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Capa do romance Fiona: O Renascer de Uma Herdeira

Fiona: O Renascer de Uma Herdeira

No seu 32º aniversário, Fiona Hayes descobre a traição cruel do marido com a assistente grávida. Após doze anos de sacrifícios e submissão, ela vê a herança de sua mãe ser entregue à amante. Humilhada, a herdeira de uma dinastia do Douro decide retomar sua identidade. O que ele ignora é que Fiona é a verdadeira dona do seu império de azeite. Com o apoio da avó, ela iniciará uma vingança implacável para destruir o homem que a traiu e recuperar tudo o que lhe pertence.
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Capítulo 2

Era o meu trigésimo segundo aniversário, e o relógio de parede na sala de estar já marcava nove da noite.

A mesa estava posta com uma toalha de linho branco, mas apenas com um prato, um garfo e uma sobremesa solitária: um pudim Abade de Priscos, dourado e brilhante sob a luz quente.

Eu sabia que o Darren detestava doces conventuais, achava-os demasiado doces, demasiado pesados.

Mas hoje, eu queria comer o que eu gostava.

Finalmente, a porta abriu-se. Darren Acosta entrou, o seu fato caro ligeiramente amarrotado. Ele não trazia flores, nem um presente. Em vez disso, carregava uma pequena muda de oliveira, com as raízes envoltas num saco de serapilheira sujo de terra.

Ele pousou a planta no chão de madeira polida, deixando um rasto de terra.

"Fiona, o que é isto?"

A sua voz era fria, desprovida de qualquer calor. Ele apontou para a sobremesa na mesa.

"Fizeste este doce outra vez? Sabes que eu não gosto. E onde está o jantar? Passei o dia todo em reuniões, estou faminto."

Eu nem sequer levantei os olhos do meu livro.

"O jantar está no frigorífico. Podes aquecê-lo."

Ele bufou, irritado. "Aquecê-lo? É o teu aniversário, e é assim que celebras? Com restos e um doce que eu odeio?"

O cheiro dele encheu a sala. Não era o seu perfume habitual, amadeirado e masculino. Era um perfume floral, caro e delicado. Um perfume que não era meu.

Isso confirmou as minhas suspeitas.

Fechei o livro lentamente e peguei no meu telemóvel, que estava virado para baixo na mesa. Virei o ecrã para ele.

Na imagem, Darren e a sua assistente pessoal, Lilith, estavam num piquenique romântico num olival. Ele estava a dar-lhe um bocado de morango à boca. A imagem era íntima, inegável.

"Recebi isto de um número anónimo esta tarde."

A minha voz era calma, surpreendentemente firme.

O rosto de Darren mudou. A irritação deu lugar a um pânico mal disfarçado.

"Fiona, não é o que parece."

Ele aproximou-se, tentando pegar na minha mão, mas eu afastei-a.

"Lilith estava a passar por um momento difícil. O namorado dela terminou com ela. Eu estava apenas a consolá-la."

Consolá-la? Com um piquenique e morangos? A desculpa era tão fraca que era quase um insulto.

Ele viu a incredulidade no meu rosto e a sua tática mudou. A sua voz tornou-se dura, acusadora.

"E tu? Porque é que estás sempre tão obcecada com estas coisas? Talvez se não estivesses tão focada em ter filhos, não terias tempo para estas paranoias. Já tens 32 anos, Fiona. A cada ano que passa, o risco aumenta. Não achas que devias concentrar-te no que é importante?"

Aquelas palavras atingiram-me. Foi ele, durante anos, que me pediu para adiar a maternidade. Primeiro, era para ele estabilizar o negócio do azeite. Depois, para expandir a marca. Depois, para ganhar prémios internacionais.

Ele dizia sempre: "Só mais um ano, querida. Quero dar ao nosso filho o melhor futuro possível."

E eu, como uma tola, acreditei. Sacrifiquei a minha carreira, a minha juventude, o meu desejo de ser mãe, tudo por ele.

Um sorriso amargo formou-se nos meus lábios.

"Doze anos, Darren. Estamos juntos há doze anos."

Ele não respondeu. O silêncio era a sua confissão.

Levantei-me, peguei no prato com o pudim Abade de Priscos e comi uma colherada. Era doce, rico e reconfortante. Era tudo o que eu precisava naquele momento.

Ele observou-me, a sua expressão uma mistura de culpa e irritação.

Peguei na muda de oliveira que ele trouxe.

"É este o meu presente de aniversário?"

Ele desviou o olhar. "Resgatei-a de uma quinta abandonada. Pensei que poderíamos plantá-la juntos. Simboliza a força, a longevidade..."

As suas palavras morreram no ar. Eu sabia que ele estava a mentir. Era apenas mais um dos seus projetos, algo que ele achou interessante e que, convenientemente, tentou transformar num presente.

O meu telemóvel vibrou novamente. Desta vez, não era um número anónimo.

Era Lilith.

Uma mensagem com uma foto. Uma ecografia, datada de há uma semana. Gravidez de 3 meses.

Abaixo da ecografia, outra foto: a mão dela, delicada, a usar uma joia de filigrana de ouro, uma peça exclusiva que eu tinha visto numa montra há algumas semanas e que custava uma pequena fortuna.

A legenda da foto dizia: "Obrigada pelo presente, meu amor. Mal posso esperar para começar a nossa família."

Ao mesmo tempo, uma mensagem de Darren chegou ao meu próprio telemóvel.

"Querida, surgiu um imprevisto no escritório. Tenho de voltar. Ficarei a trabalhar até tarde. Não esperes por mim."

O meu coração partiu-se em mil pedaços. A dor era tão física que me deixou sem ar.

Respirei fundo, a minha mão a tremer enquanto digitava uma resposta para Darren.

"Vamos divorciar-nos."

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