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Capa do romance FALCO ORSINI - SPIN-OFF DE VIAJANDO COM O CEO

FALCO ORSINI - SPIN-OFF DE VIAJANDO COM O CEO

Falco Orsini abandonou as forças especiais, mas aceita um último pedido de seu pai ausente: proteger a modelo Elle Bissette de um perseguidor. Atraído pela vulnerabilidade no olhar da jovem, o ex-soldado hesita, sem saber se ela é uma vítima indefesa ou se esconde força própria. Entre ameaças reais e uma tensão crescente, Elle descobre que o perigo não vem apenas dos inimigos, mas também do homem implacável que jurou mantê-la segura.
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Capítulo 3

A sensação de ter os lábios dela sob os seus era incrível.

Quentes. Suaves. E macios. Maravilhosamente macios.

Não que ele se importasse com isso.

Falco a estava beijando apenas para mostrar a ela que eles poderiam interpretar o papel de amantes e enganar qualquer um que os visse.

Será que ela pensava que era a única que conseguia desempenhar um papel? Ou que um guarda-costas estava muito longe da sua classe para se passar por um amante? Elle estava lutando com ele. Tentando se livrar do abra¬ço dele, afastar os lábios dos dele. Para o inferno!, pensou Falco. Aquela atitude presunçosa merecia uma resposta se-vera. Ela estava errada e ele não iria liberá-la até que ela soubesse disso.

— Não. — Elle arfou contra os lábios dele, mas poderia muito bem ter poupado o seu fôlego.

Falco percorreu os dedos de uma das mãos entre os ca¬belos dela, ergueu-lhe o rosto e continuou beijando-a.

E daí se o gosto dos lábios dela era como o mel? Se os cabelos eram sedosos? Essas coisas pareciam irrelevantes. Ele apenas queria mostrar a Elle que ela não poderia dar risada de Falco Orsini e escapar ilesa da situação.

Falco mordiscou-lhe levemente o lábio inferior e, ines¬peradamente, Elle parou de lutar. Ela se inclinou contra ele, suspirou e abriu os lábios. Ele aprofundou o beijo, explo¬rando com a língua todo o interior úmido da boca feminina.

O gosto dela fez a mente dele girar.

E o seu corpo reagiu.

Em um instante, ele ficou excitado. Um forte desejo pul¬sava em suas veias. Falco moveu as mãos para os ombros femininos e puxou-a gentilmente contra o seu corpo. Ele podia sentir as rápidas batidas do coração dela contra o seu peito.

Isso era o que ele havia desejado desde a primeira vez em que a vira naquela página de revista. Os olhos penetran¬tes e os lábios sensuais, as curvas do corpo sexy...

Nesse instante, Falco sentiu a ponta de uma faca contra o seu abdômen e ficou completamente imóvel.

Onde ela havia apanhado a faca era irrelevante. Mas a sensação de tê-la contra o seu corpo não era.

Com instintos e reflexos afiados pelo tempo em que es¬tivera nas Forças Especiais, Falco agarrou-lhe o braço com uma das mãos e segurou-lhe o pulso com a outra, pressionando-o para trás até que a faca caísse no chão. Em segui¬da, ele chutou o objeto para um canto, e notou que não se tratava de uma faca, mas o simples plástico fino do cabo de uma escova de cabelos.

— Solte-me! — Elle gritou e arranhou uma das faces dele.

Falco resmungou e empurrou-a contra a porta, usando o seu peso para mantê-la no lugar.

— Pare com isso — ele falou por entre os dentes.

Elle lutou com ainda mais intensidade. Falco agarrou-lhe os pulsos com força e aprisionou-a contra a porta.

— Eu disse para parar!

Elle soltou um gemido, mas não era de raiva, e sim de pavor. As faces dela ficaram completamente pálidas.

Falco fora até lá para protegê-la. Em vez disso, ele a estava assustando. Beijá-la tinha sido apenas uma ques¬tão de ego. Falco havia deixado o orgulho entrar em seu caminho.

E ele não gostou nem um pouco disso.

— Ouça-me.

Ela não ouviria. Estava perdida em seu próprio mundo, temendo o pior.

— Srta. Bissette — Falco declarou. — Elle. Preste aten¬ção. Eu não vou machucá-la.

Ela ergueu os olhos para encará-lo. Falco clareou a garganta com um ruído.

— Está bem. Vamos fazer o seguinte. Eu vou soltá-la e me afastar. Você fica onde está. Sem golpes, sem armas. E nós vamos conversar. É isso. Vamos apenas conversar.

Falco esperou alguns segundos. Depois fez exatamente o que acabara de dizer a ela. Mais alguns segundos se pas-saram. Elle não se moveu. Ele também não. Isso era algum progresso, não era?

Finalmente, ela deu um profundo suspiro.

— Eu quero que você vá embora.

A voz dela soou baixa, mas firme. Os olhos cor de topázio haviam perdido aquele brilho de medo. Ótimo. Tal¬vez agora eles realmente pudessem conversar.

— Olhe, srta. Bissette...

— Eu disse...

— Eu ouvi o que você disse. Mas precisamos discutir isso.

— Não temos nada para discutir — ela declarou, erguendo o queixo em sinal de desafio.

— Na verdade, temos sim. Eu sinto muito se a assustei, mas...

— Assustar? — Elle estreitou os olhos. — Você me enoja!

— O que disse?

— Colocar suas mãos em mim. Seus lábios nos meus. — Ela meneou a cabeça. — Homens como você são... Des-prezíveis!

Falco exibiu um sorriso irônico.

— Acredite-me, srta. Bissette, o sentimento é mútuo. Eu estava apenas provando o meu ponto de vista.

— E conseguiu. Você é vil.

Falco deu um longo suspiro.

— Repugnante, desprezível, vil. Blábláblá. Eu já ouvi isso antes.

Elle cruzou os braços diante do peito.

— Eu aposto que sim.

— Você disse que não conseguiríamos enganar nin¬guém se fingíssemos ser amantes. Eu achei que pouparia dez minutos de conversa ao lhe mostrar que estava errada.

— Bem, mas você não conseguiu. E eu não estava er¬rada. Sou uma atriz, mas para interpretar o papel de sua amante seria preciso um talento extraordinário.

Os insultos dela quase o fizeram rir. De pobre vítima à nobre arrogante em um piscar de olhos. Certo, ela era uma atriz. Mas ele estava disposto a acreditar que o pavor que ela exibiu nos olhos há apenas alguns minutos não havia sido um fingimento.

— Olhe... — Falco declarou calmamente — ...por que não começamos de novo? Vamos a algum lugar tomar uma xícara de café, você me conta por que precisa de um guar¬da-costas...

— Eu não preciso de um guarda-costas. Você é surdo? Eu quero que vá embora. Agora! — Elle exclamou, indicando a porta com uma das mãos. — Saia daqui ou eu vou gritar!

Já chega, Falco pensou, irritado. Ele avançou dois pas¬sos e agarrou-lhe os cotovelos.

— Está bem — ele disse com a voz fria como o gelo. — Vá em frente. Grite com todas as suas forças.

— Acha que eu não vou? Eu vou! E cinco minutos de¬pois, você estará na prisão!

— Você está se esquecendo de um detalhe. Se fizer isso, os policiais virão até aqui. — Falco inclinou a cabeça, fa-zendo com que seus rostos ficassem a apenas alguns centímetros de distância. — Eles vão querer ter uma longa con-versa com você, querida. É isso o que quer?

Elle ficou completamente imóvel.

— Qual é o problema, srta. Bissette? Não gosta da idéia?

Ela não respondeu e ele exibiu um meio sorriso.

— Talvez, se tivermos muita sorte, os paparazzi pode¬rão vir com os policiais. E então você poderá gritar para o mundo inteiro.

Elle baixou os cílios.

— Relaxe — Falco declarou, enquanto se afastava. — Você não precisa gritar para se livrar de mim. Apenas saia de perto da porta e eu vou embora.

Elle não se moveu. Falco suspirou, empurrou-a gentil¬mente para um lado e alcançou a maçaneta.

— Espere.

Falco a espiou por sobre um dos ombros. Elle engoliu a saliva e ele pôde notar que ela estava apreensiva. De que cor eram os olhos dela? Âmbar ou topázio? O pensamento era tão inadequado que o deixou irritado.

— O que foi agora? — ele resmungou.

— Sr. Orsini. — Elle hesitou. — Esse é o seu trabalho? Você é um guarda-costas?

Falco exibiu um sorriso fraco.

— Eu faço muitas coisas, srta. Bissette, mas agora é um pouco tarde para exigir o meu currículo.

— A questão é que... Eu não pedi por um guarda-costas.

— E eu não pedi por esse trabalho.

— Mas você disse que alguém o mandou até aqui.

— Eu falei que alguém que eu conheço me contou que você estava com um problema e me pediu para que viesse averiguar — Ele a fitou diretamente nos olhos. — E aqui estou eu.

— Olhe, não é minha culpa se você concordou em fazer um favor a um amigo...

— Ele não é um amigo e eu não faço favores a ninguém. — Falco suspirou. — É uma longa história e isso não muda os fatos. Eu vim aqui porque tinha a impressão de que você precisava de ajuda. — Ele exibiu outro meio sorriso. — Mas parece que eu estava errado.

— Você estava errado — ela assegurou. — Eu estou bem.

Falco pensou no pavor que ela havia demonstrado há alguns minutos. Bem, talvez fosse verdade. Talvez ela es-tivesse bem. Talvez todo aquele medo tivesse sido estrita¬mente dele.

— É sério, eu estou bem. Apenas me pergunto por que você... Por que alguém pensaria de outra forma?

Falco enfiou as mãos nos bolsos da calça.

— Você posou para um anúncio de revista — ele disse. — Um anúncio provocativo.

Elle ergueu o queixo.

— Era um anúncio de lingerie, sr. Orsini, e não um anún¬cio de... chocolate Hershey.

Falco exibiu um largo sorriso.

— Sem dúvida, srta. Bissette — ele declarou e, depois, tornou a ficar sério. — Milhares de tolos apaixonados com-praram lingeries iguais às que você estava usando naque¬le anúncio para dar de presente às namoradas, e depois se perguntaram por que a peça não tinha ficado tão bem nelas como ficaram em você.

Elle ficou tensa. Ela estava tentando entender se o que ele acabara de dizer era um elogio ou um insulto.

— Está querendo chegar a algum lugar com isso, sr. Orsini?

— Pode apostar que sim. Todas essas pessoas olham para um anúncio e vêem um anúncio. — Ele respirou fun¬do. — Um psicopata vê outra coisa e decide... Qual é o ter¬mo de psicologismo barato usado atualmente? Ele decide "compartilhar" o que ele viu com você.

As faces dela ficaram coradas.

— Você viu o que aquela... Aquela pessoa me mandou?

Falco assentiu com a cabeça.

— Sim.

Ele esperava que ela fosse ficar indignada com o fato de Farinelli ter mandado a fotografia desfigurada para alguém. Em vez disso, Elle deu de ombros.

— Aquilo foi horrível — ela sussurrou.

— Foi pior do que horrível — Falco observou. — Por que você não quer a polícia envolvida no caso?

— Você mesmo disse que isso é apenas o trabalho de algum... Louco.

— Loucos podem ser perigosos — Falco declarou. — Esse homem precisa ser capturado.

— Mas isso significaria publicidade — disse Elle.

— Publicidade é melhor que perder a vida.

A declaração brusca foi deliberada. Falco esperava cho¬cá-la para que ela lhe contasse o real motivo de não querer ir à polícia... Ele podia apostar que não havia um ator ou uma atriz no planeta que não quisesse publicidade, boa ou má... Mas podia ver que isso não iria acontecer.

— Deve ser apenas uma brincadeira — ela declarou, calmamente. — Coisas assim acontecem. Quero dizer, isso é Hollywood.

— Ele a contatou de novo?

— Você já me perguntou isso. Eu lhe disse, ele não me contatou novamente.

Elle estava mentindo.

— Ele só lhe mandou aquela fotografia? — Falco insistiu. — Nada mais?

— Não foi exatamente isso o que eu lhe disse? — Um sorriso falso curvou os lábios dela. — Olhe, eu não estou preocupada. De verdade. Há seguranças no set de filma¬gem. Eu tenho um sistema de alarme em casa. — Ela suspirou. — De qualquer forma, obrigada por ter vindo até aqui.

Falco deu de ombros.

— Sem problema.

Elle estendeu uma das mãos para ele. Era um gesto no¬bre. Ela o estava perdoando.

Falco sentiu algo mudar em seu interior.

Será que o suspiro quase imperceptível que escapara dos lábios dela quando ele a beijara havia sido um fingimento? Ou real? Falco ficou tentado a aceitar a mão que ela lhe oferecia. E, depois, ela estaria em seus braços, os seios macios contra o seu tórax, os lábios sensuais sob os seus. E ele iria beijá-la de forma intensa e provocativa, até que ela gemesse e sussurrasse o seu nome contra um de seus ouvidos...

Droga, ele estava louco?

Falco ignorou a mão que ela lhe oferecia.

— Adeus, srta. Bissette — ele declarou e, abrindo a por¬ta do trailer, abandonou-a sem olhar para trás.

As filmagens da tarde começaram mal e depois só piora¬ram.

Isso fez com que as tentativas da manhã não parecessem tão ruins.

Todos se sentiam descontentes.

O calor estava terrível, eles haviam feito um intervalo mais cedo por causa disso, mas Farinelli anunciou que te¬riam que filmar essa cena ou, per Dio, ninguém poderia ir embora!

Elle simplesmente não conseguia gravar a cena. Mas isso não era culpa dela. O encontro com Falco Orsini a havia abalado. Ela fizera o seu melhor para ser educada com ele no final, mas não tinha sido fácil. Encontrá-lo em seu trailer, um estranho tão alto, tão poderoso que parecia preencher o ambiente...

E a forma com que ele a beijara, como se pudesse fazer com que ela quisesse beijá-lo de volta.

Algumas mulheres poderiam.

Exceto ela.

Elle detestava todo esse jogo sexual. Os lábios molhados de um homem, as mãos ásperas...

Mas os lábios de Falco Orsini não eram molhados. Eram quentes, firmes e possessivos. E as mãos... Fortes, sim. Po-rém, ele não a havia tocado de maneira rude...

Elle se repreendeu mentalmente.

E daí? A questão era que ele não tinha o direito de beijá-la, ainda que tivesse feito isso para provar que eles pode¬riam interpretar o papel de amantes.

Além do mais, isso não importava.

Ele não seria o seu guarda-costas. Ninguém seria. Nin¬guém iria lhe fazer perguntas que ela não tinha a intenção de responder.

— ...está me ouvindo, Elle?

Ela piscou. Antonio estava parado à sua frente, enquanto os outros aguardavam.

— Essa é uma cena de amor. Uma cena muito importan¬te. Você precisa transmitir paixão. Desejo. E deve fazer isso com seus olhos, suas mãos, seu rosto. Não há beijo nessa cena, sì? Há apenas provocação. — Farinelli alcançou uma das mãos dela. — Você pode fazer isso. Relaxe. Esqueça as câmeras, a equipe. Uma última tentativa — ele pediu gen¬tilmente. — Quero que você se imagine nos braços de um homem cuja paixão supere as suas inibições mais básicas, um homem que mexa com você da forma como nenhum outro jamais conseguiu. Imagine um amante real, bella, um que você conheceu e nunca mais esqueceu. Deixe Chad fora da sua mente.

Chad girou os olhos nas órbitas.

— Droga, Antônio. Você realmente sabe como magoar um homem.

A piada foi deliberada. Uma forma de aliviar a tensão, e funcionou.

Todos riram. Elle esboçou um sorriso. Farinelli pres¬sionou levemente a mão dela, encorajando-a. Em seguida, ele deu um passo para trás e, erguendo uma das mãos, comandou:

— E... ação!

Elle deitou-se nos braços do coadjuvante. Seu coração batia acelerado dentro do peito. O que ela estivera pensan¬do quando permitira que a sua agente a convencesse a acei¬tar uma cena dessas? O que Antônio queria que ela fizes¬se era algo impossível. Ela não poderia fazer, não poderia olhar nos olhos de um homem e desejá-lo, ainda que fosse encenação.

Sentir as mãos de um homem sobre o seu corpo. Os lá¬bios molhados dele contra os seus. Deus, oh, Deus...

— Olhe para mim — disse Chad. Era uma fala do perso¬nagem que ele havia repetido por inúmeras vezes nesse dia.

Elle ergueu os olhos, da mesma forma que havia feito por diversas vezes...

Mas, dessa vez, Elle não viu o rosto do famoso ator de cinema, e sim os bonitos traços do rosto de Falco Orsini. Aqueles olhos escuros. O nariz bem delineado. O queixo bem definido, os lábios firmes...

Elle sentiu uma onda de calor se espalhar por todo o seu corpo...

— E... corta!

Elle piscou. Ela fitou o homem que a estava encarando. Chad, seu coadjuvante, exibiu um largo sorriso.

— Elle, mia bella! — Antonio Farinelli correu na dire¬ção dela.

Elle ouviu uma onda de aplausos e alguns assobios, en¬quanto o diretor estendia uma das mãos para ela e a ajudava a se erguer da areia.

— Bravo, Elle. Estava perfetto! — E, exibindo um sorri¬so de satisfação, finalizou: — Esse filme vai ser um arraso!

Chad se ergueu e piscou um dos olhos para ela.

— Eu não sei em quem você estava pensando, mas com certeza ele é um homem de sorte.

À distância, escondido atrás de uma árvore, Falco Orsini guardou um par de binóculos dentro da mala de couro, antes de jogá-la sobre o banco da frente da SUV alugada.

Mas que desempenho! Certamente esse filme seria um sucesso de bilheteria.

Falco podia apostar que todos os homens do mundo a consideravam sexy.

Exceto ele.

Estava furioso por ter ido até ali e depois ser dispensado por Elle. A escolha fora dela, mas ele não conseguia parar de pensar no olhar de pavor que ela exibira no trailer.

Algo estava acontecendo e ele não iria embora até des¬cobrir o que era. Com esse pensamento, Falco entrou na SUV e aguardou.

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