
Então Eu Te Conheci
Capítulo 3
“As digitais desceram por meu abdômen a medida que o corpo se abaixava junto. Ela tocou os joelhos no chão no mesmo instante que a mão alcançou o que eu tanto queria. Com a boca na altura certa, mirou os intensos olhos castanhos para cima e lambeu os lábios vermelhos me deixando pronto sem fazer nada.
— Quero você gozando na minha boca, Gael. ”
Parei abruptamente a leitura do manuscrito que tinha vindo parar erradamente em minha mesa junto com os outros e respirei fundo voltando a olhar a primeira folha.
“Bailando nas nuvens - Ann Bradley”
Eu não era chegado a ler romances, em seis anos à frente da presidência da editora que pertencia a minha família eu sempre fazia questão de escolher alguns manuscritos, mas aquele gênero em questão eu sempre deixava com outros editores, achava um pouco maçante todo o ritual para um final feliz. Mas não aquele.
Aquela merda daquele manuscrito estava definitivamente me afetando de um jeito estranho, eu não estava em abstinência de sexo por isso era estranho já que só isso explicaria o fato de eu estar com o pau querendo bater na testa de tão duro dentro da calça.
Suspirando meio irritado movi os olhos para a folha e continuando de onde tinha parado.
“ Nem nos meus sonhos mais eróticos eu imaginei que sentiria o que senti quando Marena esticou a língua para fora ainda sorrindo muito safada transpassou no freio do meu cacete. Com a boca aberta e faminta, lambeu das bolas até a cabeça me arrancando um grunhido. Então quando pensei que não podia ficar mais gostoso ainda me olhou com os olhos escuros e a boca carnuda com batom vermelho meio borrado cuspiu saliva na ponta antes de descer com a boca se dedicando. Chupou minha glande como se tivesse um pirulito na boca. ”
Subi os olhos novamente pensando no que diabos aquela mulher estava pensando quando escreveu um boquete daquele. Puta que pariu. Eu quem queria Marena aqui embaixo da minha mesa agora, me mamando como uma boa safada que parecia ser. “Olhos escuros, a boca carnuda...” Eu tinha conhecido alguém assim, há duas semanas atrás e irresponsavelmente tinha beijado e roçado o peru nela. E mais, tinha sentido como sua boceta era apertada enfiando o dedo bem fundo. A garota que eu tinha atropelado e que tinha deixado claro que queria dar para mim. — Ísis. — Minha boca soltou em alto e bom som e eu me assustei com a lembrança.
Irritado por pensar na menina que definitivamente já estava fora da minha vida já que desde o episódio em sua casa todos meus telefonemas para a sua floricultura tinham sido atendidos por sua tia que me confirmou que ela se recuperava bem. E isso era o que importava, nada mais. Mirei e bati os dedos no interfone anunciando: — Sarah peça que Rodolfo venha a minha sala, agora.
— Sim senhor. — Respondeu imediatamente e eu evitei continuar a leitura já que corria grandes riscos de ter que bater uma punheta no banheiro, pior ainda agora que imagina a merda daquela personagem como uma mulher em questão. Ísis e Marena eram mulheres que existiriam apenas na minha mente...
— Quer falar comigo, Boaz? — Rodolfo colocou a cabeça para dentro me puxando dos pensamentos pecaminosos.
— Sim, sobre isso aqui. — Levantei o manuscrito na mão. — Ann Bradley.
— Como isso veio parar aqui? — Ele se aproximou. — Eu devo ter o colocado na pilha errada.
— Não interessa muito agora. — Rebati. — O importante é que a quero conosco.
Rodolfo ergueu as sobrancelhas meio surpreso. — Pensei que não gostasse de romances.
— E não gosto. — Pontuei. — Mas parou aqui e eu li algumas folhas, tem potencial.
— Esse livro é demais. — Rodolfo falou animado. — Ainda mais no final.
— O que acontece no final? — Falei curioso.
— Hora, você não vai ler tudo?
— Eu tenho lá tempo para isso? — Desdenhei. (Eu iria ler tudo. Em casa. Onde eu poderia ficar de pau duro em paz.)
— Tá. — Deu de ombros. — Eles não ficam juntos.
— Como é? — Arregalei os olhos. Marena fazia aquele boquete e depois abandonava o cara? Carrasca!
— Não é genial? Não me lembro de uma leitura que me prendeu tanto com um final tão surpreendente.
— Eu a quero conosco! Aliás, qual o nome dela de verdade? É uma mulher?
— Não se sabe. — Ele se desmontou na cadeira parecendo meio frustrado. — Não somos só nós de olho nele ou nela, é um sucesso na internet.
— Não importa, convença-a.
— Eu tentei. — Bateu os dedos sobre o tampo da mesa. — Tento contato com ela há duas semanas e em ambas recusou minha proposta de e-mail.
— Descubra o número.
— Como?
— Eu não sei, procure grupo de fãs, contrate um detetive, eu não te pago para me perguntar nada, é para me trazer as soluções.
Rodolfo pareceu frustrado quando riu.
— Você gostou mesmo, né.
— Tem talento, nos trará dinheiro. — Disfarcei.
— É. — Me olhou desconfiado. — Vou tentar achar o número.
— Faça isso.
Sozinho no meu escritório remoí a vontade de continuar a leitura, mas eram dez da manhã, eu tinha muito o que fazer, inclusive revisar um contrato com os novos patrocinadores, mas quando vi estava mergulhado de novo no mundo paralelo onde Marena e Gael se conheciam se apaixonavam, se divertiam se declaravam um para o outro transavam muito e não terminavam juntos.
— Puta que pariu. — Levantei os olhos. — Isso não é justo. — Reclamei comigo mesmo.
Puxei o pulso encarando o relógio, tinha perdido toda a manhã ali, não tinha revisado contrato algum e a culpa disso era tudo de Ann Bradley.
— Rodolfo está aqui. — A voz de Sarah veio.
— Pode entrar. — Anunciei.
— Achei ela. — Ele falou animado e eu percebi que não tinha nada mais motivador que uma ameaça.
— É mesmo uma garota? — Me senti animado.
— É, a voz bem bonita, mas meio... seca e sem rodeios. — Ele ajeitou o topete. — Não aceitou.
— Como assim não aceitou? — Meu sorriso sumiu.
— Não aceitou. Ela não quer perder o pseudônimo e disse que não acredita em editoras.
— Isso é ridículo! — Bradei.
— Foi o que eu pensei também.
— Eu mesmo vou ligar para ela, mas agora estou atrasado, deixe o número com Sarah quando eu voltar cuido disso. — Falei agarrando meu blazer e me levantando.
— Certo ele me acompanhou para fora da sala.
Quando voltei do meu almoço me sentia mais relaxado peguei o contato que Rodolfo havia deixado e entrei para minha sala.
As primeiras chamadas foram ignoradas e somente no final da tarde na minha última tentativa do dia que a voz que estranhamente eu achei familiar me atendeu.
— Oi. — A voz doce soou do outro lado.
— Olá. — Tentei parecer descontraído. — Difícil falar com você, né?
— Quem é?
— Quem fala é Victor Cappellini, eu gostaria de discutir com você sobre uma possível reunião.
— Victor Cappellini? Você quer dizer da editora Cappellini? — Seu tom saiu irritado e eu podia jurar que a mulher revirava os olhos do outro lado.
— Exatamente.
— Um editor de vocês já me ligou mais cedo e eu disse que não estou interessada. — Rodolfo tinha razão, ela era sem rodeios.
— Sim ele mesmo me informou que a senhorita, devo chamá-la de senhorita ou senhora? Já que não sei seu nome verdadeiro. — Tentei questionar.
— Senhorita.
— Ele informou que a senhorita não estava interessada, mas foi por isso que liguei pessoalmente e insisto em dizer, aceite a reunião e escute nossa proposta.
— Como disse ao seu editor, não quero sair da minha zona de privacidade, senhor Victor. — O modo como ela falou senhor me deixou ligado.
— Prometo que se assim desejar teremos uma cláusula sobre isso, manteremos seu pseudônimo como Ann Bradley se esse é o seu desejo.
Um suspiro pesado veio do outro lado. — Diga-me Victor, você leu meus livros?
— Sim. — Respondi imediato.
— E qual que mais gostou?
Perguntou recebendo meu silêncio. Pego no pulo, eu só tinha lido um de seus livros. E ainda acidentalmente.
— É exatamente por isso que não quero editoras. Vocês acham romances chatos, os publicam pelo dinheiro e pasme, eu os escrevo por paixão.
Putz, ela tinha acertado em cheio. — Tudo bem, escute só, não li todos, mas li seu novo livro “Bailando nas nuvens”, e por isso estou tão fascinado para que trabalhemos juntos, você está escrevendo a continuação, certo?
— Não, o livro não tem uma continuação. — Rebateu e eu fiquei irritado. Ela realmente pretendia manter o casal separado? Que tipo de romance aquela mulher escrevia?
— Você quer dizer que Marena e Gael realmente não vão ficar juntos?
— É, estou dizendo isso. — Sua voz saiu engraçada.
— Mas não faz nenhum sentido! — Minha revolta transpareceu e eu realmente ouvi seu sorriso. — Você leu mesmo... qual a parte que mais gostou? — Pareceu jogar comigo e eu ri de volta, dois podiam jogar.
— Sinceramente? — Fiz uma pequena pausa para que ela ficasse na expectativa. — A cena que Marena faz sexo oral depois do jantar, foi muito... envolvente. — Confidenciei sabendo que com toda certeza ela saberia que tinha me deixado duro.
O silêncio durou uns segundos antes dela voltar a falar: — Tudo bem, eu posso na quinta-feira da próxima semana.
— Ótimo! — Bati na mesa comemorando. — Você sabe onde é a editora, não?
— Não. — Interrompeu. — Não quero uma reunião formal que me obrigue a pensar que já aceitei algo. Podemos tomar café juntos?
— Claro. — Concordo. — Como você quiser.
— Eu envio o endereço para o e-mail que vocês me mandaram. Ah, e por favor parem de espalhar meu número este telefone é pessoal, se chama pessoal por um motivo, Victor.
— Tudo bem, eu peço desculpas. — Sorri da sua irritação.
— Certo. — Me corta de novo. — Então até lá, senhor Cappellini.
Desliguei o telefone animado e respirei fundo, o dia tinha sido produtivo.
Estava irritado no trânsito a caminho de casa quando a mensagem no grupo dos caras me chamou atenção chamando para nos encontramos num pub antes de mais tarde nos reunirmos para o aniversário de Julia na boate. Desviei a rota e em quarenta minutos estávamos sentados numa mesa de esquina enquanto o sol começava a querer nos deixar.
Dava um gole singelo na minha tônica enquanto cada um dos meus amigos falava coisas que não deveriam se levar a pena.
— E então, ficou sabendo que o Tato tá namorando, né? — Rafa bebeu sua cerveja e olhou para nosso amigo que não negou.
— Ah é? Essa é novidade. — Ri interessado.
— Não estou namorando. — Ele riu dando de ombros e me olhando. — Ainda, já que ela realmente é especial, e sim espero que nosso lance evolua.
— Caramba, estou chocado. Quando vamos conhecer a sortuda?
— Na verdade você já conhece, é a Ísis.
Parei com o copo no caminho dos lábios e encarei Gustavo que me olhava avaliativo. — Ísis? A (minha Ísis) ... a moça que eu atropelei?
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