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Capa do romance Eu não sou a vilã

Eu não sou a vilã

Beatrix, de dezessete anos, ostenta uma vida de luxo e um noivado impecável, escondendo uma profunda infelicidade sob as aparências. Embora o romance tenha trazido um breve senso de valor, a chegada de uma nova aluna abala sua estabilidade. Consumida pelo ciúme, a jovem comete atos impensáveis em um momento de fúria. No entanto, em meio ao caos, ela finalmente desperta para a verdade: ela é a única e real protagonista de sua própria trajetória.
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Capítulo 1

Olhei de soslaio assim que a porta madeira antiga rangeu. Ao perceber quem acabara de entrar no bar fétido a urina, tentei miseravelmente controlar a minha respiração, que acelerou sem nenhum aviso prévio. Virei-me para o balcão e encarei fixamente o copo de vodka em minha frente, apesar de ter descoberto mais uma traição  e estar descontando no álcool acompanhada da Lya, eu sabia que minha dependência emocional me levaria de volta para Luke. 

— Se embebedar não é a forma mais sensata de aliviar a dor de uma traição, Beatrix. — A voz de Aaron soou rouca atrás de mim, fazendo o meu coração bater em um ritmo diferente. 

Virei-me e o encarei. Seus olhos azuis estavam brilhando, o cheiro de licor e o seu cabelo mais bagunçado que o habitual lhe davam um charme especial. Rapidamente quebrei o nosso contato visual, por estar sob efeito do álcool, minha reação perante ele poderia ser totalmente inesperada, visto que, Aaron me atraía mesmo sendo o meu inimigo. 

— Não é dos seus conselhos que preciso, Aaron! — Rebati, bebericando o copo. 

— Não é como se você precisasse de algum, você já é bastante grandinha, Trix. — Ele se aproximou o suficiente ao ponto de sentir sua respiração na minha nuca. — Mas se precisar, eu posso ser útil em te fazer esquecer. — Ele mordiscou o lóbulo da minha orelha, me deixando totalmente desconcentrada e sem reação. 

Antes que eu virasse para responder, Aaron havia sido empurrado para longe de mim, mas diferente da reação esperada, ele apenas se virou e sorriu, me deixando completamente confusa. 

— Lá vamos nós de novo. — Resmungou Lya, revirando os olhos e se levantando assim que Luke chegou perto de nós. — Te vejo na pista de dança. — Maneei a cabeça em confirmação. 

— Precisamos conversar, por favor. — Pediu Luke. 

Observei o seu rosto visivelmente cansado e senti pena. Suas olheiras estavam fundas, entregando que ele não estava dormindo direito. Talvez por remorso? Não saberei. Mas de uma coisa eu sei, eu irei perdoar mais uma vez.

— Podemos sair daqui? — Pediu se aproximando do meu corpo e positivamente balancei a cabeça.

Luke ofereceu a sua mão, e com relutância, eu neguei. O segui para o lado de fora sem chamar a atenção dos meus amigos, mas foi inevitável não ser vista. Assim que saímos do estabelecimento, o frio de Port Angeles congelou os meus pulmões.

— Pegarei a moto, volto rápido! — Avisou Luke.

Respirei pesadamente quando ouvi a porta abrir. Virei-me para trás e os meus olhos novamente se encontraram com os olhos azuis de Aaron, que este, me olhava de forma decepcionada. Não era novidade que, há cerca de dois anos, Luke e Aaron eram amigos, e que por algum motivo se desentenderam e acabaram rompendo a amizade. 

— Pensei que fosse esperta, Beatrix. — Ele acendeu o seu beck. 

— Nunca me considerei uma! — Ele parou do meu lado e colocou uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha. 

Ignorei sua atitude e voltei a olhar na direção em que Luke tinha ido, torcendo para que ele voltasse logo.

— Não precisa me tratar como se eu não existisse, Trix. Juro que eu não sou tão cruel assim.

— O ensino fundamental diz o contrário, Aaron Smith. 

— Não era minha intenção praticar bullying com você, coelhinha. — Ele riu.

— Qual é, meus dentes estão normais agora! — O acompanhei rindo. 

Apesar de ser um completo idiota, Aaron me ajudava quando precisava, mesmo insistindo em dizer que era por pena, porém, algo dentro de mim gritava dizendo que não. Meus olhos estavam presos no seu, e só depois da buzina da moto de Luke, pude finalmente despertar do transe causado por ele.

— Lembre-se, coelhinha. O amor já matou mais que qualquer outra doença. — Aaron se afastou me deixando pensativa.

E novamente, mesmo que de uma maneira confusa, Aaron estava tentando me proteger. Aaron Smith não era bondoso ou gentil. Aaron Smith era a perdição, mas eu já estava perdida antes dele. Caminhei em direção à Luke e montei na garupa de sua moto, a noite seria longa, e não era Aaron Smith e sua proteção que me faria mudar de ideia. 

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