
FUGINDO DO PECADO
Capítulo 3
Minhas mãos automaticamente vão para o meu cabelo e tento de forma desajeitada recolher meus cachos e prender em um coque. O que estou fazendo? André acabou de dizer que fico linda de cabelo solto e vou prender?
"Sim, ele não é pro seu bico! Não está ainda louca pra adotar uma criança!"
Meu inconsciente me repreende e me sinto uma velha safada.
- Imagino que isso em suas mãos seja o acordo!
Digo firme, mostrando que ignoro seu comentário.
- Sim!
Ao invés dele vir a frente da minha mesa me entregar, dá a volta e vem para o meu lado. Tento não lembrar do sonho, mas é impossível.
- Se estiver tudo certo, Dr. Fanzinni pediu para assinar.
Dr. Fanzinni? Ele é todo profissional com o pai ou está falando assim achando que não sei o grau de parentesco dos dois?
- Certo! Vou ler e depois peço ao meu estagiário para levar até o escritório do Dr. Fanzinni. Se tiver algo a alterar comunico por email ou ligo para o doutor.
André senta na minha mesa e me olha. Ergo uma sobrancelha mostrando que não gostei de sua liberdade e ganho um sorriso safado.
- Vou ficar aqui te olhando enquanto lê.
- Por que?
- Aprendizado?
Tenta não rir, mas não consegue.
- Nem você acreditou em uma desculpa dessa.
- Sou um aluno que aprende muito na prática, observando. Como uma professora excelente que é, acredito que não se importe em me deixar aprender apenas te olhando.
- Aprenderia mais se olhasse para o acordo e não pra mim.
- Lê ele pra mim, enquanto olho pra você.
Agora sou eu quem está rindo.
- Caro estudante de direito, a leitura minha de uma minuta de acordo não sai de graça. Minha cliente está me pagando muito bem pra fazer isso agora e não farei de graça pra você.
- Pago pra que leia pra mim e bem devagar, pra que eu possa me deliciar com seus lábios se movendo por um bom tempo.
Giro minha cadeira e fico de frente para o jovem bem atrevido a minha frente.
- Não acho que tenha dinheiro pra bancar isso.
Vem pra cima de mim, apoia as mãos nos braços da cadeira e deixa o rosto bem de frente com o meu. É atrevido demais para apenas vinte anos.
- Precisa pagar com dinheiro?
Tento de verdade conter minha cara de choque, mas imagino que tenha falhado, já que ele sorri como se tivesse conquistado algo incrível.
- Já vi professores assediando alunas, mas é a primeira vez que vejo um aluno assediar uma professora.
- Acho que não estamos em uma sala de aula pra concretizar assédio de aluno a professora. Acho que aqui temos uma deliciosa advogada e um homem com um tesão louco nela.
- André, não sou o tipo de mulher que se envolve com homens mais novos. Se está procurando uma mulher madura que te banque ou te ensine a foder garotinhas, é melhor procurar em outro lugar.
Levanto e tento sair de perto dele, mas seu braço é rápido e me puxa pra ele, fazendo minha bunda bater contra seu corpo. Volta a sentar na mesa, me leva com ele e sento bem em cima da sua ereção.
- Não preciso de dinheiro...
Sussurra perto do meu ouvido e agora seus dois braços envolvem meu corpo. Ele é grande e consegue me fazer sentir pequena em seus braços. Nunca me senti assim com o César e talvez seja o fato de que éramos quase do mesmo tamanho. André é muito alto e gostoso.
- E sei foder muito bem!
Sua mão espalma em minha barriga e vai descendo para a minha saia.
- Só consigo pensar em você naquela camisa molhada...
Sua voz é rouca e sexy.
- O quanto eu queria beijar sua pele molhada, seus seios e saber o gosto que tem.
- Vai continuar imaginando meu gosto.
Digo ofegante e me afasto dele, antes que sua mão chegasse entre minhas pernas.
- Avise ao Dr. Franzinni que entrarei em contato. Pode ir!
Digo andando pra bem longe do André, sentindo meu corpo queimar. Paro perto a janela, buscando algum vento e ao invés dele sair da minha sala, senta em uma das cadeiras em frente a minha mesa.
- Vou esperar!
- André...
- Não vou te tocar e não abrirei minha boca.
Coloca sua perna direita sobre a esquerda e passa a mão no queixo enquanto me olha. Pela primeira vez reparo em sua roupa e não parece se vestir como um estudante de direito, estagiário. Mantém sua roupa de pegador largado. Jeans surrado, camiseta básica e um tênis mais básico. Típico filho de papai que faz estágio na empresa da família. Isso explica o fato dele achar que sou um objeto de desejo que ele pode ter, consumir. As jovenzinhas com quem se envolve devem abrir as pernas a cada sorriso e dizer amém as suas ordens.
- Você tem problemas em ouvir não ou a não conseguir o que quer?
Pergunto e vou pra minha mesa.
- Normamente não desisto do que quero.
Responde e passa a mão em seus lábios, me olhando como um caçador.
- Existe uma grande diferença entre não desistir de sonhos ou de conquistas e...
Pego o acordo sobre a mesa e encaro seus olhos.
- Ser mimado e não aceitar um não. Quando uma mulher diz não, aprenda a aceitar e acatar o desejo dela.
Jogo o acordo nele que pega assustado.
- Não sei com que tipo de mulher costuma se divertir, mas saiba que esse parque de diversões não é pra crianças.
Ando em direção a minha porta e a abro.
- Diga ao Dr. Franzinni que não irei assinar o acordo e se quiser saber o motivo pode me ligar.
André se levanta da cadeira e não parece preocupado com o fato de que posso contar o que fez ao pai dele e que por isso o acordo está por um fio. Para ao meu lado e ficamos nos olhando. O filho da mãe abre um sorriso debochado e enrola o acordo fazendo um canudo. Aproxima mais e continuo firme segurando a porta.
Sua mão se ergue, seu dedo se encaixa na abertura entre dois botões e ele puxa minha camisa pra frente, expondo mais meu decote. Coloca o acordo entre meus seios e solta a camisa.
- Venho buscar ás 17h!
Diz e não tenho espaço pra recuar quando ele vem pro meu ouvido.
- Se seu desejo fosse mesmo dizer não pra mim, respeitaria sem problemas.
Seus lábios roçam a pele do meu pescoço e seguro o gemido na garganta.
- Mas você me quer tanto quanto eu te quero.
Vem passando os lábios na lateral do meu rosto e quando chega perto da minha boca, se afasta me deixando com vontade de sentir seu beijo.
- É só questão de tempo pra que entenda que nossas peles precisam se tocar, que meu corpo precisa se fundir ao seu.
Vai se afastando e saindo da porta.
- Eu sei como se sente quando está perto de mim...
Seus olhos medem meu corpo por inteiro.
- Esse calor não queima apenas você, Giovana.
Vai embora e me deixa sem ar, sem forças e sem palavras pra responder. Fecho a porta e arranco o acordo de dentro dos meus seios. Jogo ele sobre a mesa e vou até a janela.
Abro ela toda e o vento que bate em meu corpo alivia a ardência, o desejo me consumindo.
- Não cai nessa cantada barata! Não se atreva a pensar na hipótese de dormir com esse garoto!
Digo a mim mesma para me convencer de que é errado, muito errado.
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Entro na ultima página do acordo e vejo que tem um pequeno papel colado nele, idêntico aos que eu uso como lembretes.
" Podemos discutir melhor o acordo em um jantar hoje a noite!
Edgar Fanzinni"
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