
Eu sou Afrodite
Capítulo 3
Acordo com o celular vibrando sem parar.
Não me lembro de ter colocado alarme para tocar a essa hora.
Me irrito ainda mais ao ver um número que não conheço, na tela do celular.
— Alguém morreu? — Atendo mal humorada. E minha voz de sono não engana.
Cheguei da boate exausta. O sol já estava dando bom dia e eu nem tinha dormido ainda.
— Me desculpa. Eu te acordei?
— Mari? — Reconheço a voz, tímida e o mais educada possível.
— Sim. — Afirma e eu logo me arrependo da grosseria. — Me desculpa. Eu realmente não queria ter te acordado.
— Relaxa. — Tento fazer com que ela não se culpe. — Foi bom você me acordar, eu estava tendo um pesadelo. — Brinco, e ouço seu riso do outro lado da linha.
— Acho que esqueci meu celular na boate. — Parece muito preocupada. — Na verdade, estou torcendo para estar lá. Porque se não estiver, eu com certeza perdi ele.
— Calma. Podemos ir lá dá uma olhada. — Penso em quando estávamos no bar, conversando. — Acabei de lembrar que quando trocamos contato, realmente estávamos no bar. Você colocou o celular no balcão, eu só não me recordo se você pegou de volta.
— Exatamente o que eu estava pensando. — Parece aliviada por um instante.
— Vou tomar um banho e nos encontramos daqui a pouco.
— Eu estou de carro. — Informa. — Posso ir te buscar?
— Claro. Vou te mandar o endereço.
Envio o endereço como tinha dito e saio do conforto da minha cama, lamentando as poucas horas de sono que tive. Tiro a roupa da noite passada, o que não tive disposição pra fazer ao chegar da boate, e vou tomar um banho.
Depois de quase uma hora, recebo sua mensagem avisando que tinha chegado e desço. Entro no carro da Mari e vamos em direção a boate.
— Você está bem diferente. — Ela me olha de cima a baixo.
— É que não costumo usar vestido de gala às oito da manhã. — Rimos. — Principalmente para ir até a cafeteria. — Logo vejo seu olhar confuso. — Vou passar para tomar um café. Vamos?
— Claro. — Se anima com a ideia. — Desde que acordei, estou tão preocupada em encontrar o meu celular que nem lembrei de comer alguma coisa.
Continuamos conversando até chegar em frente a Escarlate.
Peço para ela esperar no carro enquanto entro para confirmar se o aparelho realmente está onde achamos que estaria. E como eu havia imaginado, encontro o celular sobre o balcão do bar, onde conversamos a algumas horas atrás.
Fomos as últimas a sair da boate, e conversamos tanto que a essa altura, depois de tantas risadas, ela já estava se tornando mais do que apenas cliente.
Volto até o carro e entrego seu celular.
— Não faz ideia do alívio que eu estou sentindo nesse exato momento. — Aproxima o celular do peito e o abraça apertado.
— Eu imagino. — Rio, revirando os olhos para o drama que está fazendo.
— Agora vamos tomar café, porque estou faminta.
— Vamos. — Entro no carro e ela dá partida.
[...]
Ao entrarmos, somos recebidas gentilmente pela dona da cafeteria.
— Oi, tia. — Dou um abraço caloroso.
— Tia? — Vejo o espanto no rosto da Mari.
— Ela me chama assim desde que era uma adolescente rebelde. — Não seguro o riso ao ouvir isso.
Eu vinha aqui com o meu irmão, desde que éramos pequenos, e como ele não está mais aqui, este virou o meu cantinho. Vir aqui, me traz boas sensações. Lembranças que um dia foram difíceis e que hoje me faz rir.
Sentamos na minha mesa, que é como a tia Regina se refere, devido ao fato de eu sempre sentar no mesmo lugar, e pedimos algo para comer.
Desde que nos conhecemos, Mari e eu, conversamos sobre nossas profissões, gostos musicais, infância. Nossas vidas!
Sinto como se a conhecesse a muito tempo.
Ela é inteligente, uma mulher com uma beleza incrível, uma ótima fotógrafa e não cansa de falar sobre o casamento, que passou seis meses planejando.
— Você já imaginou como será o seu casamento? — Me assusto com a pergunta.
— Não vou me casar. — Respondo. Deixando ela espantada. — Não pretendo.
Durante minha infância e adolescência, sempre fui muito decidida sobre o que eu queria ou não queria. Nunca quis casar ou ter filhos. São coisas que continuo não querendo.
— Ah, acho que talvez você não tenha encontrado a p...
— A pessoa certa? — Interrompo. — Alma gêmea? Príncipe encantado? Amor verdadeiro? — Rio. — Eu não duvido do amor só por que não quero me casar. É que pra mim, o amor vai muito além de dizer sim na frente de um padre e de pessoas que, talvez, vão sair por aí falando que a festa foi ruim.
— Uau. — Demonstra estar perplexa como que eu disse. — Não sei o que dizer.
— Eu não estou julgando o casamento. — Rio para quebrar o clima. — Acho maravilhoso ver as pessoas felizes e realizadas em seu casamento. Só que não é algo que eu quero pra mim.
— Eu entendo. — Rimos.
Tomamos nosso café e conversamos por mais de uma hora.
Normalmente não me aproximo tão rápido das pessoas por que não gosto de falar muito sobre a minha vida. Mas, como ela é totalmente diferente de mim, fala tanto sobre a própria vida, que nem sobra tempo pra falar sobre a minha. Por isso nos damos tão bem.
Depois de nós despedir, voltamos a boate para encontrar a Indie, já que marcamos uma reunião para resolver algumas coisas da festa.
— Sabe qual vai ser a melhor parte da festa? — Mari chama minha atenção.
— Qual?
— Nossas despedidas vão ter um vale night.
— Sério? — Fico extremamente surpresa ao ouvir isso.
— Sim. Combinamos que em nossas despedidas podem ter stripper, pegação e até boquete. — Explica, me deixando boquiaberta. — A única coisa que não permitimos é penetração. Não queríamos correr o risco de acontecer alguma gravidez.
— Bem interessante. — Brinco e ela ri. — Essa festa acaba de ficar mais divertida.
— Tem que ser incrível. Quero realizar algumas fantasias que não vou poder depois do casamento.
— Tipo o quê?
— Eu quero que um cara super gostoso, que não seja o meu noivo, usando apenas uma cueca e uma gravata borboleta me faça um lapdance.
— Isso com certeza vai ser maravilhoso. — Rimos mais ainda. — O que mais?
— Eu quero beijar algumas das minhas amigas para ver quem beija melhor.
— Essa festa vai ser perfeita. Mas, não tem algo que você sempre teve vontade, só que sempre achou que fosse loucura?
— Com certeza. — Parece lembrar. — Desde que eu era mais nova.
— Quer falar o que é? — Pergunto, na esperança de ela dizer que sim.
— Promete que não vai rir de mim.
— Por quê eu faria isso? Pode falar.
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