosia dela e a arrogância dele, dois mundos perigosos colidem. Nesse embate de poder e segredos, esses dois líderes implacáveis descobrem que a atração pode ser tão letal quanto suas próprias vidas.
Capa do romance Entre Heranças e Silêncios
8.9
Em Salvador, a bolsista Meire e Otávio Saito, herdeiro de um império coreano, vivem um amor proibido que termina em separação e uma gravidez oculta. Oito anos após o sumiço de Meire, o destino os reúne através da jovem Helena. O reencontro em meio a conflitos entre a Bahia e Seul desencadeia sequestros e disputas por status. Agora, eles precisam enfrentar segredos do passado e perigos reais para reivindicar sua identidade e o direito de amar em um mundo de elites.
Capa do romance Knut Jorn
8.5
Knut Jorn é um milionário dinamarquês de coração gélido e rotina rígida. Sua vida muda ao cruzar com Erin Reed, uma jovem chef americana que, após ser sequestrada, acaba presa na sombria rede da prostituição. Enquanto Knut luta contra esse mercado cruel, ele resgata Erin em uma noite perigosa. Entre segredos e mentiras, surge uma conexão inesperada: ela vê nele um salvador, sem notar que também o cura. O primeiro volume da série Os Dinamarqueses.
Capa do romance Marília: O Retorno Triunfal
9.7
Traída pelo noivo Ricardo e pela irmã Joana, Marília morre envenenada, mas desperta milagrosamente em seu aniversário de dezoito anos. De volta ao passado, a princesa recupera sua juventude e a chance de evitar sua queda. Ao ver Joana usando ilegalmente as vestes da herdeira, Marília abandona a ingenuidade e assume o comando. Com memórias da vida anterior e uma fúria implacável, ela inicia uma vingança estratégica para destruir aqueles que planejaram sua ruína.