
Entre Quatro Paredes Vol 1
Capítulo 2
Katherine
– Katherine? Katherine? Vai dormir até que horas? Acorda!
E é a primeira coisa que ouço nesse dia nublado e sem sol. Na minha opinião um dia lindo, porém pelo fato de eu estar acordando cedo isso já me deixa de mau humor. Já estou no fim do ano e meu aniversário de 18 está chegando, mas, por incrível que pareça, não está fazendo efeito nenhum em mim. Estou bem cansada por causa da escola, tive que passar noites em claro terminando meu TCC. Tirei nota máxima, e isso já me deixa aliviada, mas não animada. Preciso sair um pouco, conhecer alguém, fazer algumas loucuras, ficar bêbada ou sei lá o que. Só sei que minha vida anda sem graça e sinto falta de sexo.
Minha mãe me deixa em frente à escola e como meu sono reduziu, meu humor melhorou um pouco. POUCO! Vou andando pelo pátio dando alguns sorriso e acenos para alguns amigos. Não sou popular, mas muito sociável, então acabo criando amizades. Como sempre faço toda manhã, passo os olhos panoramicamente pela escola, várias pessoas conversando, um homem bonitão conversando com a diretora, pessoas comprando lanche na cantina e... opa.
Olho novamente e sinto minhas pernas bambearem. Um Deus grego! Ele é muito bonito. Moreno, barba bem-feita, um estilo bem de executivo, mesmo não estando em um terno ele é bem elegante. Como estou vendo-o de lado eu arisco a andar um pouquinho mais para frente para conseguir vê-lo melhor. Que foi? Olhar não arranca pedaço! E esse homem é com certeza um pedaço de mau caminho. Ele tem olhos claros, castanhos talvez... Seus lábios são finos e ele é bem forte. Tem um porte grande e é muito viril. Suspiro e me controlo para não babar. Que homem...
Acabo esbarrando em alguém por não olhar por onde ando, mas como o infeliz sai resmungando, a atenção da diretora e do gostosão vieram para nós dois. Agora para mim já que fiquei parada e olhando para o bonitão. Ele me encara causando um forte frio na minha barriga e eu lanço um breve sorriso antes de sair quase correndo dali em direção a Jade e Eva. Que olhar foi aquele? Intimida qualquer um e que homem. Provavelmente é o mais bonito que já vi.
Jade e Eva já estavam comentando sobre ele. Reparo que Eva tem a pele negra bem brilhante esta manhã. Deve ser um de seus cremes com brilho que ela ama comprar e abusar com belas camadas na pele. Seus cachos estão presos num rabo de cavalo e bem cheios. Olho para a Jade e reparo que ela mantém seus cabelos negros, e bem lisos, soltos. Ela não costuma fazer muito isso e eu acho que ela fica linda assim. Sua pele branquinha como um palmito combina com o blush em suas bochechas e o gatinho que faz toda manhã com um delineador. Entramos na sala e eu dou risada com um comentário de Eva.
– Ele é definitivamente um gostoso. Pena que não vai dar bola para nenhuma de nós, pois deve ser casado. Bonito desse jeito alguma mulher deve tê-lo fisgado e se fosse eu não o soltaria mais.
– Os bonitos que são perigosos. Pela postura pode até ser, mas com tanta beleza duvido que não seja um mulherengo. Sempre são. – Jade diz.
– Só espero que tenhamos chance de ver o bonitão mais uma vez – Falo. – Provável que ele se derreta pela Globeleza aí. –Aponto para a Eva com a cabeça e olho para Jade. – Uma negona bonita e gostosa dessa ninguém resiste. – Ela gargalha comigo e me dá um beijo na bochecha.
As aulas passam até rápido. Acabamos esquecendo o garanhão de hoje cedo, mas lembramos imediatamente quando tivemos que ir ao auditório e o encontramos. Em cima do palco, ele fica com as mãos no bolso, postura ereta e um sorriso arrebatador. Respiro fundo e por ideia de Jade sentamos bem na frente. Ela me puxou com tanta força que para não fazer papel de idiota eu apenas apressei os passos e me sentei. Sinto meu rosto queimar quando ele fica me encarando, e para disfarçar, cruzo minhas pernas e jogo meu cabelo para o lado. Olho rapidamente para vê-lo e quase vomito de tanta vergonha quando percebo que ele está me encarando. Seu olhar quase me atravessa o corpo e é tão intimidante quanto sensual. Eu posso estar errada, mas eu senti desejo nesses olhos. Para manter a postura e fingir estar relaxa, eu respiro fundo e o encaro de volta. Ele é mais bonito ainda de perto. É mais forte, mais intenso e acho que eu estou molhada.
A coordenadora chega para falar algo com ele e, então, olho para trás, ainda há pessoas sentando nas cadeiras e entrando na sala. Nossa sala contém 36 alunos e sempre têm os atrasados que andam mais devagar que uma lesma. Tenho uma boa relação com todos e falo com todos, mas sou realista e sei que Jade e Eva é quem farão parte da minha vida quando nos formarmos.
Sinto meu corpo inteiro ficar quente e um perfume masculino incrivelmente bom. Mesmo com o ar-condicionado ligado eu me abano com as mãos e passo a mão na nuca. Estou suando, tem um gostoso me encarando, tenho borboletas agitadas na barriga e estou excitada. Por que meu Deus? Por quê? Podia ser um velhinho gordo. Estou reclamando como uma idiota, ele é exatamente o homem que eu queria que ficasse bem na minha frente para que eu pudesse admirar. E é isso o que vou fazer!
A porta do auditório é fechada e a coordenadora sobe ao palco para introduzir o que acho que será a palestra.
– Boa tarde, terceirão. Vocês estão passando por um momento importante de transição da vida, com esse climão de vestibular e faculdade, vocês estão bem elétricos e também meio cansados querendo que acabe logo o ano. O Marcos Walker...
Marcos Walker. Um bom nome. Um nome bem forte. Acabo parando de ouvir o que a coordenadora diz e o encaro. Respiro fundo e sinto os músculos abaixo da minha cintura ficarem contraídos. Mais uma vez recebo seu olhar e sorrio olhando para baixo. Como sou boba, ele sabe que é bonitão e deve apenas estar jogando o charme por diversão. Deve fazer isso sempre para ver as mulheres caidinhas por ele.
– Parece que alguém gostou muito de você. – Sussurra. – O gostosão não para de te olhar.
– Deixa de falar besteira, Jade. – Sussurro de volta.
– Não é besteira não, Katherine. Ele está te olhando desde a hora que sentamos. – Eva murmura bem baixinho.
– Vocês estão loucas. – Jogo meu cabelo para o outro lado e o olho. Ele está me olhando.
– Então dá uma piscadinha para ele. – Jade diz – Anda Katherine, você é bonitona e se ele se demonstrar afetado você nos paga uma pizza.
– Não vou piscar para ele, que vergonha. – Olho para ela e belisco seu braço. – Abaixa esse fogo, sua safada.
A coordenadora finalmente para de falar e ele com suas longas pernas vai até o centro do palco, tira as mãos do bolso e exibe toda sua altura e elegância. Como pode parecer ser tão poderoso e bem-sucedido? Possui meu corpo pelo amor de Deus!
– Boa tarde, meu nome é Marcos e a pedido da escola venho contar um pouco da minha vida e tentar de alguma forma inspirar vocês para que possam seguir carreiras que realmente gostem, e talvez administrar empresas que é o foco da palestra de hoje, além de ser minha grande paixão.
Marcos vai conduzindo muito bem a palestra com elegância e segurança. A voz dele é máscula, levemente rouca, é literalmente a definição de uma voz sexy! Sinceramente, não presto atenção em nada do que ele fala, mas não é culpa minha, é dele! Ele é o bonitão aqui, ele é quem faz qualquer uma pensar várias coisas inapropriadas para o momento e ele é quem tem a voz suave e ao mesmo tempo grossa. Ele é quem distrai as meras mortais como eu. Só consigo olhar para seus olhos, sua boca fina e imaginar como deve ser seu beijo. Jesus, esse homem tem cara de quem sabe beijar e trepar. Tem sim! É VISÍVEL! Estou delirando... eu sei.
Oh lorde! O que que eu estou pensando? Katherine Miller, controle-se, mocinha. Presta atenção no que o Marcos está falando, danada! Respiro fundo e o olho. Cristo, parece que eu nunca vi homem bonito nessa vida... Quer saber, pensar não faz mal a ninguém.
– ... e sou muito grato por ter conhecido o Rei, ele me ensinou muito. Absorvi cada conhecimento que ele quis reverberar, e é indubitável que...
Ele tem tatuagem. Vejo a pontinha de uma delas em seu pescoço, no entanto não dá para saber o que é. Sou louca por tatuagens. Ah eu quero tirar todas essas roupas caras que está usando e estudar todo o corpo dele. RESPIRA KATHERINE.
OH!! Ele está me olhando, está falando algo e está me olhando. Cruzo minha perna e molho meus lábios mantendo a postura. ESTÁ CALOR AQUI. Estou suando. Essa palestra não acaba nunca não?
A Palestra chegou ao fim e muitas meninas rodearam o Sr. Walker para "tirarem dúvidas" a respeito da palestra, porém a coordenadora percebeu e abaixou o fogo delas pedindo para se retirarem da sala, pois o Sr. Walker é um homem ocupado e tem que ir embora. Jade e Eva acabaram indo embora mais cedo, pois elas iriam procurar o vestido para a formatura. Olho para a porta do auditório e vejo a muvuca de pessoas saindo. Resolvo sentar novamente e esperar os apressados.
Meu celular toca e por curiosidade desbloqueio. É uma mensagem da minha mãe.
Filha, vou me atrasar um pouquinho, mas já to chegando. Acalma a piriquita. Bjs.
Dou uma risadinha discreta e mando uma carinha. Eu já disse que minha mãe é meio piradinha? Eu gosto disso. E amo minha relação com ela.
Sinto um cheiro de perfume um pouco mais forte em meio do silêncio que eu nem tinha percebido, e para completar ouço a voz que está me enlouquecendo desde o começo da última aula.
– É seu, anjo? – Olho para minha frente e o vejo cara a cara me estendendo um fone de ouvido branco da Apple com seus dedos longos.
– É, sim. Obrigada. – Ele estuda meu rosto e abre um sorriso lindo cheio de dentes brancos e retinhos. Ele é perfeito demais.
Coloco meu celular em cima da mesa e devagar eu pego meu fone olhando para ele. Devo estar vermelha. Neste momento o que sinto é um frio imenso na barriga. Agora que ele está perto e agachado no chão posso ver o quão macia sua barba aparenta ser. Minha mão coça por causa da vontade de tocar em cada fio.
Marcos continua me olhando e sorrindo e eu sinto meu corpo todo ficar mole. Ele levanta e eu também, nem sei o porquê. Minha cabeça está uma bagunça. É culpa do perfume dele que me distrai e seca minha garganta ou do seu incrível hálito de hortelã que me faz salivar pela boca dele.
– Prazer. Marcos Walker, mas pode me chamar de Marcos.
– Prazer. Katherine... Ah... A palestra foi incrível. Você tem jeito para isso... Ou treinou muito e... Você se saiu muito bem. – Apresso-me em dizer. Cala boca, Katherine! Ele sabe que se saiu bem, ele já deve ter feito isso antes.
Marcos encosta o quadril numa mesa mais próxima e me olha atento. Estou me sentindo nua aqui. Respiro fundo, pela milésima vez e ponho o cabelo para o lado na tentativa de conter o suor e também a leve vergonha. Eu nunca fiquei assim com ninguém, geralmente sou faladeira, comunicativa e extrovertida. Timidez não é uma das coisas que estão presentes em minha vida, mas perto dele me sinto muito retraída. Eu sou atrevida isso sim!
– Então gostou da palestra... Fico feliz em saber, você...
– Gostei sim, o tema é bem interessante. – Interrompo-o sem querer porque meu lado faladeira está começando a aflorar. – Desculpa, te interrompi. – Espero que ele não comece a falar comigo sobre a palestra, fiquei hipnotizada por ele, não lembro nem qual foi o tema.
Eu estava ocupada demais imaginando como seria beijar e abraçar o corpo enorme que ele tem, como seria ser abraçada por seus braços visivelmente fortes e escutar sussurros no ouvido com a sua voz. Por que não me concentro perto dele?
– Sem problemas, eu só ia dizer que percebi que você achou o tema interessante. Não desgrudou os olhos de mim nenhum momento, na minha opinião foi a mais atenta, só não sei se ouviu alguma coisa do que eu falei ou se a atenção toda era para a palestra. – Ele está flertando comigo? Não pode ser, acho que ele percebeu que eu estava babando e está tirando uma com a minha cara. Vou tirar a prova agora!
– Era sim. No que mais eu prestaria atenção? – Ele sorri com confiança e com cara de safado.
– Bom, se fosse você aqui na frente eu teria muita coisa para observar. – Marcos me lança uma piscadela, desencosta da mesa e pega sua bolsa tira colo. – Estou brincando com você – Ele fisga meu queixo rapidamente com o dedão e o indicador. – Vamos, acredito que você tem que ir para a casa. – Aponta para frente e eu contenho mais um bobo sorriso prendendo meus lábios nos dentes e jogando meu longo cabelo para trás.
Marcos me acompanha nos corredores puxando assunto como minha idade, que carreira quero seguir e inclusive me elogia pela timidez. Ela não é minha, não sei como se instalou em mim. Andamos devagar e sem pressa, ele conduz cada assunto e presta atenção nas coisas que falo. É um homem atencioso que mantém um contato intenso com os olhos e como de costume e educação faço o mesmo.
Assim que saímos do colégio avisto o carro da minha mãe. Ela retira os óculos escuros sorrindo para mim e acena discretamente olhando o Marcos desde os fios de cabelo até os pés.
– Minha mãe. – Falo sorrindo para ela. – Éhh... eu tenho que ir. Eu adorei te conhecer, Marcos.
– Eu também, anjo. – Beija minha bochecha antes que eu estendesse a mão. Arrepio-me todinha quando sinto sua barba roçar na minha pele. – Tem uma pele macia. – Murmura baixinho e eu ando devagar me afastando dolorosamente dele.
Por que minha vida não podia ser um filme? Minha mãe demoraria mais para chegar, ele me beijaria com muita vontade e eu iria ser muito feliz. É tão simples.
– Katherine? – Marcos me chama e meu coração dispara. Olho para ele e sorrio levemente. – A gente se vê – Pisca e cumprimenta brevemente um homem que parece ser seu motorista. O cara tem motorista!
Entro no carro e minha mãe fica me encarando. Ponho o cinto fingindo não ver e olho para frente. Como sei que ela não vai desistir olho para ela.
– O que foi, Dona Lorena? – Olho para seus olhos escuros e sua aparência muito igual a minha. Cabelos grandes, sorriso bonito, olhos que escondem charme e muito curiosos. Seus lábios estão pintados de vermelho e sua beleza me fascina. Lorena Miller é linda até demais. Ainda mais com cílios grandes e naturais que me deixam com inveja.
– Quem era o gostosão, sua danada?
– O Max sabe que você anda observando os rapazes mais novos? Vou falar para o seu marido.
– Não muda de assunto que o seu pai não tem nada a ver. Quem era o bonitão? – Insiste em saber.
– Marcos Walker. Um palestrante. É só isso que sei dele... – Falo indiferente. – E ele tem 24 anos. É só isso. Conversamos pouco.
– Poxa, nem perguntou o tamanho do... – Ela demonstra com as mãos e eu dou risada.
– Mãe! Que coisa feia, Lorena, vou falar para o Max – Ela dá risada.
– Não se atreva a falar para o seu pai. – Sorri antes de colocar os óculos novamente e dar partida.
Entro em casa enquanto minha mãe manobra para ir ao trabalho e vou direto para o quarto. Ponho minha mochila na mesa e tiro meus tênis. Enfio a mão na bolsa procurando pelo meu celular, estranho ele não ter tocado... as notificações nunca param e isso me irrita às vezes. De qualquer jeito, tenho que contar para as garotas que o bonitão interagiu comigo, e não foi pouco, só que eu preciso encontrar essa droga de celular. Bolsa de mulher é uma porra mesmo. É como se fosse um submundo que suga tudo o que a gente põe dentro.
No momento em que tateio a bolsa inteira e não acho já começo a sentir um leve ataque cardíaco chegando. Não pode ser. Pego minha bolsa e despejo todas as coisas na cama. Cadê essa merda de celular?
– Puta merda. Eu perdi um IPhone. Eu vou morrer. Ninguém mais vai saber quem é Katherine, porque minha mãe vai com certeza me matar. Merda. – Praguejo em voz alta e começo a andar de um lado para o outro no quarto. – Quem liga para coisas materiais, né? Posso dizer que fui assaltada, minha mãe vai ficar aliviada por eu estar bem. – Que droga, eu tenho 14 anos para ficar inventando desculpinhas? Não! Concentra. Foco, Katherine.
Onde você deixou pela última vez? Aquela merda está sem senha! Eu tirei por algum motivo desgraçado que eu não lembro.
– Eu vou morrer, vão encontrar e mexer em tudo. Vão me expor na internet e eu vou morrer!
Jogo-me na cama e mexo meu corpo todo involuntariamente. Tá bom. Primeiro eu estava na sala com ele. Depois fomos para o auditório e o maldito estava na mochila. Não toquei nele durante a palestra porque tive coisas melhores para olhar e imaginar que estava tocando, como por exemplo o peitoral glorioso do Marcos que deve ser uma coisa linda de ser vista, também nos braços dele e os gomos perfeitos que ele deve ter na barriga e em baixo com certeza tem aquela entrada de gente gostosa e... MERDA! Foco! Foco!
Peguei para ver a mensagem que minha mãe mandou e o Marcos veio falar comigo todo polido, perfeito, e com um sorriso que, com certeza, me molhou. Eu estava hipnotizada demais para perceber... merda, coloquei o celular na mesa e... ficou na mesa. Alguma tia da limpeza deve ter ido lá para arrumar a sala e elas são uns amores, se encontrassem meu celular sei que guardariam.
Vou ligar para ele. E a essa hora a coordenadora já deve ter recebido e guardou. Espero.
– Alô? – Um homem atende e eu fico meio confusa. Parece a voz do... NÃO PODE SER... – Alô?
– Quem fala?
– Eu é quem te pergunto. – Não é o Marcos, mas a voz é tão bonita e excitante como a dele.
– Você está com o meu celular.
– Katherine? Que bom que ligou. – O homem fica surpreso e eu reconheço malícia na sua voz – Eu sou o Alexandre. Irmão mais novo do Marcos, gracinha. Você o conheceu hoje. – Alguém me segura, essa voz deixou minhas pernas bambas, acho que vou surtar. – A propósito o Marcos falou de você ele disse que você... – Algo o interrompe antes que ele fale e eu aguço meus ouvidos tentando ouvir o que rola do outro lado da linha. – Solta... Alexandre, solta esse... Ah Marcos, deixa eu falar com ela... eu sou o mais velho, me obedece... Marcos!... Porra, você tem 15 anos? me dá esse celular. – Seguro o riso, pois mesmo eles brigando em sussurro dá para ouvir perfeitamente o que falam. – Alô? Katherine?
– Oi.
– Aparentemente você esqueceu seu celular na sala. Depois que foi embora eu tive que voltar para falar com a diretora do colégio e passei no auditório. – Posso ser meio piradinha, mas burra eu não sou!
– Que coincidência, né?
– Acho que foi sorte.
– E você também acha que vou engolir essa desculpa?
– Não, por isso disse algo bem absurdo.
– Então pegou meu celular de propósito? Roubou meu celular, Marcos Walker? Posso te denunciar, sabia? – Contenho meu sorriso já que minha voz humorada não dá.
– Eu sei que pode e tenho certeza que não vai.
– Como tem tanta certeza?
– Tenho certeza porque eu sei que você vai analisar toda a situação e vai adorar quando eu for na sua escola te entregar pessoalmente.
– Talvez não.
– Você vai.
– É muito convencido.
– Otimista. – Eu poderia ficar dias ouvindo essa voz. Não acredito que estou conversando com o bonitão. – Fica tranquila, anjo. Amanhã eu levo o seu precioso celular.
– Ok – Fica um silêncio gostoso e eu sorrio de orelha a orelha. Quero gritar! – Marcos, posso te pedir uma coisa?
– O que quiser.
– Meu celular está sem senha. Não olha nada não, por favor. – Peço com uma voz meio séria e calma.
– Não vou invadir sua privacidade, Katherine. Na verdade, não tinha percebido que estava sem senha, muito obrigada por me deixar curioso. Tem sorte que eu sou uma pessoa controlada.
– Devo ter mesmo. E mais uma coisa, seu irmão mais novo, o Alexandre, disse que você tinha falado algo sobre mim, Marcos. O que era?
– Não era nada. Bobagem, ele é assim mesmo. – Ouço ele suspirar. – Eu adoraria ficar aqui conversando, mas tenho algumas coisas a fazer. Muitas, na verdade.
– Oh, claro desculpa. Sem problemas. Até amanhã, Marcos.
– Até amanhã, Katherine. – Meu nome fica muito bem na boca dele.
∞∞∞
Dormi muito bem essa noite. E estou ansiosa, mas hoje é um novo dia e olha só... Está ensolarado, um dia bonito. Particularmente prefiro frio, chuva e neblina, mas não deixa de ser um dia querido. Tomo meu banho relaxante e despertador e vou até meu guarda roupa. Vou vestir a primeira calça que encontrar, não vou ficar me arrumando muito, pois o Marcos só vai ao colégio entregar meu celular não para me paquerar ou flertar comigo. O que não seria ruim, ele é tão bonito, tão forte e de tirar o fôlego.
A primeira calça que encontro é uma calça flare. Eu já fui com ela para a escola, mas é muito forçado. Tenho uma perfeita. Abro minha gaveta e pego uma das minhas preferidas. É uma calça jeans capri, bem escura, colada no meu corpo, deixa minha bunda gigante e é cintura alta, ou seja, valoriza minha cintura. Visto a blusa do uniforme, já que não posso me livrar dela, ao menos é baby look e preta. Uniforme preto é maravilhoso. Olho para minha sapateira e resolvo que meu par de tênis preto combina. Olho-me no espelho e sorrio com o resultado. Estou bonita, nada chamativa, corpo modelado e estilosa para um dia de aula. Não sou passar maquiagem para ir estudar, mas acho que eu poderia testar um delineado discreto. Meu cabelo? Lindo de qualquer jeito, bem comprido e liso. Às vezes acho meio sem graça, mas eu amo meus longos e hidratados fios.
A gente tem que ter mais amor próprio e é isso o que tenho praticado. Gostar mais de mim mesma, ficar mais segura... O que que eu estou falando? Estou nervosa, porque Marcos vai à escola. Olha para mim, eu nunca passo maquiagem para ir a aula e até que eu vou arrumada sim, gosto de ficar bonita, mas... meu Deus. Não quero parecer ridícula na frente dele e nem malvestida, ele é todo estiloso, dono de si e poderoso. JESUS COMO O HOMEM É PODEROSO.
Pego minha bolsa tiracolo e desço indo até a cozinha. Eu geralmente como no caminho indo para a escola, então pego o dinheiro para o intervalo e um lanche que minha mãe insiste em fazer para mim. Não sou mimada, mas ela gosta de cuidar de mim.
– Bom dia, Mãe. Bom dia, Pai. – Sorrio para os dois.
– Bom... Dia. – Meu pai me responde fazendo uma breve pausa com um pequeno sorriso em seu rosto que vai aumentando. – De onde vem essa animação toda? Querida, quando foi a última vez que vimos a pequena Katherine desse jeito? E logo de manhã... – Olha para mim. – Geralmente você é um porre, uma espécie de fera raivosa. – Diz tirando onda com a minha cara. – Você tomou uma das pílulas da sua mãe, né filha? Toma cuidado em...
– Max! – Ela ri olhando para o marido com os olhos serrados.
Max Miller é um homem de aparência comum. Tem olhos escuros, uma barba bem rala e grandes entradas em seu cabelo escuro também graças as tintas. Com uma testa pequena e nariz longo ele deixa minha mãe caidinha. Tem um pequeno topete de galã de novela e está até em forma para a idade. É um roqueiro nato e muito sério algumas vezes apesar do seu senso de humor.
– Muito engraçado. Eu não tomo pílulas! E que tipo seria? – Põe as mãos na cintura. – Caso você não saiba ontem eu a vi conversando com um rapaz muito bonito.
– Ahh. Então achou o rapaz bonito? Você é casada, Lorena. Não tem que achar ninguém bonito, só o seu marido. Que sou eu!
– Já está bem velhinho. E você sabe bem que não manda em mim e muito menos diz o que eu tenho que fazer, garanhão.
– Vou te mostrar o velhinho. Ontem à noite Lorena...
– OPA! – Falo. – Não aconteceu nada entre vocês, eu não preciso saber e estou atrasada.
– Vamos, querida. Depois eu converso com o seu pai.
Não demora muito para eu chegar no colégio. Beijo a bochecha da minha mãe e saio do carro. Por costume jogo meu cabelo para o lado. Estou com um frio na barriga e nervosa. Acalme-se, Katherine, é só um homem bonito demais. Olho para o lado e o vejo sair de uma Ferrari. O cara tem uma Ferrari. Quem nesse mundo tem uma Ferrari? O gostosão claro.
Olha isso está bom demais para ser verdade. O cara é bonito, rico e não é um idiota arrogante. Pelo menos até agora não foi. Mais bonito que ontem, ele sorri e anda até mim com suas pernas longas. Ele tem um andar leve e calmo. Usa um terno azul marinho feito sob medida com certeza, pois não tem nenhuma parte folgada. É possível um homem ficar tão sexy usando um terno? Ele é tão definido que seus músculos aparecem quase que perfeitamente pelo paletó.
A cada passo que ele dá fico mais nervosa e respiro fundo. Tento me acalmar e sorrio para ele. É simples, pegar o celular, agradecer e dizer adeus. Pegar o celular, agradecer e dizer adeus. Pegar o celular... Marcos me cumprimenta com um beijo na bochecha e nossa senhora que homem cheiroso.
– Katherine. Como é bom te ver de novo. – Ele passa os olhos por mim e sorri com malícia. – Está linda. – Pega minha mão. – Dá uma voltinha? – Fico vermelha na hora.
– Marcos...
– Desculpa, não queria te deixar envergonhada.
– Não deixou. Eu fico vermelha fácil – Ele põe a mão dentro do paletó e me entrega o celular.
– Prontinho. De volta para a dona.
– Obrigada. Eu quase entrei em desespero quando vi que tinha perdido. – Quase?
– Por nada. Sai que horas do colégio?
– Minhas aulas acabam às 13h40. – Ele parece pensar um pouco.
– Vai fazer algo no fim da tarde?
– Não programei nada... eu... – Paro de falar respiro fundo. É um belo homem.
Ele vai mesmo me chamar para sair? Fico com um frio imenso na barriga e minhas pernas ficam bambas.
– Ótimo. – Ele olha para o Rolex em seu pulso. – Eu te busco às 19h. Janta comigo?
– Claro. – Pisco várias vezes e contenho a sensação de estouro que sinto no colo do peito.
Sinto uma corrente elétrica de felicidade passar por cada parte do meu corpo e começo a mexer nas pontas do meu cabelo na tentativa de disfarçar o nervosismo.
– Boa aula, anjo. Me manda o endereço da sua casa pelo WhatsApp. Já gravei meu número no seu celular. – Novamente seus lábios encostam na minha bochecha e eu respiro fundo discretamente para inalar seu aroma. Vejo o Marcos sair andando e encaro suas costas largas. Solto o ar que estava respirando e percebo que ele me deixou excitada... – E Katherine. – Ele me chama. – Se não me mandar o endereço eu vou te ligar.
– Se eu não mandar, talvez significa que eu não queira. – Falo sorrindo.
– Você quer sim e está louca por um beijo meu.
– Convencido.
– Otimista. – Pisca para mim e vai até sua maldita vermelhinha.
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