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Capa do romance Escolhida Pelo Duque

Escolhida Pelo Duque

Em meio ao caos da Batalha dos Leões, o destino une Helena, uma jovem sem títulos ou refinamento, a Dylan, o Duque de Bhontor. Assombrado por perdas passadas, o nobre vê nela a chance de reescrever sua história. Enquanto um casamento se aproxima, uma guerra avassaladora ameaça o reino, testando as inseguranças do casal e de seus aliados. Ao lado de Archie e Evelyn, eles enfrentam perigos e novas amizades, lutando para proteger seus laços da ruína iminente.
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Capítulo 3

Willy

   As preocupações de um pai são validas para um tio. Helena é o que me restou de família. A negligenciei por muito tempo, a mantendo longe de meus olhos.

  A menina nem ao menos tem educação, não sabe ler ou escrever, mas é portadora de uma inteligência impressionante para aprender coisas novas.

   Eu e minha irmã nos tornamos órfãos muito cedo. Ao mudar a minha vida, me tornando guarda do rei, eu mudei a vida da minha família também. Sempre que podia, com a autorização de Archie, eu ia visitar Helena e seu pai. Mas não faz muito tempo que meu cunhado veio a falecer, deixando minha sobrinha sozinha no mundo...

— Oh!_ exclamou entusiasmada, olhando com espanto e admiração o interior do castelo. _ Tio Willy, esse castelo é muito mais grandioso do que aquela fortaleza velha.

— E você, mocinha, trate de se comportar! _ a repreendi previamente. Ela fez uma careta e revirou os olhos, e a dei um tapa leve atrás da cabeça. _ Tenha mais respeito e modos também!

— UF! _ resmungou com o lábio arqueado em desgosto.

    Estiquei os lábios em desaprovação enquanto caminhamos pelos corredores do castelo. As vezes, ao me lembrar de Helena  também me lembro de Evelyn quando chegou a Dazzo.

   Era uma garota silenciosa, graciosa, de caráter respeitável e coragem. Não posso dizer exatamente as mesmas coisas de minha sobrinha, que um tanto atrapalhada, de temperamento forte, mas também corajosa. O que me trás a lembrança semelhante as duas, é a força distinta que cada uma tem para lutar por si mesma.

    Como um tio preocupado, devo garantir que minha sobrinha receba boa educação, e se case bem. Se ela atraiu os olhos de um homem de poder como Dylan Bhontor, isso deve ser bem usufruído. Minha sobrinha terá uma vida boa e diferente das criadas do castelo.

— Tio Willy, é verdade que os homens da guarda real não podem se casar?

— Sim! Juramos lealdade e proteção ao rei. Um casamento é uma distração e tenho pena dos que precisam o fazer.

— Oh! Mas está me condenando a tal ato deplorável para si mesmo! _ Helena apertou os olhos e balançou o indicador em minha direção.

— É diferente para você! Não é da guarda real! É uma mulher! O que espera de seu futuro, Helena?

— Eu não preciso me casar! Estou bem sozinha! _ praguejou cruzando os braços abaixo dos seios.

— Está? Então me diga, quanto tempo durará sem a proteção de um marido? Quanto tempo levará até que as pessoas passem a olhar para tu com maus olhos? Como viverá sem onde cair morta? Não me terá para sempre, minha cara! Por mais que sempre estarei por ti enquanto viver... Mas no que sucederá a ti, no momento em que meu corpo se esfriar na cova?

    Ela me encarou, suavizando sua expressão, antes emburrada agora estoica e pensativa.

— Me teve até então para livra-la de problemas. O simples fato de meu nome associado ao seu, mantinha-lhe levemente segura dos perigos da vida de uma mulher. Eu sou o guarda do rei, mas o que será você quando o meu título for enterrado comigo?

— Eu ...

— Esquecemos por hora esse assunto. Ajuda na cozinha até que eu possa falar com a rainha. Ela poderá te dar um trabalho melhor, onde eu possa manter meus olhos perto de você. Enquanto isso, pense em minhas palavras. Tem a chance de ter um título, viver bem, usufruir de luxos que muitas querem... Se dúvidas, pergunte a Fena ou qualquer outra criada, o que elas gostariam: ser para sempre serviçal ou duquesa de Bhontor?

    Helena bufou maneando a cabeça para um canto qualquer. Seguimos andando quando abri a porta robusta da cozinha e os criados estavam trabalhando arduamente para servir comida e preparar o banho para a família real. Meredith estava tão contente, que a mulher cantarolava e cozinhava com um sorriso estampando seu rosto também cansado.

— Senhora Meredith. _ Chamei e ela nos olhou por cima do ombro, enquanto enxugava as mãos no avental.

— Sire Willy, no que posso ajudar?

— Trabalho para a menina..._ aponto para Helena que ainda está emburrada com uma careta no rosto.

  Meredith se vira completamente em nossa direção, e pega o rosto de Helena, avalia os cabelos e as bochechas.

— Sire Willy, ela não se parece muito com você.

— É mais parecida com minha irmã.

— Sabe cozinhar?

— Mais ou menos..._ Helena resmungou baixinho olhando primeiramente para mim e depois para Meredith.

— Bom! Então me ajude aqui por enquanto. Eu ja até mesmo sei que trabalha Evelyn dará a você!

   Helena arregalou os olhos, com certeza pensando em abobrinhas.

— Senhora Meredith, o que acha que a rainha dará a Helena?

— Se conheço minha menina, Sire Willy, ela fará com muito carinho sua preciosa sobrinho como dama de companhia.

    Os olhos de Helena se arregalaram, a vi abri a boca para expressar algo, mas conteve para si. Sua face se torceu em uma careta pensativa, enquanto ela fazia um bico e o mexia de um lado a outro pelos cantos da boca.

— Bom, isso não parece tão ruim assim...

    Meredith gargalhou folgosa e balançou a cabeça em positiva com um bom sorriso estampado.

— Minha cara jovem, a rainha apesar de ser uma mulher casada, é jovem como você. E mulheres jovens gostam da presença uma das outras.

— Mas, será sensato senhora Meredith?_ questiono preocupado.

A rainha agora tinha dois bebês, dois bebes reais e não há ninguém mais desastrada que Helena. E se ela deixar um dos bebês cair? Oh... O pescoço de minha sobrinha rolaria pela espada impiedosa do rei.

— Eu confio nas escolhas de minha rainha. Agora venha, menina! Me ajude a  levar alguns baldes de água quente para o quarto do rei...

— Eu ajudarei também! Deixe conosco, senhora Meredith, vejo que está ocupada com a refeição da rainha. _ tomo dois baldes em mãos e Helena um.

   Me viro caminhando levemente apressado quando Meredith volta a me chamar, a olho por cima do ombro, observando sua expressão cetica enquanto apertava o avental branco.

— Sire Willy, obrigada! Graças a sua proteção e agilidade, nossa rainha pôde ter seus bebês em segurança. Você a protegeu em seu momento mais frágil e desprotegido. Não é segredo que olho para Evelyn como se fosse uma filha querida, então como "mãe" eu agradeço por tudo que fez a ela.

   Maneio a cabeça em concordância e sigo para fora com Helena.

— Que homem respeitável você é, tio. Não é em vao que todos gostam do senhor!

— Honra e caráter são coisas respeitáveis. Quanto mais você faz jus a eles, mais respeitável você se torna.

— Bom, me lembrarei disso! Mas por agora, me dê esse outro balde!_ ela toma um dos baldes de mim, mesmo os carregando com dificuldade. _ Seu braço ainda está ferido! Não pode fazer muito esforço...

— UF!_ praguejo tomando o balde de volta_ O que pensa que sou, garota? Acha que um arranhão desse vai me fazer parar?

— Sabe, tio Willy, quando você diz que tenho o temperamento da minha mãe, eu tenho minhas dúvidas... _ ela me olha de soslaio com um sorriso perverso surgindo em seus lábios. _ Acho que é algo de família.

— Tonta!

— Brutamontes!- ela pragueja baixinho e um breve silêncio se fez antes de começarmos a rir pelo corredor.

— Bom, essa é minha sobrinha! É inegável que somos da mesma família!

___________________________________________

Boa leitura!

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