
Escolhida Pelo Duque
Capítulo 2
O caminho até Dazzo era bem longo. Me mantinha agarrada a armadura fria do meu tio.
Eu olhava para a paisagem a maioria da viagem, até sentir alguém me olhando, e de soslaio, movia meus olhos na direção.
Torci os lábios em desagrado e maneava a cabeça para longe de seu campo de visão.
O chorinho de um bebê fez o rei olhar por cima do ombro em direção a carruagem que ia ao centro da comitiva. Foi bonito o jeito que ele sorriu escondido e voltou a olhar o horizonte a frente. O rei parece um homem apaixonado e devoto por sua esposa.
E eu ainda não tive chance de falar com a rainha. A pobre mulher estava exausta após o parto, pingando suor com cabelos desgrenhados colados a testa, mas havia algo nela...
Um tipo de força silenciosa que a rondava, assim como uma aura obscura circunda uma bruxa.
Não posso me lembrar de bruxas, porque una vez eu quase fui queimada por acharem que eu era uma. Tive sorte de tio Willy estar lá.
E eu queria queimar todos aqueles ignorantes, pena que tio Willy não deixou e me proibiu de ser vista mexendo com plantas.
Mas ainda assim... Havia algo no olhar da rainha, era como um olhar de uma leoa. Você quer olhar para o belo animal, mas o teme, por não saber quando irá lhe atacar.
Eu sinto o mesmo com o rei. O olhar dele é ainda mais frio e afiado, autodeclarado seu perigo, sua intenções mortais...
Em compensação, príncipe parece um fofo leãozinho. Essas pessoas são criadas para serem assim?
Maneio a sobrancelha e arqueio a sobrancelha, olhando pensativa para o céu azul.
Será que eles são criados para terem esses olhares afiados em seu rosto que dizem :" se vacilar diante de mim, eu verei até o que há em sua alma? "
Estremeço inteiro, balançando a cabeça em negativa. Fecho os olhos por um momento enquanto converso mentalmente sozinha. Com certeza eles devem receber esse tipo de educação!
Concordo e abro os olhos, vagando meus olhar pela redondeza e o encontro novamente me olhando pelo canto dos olhos.
O que tanto esse homem repara em mim. O lanço uma careta afiada, com as sobrancelhas franzidas e lábios esticados.
— Tio Willy, arranca os olhos daquele cara!
— Eu bem que desejo fazer isso ha algum tempo...
— E por que ainda não o fez?_ protesto exaltada e tio Willy me olha por cima do ombro coberto pelas ombreiras douradas de sua armadura. Ele arqueia suas sobrancelhas grossas, como sempre me dizendo com um único olhar : "Fica quieta, Helena!"
Bufo, voltando a olhar Dylan que sorriu escondido abaixando os olhos. Como esse cara consegue sorrir depois de ter chorado horrores?
O olho baixo a cima com desgosto e desdém e escondo meu rosto.
— E o que a senhorita estava fazendo lá?_ simplismente do nada tio Willy questionou movendo seu tronco sobre a sela para me encarar. Rolei meus olhos pela paisagem e engoli em seco pela cara de carrasco em seu rosto. _ Vamos conversar quando chegarmos ao castelo, mocinha!
***
Eu vi ao longe o vislumbre do enorme castelo de Dazzo. Era simplesmente gigantesco, com torres tão altas que fizeram meu queixo cair.
—Deve dar um trabalhão limpar tudo isso! _ balbuciei baixinho e meu tio Willy riu rouco baixo.
— É por isso que há muitos criados.
— Onde você mora, tio Willy? _ estiquei meu pescoço olhando para ao longe uma alteia um tanto grande.
— Eu sou o guarda da rainha, eu moro no castelo.
— E onde eu vou morar?
— Vai morar no castelo até estiver pronta para se casar!
— O quê?_ rosnei o agarrando os ombros por trás e os saculejando em protesto. _ Não pode fazer isso comigo, seu tio desnaturado!
— Eu posso! Sou seu tutor desde a morte do seu pai! Além de ser uma solteirona, eu não tenho tempo para cuidar de você de tão longe! Chega de morar sozinha!
— Mas eu...
— Helena!_ ele me repreendeu e rosnei travando os dentes, com vontade de estrangular esse homem.
Meu tio sempre disse que eu era cabeça quente como minha mãe e por isso meus cabelos saíram da cor do fogo.
Cruzei os braços com brutalidade abaixo dos seios, emburrada com a situação. Eu vou fugir! Sim! Eu vou fugir para bem longe, onde tio Willy nunca me encontraria...
E então ele vai ficar sozinho para aprender a não me arrumar um casamento. Sorri maquiavélica contra suas costas, o rogando pragas.
Mas... Tio Willy ficaria sozinho... E eu sou sua única família. Ele sempre veio me ver, e me salvava de confusões e problemas....
Suspiro pesadamente relaxando os braços. Bom, no final, eu não posso deixar esse pobre homem sozinho. O que seria ele sem mim?
Pobrezinho, com certeza ficaria solitário.... Sim! Não posso abandonar tio Willy.
Dylan
Afinal, acho que Sire Willy me enfiou em grandes problemas. Essa mulher é bem expressiva, fala sozinha mentalmente, faz caretas o tempo todo como se estivesse em uma discussão assídua em sua cabeça consigo mesma.
Além disso, ela tem um temperamento bem forte e explosivo. O vento assopra, lançando seus cachos para trás, limpando a imagem do seu rosto torcido em uma careta pensativa engraçada.
Balanço a cabeça em negativa. Acho que encontrei alguém mais temperamento explosivo mais forte que o minha irmã.
Ela e Catarina se odiariam!
Ao chegar no Castelo, o rei deu suas ordens para com os corpos dos traidores. Ele olhou em minha direção, um olhar difícil de decifrar e apertou sutilmente as sobrancelhas e maneou a cabeça quase imperceptível, mas me dando autorização para levar o corpo de Catarina para enterra-la.
Ao menos, eu poderia enterrar minha irmã sem que ela passasse por uma vergonha publica pós-morte.
Príncipe Nicolas sai da carrugem, pálido de lábios arroxeados, coberto de lama e cambaleia entrando dentro do castelo. A pobre criança parecia uma barata tonta, andando em zig zag tropeçando nas próprias pernas. Risos preencheram o local dos que sabiam o motivo pelos quais o deixou assim.
— Oh! Casamento... Como eu odeio esse dia!
Arqueio minha sobrancelha encarando o mensageiro do rei usando um vestido. E acho que a intriga não foi apenas minha, ja que Sire Willy começou a gargalhar alto, batendo a mão na perna e segurando a barriga.
O rei estava com o mesmo olhar zombeiro no rosto. E o rapaz de vestido cruzou os braços e bufou.
— Eu lido com você mais tarde!_ o rei arqueou a sobrancelha ainda humorado, porém mais severo, fazendo Rupert ficar pálido.
Mas Sire Willy não parou de rir, e Helena havia engatado em uma gargalhada alta junto do tio.
— Rupert, você não estava brincando quando disse que colocaria um vestido para uma missão que pudesse custar sua vida, não é?_ Sire Willy exclamou tentando parar de rir enquanto enxugava as lágrimas.
— Ora seu.... _ Rupert estremeceu de raiva. _ Pois saiba que sou mais homem que você!
— Duvido muito arrumar uma esposa depois disso!
— Pois está bem errado! Me casarei com Fena!
O silêncio caiu, junto com a surpresa.
— EU NUNCA CONCORDEI COM ISSO!_ Fena gritou ao longe erguendo em revolta uma panela e vindo correndo atrás do mensageiro, que inesperadamente e para humor de todos, ergueu as saias do vestido para correr da panelada que seria certeira em sua cabeça.
Mas foi apenas olhar para Helena, e ela o percebeu, e seu sorriso morreu em seu rosto virando uma careta de desgosto.
Essa mulher me daria trabalho...
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Boa sorte ao Dylan! 😂😂😂 E ao Rupert também!
Boa leitura!
❤️
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