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Capa do romance Entre Vingança e Paz: Um Novo Fim

Entre Vingança e Paz: Um Novo Fim

Traída por Pedro e humilhada por Sofia, Maria Clara morre após expor os crimes do casal. Inexplicavelmente, ela acorda no passado, no dia do noivado de seus algozes. Contudo, a realidade mudou: Pedro agora a trata com uma crueldade inédita. Ao ser confrontada e empurrada em um poço pelo antigo amor, ela percebe a terrível verdade. Pedro também recuperou suas memórias da vida anterior e está determinado a destruí-la primeiro, transformando seu recomeço em um pesadelo.
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Capítulo 2

A escuridão foi a primeira coisa que senti, um peso sobre meus olhos, depois o frio, um frio que entrava pelos ossos. Abri a boca para gritar, mas a água suja e gelada encheu minha garganta. O cheiro de lodo e de morte era tudo que existia. Minha vida inteira passou diante dos meus olhos, não como um filme, mas como uma ferida que se abria de novo.

Eu me lembrei de tudo.

Lembrei de ter chegado na casa da família Silva com cinco anos, uma promessa de noiva para o filho deles, Pedro Henrique. Lembrei de dedicar cada dia da minha vida àquela casa, à mãe doente dele, Dona Beatriz, e a ele. Pedro era meu melhor amigo, meu confidente, o homem com quem eu sonhava construir uma família.

A imagem do dia do casamento queimava em minha mente. O vestido branco, a igreja cheia, e o olhar vazio de Pedro quando ele me deixou no altar. Ele disse na frente de todos que não podia se casar comigo, que amava outra. A humilhação foi como um soco no estômago, me deixando sem ar. A outra era Sofia, uma influenciadora que ele conheceu pela internet, uma mulher que sussurrava veneno em seu ouvido.

Desolada, corri para a ponte. Queria acabar com tudo. Mas um estranho me segurou, sua voz firme me dizendo que a vida valia mais. Voltei para casa, a única que conhecia, e os encontrei. Pedro e Sofia, casados em segredo, se beijando na sala que eu tinha limpado tantas vezes. A raiva e o ciúme me consumiram. Tentei gritar a verdade, contar para todos sobre a traição, mas ninguém acreditou. Me chamaram de louca, de ciumenta.

Pedro, para se livrar de mim, me internou numa clínica psiquiátrica. Foi lá, no inferno, que descobri a verdade mais terrível. Dona Beatriz não tinha uma doença crônica. Ela tinha uma alergia grave a um ingrediente simples, algo que Sofia, com a ajuda de um médico corrupto, usava para envenená-la lentamente. Sofia queria a herança, queria a vida que deveria ser minha.

Consegui fugir. Juntei as provas. Expondo tudo, vi o mundo de Pedro desmoronar. A morte da mãe, a manipulação de Sofia. Ele se arrependeu, chorou, implorou por perdão. Mas era tarde demais. O sofrimento tinha me transformado. Eu não queria vingança, queria paz. Eu o deixei para trás, para lidar com os destroços de suas próprias escolhas. E então... a escuridão. Um acidente, o fim.

Mas agora... eu estava aqui. Viva.

Abri os olhos de verdade. Não estava mais na escuridão do meu fim. Estava no meu antigo quarto, na casa dos Silva. A luz do sol entrava pela janela, a mesma cortina de chita que eu mesma costurei. Sentei na cama, o coração batendo descontrolado. Meu corpo era jovem, sem as marcas do sofrimento. Olhei minhas mãos, lisas, fortes.

Eu tinha voltado. De alguma forma, eu tinha voltado no tempo.

O som de risadas veio do andar de baixo. A voz de Sofia. Reconheci o dia. Era o dia da festa de noivado de Pedro e Sofia, um evento que, na minha vida passada, aconteceu meses depois de eu ser abandonada. Mas algo estava diferente. Eu estava aqui.

Desci as escadas devagar, meu corpo tremendo. Lá estava ele, Pedro Henrique. Tão lindo quanto eu me lembrava, mas seu rosto não tinha o carinho de antes. Seus olhos passaram por mim com uma frieza que eu só conheci no final.

Ao lado dele, Sofia. Ela usava um vestido caro, sorrindo como um anjo. Quando me viu, seu sorriso vacilou por um segundo antes de se tornar ainda mais doce, mais falso.

"Maria Clara, querida. Que bom que desceu."

A voz dela era mel.

Pedro nem sequer me olhou direito. Ele segurava a mão de Sofia, seus dedos entrelaçados.

"Estamos ocupados, Maria Clara. Volte para o seu quarto."

A ordem foi seca, cortante. Na minha vida passada, nesse ponto, ele ainda me tratava como uma amiga, como sua noiva prometida. O que mudou?

"Pedro, o que está acontecendo?", perguntei, a voz fraca.

Sofia apertou o braço dele.

"Não seja dura com ela, meu amor. Ela só está confusa. Afinal, ela achou que o noivado era dela."

Ela falou baixo, mas alto o suficiente para os convidados mais próximos ouvirem. O veneno em suas palavras era claro. Ela estava me pintando como a coitada, a iludida.

Eu sabia que não adiantava brigar. Eu já tinha vivido essa guerra e perdido. Decidi tentar algo diferente. Respirei fundo e forcei um sorriso.

"Você tem razão, Sofia. Eu estava confusa. Desejo toda a felicidade para vocês. Se me dão licença, vou apenas pegar um copo de água na cozinha."

Tentei me afastar, evitar o confronto, evitar o caminho que levou à minha destruição. Mas meu recuo foi visto como fraqueza, como uma admissão de culpa.

Pedro me segurou pelo braço, seu aperto forte, doloroso. Seus olhos me examinaram, não com a frieza de antes, mas com uma suspeita sombria, quase paranoica.

"O que você está tramando, Maria Clara?", ele sussurrou, seu rosto perto do meu. "Essa sua calma não me engana. Você sempre foi uma cobra sorrateira."

Eu congelei. Essas palavras... ele nunca tinha me dito nada parecido antes do abandono. Era como se ele também se lembrasse de algo. Como se ele também tivesse voltado.

"Eu não estou tramando nada, Pedro. Só quero que vocês sejam felizes", eu disse, tentando puxar meu braço.

"Vou testar sua lealdade. Provar que você não passa de uma mentirosa."

O medo começou a subir pela minha espinha. Isso não estava no roteiro da minha vida passada. Isso era novo, era perigoso. Ele me arrastou pela casa, passando pelos convidados chocados, em direção ao quintal dos fundos.

"Pedro, para! O que você vai fazer?"

Ele não respondeu. Me levou até o poço velho, coberto por uma tampa de madeira podre. O lugar sempre me deu arrepios. Ele chutou a tampa, que se partiu, revelando a boca escura e úmida do poço.

"Você diz que só quer a nossa felicidade", ele disse, a voz baixa e cheia de uma raiva que eu não compreendia. "Então prove. Pule."

Eu olhei para ele, incrédula. O homem que eu amei, o meu amigo de infância, estava me pedindo para pular para a morte.

"Você enlouqueceu?", gritei.

Seu rosto se contorceu em um sorriso cruel.

"Eu não enlouqueci. Eu me lembrei."

E então, ele me empurrou.

Não tive tempo de gritar. Senti o ar faltar, o mundo girar e, por fim, o impacto brutal com a água gelada lá no fundo. A mesma água. O mesmo frio. O mesmo cheiro de morte.

Enquanto eu afundava, a voz dele ecoou na minha cabeça. Eu me lembrei.

Ele também tinha voltado. E por alguma razão distorcida, em sua nova vida, ele me odiava.

Consegui voltar à superfície, ofegante, engolindo água suja. Meus braços e pernas doíam pelo impacto. Olhei para cima. A luz do dia era um pequeno círculo distante.

Então, uma silhueta apareceu contra a luz. Era Sofia.

Ela se ajoelhou na beira do poço, seu rosto uma máscara de triunfo perverso.

"Adeus, Maria Clara", ela sussurrou, sua voz ecoando na escuridão. "Dessa vez, vou garantir que você fique aí no fundo."

Ela ria, um som agudo e cruel que se misturava com a música alta que vinha da festa na casa. A festa de noivado deles.

Fiquei ali, tremendo de frio e de medo, na água imunda. Meus pulmões ardiam. A esperança começou a se esvair, substituída por um desespero gelado. O mundo lá fora celebrava, enquanto eu morria aqui dentro, de novo.

Gritei.

"Socorro!"

Minha voz era um sussurro rouco, perdido na vastidão do poço.

"Alguém, por favor, me ajude!"

Ninguém respondeu. Apenas o eco da minha própria desesperança.

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