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Capa do romance Fetiche & Contrato

Fetiche & Contrato

Victor é um homem de conquistas efêmeras que vê seu mundo mudar após uma noite de máscaras. A mulher misteriosa ressurge como sua faxineira, e ele, em vez de dispensá-la, propõe um acordo peculiar envolvendo silêncio e fetiches secretos. O que era apenas um contrato rígido transforma-se em um embate emocional perigoso. Enquanto ela desafia o controle dele, segredos do passado emergem, transformando o desejo em um jogo onde quem se apaixona perde o poder.
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Capítulo 1

Victor é um homem de família rica, ele sempre esteve buscando encontrar seu próprio caminho e adorava o meio liberal, festas intensas, swing, muita puta.ria, até que conheceu Tamila, uma moça de espírito livre que ele rapidamente julgou ser sua alma gêmea. O relacionamento começou de forma aberta, alinhando-se com a mentalidade que ele havia absorvido do seu círculo social. Ele acreditava que a liberdade e a falta de compromisso total o protegeriam de qualquer dor.

Tamila, com seu jeito desapegado e sua beleza descomplicada, parecia a parceira perfeita para aquela fase de sua vida.

Com o tempo, no entanto, Victor se apaixonou de verdade. O que era para ser algo casual se transformou em um desejo de exclusividade. Eles decidiram que a relação se tornaria monogâmica e logo ficaram noivos.

Victor, sentindo-se mais seguro do que nunca, começou a planejar o futuro, inclusive comprando uma casa para eles. Pela primeira vez, ele se permitiu sonhar em construir algo sólido e duradouro.

O castelo que ele construía desmoronou em um instante. De repente, Tamila o largou, revelando que o havia traído e engravidado. A notícia foi devastadora. Victor, que havia se entregado completamente, se viu novamente à deriva. A dor da traição era insuportável, mas o que mais o machucou foi a percepção de que sua insegurança inicial havia se confirmado.

Ele ficou sofrendo profundamente, afundado na convicção de que mulheres do meio liberal, como Tamila, jamais amariam um homem e seriam fiéis ou leais. A experiência, que o fez buscar a autenticidade, agora parecia uma ironia cruel.

Ele se sentiu duplamente traído: pela mulher que amava e pela própria crença de que a liberdade não tinha um preço alto.

Victor estava prestes a completar 30 anos e, para celebrar, decidiu fazer uma festa à altura. Trabalhando na diretoria de uma multinacional de tecidos, ele tinha o dinheiro e os contatos para tornar o evento inesquecível. Em sua nova casa, uma mansão moderna recém-comprada, ele organizou uma festa imensa, convidando muitas mulheres bonitas, modelos e figuras do meio liberal.

Em meio aos preparativos, Victor teve uma ideia ousada: montar mais de um "dark room", um quarto escuro para orgias. O espaço seria um atrativo a mais para a festa, garantindo que a noite fosse memorável. No entanto, a casa, grande e com a mudança recente, estava sem funcionários ainda.

Com a data do evento se aproximando, ele se viu numa corrida contra o tempo para deixar tudo impecável. Às pressas, contratou uma equipe de faxineiras de uma agência que considerava conceituada e de boa reputação, esperando que o serviço fosse rápido e eficiente.

Ele precisava que a casa estivesse impecável para a grande noite, e o "dark room" montado a tempo para os convidados.

O acordo foi feito por mensagens de texto. Victor não sabia, mas estava conversando com uma ex-funcionária da empresa de faxina, que havia sido demitida.

Essa mulher, chamada Rayra, agendou o serviço para fazê-lo sozinha, ganhando assim três vezes o valor. Rayra estava desesperada para pagar as contas, morava em uma república, tinha se separado recentemente e era perseguida pelo ex, que a fez ser demitida.

No dia agendado, Rayra foi até o endereço, que ficava em um bairro nobre, cercado de mansões. Rayra era vaidosa, mas de uma beleza natural. Adorava se maquiar, cuidar dos cabelos, usar roupas da moda e tinha uma sensualidade inata.

Ainda eram 6h30 da manhã quando Rayra chegou. Ansiosa, vestia uma calça legging, uma camiseta que servia de uniforme, e um tênis gasto réplica da Adidas. Com uma mochila nas costas e o cabelo preso em duas tranças boxeadoras, a maquiagem era leve, com base com filtro solar, pó, blush e um gloss nos lábios.

Ela tocou o interfone e esperou. Victor atendeu, olhando-a apenas pela câmera.

- Olá, bom dia. - ele falou desconfiado.

Rayra, sorridente, imaginando que estava sendo assistida pela câmera, respondeu:

- Oi, senhor Victor, bom dia! Houve um imprevisto e eu vim sozinha fazer a faxina. Mas pode ficar tranquilo que eu sou rápida e vou deixar tudo em ordem.

Victor a achou engraçada e, por estar ocupado demais para não aceitar a proposta, abriu o portão e foi encontrá-la. Quando Rayra chegou na porta da sala, ele a abriu usando apenas uma cueca samba-canção, exibindo seu corpo sarado. O cabelo estava bagunçado e o rosto com cara de sono.

Rayra sorriu, sem conseguir evitar de olhar para o corpo e a beleza dele, e ficou envergonhada. Victor a recebeu com simpatia.

- A casa é enorme. - ele disse.

- Você poderia arrumar o resto da mudança, desfazer caixas e arrumar o closet?

Ele foi andando e falando, subindo as escadas, enquanto Rayra, distraída e imaginando se ele usava cueca por baixo ou não, tropeçou e caiu de joelhos na escada.

Victor se virou repentinamente, assustado, e viu Rayra caída na escada. Começou a rir muito, um riso alto e sincero que a fez sorrir também, apesar da vergonha.

- Você se machucou? - ele perguntou, preocupado, estendendo a mão para ajudá-la a levantar.

Rayra, corada de vergonha, ignorou a dor no joelho e levantou-se rapidamente.

- Não, não foi nada. Obrigada.

Eles seguiram para um dos quartos, e Victor parou na porta.

- Fica à vontade para olhar os cômodos. Pode se trocar aqui, se quiser.

Rayra ficou parada, observando os móveis novos e o cheiro de casa recém-decorada. Sentia-se em um universo paralelo, a vida simples da república contrastando drasticamente com o luxo daquele lugar.

Rayra, ainda envergonhada, apontou para algumas caixas lacradas.

- Devo desembalar tudo o que é novo, senhor?

Victor, com um sorriso sonolento, a tranquilizou.

- Não precisa, me chamar de senhor. Só Victor. Por favor.

- Sim, pode ficar à vontade. O que for novo, pode tirar das caixas e organizar como achar melhor.

- Só quero que tudo, fique em ordem. Vou dar uma festa.

Ele se espreguiçou, parecendo não se dar conta de sua falta de roupa.

- Eu vou pro meu quarto resolver algumas coisas e tomar um banho. Depois, volto para te dar novas instruções. Qualquer coisa, pode me chamar.

Ele a deixou sozinha no quarto, e Rayra, respirando fundo, começou a trabalhar, ainda com o corpo latejando da queda, mas com um misto de nervosismo e curiosidade.

Rayra deixou a mochila no canto, pegou o avental e as luvas de limpeza, colocou os fones de ouvido e o celular na cintura. Abriu a porta da varanda para continuar a faxina e, ao entrar em outro quarto, abriu a cortina. Foi então que o viu.

Do outro lado, no quarto dele, Victor estava distraído, mexendo no celular com a toalha na cintura. Ele havia acabado de tomar banho. De repente, sem qualquer aviso, ele tirou a toalha e ficou completamente nu.

Rayra arregalou os olhos e não conseguiu desviar o olhar. Ele parecia uma escultura: lindo dos pés à cabeça, um verdadeiro pedaço de mal caminho. Com um corpo sarado e bronzeado pelo sol, olhos verdes e barba por fazer, Victor era a beleza em sua forma mais natural e impactante.

De repente, como se sentisse o peso do olhar dela, Victor levantou a cabeça. Rayra, assustada, disfarçou rapidamente, abrindo a porta e mexendo na cortina, com o coração disparado. Escondida, teve uma crise de risos. Desceu para a área de serviço, começou a olhar os poucos produtos de limpeza, e abriu toda a casa.

Victor desceu um tempo depois, agora vestido com uma calça jeans, camisa polo e tênis de marca. O cheiro de seu perfume, forte e marcante, Invictus chegou antes dele. Ele se aproximou de Rayra, que estava abaixada, varrendo a cozinha, e a observou.

Notou a beleza do corpo dela e a calcinha de bolinhas vermelhas que se revelava pela transparência da calça legging gasta.

- Então, precisa de alguma coisa que não seja ajuda? - ele perguntou, com um sorriso.

- Tem muitas coisas para fazer. Sinceramente, acho que você precisa de ajuda. Amanhã não podem vir outras faxineiras?

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