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Capa do romance Esposa por Contrato do CEO

Esposa por Contrato do CEO

Eun-woo, herdeiro de um império, precisa cumprir o último desejo de seu pai terminal: casar-se e gerar um sucessor. Sem crer no amor, ele propõe um casamento por contrato à Soo-ah, uma funcionária batalhadora que esconde um passado de dor. O que começa como um acordo comercial entre chefe e subordinada evolui para uma conexão profunda após uma gravidez inesperada. Em meio a segredos, essa união forçada floresce, provando que o amor pode curar até os corações mais cínicos.
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Capítulo 3

Eu acho que estava diante do homem mais lindo da Coreia, da Ásia... ou talvez do mundo inteiro.

Se eu não estivesse com tanta fome naquele momento, acho que teria passado mais tempo admirando aquele rosto do que prestando atenção na comida à minha frente.

Sério, ele parecia ter saído de um pôster de k-drama - aqueles atores que a gente vê nas novelas da televisão, com uma aura que mistura poder, melancolia e uma beleza quase impossível.

A pele clara e impecável, os traços definidos, a mandíbula firme. Os cabelos, escuros e lisos, caíam levemente sobre a testa de um jeito displicente e charmoso. Seus olhos eram escuros e intensos, e mesmo quando não estavam diretamente sobre mim, eu os sentia como se ele enxergasse através das minhas defesas.

Ele vestia um sobretudo de lã cinza que devia custar mais do que tudo que eu e meus irmãos já usamos juntos. Mesmo assim, ele tinha uma presença que ia além das roupas. Era a postura. O jeito de falar. A segurança tranquila.

E quando ele se apresentou - "Meu nome é Eun-woo" - senti um arrepio leve. Aquele nome parecia ter peso, significado, como se ele fosse alguém importante. E era. Eu só não sabia ainda o quanto.

- Mas me conte, Soo-ah, o que aconteceu para você e sua família parar nas ruas? - ele perguntou, com uma expressão séria e, ao mesmo tempo, gentil.

Por um momento, hesitei. Parte de mim queria me calar, guardar a dor só pra mim. A outra parte... queria confiar nele.

- Se não quiser contar pra mim, tudo bem - ele disse, percebendo minha dúvida.

- É que... é uma história um pouco longa.

- Eu tenho tempo - respondeu com um pequeno sorriso. - Mas continue comendo, por favor, não pare por mim.

Eu respirei fundo, peguei mais um pouco de arroz com kimchi, mastiguei devagar, e comecei:

- Tudo começou quando o meu pai descobriu que estava doente.

- Seu pai está doente? - ele me olhou com surpresa, mas também com algo estranho no olhar... como se aquilo o tocasse de um jeito pessoal.

- Sim. Ele tem uma doença séria no coração. E ele só vai sobreviver se fizer uma cirurgia. A cirurgia... as contas no hospital... seriam caras demais. A única coisa que tínhamos era a nossa casa.

- E vocês venderam?

- Sim. A ideia foi do meu tio. Ele disse que era a única solução. No início, meu pai foi contra, dizia que pelo menos tínhamos um teto... mas eu, minha mãe e o meu tio acabamos convencendo ele.

- Então por que ele ainda está doente? Ele não fez a cirurgia?

- Não - engoli em seco. - Porque o dinheiro nunca foi pra cirurgia. Meu tio... ele tinha outros planos. Ele estava tendo um caso com a minha mãe.

- O quê?!

- Pois é... quando o dinheiro da casa entrou na conta, eles fugiram juntos. Sumiram. Deixaram eu, meu pai e meus irmãos sozinhos. Sem casa. Sem dinheiro. Sem nada.

- Miserável! - disse Eun-woo com raiva contida.

- E foi aí que tudo desmoronou. Meu pai ficou destruído. Mesmo doente, ele tentou continuar trabalhando como entregador. Mas o coração já estava falhando... ele começou a passar mal, a desmaiar. Acabaram demitindo ele.

- Mas isso é injusto. Uma empresa não pode demitir alguém doente. Vocês podiam ter processado.

- Somos gente pequena, sabe? Sem advogado, sem contatos, sem forças. E eu também estava desempregada na época. Tinha largado a faculdade para cuidar dos meus irmãos.

Eu parei de falar, com os olhos embaçados, tentando segurar as lágrimas. Não queria parecer fraca. Não mais.

Mas então, ele estendeu a mão, sem dizer nada, e cobriu a minha que segurava os hashis.

Seu toque era quente. Firme. Humano.

Foi nesse gesto silencioso que percebi que ele não era só bonito, nem só rico.

Ele era diferente.

E por algum motivo que eu ainda não entendia... ele se importava.

Na porta do restaurante, nos despedimos. A neve continuava a cair suavemente, pintando tudo de branco, como se o mundo tentasse apagar por um instante toda a sujeira e dor escondidas sob suas ruas e histórias.

Antes que eu pudesse agradecer mais uma vez e seguir meu caminho, ele olhou em volta e disse:

- Espera aqui um pouquinho, vou procurar um guarda-chuva pra você.

- Não precisa, de verdade - falei, encolhendo os ombros sob a marquise onde me protegia da neve. - O jantar que você me proporcionou e a comida que estou levando para minha família... já são mais do que eu poderia pedir. Você já fez muito.

Ele me olhou com um daqueles sorrisos gentis que não são treinados, que não vêm da obrigação. Era genuíno.

- Eu faço questão. Só um minuto, Soo-ah. Volto já.

Antes que eu protestasse de novo, ele já havia se afastado pela calçada, indo em direção a uma loja de conveniência ainda aberta. Fiquei ali parada, observando a silhueta dele sumir entre os flocos de neve, os passos firmes, elegantes, e algo dentro de mim estranhamente esperançoso.

Alguns minutos depois, ele voltou com um guarda-chuva preto, já aberto, protegendo-se da neve. Chegou até mim e, sem dizer nada de imediato, estendeu o braço, me entregando o guarda-chuva com um olhar que dizia mais do que palavras poderiam.

- Aqui. Não é nada demais, mas pelo menos você chega seca até sua casa.

- Obrigada... de verdade. - Meus dedos tocaram os dele ao pegar o guarda-chuva, e por um segundo, senti aquele calor de novo - aquele toque humano que a gente esquece quando passa tanto tempo nas ruas.

Ele sorriu. Eu sorri de volta.

Sorrir... fazia tanto tempo que eu não sorria assim. Não de verdade.

Aos poucos, fui me afastando, andando devagar pela calçada coberta de neve, com a sacola da comida numa mão e o guarda-chuva na outra. Antes de dobrar a esquina, olhei para trás. Ele ainda estava parado na porta do restaurante, me observando. Quando nossos olhares se encontraram pela última vez naquela noite, ele acenou com um leve gesto de cabeça. Eu retribuí com outro sorriso.

Caminhei pela cidade silenciosa, sentindo pela primeira vez em muito tempo... esperança.

E naquela noite gelada, sob a neve, percebi que o mundo ainda guardava, mesmo que em pequenas doses, gestos de bondade capazes de acender calor nos corações mais esquecidos.

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