
FALCO ORSINI - SPIN-OFF DE VIAJANDO COM O CEO
Capítulo 2
Elle tinha despendido a maior parte da manhã nos braços de um estranho.
Ele era alto e bonito e talvez soubesse beijar muito bem. Ela não sabia exatamente.
A questão era que ela não gostava de beijar. Elle imagi¬nava que soubesse menos sobre isso do que 98 por cento da população feminina dos Estados Unidos na faixa dos 16 anos, mas isso não significava que ela não soubesse como fazer um beijo parecer fantástico, principalmente com um homem como o que estava ao seu lado.
Beijar, assim como caminhar e conversar, rir e chorar, fazia parte do seu trabalho. Elle era uma atriz e tinha de se lembrar disso. Era apenas um filme. Beijar o homem que estava ao seu lado era, sim, parte do trabalho.
Sem dúvida, mulheres de todas as partes do mundo trocariam de lugar com ela sem pensar duas vezes. Chad Scott era mundialmente famoso. Ele valia ouro. E, pelo menos durante essa cena, ele era lodo dela.
Elle sabia o quanto era afortunada. Ela se odiava por não ser capaz de desempenhar o seu papel nessa manhã. Cenas de amor eram sempre difíceis, mas hoje...
Hoje as coisas não estavam indo nada bem.
Não era culpa do ator coadjuvante. Ela se preocupou que ele pudesse ser presunçoso, arrogante, mas Chad se mostrou um homem muito gentil e compreensivo.
Hoje, eles filmavam a primeira cena de amor. Elle sabia que isso era essencial para a história.
O set estava arranjado de forma simples, com apenas algumas toalhas espalhadas sobre a areia, próximas a um grande cacto. Elle usava um biquíni sem alças; a câmera iria filmar apenas a sua cabeça, os braços e os ombros des¬nudos, sugerindo que ela estivesse nua. Chad estava sem camisa e vestindo um jeans.
Eles estavam cercados por um quilômetro de cabos elétricos, refletores e microfones, e milhares de pessoas que eram necessárias para filmar até mesmo a mais simples das cenas. Antônio Farinelli, o diretor mais sexy do ramo, dissera aos dois que esperava fazer a cena em apenas uma tomada.
Até agora, haviam sido quatro.
Uma súbita rajada de vento tinha arruinado a primeira tentativa, mas as outras três... Foram culpa de Elle, que tinha errado suas falas nas duas tentativas; na terceira, ela espiou por sobre um dos ombros de Chad, em vez de fitá-lo nos olhos.
Farinelli parecera furioso cada vez que tivera de gritar: "Corta!"
Elle sentou-se, aguardando enquanto o diretor conver¬sava com um dos homens encarregados de cuidar da iluminação. Seu coadjuvante também se sentou e estendeu as pernas.
Chad havia sido muito paciente durante as tomadas.
Obviamente, ele sentira que Elle estava com algum pro¬blema e até mesmo fez algumas piadas para amenizar o clima.
Todos os que estavam por perto deram risada das piadas dele. Elle também riu. Pelo menos, ela fez o seu melhor para fingir que ria. Ela era uma atriz. Ilusão era tudo.
Na vida real, ela nunca poderia ter se deitado nos braços de um homem e o fitado nos olhos enquanto ele aproximasse os lábios dos seus, mas, até aí, a realidade era entediante.
E a realidade era que ela havia recebido um telefonema ameaçador às três horas da manhã.
— Olá, querida... — uma voz baixa e masculina sussur¬rara — ...recebeu a fotografia? Leu o meu e-mail? — Uma risada terrível. — Você está esperando por mim, não está, docinho?
Elle tinha sentido o coração lhe subir à garganta. Jogara o telefone no chão como se fosse um escorpião que tivesse rastejado embaixo da porta do quarto de hotel.
Agora, tudo o que ela podia ouvir era aquela voz ecoan¬do em sua mente. Farinelli mal sabia do anúncio. Ele apenas teve ciência disso porque entrara no trailer dela justo no momento em que Elle abria um envelope branco que havia encontrado sobre a penteadeira.
— Elle... — Farinelli dissera. — Quanto à programação de amanhã...
Mas Elle não ouvia. Suas faces estavam completamente pálidas e ela sinceramente pensou que fosse desmaiar.
— Elle? — Farinelli indagara, enquanto apanhava o envelope que ela mantinha em uma das mãos. — Madre di Dio! Quem lhe mandou isso?
Elle não tinha a menor idéia. Uma pessoa completamen¬te insana deveria ter lhe mandado o envelope. Ela já havia recebido bilhetes indecentes antes, principalmente depois do anúncio da lingerie Bon Soir, mas essa fotografia des¬figurada...
Ainda assim, qualquer coisa era possível, A imagem do seu rosto estava estampada em todos os lugares. Nos anúncios de lingerie, e agora na publicidade para o filme Dangerous Games.
Não deveria ser nada, ela e Farinelli finalmente concordaram, mas se ela recebesse mais alguma ameaça, deveria dizer a ele e os dois iriam à policia.
Elle concordara. Contudo, dissera a si mesma que fosse lá quem fosse que tivesse mandado o envelope, certamente não iria contatá-la de novo.
Errado.
Alguns dias depois, ela recebera um e-mail. A mensa¬gem era horrível. Desprezível. Ilustrativa.
E estava assinada. A assinatura deixou-a estupefata, mas só poderia se tratar de uma farsa. Elle prometeu a si mesma que não deixaria isso aborrecê-la. Era uma atriz, e poderia superar isso.
Aparentemente, ela não era uma atriz tão boa quanto pensava ser. Farinelli começou a perguntar com mais freqüência se estava bem e, embora Elle sempre dissesse que sim, ela sabia que não parecia convincente. O diretor provara que não havia acreditado nela quando entrara em seu trailer novamente durante um intervalo. Ele concluiu que a única coisa que poderia importuná-la seria a fotografia desfigurada. Elle tentou dizer a Farinelli que ele estava errado.
Contudo, ele a silenciou, erguendo uma das mãos. Farinelli havia pensado bastante sobre o assunto. Era uma fo-tografia dela, mas a ameaça era dirigida a ele. Ela estivera no quê, dois, três filmes? Elle era quase desconhecida. Ele, todavia, era famoso. Farinelli estava agarrando uma grande chance ao dirigir Dangerous Games. Obviamente, alguém desejava arruinar o seu filme.
Mas, por Deus, ele não iria permitir isso. Farinelli tinha investido milhões do próprio bolso nesse projeto e não dei-xaria que alguém o arruinasse. Ele iria contatar a polícia e pedir para que eles lidassem com o problema.
Elle não poderia deixar isso acontecer. A polícia iria fazer investigações, perguntas intermináveis, bisbilhotar o seu passado e descobrir que a história que ela inventara sobre a sua vida nada tinha a ver com a realidade.
Então, ela recorrera ao drama. Chorou. Implorou. Um jogo arriscado, mas o que teria a perder? Uma investigação policial iria destruir a carreira pela qual ela tanto lutara para conseguir. Elle estava com 27 anos, um pouco madura para voltar à carreira de modelo...
E, mais importante, não conseguiria encarar o seu passa¬do terrível novamente.
No final, Farinelli dissera:
— Basta! Está bem! Nada de polícia.
Um desastre havia sido evitado. Elle esforçou-se para esquecer o anúncio, o e-mail, e manter-se concentrada no filme.
E, então, houve aquele telefonema às três horas da manhã...
— Muito bem, pessoal — disse Farinelli. — Vamos tentar de novo.
Elle voltou a se deitar sobre a toalha na areia. Chad incli¬nou-se sobre ela, aguardando o momento em que a câmera começaria a filmar. Elle sentiu a respiração dele contra o seu rosto...
— Ei — o coadjuvante declarou suavemente —, você está bem?
— Sim — ela disse, mas não conseguiu convencê-lo. Chad sentou-se e dirigiu o olhar para Farinelli.
— Tony? O que acha de um intervalo para o almoço?
O diretor suspirou.
— Por que não? Está bem, pessoal. Almoço. Meia hora.
Chad ergueu-se da areia, estendeu uma das mãos e ajudou-a a se erguer também. Um dos ajudantes de Fa¬rinelli entregou um largo roupão na cor branca para ela. Assim que Elle vestiu a peça, Chad pressionou-lhe um dos ombros.
— O sol está forte — ele falou em um tom macio de voz. — Você precisa de sombra e água fresca.
Dessa vez, ela exibiu um sorriso sincero. Chad era real¬mente um homem gentil, uma espécie rara, em sua opinião.
— Obrigada. — Elle amarrou a faixa do roupão, calçou o chinelo que o assistente havia deixado aos seus pés e ca¬minhou rapidamente para o trailer.
Chad Scott estava certo, ela pensou, enquanto subia os dois degraus que davam acesso à porta do trailer. Som-bra, água fresca, algum tempo para pensar e ela ficaria bem.
— Absolutamente bem — ela disse em voz alta, enquan¬to fechava a porta...
Um homem estava parado contra a parede em frente à porta. Alto. Cabelos escuros. Óculos escuros. Elle sentiu a cabeça girar... E, depois, seu coração se acelerou e ela abriu a boca para gritar.
Mas o homem foi rápido. Ele avançou em cima dela e trancou a porta do trailer, ao mesmo tempo que lhe cobria a boca com uma das mãos, impedindo-a de gritar. Em se¬guida, ele a agarrou pelo ombro com a mão que estava livre e girou-lhe o corpo, fazendo com que as costas femininas ficassem coladas ao seu peito.
— Gritar não vai ajudar em nada — ele declarou com severidade.
Uma perda de tempo.
Falco quase podia sentir o grito lutando para escapar dos lábios dela.
Dizer que essa não era exatamente a recepção que ele esperara seria uma meia verdade. Ele havia telefonado do celular para Farinelli quando estivera no avião. Falco avisara o diretor sobre o horário que iria chegar ao local e Fa-rinelli dissera que avisaria a Elle, e que seria melhor se ele a encontrasse em particular, porque ela provavelmente iria querer tranqüilidade no set de filmagem, então...
— Ei!
Elle lhe dera um chute. Inutilmente, porque ela estava chutando para trás e calçando chinelos de borracha, mas, ao menos, Falco pôde notar que ela ainda não havia se acalma¬do. Tudo bem. Ele iria tentar de novo.
— Srta. Bissette. Eu sinto muito se a assustei, mas...
Elle resmungou. Lutou. Suas nádegas pressionando-lhe a virilha com força. Em outras circunstâncias, ele teria apreciado essa sensação...
— Droga! — Falco resmungou e girou o corpo feminino, de forma com que ela ficasse de frente para ele, enquanto ainda mantinha uma das mãos sobre os lábios dela.
— Preste atenção, está bem? Eu. Não. Vou. Machucá-la. Outro erro.
Elle bateu nele com força. Dois golpes rápidos, um no peito, outro no queixo.
— Está bem — ele disse, furiosamente. — Você quer jogar duro? Vamos lá.
Falco a empurrou. Elle tropeçou para trás e ele aprisio¬nou-a contra a porta com o próprio corpo.
Ela era alta, embora ele fosse muito mais alto. Erguendo o queixo, Elle o fitou diretamente nos olhos.
Falco notou que os olhos dela estavam cheios de medo. E com o mesmo brilho de desafio que ele tinha visto na fotografia que ela havia tirado na praia.
Certo. Em vez de mandar tudo para o espaço e sair por aquela porta, ele iria tentar acalmá-la pela última vez.
— Srta. Bissette. Meu nome é Falco Orsini. Nada.
Ele ainda podia ver uma mistura de medo e desafio no brilho dos olhos dela.
— Estou aqui para ajudá-la. Medo, desafio e, agora, descrença.
— Confie em mim, Estou aqui para fazer um favor. E se você não se acalmar e conversar comigo, eu vou sair por aquela porta e deixá-la sozinha para lidar com a situação.
Elle piscou e ele notou que ela parecia confusa. Sim, mas ela não poderia estar mais confusa do que ele, a menos que...
Oh, droga.
— Farinelli não lhe avisou que eu viria encontrá-la?
Elle piscou mais uma vez. Uma linha de preocupação surgiu entre as sobrancelhas dela.
— Ele disse que a avisaria, e que você iria querer con¬versar comigo em particular e que eu deveria esperá-la aqui, em seu trailer.
Elle arregalou os olhos.
— O quê? — ela indagou e a pergunta soou quase inin¬teligível, porque ele ainda mantinha a mão nos seus lábios.
Contudo, Falco percebeu que ela estava surpresa. Tudo começava a fazer sentido agora. Ela, uma mulher que havia recebido uma ameaça, entra em seu trailer e depara com um estranho a aguardá-la...
Droga! Aquele tolo, Antônio Farinelli, nunca chegou a avisá-la de que ele estaria vindo.
— Está bem — disse Falco. — Alguém lhe mandou uma fotografia.
Elle começou a lutar novamente. Falco meneou a cabeça.
— Apenas me escute. Você recebeu uma fotografia. Uma ameaça. Seu diretor queria chamar a polícia. Você re-cusou. Estou certo?
Ele podia ver que estava. Até agora, tudo certo.
— Então o diretor contatou alguém que eu... Alguém que conheço. E esse alguém me contatou. Eu concordei em conversar com você e ver se conseguíamos encontrar algu¬ma solução para o problema. Certo?
Elle suspirou. Os olhos dela ainda estavam fixos nos dele, brilhantes e desconfiados, mas agora, ao menos, curiosos.
— Meu nome — ele disse — é Falco Orsini. Eu... Hum... As vezes faço o trabalho de segurança. E é por isso que es¬tou aqui. Eu sei sobre a fotografia, sei que você está preo¬cupada com isso, e que não quer as autoridades envolvidas. Estou aqui para discutir a situação e oferecer algum conse¬lho. Essa é a única razão de eu estar aqui... E só a assustei porque o seu diretor foi estúpido o bastante para não ter lhe contado sobre mim. — Exibiu um sorriso sereno, tentando tranquilizá-la. — Vou tirar a minha mão da sua boca. E tal¬vez possamos ter aquela conversa. Está bem?
Elle piscou e assentiu com a cabeça. Agora ela estava desconfiada... Mas pronta para ouvir.
Falco afastou a mão que mantinha nos lábios dela.
Elle não gritou.
Em vez disso, ela umedeceu os lábios com a ponta da língua. Falco a assistia atentamente. Ele baixou o olhar para o decote do roupão que ela vestia, notando que a respiração dela ainda estava acelerada. Falco sabia o que ela usava embaixo do roupão; ele tinha assistido a cena que Farinelli estivera filmando na praia, antes de entrar no trailer. Ela usava um biquíni sem alças. Simples. Neutro.
Mas não que ela fosse neutra.
Ela era maravilhosa. Aqueles cabelos. Aqueles olhos. Aqueles lábios.
Ainda assim, mesmo usando a maquiagem para o filme, ela possuía outra qualidade que ele não tinha percebido no anúncio. Uma espécie de inocência.
O que era ridículo, claro.
Elle era uma atriz. Ela jogava com as câmeras. Com os homens. Poderia interpretar qualquer papel. Talvez estives¬se fingindo essa inocência. Não que ele se importasse. Fal¬co estava apenas interessado no problema dela.
— Antonio não deveria tê-lo contratado — ela disse.
— Ele não me contratou.
— Mas você disse...
— Estou fazendo um favor a alguém.
— Seja lá o que for que você estiver fazendo, eu não o quero aqui.
A voz dela soou rouca. Abalada.
— Ouça... — disse Falco. — Se quiser se sentar...
— Posso lidar com isso sozinha.
— É claro que não pode — ele declarou sem rodeios. Elle ergueu o queixo.
— Você não sabe o que eu posso e o que eu não posso fazer.
— Vi a fotografia desfigurada. Você não pode lidar com essa ameaça. E ainda haverá mais.
Elle intensificou o brilho dos olhos.
— O que quer dizer com isso?
A resposta dela e a linguagem corporal a entregou. Falco tirou os óculos escuros.
— Você já recebeu mais ameaças — ele declarou com severidade. — Não é mesmo?
— Não — ela se apressou em negar.
Elle virou o rosto para um lado. Falco estendeu a mão e, cobrindo-lhe o queixo, forçou-a a encará-lo.
— O que você recebeu? Outra fotografia? Uma carta? Um telefonema?
Sem resposta.
Os lábios dela estremeceram. Falco lutou contra o dese¬jo ilógico de tomá-la em seus braços e confortá-la.
— Você já viu um gato perseguir um rato? — disse Falco. — Esse maníaco vai continuar com isso até se cansar do jogo.
Elle estremeceu.
— Você quer dizer até ele fazer as coisas que rabiscou na fotografia?
— Sim — Falco respondeu diretamente. Elle assentiu com a cabeça.
— E você acha que consegue impedi-lo? — ela indagou, e sua voz soou fraca. Os lábios dele se curvaram em um meio sorriso.
— Eu sei que consigo. Elle ergueu os olhos para encará-lo.
— Você pode impedir que ele faça qualquer coisa comigo?
— Sim.
— Um homem de poucas palavras — ela ironizou. — Como pode estar tão certo?
— Isso é o que eu faço. O que eu costumava fazer — ele esclareceu. — Posso encontrá-lo e impedir que a machuque.
Elle o fitou com desconfiança. Por que ela deveria acre¬ditar nele?
A resposta era irritantemente simples.
Porque, de outra forma, ela poderia morrer.
Talvez esse homem, Falco Orsini, realmente pudesse ajudá-la.
— Se eu aceitar a sua ajuda... — ela declarou — ...você não... Você não vai contatar a polícia?
— Não.
— Por causa da publicidade — ela disse, lutando para encontrar um motivo que ele pudesse aceitar.
— Eu já lhe disse. Vou cuidar disso sozinho. Sem polícia.
— O que você faria se eu o contratasse?
— Você não pode me contratar. Lembra-se do que eu disse? Estou aqui para fazer um favor. Quanto ao que vou fazer... Deixe isso comigo.
— O problema é que... Eu não quero que ninguém saiba que tenho um guarda-costas. Isso irá despertar curiosidade. E perguntas. E ter de respondê-las é a última coisa que eu quero.
— Eu já imaginava.
— Então, como iremos fazer isso? Quero dizer, como você vai me vigiar... — Ela deu um profundo suspiro, antes de prosseguir: — ...procurar o suspeito e fazer o que precisa ser feito, sem que as pessoas saibam?
Falco havia pensado nesse dilema durante o voo. Havia muitas maneiras de entrar na vida dela para protegê-la e obter informação sem deixar rastros. A idéia era assumir um papel que outras pessoas pudessem aceitar. Ele poderia se passar por motorista particular dela. Ou assistente. Ou personal trainer.
Ele havia decidido que a melhor opção seria personal trainer. Hollywood estava repleta de atores e atrizes que cuidavam do corpo sete dias por semana. Ele era forte e saudável, poderia se encaixar nesse papel. E isso lhe daria acesso a ela sempre que fosse necessário.
Certo. Então, seria personal trainer...
— Sr. Orsini?
— Falco — ele disse, enquanto estudava os traços deli¬cados do rosto feminino. Falco se lembrou da sensação de ter o corpo sensual dela contra o seu, a maciez dos lábios dela contra a palma de sua mão, e decidiu que não iria fazer o papel de personal trainer. — Simples — ele respondeu serenamente. — Vamos fazer as pessoas pensarem que sou seu amante.
Elle o encarou com surpresa. Depois, ela soltou um riso de desdém?
— Isso é loucura — protestou. — Ninguém vai acreditar...
— Sim... — Falco declarou em um tom enrouquecido de voz — ...eles vão acreditar. — E, dizendo isso, tomou-a em seus braços e a beijou.
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