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Capa do romance Fetiche & Contrato

Fetiche & Contrato

Victor é um homem de conquistas efêmeras que vê seu mundo mudar após uma noite de máscaras. A mulher misteriosa ressurge como sua faxineira, e ele, em vez de dispensá-la, propõe um acordo peculiar envolvendo silêncio e fetiches secretos. O que era apenas um contrato rígido transforma-se em um embate emocional perigoso. Enquanto ela desafia o controle dele, segredos do passado emergem, transformando o desejo em um jogo onde quem se apaixona perde o poder.
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Capítulo 2

Rayra se levantou, limpando as mãos no avental, e olhou diretamente para Victor.

- Não precisa de reforço. Já anotei a lista dos produtos que preciso. Garanto que dou conta.

Victor, intrigado com a determinação dela, foi até a geladeira, pegou uma jarra de água e, brincando, perguntou:

- E cozinhar, está nos serviços contratados?

Rayra sorriu, com a simpatia em seu rosto era natural.

- Posso preparar algo rápido, se quiser.

Victor ficou ainda mais impressionado com a prestatividade dela. Ele pegou a cafeteira e começou a preparar café.

- Aceita um pouco? - ele ofereceu.

- E pode me chamar de Victor. Eu sempre como fora, então não se preocupe, a cozinha vai ficar impecável.

Rayra se ofereceu para preparar um lanche, bolo, ovos, ele pediu ovos mexidos com pão integral, suco natural de laranja sem adoçar, bacon e omelete de banana com canela, Rayra pediu licença, para mexer na geladeira, começou a preparar tudo, e mandou por mensagem a lista dos produtos, que ele pediu em um aplicativo, e eles começaram a conversar, ele contou que a família morava na Europa, e ele ia comemorar o aniversário com amigos,

Rayra ouviu tudo atenta, e disse que não ia decepcionar ele. O aroma de café fresco e os ovos mexidos com bacon invadiu a cozinha. Quando o café da manhã ficou pronto, Rayra serviu em pratos de porcelana, com o cuidado de quem entende de gastronomia e faz com carinho. Victor a observou, surpreso e admirado com a rapidez e o capricho com que ela preparou tudo.

- Uau, isso está incrível! - ele exclamou.

- Sente-se e coma comigo. Por favor.

Rayra sorriu, mas balançou a cabeça.

- Obrigada, Victor. Mas eu preciso começar a faxina.

Com a recusa educada de Rayra, Victor começou a comer sozinho enquanto ela subia para o segundo andar. Rayra iniciou a limpeza do primeiro cômodo, abrindo caixas e organizando os objetos. Foi então que ela levou um susto. Em uma das caixas, havia lençóis de seda nas cores preto, vermelho e dourado. Em outra, uma variedade de produtos novos de sex shop: vibradores, algemas, chicotes, géis beijáveis, e lingeries minúsculas. Rayra, que nunca havia visto nada parecido, ficou curiosa e começou a ler as etiquetas para entender a função de cada item.

Foi nesse momento de distração que Victor entrou no quarto. Rayra se assustou e se levantou de imediato, com o rosto sério.

- Posso realmente desembalar tudo? Fiquei confusa, desculpa.

Victor soltou uma risada, achando a reação de Rayra adorável.

- Sim, pode desembalar tudo - ele disse.

- Desculpa, deveria ter explicado antes. Este aqui vai ser o meu dark room, um quarto para encontros íntimos.

Ele pegou o celular e mostrou algumas fotos de referência, explicando com naturalidade como o espaço ficaria: luzes baixas, espelhos e, claro, os lençóis de seda. Rayra olhava as imagens com os olhos arregalados, o rosto corado de vergonha. Ela gaguejou, mal conseguindo formar as palavras.

- Eu... eu entendi. Não tem problema. Vou arrumar.

Voltando ao trabalho, ela começou a organizar os itens eróticos em uma prateleira, tentando manter a compostura. Victor, percebendo o desconforto dela, se afastou.

- Estarei no meu quarto, se precisar de algo. Ah, e os produtos de limpeza que você pediu já chegaram e estão na cozinha.

Rayra trabalhou incansavelmente. Limpou e organizou todos os cômodos do andar de cima, subindo e descendo as escadas várias vezes, carregando baldes, vassoura e rodo. Quando o relógio marcou a hora do almoço, ela desceu para a cozinha, levando consigo sua mochila. Tirou de lá um pote simples de vidro com tampa de plástico, sentou-se à mesa e começou a comer, miojo com chuchu, gelado mesmo.

Victor a observava pelas câmeras de segurança. Impressionado com sua dedicação, desceu para falar com ela. Aproximou-se, curioso.

- Eu ia pedir comida para nós dois. Sei que a refeição é obrigação de quem contrata o serviço.

Rayra, constrangida, deu um pequeno sorriso.

- Ah, não, imagina. Fica em paz. Eu sempre me viro.

Ele encostou-se no balcão e, disfarçadamente, olhou para a marmita dela. Tentando não ser indelicado, ele falou:

- Já pedi a comida, na verdade. Não quer esperar para comermos juntos?

Rayra, cabisbaixa de vergonha, disse que não precisava e que já ia voltar ao trabalho. Victor, no entanto, sentou-se perto dela, mexendo no celular.

- De onde você é? Tem família? Filhos? É casada? - perguntou, com curiosidade em seu olhar.

Ela terminou de comer, levantou-se e foi lavar o pote.

- Sou daqui mesmo, sozinha, sem ninguém - ela disse, com a voz baixa.

Ele insistiu, curioso:

- Ninguém? Tipo, irmãos, pais?

Rayra sorriu sutilmente.

- Sim, ninguém. Filha única. Meu pai nem me assumiu, e perdi minha mãe recentemente.

Ela mudou de assunto, olhando ao redor.

- Olha, por sorte, a casa não está suja, tipo sujeira de verdade. Vou conseguir terminar hoje. Mas talvez um pouco mais tarde, à noite. Tem problema? Se tiver, eu volto amanhã bem cedo.

Victor a olhou com uma ponta de admiração.

- Você pode decidir o que for melhor para você. Eu vou estar recebendo mais coisas amanhã, o pessoal do som, da comida, da decoração...

Rayra ficou séria por um instante, parecendo pensativa. Logo depois, respondeu:

- Prefiro terminar hoje. Vou voltar e ir para a sala de estar. Tem alguma escada para eu subir e alcançar as partes altas?

Ele foi pegar e levou para a sala. Rayra continuou a faxina, incansável. Subiu e desceu a escada, limpando cada canto com uma dedicação impressionante. O almoço que Victor havia pedido chegou, e ele, com uma embalagem grande nas mãos, ofereceu a ela.

- Venha comer comigo, por favor - ele insistiu.

Rayra, educada, recusou mais uma vez.

- Agradeço, mas não precisa, eu já comi.

Vendo a firmeza na resposta dela, Victor não insistiu.

- Tudo bem. Mas pode levar a marmita embora, se quiser.

Ela sorriu, agradecida, e voltou ao trabalho. O resto do dia de Rayra foi uma maratona. Ela limpou, varreu, organizou a casa, desfez as caixas, e até se arriscou a ajeitar os móveis e a decoração nova. Enquanto isso, Victor permanecia no seu mundo, no quarto ou na cozinha, totalmente focado no celular e no computador.

Ele a observava de longe, impressionado com a energia e a eficiência dela. Rayra não parou nem por um segundo, e Victor, pela primeira vez em muito tempo, ficou fascinado pela capacidade de alguém de trabalhar tão arduamente e com tanta paixão.

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