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Capa do romance Fortemente quebrados

Fortemente quebrados

Sophie vive conectada às redes sociais e nutre uma paixão antiga por Bratt Watson, que se considera inalcançável. O cenário muda quando ele demonstra interesse, mas logo se afasta de forma misteriosa. Determinada a entender esse recuo, Sophie investiga os segredos dele, mergulhando em uma jornada dolorosa que a destrói emocionalmente. Mesmo perdida em seu próprio sofrimento, ela precisa encontrar forças para resgatar Bratt de seu inferno pessoal.
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Capítulo 3

Durmo muito bem. Eu sei que disse que ia conquistar Bratt, mas quando fico perto dele pareço uma idiota tímida. E agora que eu vejo ele conversando com Chloe, não sei o que fazer.

     Bratt está sorrindo e olhando para ela, que está simplesmente linda com saltos altos, blusa com babados e uma calça de coro muito sexy, sem falar dos seus cabelos castanhos em um rabo de cavalo perfeito. Bratt está usando um polluver vermelho, jeans azul escuro e botas pretas.

     Olhar para eles me faz sentir mal por ter usado uma camiseta do Rolling Stones, calça jeans e All Stars converse. Para piorar, meu cabelo está num coque bagunçado.

      Endireito os óculos e caminho até eles. Eles não me notam até que chego muito perto mesmo. Estou apenas marcando território.

     — Oi! — Digo sorrindo.

     — Quem é você? — Chloe olha para mim.

     — Sophie. — Digo e olho para Bratt.

     — Não me interessa. — Ela olha para minhas roupas. — Você foi assaltada por um garoto idiota e trocou de roupa com você? — Ri.

     Calma, Sophie, homicídio é crime!

     — Você é muito engraçada, Chloe! — Digo e olho para Bratt. — Você me acompanha?

     — Estou falando com a Chloe. Depois a gente se fala? — Ele diz.

     Sinto como se ambos tivessem me dado tapas. Duas vezes.

     — Claro.

     Eu saio e tento me recompor. Entro na sala de aula e ocupo o meu lugar junto de Kathleen. Ela é amiga da Chloe, mas não é má. Só é muito chata.

     Abro o meu livro para me concentrar, mas não consigo. Pensar que Bratt pode estar pensando em se encontrar com Chloe e está interessado nela, me deixa agressiva.

     Tiro o meu celular e me distraio com as redes sociais. Coloco um like na nova foto do Justin Bieber e do Zayn. Vejo uma foto de Chloe também. Ela está linda. Está com um vestido branco justo e o cabelo liso.

     Guardo o celular para não quebrá-lo. Meus pais iam me castigar. E eu não posso ficar um dia sem Internet, sem publicar nada, senão as pessoas vão pensar que eu estou desaparecida.

     Bratt entra na sala de aula, mas não senta ao meu lado. Ele senta ao fundo junto de um garoto de cabelos vermelhos e piercing no nariz. É impressão minha ou ele está me evitando?

     — Algum problema, Sophie? — Kathleen pergunta.

     — Não.

     Olho para trás e ele olha para mim sem emoção depois desvia o olhar. Se existe alguém mais complicado nesse mundo, esse alguém é Bratt.

     Eu olho para frente para o professor que acaba de entrar e tento não pensar muito sobre isso. Eu acho que estou exagerando.

     Eu pego no meu lápis e escrevo algumas coisas no meu caderno. Tenho vontade de olhar para trás e ver se ele está olhando para mim, mas não posso. É uma porcaria estudar longe das amigas.

     Aula chata, professor chato, tudo chato. Tiro os meus óculos por um minuto para limpá-los enquanto o professor vai embora. Tento ver Bratt pelos óculos, mas não consigo. Eu não posso deixar ele escapar.

      Coloco os óculos e levanto. Caminho corajosamente em direção ao Bratt. Ele continua sentado sem se mover. Parece divertido.

      — Oi! — Digo e cruzo os braços.

     — Oi! — Ele sorri.

     — Vamos comer alguma coisa? — Pergunto.

     — Não tenho fome. — Responde. Eu estou morrendo de fome. Obviamente é uma resposta para me evitar.

     É melhor eu desistir. Quem sabe amanhã ele volte ao normal ou esteja como ontem. Talvez seja um dia feliz e um dia me evitando. Só não sei porquê está fazendo isso.

     Não! Espera! Sei sim. Eu pareço uma nerd idiota. Visto como uma garota idiota, meus óculos pioram o visual e possivelmente porque sou descendente de um oriental. São motivos suficientes.

     — Está bem. — Eu pego nas minhas coisas e saio da sala de aulas. Vou para o refeitório e espero na fila.

     Vejo Chloe sentada com Kathleen e outro garoto e eles estão rindo muito. Isso me faz lembrar das vezes que Jolene me contou suas maluquices ou quando Blaire comia salada e a gente comia hambúrgueres.

      Pego na minha bandeja cheia de comida e sento num canto sozinha. Pego no meu celular e envio uma mensagem para Jolene. 

    Sophie: "Qual é a do seu irmão? Está me evitando."

     Bebo o meu suco e aguardo a resposta. Enquanto aguardo, não resisto à tentação de olhar as fotos de Bratt no Instagram. Talvez ele seja meu amor platônico.

     Um garoto de cabelos negros, vestindo uma camiseta preta e calça preta senta ao meu lado e sorri. Eu estou nem aí para seus dentes brancos e tatuagens nos braços.

     — Você está sozinha? — Ele pergunta. Detesto quando perguntam o óbvio. — Eu entendo como é.

    — Estou acostumada a ser invisível. — Digo.

     Ele ri. — Tem graça. Eu também. Digamos que bem invisível mesmo.

      Olho para seus olhos verdes muito claros e para cada canto do seu rosto. Seus cabelos pretos parecem ser muito macios e posso dizer que ele é musculoso. Ombros largos, mandíbula forte, mãos grandes, posso dizer que ele está mentindo.

     — Você? — Pergunto.

     — Porquê não?

     — Você já olhou para mim? — Pergunto.

     — Estou olhando. — Ele sorri. Até parece que está fazendo publicidade da Colgate. — Você é linda.

     Como a minha salada e vejo a resposta da mensagem de Jolene.

     Jolene: "Você já está acostumada. Vire o jogo."

     — A gente tem aulas juntos. — Ele apenas espalha a comida no prato. — Você senta na frente com a loira. Ontem estava usando uma calça skinny, blusa branca. Só não lembro dos sapatos.

     — Uau! Agora entendo porquê você é desprezado. — Digo. Quem decora o que um estranho vestiu no dia anterior.

     — Eu não disse que era desprezado. Disse que era invisível. — Ele continua rindo.

    — Desculpa.

    — Não faz mal. Meu nome é James. E você?

     — Sophie! — Oiço Scott atrás de mim. Porquê ele é tão chato?

     — Oi, Scott. — Não tenho entusiasmo nenhum.

     — Oi! Quem é o seu amigo? — Scott pergunta.

     — James. Você já pode ir. — Digo.

     — Uau! O que se passa com você? — Ele se afasta rindo.

     — Némsis?

     — Ainda nem descobri. — Digo.

      A última aula termina e eu saio sozinha. Não sei o que se passa com Bratt hoje, mas espero que amanhã seja diferente. Não sei se suportaria ser evitada por ele todos os dias. Só de pensar, dá uma vontade de chorar ou sumir para bem longe.

     Mal posso esperar para receber o meu carro. Meus pais disseram que eu vou ter um carro, finalmente, mas eu acho que já esqueci o que aprendi no exame de condução. Se essas coisas fossem tão fáceis como fazer snaps seria um mundo melhor.

     Chego em casa e vou para o meu quarto porque não vejo ninguém na sala. Tiro toda a minha roupa e entro no chuveiro rapidamente.

      Quando termino, visto um vestido justo, faço um penteado lindo e tiro uma foto. Jolene detesta o fato de eu estar sempre nas redes sociais, mas eu sou viciada. Ela não pode mudar isso.

     Troco de roupa e antes de publicar a minha foto, eu vejo as notificações.

   "JamesBlakke começou a segui-lo."

    "JamesBlakke gostou da tua foto"

     "JamesBlakke gostou da tua foto"

      Vejo as notificações em que JamesBlakke gostou de todas as minhas fotos e decido ver quem é ele. É nada mais, nada menos que o cara que sentou comigo hoje cedo.

     Isso está ficando estranho demais.

     Mais um dia na universidade e visto minhas calças jeans rasgadas, uma blusa regata cinza, uma gargantilha, minhas botas azuis escuras, um rabo de cavalo e um sorriso no rosto.

     Quando eu entro na sala de aula, bato contra Bratt e a gente se encara. Eu fico parada quando seus lindos olhos azuis ficam presos em mim.

     — Oi! — Digo.

     — Oi! — Ele dá um sorriso tímido. — Como você está?

     — Ótima. E você? — Endireito os óculos.

     — Estou bem também. — Ele desvia o olhar. Deve estar olhando para outra pessoa.

     — Bratt! — Oiço Chloe atrás de mim. Eu odeio ela!

     Não digo nada e entro na sala de aula. James está sentado no meu lugar e está lendo um livro de matemática. Eu sento ao lado dele e não digo nada além de:

     — Oi!

     — Sabia que a luz demora dois milhões de anos para chegar à Via Láctea? — Ele sorri.

     — Sabia que eu detesto começar uma conversa desse jeito? — Pergunto.

     — Desculpa.

    — Você está bem? — Pergunto. — Você me seguiu porquê?

    — Você sabe porquê. Não quero explicar o óbvio. — Ele olha para mim.

     — Está bem.

     — Desculpa ser demasiado intrometido, mas você tem namorado? — Ele pergunta.

     — Isso não é da sua conta. — Digo.

     — Foi só uma pergunta. — Ele levanta as mãos.

     Eu reviro os olhos e saio da sala de aulas. Não quero ficar falando com ele e preciso falar com Bratt. Não posso deixar Chloe ganhar.

     Bratt está conversando com Scott, mas não vejo nenhum sinal de Chloe. Ela deve ter ido embora quando Scott chegou. Ele é irritante.

     — Oi! — Digo.

     — Oi, linda! — Scott pisca um olho para mim.

    — Posso conversar com Bratt? — Pergunto para Scott.

    — Claro que sim. Depois a gente continua. — Ele tenta me beijar, mas eu me afasto e então vai embora. Imbecil!

     — Então, o que é tão importante que não pode ser dito noutra altura? — Ele cruza os braços.

     — Porquê você está me evitando? — Pergunto.

     — Não estou evitando ninguém. A gente só não é tão amigos assim. Nunca foi assim e acho que dissemos tudo no Barnes's. O que mais a gente tem para conversar?

     — Podemos inventar.

     — E você é daquelas que fica grudada no celular o tempo todo. — Ele desvia o olhar. — Somos diferentes. Você é a melhor amiga da Jolene.

    — Nem sempre. Eu tenho limites. — Digo. — E qual é o problema de ser amiga de Jolene?

     — A gente não pode ser amigos desse jeito? — Ele pergunta.

     — Desse jeito? Tipo, como pessoas normais?

     — É!

     — Eu pensei que a gente estava começando...

     — Não.

     — Porquê não podemos... — Ele não me deixa terminar.

     — Porque eu já expliquei. Você precisa entender.

     Eu acho que o meu amor é platônico mesmo. Eu controlo as minhas lágrimas e as minhas palavras. Quero gritar na cara dele que sempre gostei dele, mas só vai piorar.

     — Claro. — Digo. Ele só está dizendo isso porque não está sozinho aqui. Ele tem Scott aqui. Jolene e Blaire estão em Massachusetts, me deixaram completamente sozinha.

     Eu disse que Bratt ia ser meu, mas começo a achar que isso deve ser platônico. Em outras palavras, ele quer que eu me afaste dele.

     Eu deixo ele sozinho e volto para a sala de aulas. Sinto que ele me deu um chute bem forte. Ninguém merece uma coisa dessas. Nem mesmo Chloe Rogers.

     Sento ao lado de James. — Oi! — Coro.

     — Você sabe que é falta de educação deixar as pessoas falando sozinhas? — Ele está sério.

     — Perdão. Eu lamento.

     — Não faz mal. Estou acostumado. — Ele sorri. Sinceramente, ainda acho que esteja mentindo.

     — O que você gosta de fazer? — Pergunto.

     — Gosto de jogar, dançar, essas coisas. Você sabe xadrez? — Olha para mim com um brilho nos olhos.

     — Não. Bem, uma vez uma amiga tentou me ensinar, mas eu não consegui. Confundi as peças, as jogadas e perdi. Eu detesto perder.

     Ele olha para mim como se eu fosse uma pedra preciosa. — Eu também detesto perder.

     A gente conversa sobre hobbies, filmes, essas coisas e quando Bratt entra na sala de aulas, olha para James do jeito mais frio e assustador. Sério que eu não entendo esse garoto.

     Ele analisa James por algum tempo e se aproxima. O que eu faço para ele saber que eu estou apaixonada por ele? Porquê ele não sente o mesmo? O que eu tenho de errado?

   Isso não pode ficar assim.

     — O que você está fazendo no meu lugar? — Bratt pergunta para James.

     — Esse lugar está desocupado desde ontem. — James responde.

     — Sinto muito, mas você precisa se levantar se não quer uma briga.

     — Qual é o seu problema? — Pergunto.

     — O meu problema é que eu não gosto de estranhos mexendo com as minhas coisas. — Bratt serra os punhos.

     — Do que você está falando? — Pergunto levantando e indo na direção dele.

    Ele me encara e por segundos penso que está falando de mim. Ele está com ciúmes ou quer apenas o lugar, que eu pensei que não queria mais? Estou confusa.

     — Não importa. — Ele olha para James que se levanta irritado. — Fica bem longe!

     — Do que você está falando, Bratt? Ele é livre para sentar onde quiser.

     — Não aqui. Eu não quero ele sentando aqui.

     — Porquê?

     — Porque não. Esqueça isso. — Ele me leva para sentar perto dele, mas continua olhando para James com ódio.

      Está com ciúmes ou está preocupado com o lugar? Eu acho que a segunda é mais provável.

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