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Capa do romance Espere: A Promessa Que Quebrou Minha Alma

Espere: A Promessa Que Quebrou Minha Alma

Jacob, um mecânico humilde, e Fiona, herdeira bilionária, viviam um amor proibido. Para ficarem juntos, ela aceita gerar o filho de outro homem, Hugo. Após meses de espera e tortura, a traição se revela: grávida, Fiona descarta Jacob e o submete a humilhações físicas e mentais. Quebrado por mentiras, ele forja um novo destino e desaparece. Contudo, anos depois, o passado ressurge quando ela o encontra, forçando um confronto final onde o perdão parece impossível.
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Capítulo 2

A tradição da família Lawrence, os reis do café de Minas Gerais, era clara como a água: a herdeira devia casar-se com alguém de igual status, para fortalecer o império.

Mas Fiona Lawrence, a "princesa do café", rasgou essa regra.

Ela se apaixonou por mim, Jacob Gordon, um mecânico de motos de uma favela no Rio de Janeiro, um homem que não tinha nada além do orgulho e das mãos sujas de graxa.

Para ficar comigo, ela renunciou à sua herança.

Enfrentou a humilhação pública de sua família, que a desprezava por sua escolha.

Naquele dia, debaixo de uma chuva fina que molhava o asfalto, ela me abraçou e prometeu, com a voz firme:

"Eu não quero nada disso, Jacob. Eu só quero me casar com você."

Aquelas palavras eram a minha vida.

Mas a família dela, no final, não cedeu por completo. Eles apresentaram uma condição, uma faca fria e cruel no nosso amor.

Fiona podia ficar comigo, mas primeiro, tinha que dar um herdeiro à família.

Um herdeiro concebido com outro homem.

Hugo Neame, o filho de um político influente, um parceiro de negócios essencial para o império Lawrence.

A partir desse momento, a palavra que eu mais ouvi da boca de Fiona foi uma tortura silenciosa.

"Espere."

Ela me pediu para esperar enquanto se mudava para uma fazenda isolada com Hugo, com o único propósito de engravidar.

Os meses se arrastaram, cada dia uma eternidade de silêncio e imaginação doentia.

Eu esperava.

Até que um dia, ela ligou. A voz dela estava diferente, distante.

"Jacob, eu consegui. Estou grávida."

Eu não disse nada. O que eu poderia dizer?

Mas a crueldade do destino não parou aí.

O bebê nasceu. Uma menina.

A família Lawrence, com sua tradição podre e a necessidade de apaziguar o parceiro político, exigia um herdeiro homem.

A tradição era mais importante que a vida de uma criança, mais importante que o nosso amor.

Fiona me ligou de novo, a voz ainda mais vazia.

"Jacob... por favor. Espere mais um pouco."

Ela prolongou o seu acordo com Hugo. Mais tempo naquela fazenda. Mais tempo formando uma família que não era a nossa.

Eu continuei esperando, meu coração se transformando em pedra.

O ponto de ruptura veio numa noite fria. A filha deles, a pequena menina, ficou doente. Uma febre alta que não cedia.

E todos, sem exceção, me culparam.

"Foi ele!", gritou a mãe de Fiona. "Esse marginal, com ciúmes, envenenou a minha neta!"

Hugo, o homem charmoso e educado, mostrou sua verdadeira face. Ele voou para cima de mim, seus punhos me atingindo com fúria.

Os pais de Fiona não o impediram. Pelo contrário. Eles me arrastaram para fora, me jogaram em um antigo armazém de café, o ar gelado cortando minha pele.

Trancaram a porta.

Do lado de fora, através de uma fresta na madeira velha, eu vi a silhueta dela. Fiona.

Meus olhos buscaram os dela, procurando a mulher que eu amava.

Mas os olhos que me encararam de volta não tinham amor. Estavam cheios de uma frieza que eu nunca tinha visto. Decepção. Acusação.

"Eu disse para você esperar", a voz dela era um sussurro gelado. "Por que você tinha que tocar na minha filha?"

Naquele instante, algo dentro de mim se partiu. Quebrou em mil pedaços que nunca mais poderiam ser juntados.

Eu não esperaria mais.

Com o corpo doendo e a alma destruída, encontrei meu celular no bolso. Disquei o número do pai dela.

"Senhor Lawrence", minha voz era um fiapo. "Eu desisto. Deixo a Fiona para sempre. A única coisa que peço é que me mandem para um lugar onde ela nunca possa me encontrar."

Do outro lado da linha, ouvi um riso de desprezo.

"É o melhor que você faz, rapaz. Sua passagem estará pronta."

Nos dias que se seguiram, fui forçado a assistir ao fim do meu mundo.

Vi a intimidade entre Fiona e Hugo crescer. Vi ela cuidando dele, sorrindo para ele.

A cena final aconteceu numa tarde. Hugo estava reclamando de um arranhão no braço, um corte insignificante.

Fiona, para acalmá-lo, tirou algo de sua bolsa.

Era o relógio de pulso antigo da minha mãe. A única coisa de valor que eu tinha, o último pedaço dela que restava comigo.

"Tome, Hugo. Um presente de desculpas pelo que o Jacob fez."

Meu sangue gelou. Corri até eles, o desespero me movendo.

"Fiona, não! Esse relógio..."

"Saia daqui, Jacob!", ela gritou.

Tentei pegar o relógio da mão de Hugo. Ele recuou, fingindo que eu o havia atacado, e caiu no chão, gemendo de dor.

Fiona se virou para mim, seus olhos em chamas. Ela me empurrou com uma força que eu não sabia que ela tinha.

Minha cabeça bateu com força na parede de pedra. Senti o sangue quente escorrer pela minha nuca.

Ela nem olhou para trás. Ajoelhou-se ao lado de Hugo, ajudando-o a se levantar, sua voz cheia de preocupação.

"Você está bem? Vamos para o hospital agora."

Ela me deixou ali, sangrando no chão, e levou Hugo para o hospital.

Naquele momento, eu soube. O amor dela por mim estava morto. Completamente morto.

O confronto final foi no hospital. Eu fui atrás deles, precisava do relógio da minha mãe.

Encontrei Hugo sozinho no corredor. Ele sorriu, um sorriso vitorioso e cruel.

"Ela tem sido incrível, sabe? Cuidando de mim, da nossa filha... somos uma família de verdade agora."

Ele tirou o relógio do bolso. Meus olhos se fixaram nele.

"Ah, isso? Um lixo de favelado. Não combina com a nossa família."

E com um movimento rápido, ele jogou o relógio no chão e o esmagou com o pé.

O som do metal e do vidro se quebrando ecoou no corredor, e no meu coração.

Eu perdi o controle. Avancei para ele.

Nesse exato momento, Fiona e seus pais chegaram.

"Parem ele! Ele está tentando atacar o Hugo de novo! Ele quer machucar minha filha!", gritou a mãe dela.

Os seguranças da família me agarraram. O pai de Fiona, com os olhos cheios de ódio, ordenou:

"Deem uma lição nele. Usem o chicote."

Eles me arrastaram para os fundos. As chicotadas rasgavam minhas costas, cada golpe uma nova camada de dor sobre a traição.

Eu olhei para Fiona, uma última vez, buscando um pingo de compaixão.

Ela ficou parada, imóvel.

E então, lentamente, ela virou o rosto.

A última esperança dentro de mim se apagou.

Fui levado dali, jogado em um carro. Me deram uma passagem de avião e um envelope com dinheiro.

No aeroporto, em segredo, troquei meu destino.

Eles queriam que eu sumisse. E eu sumi.

Usei o dinheiro para voltar ao lugar de onde minha mãe veio. Um pequeno vilarejo no interior da Bahia, um lugar sobre o qual eu nunca tinha contado a Fiona.

Lá, longe de tudo e de todos, eu me tornei professor em uma pequena escola comunitária.

Enquanto isso, a verdade veio à tona. Fiona descobriu tudo.

Descobriu que Hugo machucava a própria filha, de propósito, para me incriminar e mantê-la presa a ele.

Cheia de remorso, ela o expulsou, rompeu com a família dele e começou uma busca desesperada por mim.

Sua busca a levou, meses depois, àquela remota escola na Bahia.

Ela me encontrou.

Implorou por perdão, chorou, explicou cada mentira, cada manipulação.

Mas era tarde demais.

"Fiona, a verdade não muda o que aconteceu", eu disse, minha voz calma, vazia. "A dor... a traição... destruíram tudo. Não há como voltar."

Naquela noite, o céu desabou. Uma chuva torrencial causou um deslizamento de terra que ameaçou a vila.

Em um ato final de um amor que já não existia para mim, ela se jogou na minha frente para me salvar de uma casa que desabava.

Uma viga a atingiu. Um ferimento fatal.

Um helicóptero a levou, em coma. Os médicos disseram que ela nunca mais acordaria.

Entreguei à mãe dela um diário que Fiona tinha me dado anos antes, agora preenchido com as minhas próprias palavras de dor e arrependimento.

"Se ela um dia acordar", eu disse, sem olhar para a mulher que ajudou a destruir minha vida, "diga a ela que seguimos caminhos separados. Para sempre."

Eu me virei, sem derramar uma lágrima, e caminhei de volta para a escola, para a vida que eu escolhi.

O passado ficou para trás, enterrado sob os escombros daquele amor.

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