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Capa do romance Favelados

Favelados

Manuelly vê sua vida desmoronar sob abusos domésticos até que uma amiga a resgata, levando-a para uma realidade desconhecida: a favela. Nesse novo cenário, ela encontra a chance de recomeçar e descobre um amor inesperado. No entanto, viver essa paixão exige superar perigos constantes. Entre gírias e confrontos, a trama revela um submundo de ação, crimes e desejos intensos, onde a sobrevivência e o romance caminham lado a lado em meio ao caos urbano.
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Capítulo 1

Sara

Levanto do sofá da sala desanimada, olho no relógio do celular que marca 15:10 de um sábado simplesmente tedioso. A hora no passa de jeito nenhum, e eu já já vou enlouquecer se não arrumar alguma coisa pra fazer imediatamente.

Fico zanzando pela cara de um lado pro outro, e no final decido ir na sorveteria toma um açaí, no ruim, no ruim, um açaí melhora tudo. Porém, como não quero ir sozinha, vou ligar pra Isabella fazer o favor de ir comigo. A Isah é a minha amiga aqui do morro.

- Fala sua mandada, bora lá no açaí comigo? Sei que você não está fazendo nada pra ninguém uma hora dessas mesmo._ falo assim que ela atende a ligação.

- Tu que pensa quirida, estou no asfalto resolvendo umas paradas para minha mãe._ ela diz no deboche.

- iiiih, então caiu igual raio._ falo já desistindo dela.

- Cai nada, espera eu..._ desligo na cara dela rindo.

Ela fica muito puta quando eu faço isso, e eu faço só pra irritar.

Já que aquela safada não está em casa, vou ter que ir sozinha mesmo, e eu odeio anda sozinha cara, ainda mais aqui no morro. Todo mundo fica me encarando de rabo de olho, e eu não gosto de falar com ninguém, e se bobear, me faço até de cega pra não ter que cumprimentar esse povo.

Meu irmão diz que eu sou muito metida, mas não é isso, só não acho que sou obrigada, a fica rindo pra quem eu não conheço e pra quem eu sei que não gosta de mim, o pessoal daqui só puxa meu saco, porquê sou irmã do dono do morro.

E eu tenho é preguiça desse povo.

Chego na sorveteria, e percebo de cara uma funcionária nova, muito bonita por sinal. Ela é pretinha, magrinha, cabelo Black enrolado e o rostinho fino. Fico encarando ela de longe, e não demora muito pra ela vim me atender.

- Oi boa tarde._ disse ela vindo até a mim, com um sorriso simpático que me fez rir junto. Já gostei.

- Oi boa tarde, você é nova aqui né? To sempre aqui e nunca te vi._ pergunto curiosa.

- Sim, é o meu primeiro dia, meu nome é Manuelly, mas pode me chamar de Manu._ ela estende a mão com aquele sorriso sincero, muito difícil de se ver nessas meninas aqui do morro.

- Prazer nega, meu nome é Sara._ nos cumprimentamos.

- Sara, a famosa Patroinha._ meu nenêzinho MB chega me dando um susto.

- Então você é a primeira dama?_ pergunta a Manu com a testa franzida.

- Não, não eca._ faço cara de nojo, e ela fica sem entender_ eu sou irmã daquele embuste._ reviro meus olhos e eles riem juntos.

Faço meu pedido pra Manu que não demora muito pra ela trazer. Pedi do maior né, porque eu quero ser feliz, e açaí é vida gente.

Fico lá conversando com MB, que pra quem não sabe, esse vagabundo é meu amor todinho. Ele é um dos braços direito do meu irmão e também é o sub do morro.

Nós dois nunca tivemos nada, nenhum beijinho se quer para toda minha tristeza. Ele também nunca deixou escapar nada se é afim de mim também, mas às vezes eu sinto umas olhadas diferentes, não sei, pode até ser coisa da minha cabeça, mas acho que ele ainda não chegou em mim por causa do meu irmão.

"Mais uma das vantagens de ser irmã do brabo da favela, uhull " :'(

Depois de um bom tempo conversando com o MB, ele se despede de mim e volta pra boca.

Eu aproveito que o movimento está fraco, e procuro saber mais sobre a Manuelly. Não sei por quê, mas eu gostei muito dela, e pior que eu sou muito seletiva com essas coisas.

- Mas me fala mais sobre você, sempre foi daqui?_ a curiosidade é meu ponto fraco.

- Não, eu morava na baixada, mas tive uns problemas de família._ o sorriso dela desaparece e ela fica com o rosto triste, acho que lembrou de algo que a machucou, ou que ela não queria lembrar_ então uma amiga me convidou pra morar na casa dela até eu conseguir um emprego e poder ter um cantinho só meu, ela veio aqui, conversou com o dono dessa loja e hoje foi o meu primeiro dia._ ela sorri meio sem graça_ ainda estou aprendendo, confesso que estou meio enrolada com algumas coisas, mas já já eu pego o jeito._ termina ela.

- Aaah garota, tu já tá indo muito bem, eu gostei muito de você logo de cara, e olha que eu sou chata em, você é muito simpática e isso é muito importante para o comércio, continua assim que está indo muito bem._ ela fica um pouco envergonhada com meu elogio.

- Poxa muito obrigada._ sorri

- Você está morando onde?_ continuo com a minha interrogação.

- Na goma 7._ incrível como ela continua respondendo minhas perguntas sem se incomodar.

- Ata, tenho uma amiga que mora na 8, vamos se ver muito ainda. Seja bem vinda no nosso morro, aqui é um pouco complicado as vezes, mas depois que você se adapta, melhora._ dou um sorriso sincero pra ela que me retribui.

- Obrigada, não conheço ninguém por aqui ainda, então foi muito bom conhecer você._ ela diz em pé com a bandeja na mão.

- Te digo o mesmo. Vou indo nessa, qualquer dia a gente se esbarra por aí, bjunda._ ela dá uma gargalha.

- Beijos._ me despeço e vou pra casa, andando a pé mesmo né, pois não tem um vagabundo disposto a fazer uma caridade, o erro!

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