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Capa do romance Favelados

Favelados

Manuelly vê sua vida desmoronar sob abusos domésticos até que uma amiga a resgata, levando-a para uma realidade desconhecida: a favela. Nesse novo cenário, ela encontra a chance de recomeçar e descobre um amor inesperado. No entanto, viver essa paixão exige superar perigos constantes. Entre gírias e confrontos, a trama revela um submundo de ação, crimes e desejos intensos, onde a sobrevivência e o romance caminham lado a lado em meio ao caos urbano.
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Capítulo 2

Manuelly

Tem mais ou menos duas semanas que vim morar aqui na Rocinha, depois de uma briga feia com meu pai.

Eu e ele nunca se nós demos muito bem, eu não aceitava as coisas que ele fazia comigo e com minhas irmãs.

Tenho duas irmãs que ainda moram na baixada, e eu pretendo visitá-las assim que for possível, porém infelizmente irá demorar um pouco.

É que quando vim embora, as coisas lá não estavam muito boas para mim.

Perdi minha mãe pro câncer quando eu tinha 11 anos de idade. Depois disso, eu e minhas irmãs ficamos a Deus dará, graças a meu pai que assim que ela faleceu, sumiu no mundo durante meses, e meses, sem nem querer saber se tínhamos algo para comer ou vestir.

Somos 3 meninas, na época minha irmã Ingrid a mais velha tinha 14, eu de 11, e a mais nova Mirela, tinha  8 anos.

Tivemos sorte por ter minha tia, irma da minha mãe que sempre foi uma mãe para nós, nos ajudou e cuidou da gente quando a gente mais precisou, hoje ela é a pessoa mais importante nas nossas vidas.

Minha vida nunca foi fácil, tive que me virar desde cedo, e eu sempre tive o temperamento muito forte, e aí quando meu pai voltou da onde estava, ele queria que nos fossemos impregnadas dele, ele nos maltratava e nos tratava como lixo. Minhas irmãs tinham muito medo, então sempre fazia o que ele mandava, mas eu não tinha, e por conta disso, eu e ele começamos a bate muito de frente. Eu não tinha mais por ele a consideração de pai, ainda mas depois dele ter nos abandonado quando mais precisávamos dele, isso me magoou muito, e aparti daí nunca mais deixei ele me influenciar em nada.

Ele nos humilhava, dizia que éramos a pior coisa que minha mãe deixou para ele, que minha mãe era tão boa e não merecia filhas inúteis como nós.

Minhas irmãs não tinham forças para enfrenta-lo, porém eu tinha. E desde então minha vida se tornou um inferno.

Eu apanhava varias vezes ao dia, as humilhações foram voltadas todas para mim. Depois de um tempo a agressões ficaram mais sérias e comecei a temer por minha vida.

E teve um dia em que eu vi que se não fugisse disso tudo, eu não iria sobreviver por muito tempo.

Minha irmã mais nova estava morando com minha tia, a mas velha sabia se defender e tinha arrumado um namorado pra cuidar dela.

Então, conversando com uma amiga minha, ela disse que estava se mudando pra uma casa que a irmã tinha deixado para ela, era no morro da Rocinha onde ela já tinha morado antes, ela conhecia bastante gente e poderia me arrumar um emprego.

Era a minha chance de mudar de vida e escapar de tudo que eu vivia, eu poderia fica morando com ela até arrumar um lugar para mim.

Aceitei na hora, obvio.

Minhas irmãs já tinha seus filhos. Ingrid tem Davi de 2 anos e Mirela tem Miguel de 1 ano.

Eles são meu mundo, por isso foi muito difícil ficar longe deles, porém, foi necessário.

Quando cheguei no morro, achei a coisa mais linda, era tudo muito diferente, as pessoas são muito educada, claro que tem algumas que te olham com cara de nojo, mas, todas se conhecem e se comunicam, muito diferente do que nós ouvimos por aí.

Minha amiga falou com um conhecido dela que tem uma loja de sorvete, ele disse que estava mesmo precisando de uma funcionária.

O salário não é as mil maravilhas, mas dá para mim ajudar na casa e guarda um dinheirinho e conseguir finalmente alugar o meu sonhado cantinho.

No meu primeiro dia de trabalho, fiquei um pouco nervosa. Nunca tinha trabalhado com sorvete antes, mas já trabalhei em vários outros comércios, e eu pegava as coisas rápido, isso era bom.

Meu patrão me ensinou tudo que eu deveria saber e fui pegando o ritmo aos poucos.

Hoje aqui na loja, entrou uma pretinha do cabelo enrolado clarinho muito simpática, Sara o nome dela, e logo de cara nos demos bem. Eu gosto de conhece pessoas novas, ainda mas aqui que eu acabei de chegar e ainda estou me familiarizando com o pessoal.

Logo em seguida entrou um moreno lindo com uma pistola na cintura e um fuzil atravessado nas costas.

Com certeza ele era um dos muitos bandidos que tem por aqui no morro.

Me pareceu que eles são namorados ou algo do tipo, pela maneira que eles se olhavam, eles pareciam se gostar muito.

Deixo eles lá conversando e vou fazer as minhas coisa, a loja não está muito cheia, porém vez ou outra aparece um cliente, eu ainda estou sozinha na loja, o Senhor Miltinho disse que se tiver um dinheiro a mais, ele irar colocar alguém aqui para me ajudar.

Um tempo depois, o rapaz que estava com a Sara vai embora, e eu e ela ficamos conversando um pouco quando o movimento diminui.

Ela me contou que é irmã do dono do morro, me conta algumas coisas sobre a favela e diz que gostou de me conhecer, digo o mesmo e um tempo depois ela também vai embora.

...

18h da noite acaba meu expediente.

Estou exausta.

Vou descendo o morro me arrastando para casa.

Espero que a maluca da Rayssa esteja em casa hoje, ela some por esse morro a fora e eu fico sem saber para onde ela foi.

Nem me atrevo ir atrás dela, não conheço nada aqui ainda, e provavelmente iria me perder entre esses becos que aparecem no meu caminho. Só gravei as ruas entre a minha casa e meus trabalho, e é isso que importa por enquanto.

Quando viro uma rua antes da minha casa, bato de frente com uma carreata de motos e me assusto.

Me encosto na parede para da espaço para eles passarem e quando reparo melhor, percebo que na frente tem um menino guiando todas as outras motos.

Todos os outros que vem atrás estão armados, e seguem fielmente o primeiro da fileira.

Isso não é uma carreata. É o dono do morro e seus seguranças.

Eu fico nervosa, eu não sei me comportar direito com várias armas assim ao meu redor.

Na baixada, ouvimos histórias de bandido que pega qualquer mulher que ele ache bonita e a leva a força, as obrigam a ser mulheres deles e elas não tem como recusar. Eu sempre morri de medo de ir para baile de favela por causa disso.

Fico o tempo todo de cabeça baixa, porém, assim que a primeira moto cruza o meu pampo de visão, por um um impulso eu levanto a cabeça.

Meus olhos bate de frente pelo cara que vem logo a frente de todas as motos e eu fico hipnotizada. Ele é um puta gostoso, fico fascinada. Ele é um homem de uns 25 ou 26 anos, negro tatuado, corpo atlético, tanquinho perfeitamente definido, e eu não consigo para de encara-lo.

Ele me encara com um sorrisinho de canto de boca percebendo minha cara de retardada babando no corpo dele e eu fico toda sem graça. Desgraçado!

...

Chego em casa tomo um banho assisto um pouco de televisão e vou deitar.

Rayssa não está em casa, já é até normal essa maluca sumir por aí sem dizer nada. Eu queria muito conversar, não consegui tirar o sorriso daquele homem da minha cabeça.

Foi de mela a calcinha.

Deus me livre, eu só posso está ficando maluca, ele provavelmente é o dono desse morro, olha só a encrenca que eu iria arrumar.

Balanço minha cabeça tentando me livra desses pensamentos e vou dormir.

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