
Fúria da Lua: Sangue e Destino
Capítulo 2
Phoenix
Dor intensa me define por completo; cada parte do meu corpo parece pulsar. Ao abrir os olhos, sinto o peso na cabeça e solto um gemido de desconforto. A sensação de que minha cabeça está prestes a explodir é insuportável.
Aos poucos, minha visão retorna ao normal, revelando minha localização: uma caverna com troncos de árvores dispostos como bancos e uma pedra grande no lado esquerdo, servindo como uma espécie de mesa coberta por couros.
Após examinar o ambiente, tento ouvir algo suspeito, mas sinto um aperto na minha cintura que faz meu corpo congelar. Com a respiração ofegante, olho ao redor e solto um grito de pavor ao ver um homem musculoso de um metro e oitenta, cabelos longos, vestindo apenas uma calça cortada até os joelhos. Ele pula da cama ofegante, com o peito subindo e descendo freneticamente, e percebo que suas mãos têm garras.
Minha mente entrou em desespero enquanto eu me levantava da cama, tentando entender a situação. Olhei rapidamente para mim mesma e suspirei aliviada ao ver que estava vestida. O medo começou a dominar meu raciocínio enquanto eu corria em direção à única porta disponível. Estava atordoada, com lágrimas escorrendo pelo rosto, quando me deparei com duas opções de direção. Antes que pudesse decidir, fui erguida do chão.
— Me solte! — Eu gritei, lutando para me libertar.
Logo em seguida, fui jogada de volta na cama. Levantei-me rapidamente e vi ele bloqueando a porta.
— Quem é você? — Perguntei, gritando.
— Você enlouqueceu? — Ele gritou de volta, com os punhos cerrados.
Assustei-me ao ouvir sua voz rouca abracei meu corpo em busca de segurança, pois sua voz parecia estar longe de ser humana.
— Não se deve acordar ninguém aos berros. — disse ele, respirando mais calmo, enquanto suas garras começavam a desaparecer.
— Quem é você? — perguntei novamente, tentando entender o que havia acontecido quando desmaiei ao tentar me livrar da fera.
No entanto, ao encarar diretamente seus olhos, um vermelho intenso me fitando, era como se pudesse ver as chamas do inferno consumindo lentamente meu corpo. É assim que me sinto enquanto ele me examina. Não há dúvidas sobre quem ele é. Respiro fundo, lutando para manter a calma e não entrar em desespero.
Com o coração acelerado, percebo o destino incerto que a vida reservou para mim.
— Acho que você já conhecia a resposta; consigo perceber seu coração acelerando. — disse, encostado na parede.
— Como pode ser possível? — perguntei, gaguejando, uma mistura de curiosidade e medo.
— Isso não é da sua conta. — respondeu, com arrogância.
Uma raiva intensa me consumiu. Como ele pode dizer que não é da minha conta, quando, em sua forma de lobisomem, me sequestrou?
— Como tem a audácia de dizer que não é importante para mim? Você me sequestrou, seu monstro! — gritei, levantando-me da cama e apontando o dedo em sua direção.
— Se já sabe que sou um monstro, por que tem coragem de apontar o dedo para mim? Não tem medo de perdê-lo. — disse ele, com sua aura arrogante.
Ao sentir a tensão aumentar com a ameaça repentina, virei-me, incapaz de suportar o olhar intenso. Percebi que não estava deitada em uma cama comum, mas sim sobre uma pedra plana coberta com peles de animais.
Decidi tentar iniciar uma conversa para talvez amenizar a situação.
— Qual é o seu nome? — perguntei.
— Kháos
Ao ouvir seu nome, estremeci diante de sua voz grave.
— Me chamo Phoenix.
– Não perguntei seu nome.
A raiva percorreu novamente meu corpo, mas permaneci no local, sentindo a atmosfera carregada de perigo.
— Eu só quero ir embora. — disse, segurando as lágrimas.
Mas não recebi resposta, e mesmo de costas consigo sentir o olhar dele queimando na minha pele. Minha respiração fica irregular quando ele se aproxima mais.
— Você não vai sair! Preciso descobrir o que fazer com você. — ele sussurrou no meu ouvido, causando arrepios por todo o meu corpo.
Fiquei paralisada, mesmo vendo-o sair do cômodo.
— O que devo fazer? — perguntei a mim mesma.
No entanto, não vou ficar aqui para descobrir o que ele vai fazer comigo. Saí do cômodo seguindo o único caminho disponível.
Até que me deparo com duas direções, uma delas mais escura com um cheiro desagradável pairando no ar. A outra é mais clara, mas o odor não é muito diferente do outro.
Eu escolhi seguir o caminho mais claro com passos rápidos até que a luz se tornou mais forte e finalmente avistei a saída, mesmo com alguns galhos obstruindo a entrada, ainda era visível.
No entanto, ao examinar o espaço, percebi a bagunça que era supostamente a cozinha da caverna, com animais cortados sobre as pedras, pelos espalhados pelo chão e um cheiro desagradável que fez meu estômago revirar.
Com relutância, comecei a percorrer a bagunça, mas ao avistar um corpo humano já em decomposição, não consegui conter a náusea que subia pela minha garganta, e vomitei. Senti meu corpo tremer devido à fraqueza, minha visão começou a escurecer, eu não podia desmaiar e perder a oportunidade de fugir.
Fiquei imóvel encostada na parede, respirando devagar até me acalmar. Não deveria sucumbir ao medo tão facilmente. Saí cambaleando da caverna para evitar ser capturada na floresta. Tentei encontrar minha localização na mata, mas não vi nada. Segui sem rumo, sentindo o cansaço se instalar, até que abruptamente parei ao deparar com uma tigresa alimentando seus filhotes. Contudo, ao ouvir um ruído, minha atenção mudou para outro tigre que agora me encarava ferozmente, tornando-me seu alvo.
Com a pouca calma que me restava, dei passos cautelosos para trás, evitando que o animal percebesse qualquer sinal de ameaça vindo de mim. Tremendo, tentei controlar minha respiração e os batimentos do meu coração enquanto o tigre começava a rosnar e se aproximava de mim.
Sem esperar que ele atacasse, comecei a correr desesperadamente, tropeçando nos galhos das árvores. Senti uma ardência na perna devido a um corte, mas mesmo assim continuei a correr, nunca tendo corrido tanto em toda a minha vida.
No meio da corrida, reflito sobre como minha vida virou de cabeça para baixo. Quase fui abusada por um bêbado, mas um lobisomem me salvou e agora me mantém presa.
Ninguém vai acreditar que meu desaparecimento se deve a ser raptada por uma criatura que muitos pensam ser fictícia. Olho para trás e respiro aliviada ao notar que o tigre sumiu.
Caminho até uma árvore me sentado debaixo dela no chão, passo a mão na perna, onde há um corte com um pouco de sangue. Pego uma folha para colocar sobre o ferimento, tentando acalmar-me. Agora que escapei, preciso me tranquilizar e seguir em frente.
Aproveitei a pouca luz restante do dia, levantei mais calma e, mancando, saí pela floresta, sem condições de correr. Deveria ter percebido que a situação não terminaria tão facilmente para mim. Ao anoitecer, um grito animalesco indicou que o lobisomem descobriu minha fuga.
Corri desesperadamente, consciente de que minha vida estava em jogo. Ignorando o corte, adentrei a floresta, onde encontrei o mesmo tigre que me perseguira momentos antes. Rezei silenciosamente, não para salvar-me, pois sabia que minhas chances eram mínimas, mas sim para redimir eventuais pecados cometidos ao longo da vida. Sempre desejei escapar dos meus donos, mas a morte não era a solução que eu buscava.
Num instante de puro terror, vi algo se lançar sobre o tigre, desencadeando uma luta na mata escura. Exclamei, surpresa e assustada, enquanto observava a cena se desenrolar. Embora minha visão estivesse turva de medo, foi um alívio perceber que o alvo do ataque era o tigre, não eu. Não esperei pelo desfecho daquilo, continuei correndo e me escondi atrás de uma árvore, buscando cobertura na escuridão da floresta.
Ofegante, mantenho os olhos atentos a qualquer movimento em meu campo de visão, enquanto a noite cobre o céu completamente. Após alguns minutos de espera, nada surge, e hesito em sair do meu esconderijo. Minhas dúvidas desaparecem quando meu corpo fica tenso; percebo uma respiração no meu pescoço. Alguém está atrás de mim. Incapaz de me mover, sinto uma mão na minha cintura, forçando-me a virar lentamente contra a minha vontade, enquanto meu coração bate freneticamente.
Frente a frente com ele, esqueço como respirar. Sou hipnotizado por seus intensos olhos vermelhos.
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