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Capa do romance Fascinação proibida - A filha da máfia

Fascinação proibida - A filha da máfia

Na Los Angeles de 1950, a herdeira Emilly Kinahan vive cercada por traumas e segredos da máfia. Sob a guarda de Cillian Barnes, um homem consumido pela culpa de uma falha passada, ela tenta se reconstruir. O destino se complica quando o professor Arthur Holbech entra em sua vida, iniciando uma paixão proibida sob os olhos do clã. Entre o dever de Cillian e o fascínio de Arthur, Emilly encara um triângulo perigoso onde amar o sangue Kinahan tem um preço mortal.
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Capítulo 3

Emilly 

As luzes vibrantes e o som das risadas me cercavam enquanto eu cruzava o parque em busca de Scarlett. 

Ela e sua amiga Connie tinham ido ao ateliê no dia anterior e, incentivada por minha mãe, decidi convidá-las para conhecer o parque itinerante que passava o verão em Palm Springs. 

As duas comentaram que não sabiam o que fazer na cidade, e aquilo me pareceu uma boa ideia.

Parte de mim não sabia o que esperar da companhia delas, mas eu não podia negar a ansiedade por fazer amizade com alguém diferente das garotas da cidade.

- Olá você - uma voz masculina chamou minha atenção.

Olhei na direção de um rapaz de cabelos dourados e olhos castanhos, encostado de maneira displicente em uma barraca. Ele sorriu como se já me conhecesse.

Franzi o cenho e segui em frente, sem responder.

- Ei, espera! - ele insistiu, apressando o passo para me alcançar.

- Desculpe, eu te conheço? - interrompi meus passos e me virei para ele.

- Infelizmente não - respondeu com um sorriso confiante -, mas esse é um erro que estou disposto a corrigir imediatamente. Brayden Heather.

Por instinto, estendi a mão e apertei a dele, desejando encerrar aquela interação o mais rápido possível.

- Foi um prazer conhecê-lo, Brayden Heather - ofereci um sorriso educado, pouco encorajador.

- E você...

- Eu tenho que ir - interrompi, evitando dizer meu nome àquele desconhecido.

Dei as costas e segui adiante, mas ele apressou o passo e se colocou à minha frente, bloqueando meu caminho com naturalidade demais.

- Você enlouqueceu?

Ele pareceu se divertir com minha reação.

- Calma, eu só...

- Me deixe passar - pedi, tentando manter a voz firme.

Ele deu um passo para o lado, finalmente abrindo espaço, mas não sem antes me lançar um olhar curioso, quase avaliador.

- Meu Deus... - murmurou, como se estivesse falando consigo mesmo.

- Não faça isso - respondi, sentindo o calor subir ao meu rosto - Não me olhe como se eu fizesse parte de um espetáculo.

Ele riu baixo.

- Difícil ignorar algo que te chama atenção assim.

Revirei os olhos e voltei a caminhar.

- Espere! - ele chamou mais uma vez. - Eu só queria saber seu nome.

- E eu não quero dizer - devolvi, sem olhar para trás.

- Que pena - respondeu, divertido. - Porque eu gostaria de lembrar dele.

Não respondi.

- Vamos, é só um nome.

- Por que você está me seguindo? 

- Porque você é a garota mais bonita que eu já vi na vida - disse com simplicidade. - E eu moro em Los Angeles.

Revirei os olhos diante do elogio barato, mas ainda assim me virei completamente para ele.

- E por que sua cidade é importante?

- Pelo simples fato de ser o lar das mulheres mais bonitas desse país - explicou, sorrindo de forma convencida. - Mas nenhuma delas chega aos seus pés.

- Boa tentativa, Brayden Heather - retruquei. - Mas não me convenceu.

Dei as costas antes que ele pudesse responder. Não demorei a localizar Scarlett e sua amiga comprando algodão-doce em uma barraca, rindo e parecendo se divertir com toda a agitação ao redor.

- Amy, aí está você! - Scarlett acenou. - Pensamos que tivesse desistido de vir.

- Eu não desisti - dei de ombros. - Só fui perseguida por um esquisito de Los Angeles que não me deixava em paz.

As duas trocaram um olhar suspeito soltando um suspiro resignado logo antes de uma voz conhecida soar atrás de mim.

- Assim você mágoa os meus sentimentos, Amy - Brayden gracejou - Olha, eu consegui uma maçã do amor para você!

Ótimo, agora ele sabe o meu nome!

- Eu estava torcendo para não ser o nosso esquisito, mas parece que não tivemos sorte - Connie, a amiga de Scarlett suspirou.

- Vocês o conhecem? - eu me foquei nas duas, ignorando o rapaz.

- Moramos na mesma vizinhança em LA - Connie explicou.

- Você ainda não pegou a maçã do amor - ele a estendeu para mim.

- Brayden, eu não quero uma maçã do amor - fui enfática.

- É claro que não, garotas gostam de algodão doce! - ele murmurou, se encaminhando para a barraca que estava próxima de onde estávamos.

- Eu não...

- Brad, sabe o que você deveria dar para ela? Um daqueles ursos grandes que dão como prêmio no tiro ao alvo - Scarlett sugeriu.

O rosto do rapaz se iluminou, ele se inclinou, beijando o rosto da garota antes de se afastar, mordendo a maçã do amor satisfeito.

- Obrigado Scalie, você sempre tem as melhores ideias.

Nós observamos o rapaz se afastar antes que eu me virasse para as garotas. 

- Eu não quero nenhum urso!

- Ele é péssimo de mira, vai demorar uma eternidade para ganhar alguma coisa - Connie devolveu.

- O melhor que você tem a fazer é aceitar os presentes e esperar passar. Logo ele perde o interesse, todas nós já passamos por isso - Scarlett me aconselhou - Nós estamos esperando a minha tia, ela ficou de nos encontrar aqui.

- Sua tia? - não que eu a conhecesse há muito tempo, mas ela não tinha citado tia alguma no dia anterior e aquilo me confundiu. 

- Maggie é apenas dez anos mais velha que nós, então meus pais se sentem mais confortáveis em nós deixar sair a noite quando ela está conosco - Scarlett explicou.

Nós teremos alguém para nos supervisionar? Não que pretendessemos fazer qualquer coisa indevida, mas eu não fiquei feliz com essa nova adição.

- Nós podemos esperar por ela no jogo de argolas - eu apontei uma barraca do outro lado.

Nós fomos e logo começamos a tentar a sorte com algum prêmio aleatório, mas minha curiosidade não me deixava ignorar  a história da tia, me levando a erguer a questão que rondava minha mente.

- Essa sua tia, ela vai vir com o marido? - eu perguntei.

- Ahh não, ela não é casada - Scarlett devolveu.

Uma solteirona? Isso pode ser pior do que pensei!

Em minha mente, a visão de uma mulher antiquada que espantaria qualquer jovem que pudesse se juntar a nós surgiu.

- Não diga assim. Ela não é casada ainda, mas tenho certeza que logo ganhará um anel - Connie corrigiu a prima.

Scarlett que estava prestes a atirar uma argola parou, se virando para a amiga com uma expressão divertida.

- Um anel? Mulheres como a Maggie não ganham esse tipo de anel, Connie.

Se antes eu estava interessada na história de Maggie, nesse momento eu absolutamente não poderia ficar sem saber. Deixei minhas argolas sobre o balcão, me virando para as duas.

- Mulheres como ela?

- Maggie é enfermeira na universidade que vamos estudar, e ela tem um Sugar Daddy - Scarlett contou.

- Não diga isso em público! - Connie desaprovou.

Eu olhei com diversão para a garota, que parecia horrorizada com a possibilidade de alguém ouvir aquilo.

- Não é como se meu pai estivesse aqui para descobrir como a irmãzinha dele consegue tantos diamantes - Scarlett desdenhou.

Connie voltou sua atenção para o jogo, voltando a atirar suas argolas, parecendo contrariada com as palavras da amiga.

- Você é horrível, ela mesmo disse que são apenas amigos!

- Um amigo que dá muitos presentes e ela não pode apresentar para ninguém? Muito conveniente - Scarlett não desistiu, me fazendo sorrir, seguindo o exemplo de Connie e voltando minha atenção para o jogo.

Ela tinha razão, estava claro que a relação de sua tia com o homem não era nem um pouco convencional, mas eu não a julgaria, principalmente sem conhecê-la.

Por outro lado, eu comecei a achar graça da dinâmica da amizade entre as duas moças que pareciam ser o completo oposto uma da outra, e ainda assim, eram bem unidas.

- Será que o Brad encontrou algum urso? - Connie decidiu mudar de assunto.

- Eu juro que não entendo porque ele cismou comigo! Eu só estava andando!

As duas trocaram um olhar divertido antes de se virarem para mim, deixando de vez as argolas de lado.

- Ahh querida, você não estava só andando! - Scarlett ironizou.

Aquela frase me surpreendeu. Elas estão achando que eu fiz alguma coisa para atrair a atenção daquele maluco? 

- Eu passei por ele e ele começou a me seguir, eu não fiz nada!

- Você já se olhou no espelho? Vamos, você parece a versão mais jovem e bonita da Violet Kinahan - Connie deu de ombros.

Violet Kinahan é uma renomada atriz, a herdeira mais jovem do poderoso clã Kinahan em Hollywood, e seus cabelos ruivos e íris violeta eram a marca registrada da família.

- Ele teria que ser no mínimo maluco para não se interessar, e ele não é - Scarlett concordou.

- Quem está interessado em quem? - uma voz delicada e melodiosa soou ao meu lado.

Eu esperava encontrar alguém comum, uma mulher distinta, como toda a família Hayes, mas comum. Porém, quando me virei, encontrei uma das mulheres mais bonitas que eu já tinha visto. Seus cabelos dourados bem cuidados chegavam na altura dos seus ombros, seus olhos azuis transmitiam segurança e controle. Ela sabia que dominava o ambiente sem esforço 

- Maggie, você chegou! - Scarlett sorriu antes de me apresentar a mulher - essa é a minha amiga, Emilly Aster St Clair.

Eu estendi a mão para cumprimentar a mulher, mas ela parecia particularmente interessada em meu rosto.

​- Ohhh, olhe só para seus olhos - Maggie disse, e o tom de sua voz, antes melodioso, tornou-se carregado de surpresa.

​O reconhecimento em seu rosto foi tão violento que ela quase recuou. Seus olhos azuis vasculharam os meus, descendo pelas minhas maçãs do rosto até o arco dos meus lábios. Senti um peso estranho, como se estivesse sendo julgada por um tribunal que eu não conhecia.

​- Maggie? O que foi? - Scarlett perguntou, franzindo o cenho.

​Maggie não respondeu de imediato. Ela continuou analisando meu rosto, como se estivesse diante de um tesouro.

​- Emilly Aster St. Clair... - ela pronunciou meu nome devagar, como se estivesse mastigando um segredo perigoso - Um nome tão francês para alguém que carrega a marca mais famosa de Los Angeles.

- O que? - eu alternei o olhar entre elas.

As garotas mais jovens pareciam perdidas diante da reação da tia, mas decidiram não se envolver.

- Não é nada, querida. Apenas uma semelhança passageira - mentiu ela, voltando-se para a barraca de jogos como se nada tivesse acontecido.

Eu pisquei atordoada, não ignorando sua atitude já que suas palavras ficaram presas em minha mente pelo resto da noite. 

E por mais que ela tentasse disfarçar, eu sentia seu olhar me analisando quando eu não estava olhando.

O que ela sabe que eu não sei?

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