
Ensinando um CEO a falar
Capítulo 2
Ítalo não estava tendo um dos seus melhores dias. Acordara atrasado e ansioso para o trabalho. Ele sendo um jovem de vinte cinco anos comandando sua empresa multinacional de cosmético não é uma tarefa fácil. A pressão em seu trabalho o deixava a beira de ter uma úlcera nervosa. As viagens internacionais para participar de conferencias sobre o mundo dos negócios, de empreendedorismo e fazer conexões com magnatas que não levavam ele a sério, sempre o deixava desnorteado quando precisava voltar para casa. Ainda com um baita jet lag que o deixava fudido mentalmente.
Por causa disso, ele foi às pressas se arrumar e acabou esquecendo de tomar café da manhã. Por sorte dele, há uma padaria de esquina a sua empresa. Então como um bom zumbi que ele estava sendo, ele fez seu pedido, um sanduiche natural de frango com um suco de laranja com energético que ele mesmo colocaria quando sentasse na mesa.
Era isso que ele estava prestes a fazer na realidade, porém uma sombra se projetou ao seu lado e Ítalo levou uns bons segundos, quase um minuto inteiro, para perceber a moça parada na frente da mesa com uma bandeja nas mãos. Ela era uma beldade e isso deixou Ítalo catatônico.
Não leve a mal, Ítalo tem uma beleza também avassaladora, quando ele tem tempo para se cuidar é claro. Ele é um rapaz alto, cabelos ondulados castanhos que no dia de hoje gritam por um pente e uma lavagem talvez, o máximo que ele conseguiu dar de atenção para seus cabelos foi uma penteada com os dedos e coloca as mechas longas atrás da orelha. Ítalo gostava do seu cabelo cheio, mesmo que no mundo dos negócios, todos os CEO possuíam cabelos cortados e aparados, passados com gel e tudo mais. O seu corpo era musculoso nas pernas e braços, o abdômen era definido o suficiente, mas não formava os gominhos de tanquinho. A sua rotina de exercícios era baseada nos seu hobbie favorito: ciclismo e fazer trilhas. Ítalo amava passar horas e horas pedalando pela cidade de Buffalo, fazer trilhas e escaladas. Isso lhe dava a sensação de liberdade, algo que não parecia existir mais em sua vida de CEO. Os olhos acinzentados de Ítalo eram vibrantes, mesmo que seu olhar fosse de um rapaz tímido, seus lábios possuíam uma curvatura atraente e seu maxilar marcado também era vantajoso quando não estava com uma barba cheia, que era o caso de agora.
Porém, no dia de hoje, toda a beleza parecia estar na moça a sua frente, mesmo que o olhar dela fosse de irritação. Ítalo piscou para ela, percebendo que provavelmente deveria estar encarando-a por tempo demais.
— Sim? — ele diz na direção da linda mulher.
— Você roubou a minha mesa — ela o acusa.
Ele fica espantado com a acusação e quase fica vermelho de vergonha quando nota que provavelmente tenha feito de fato isso.
— Peço perdão.
Antes que pudesse falar algo, Ítalo percebe que a moça está usando o uniforme da sua empresa, isso faz ele abrir um rápido sorriso.
Ela não deve ter ideia de quem eu sou, ele pensa consigo mesmo. Ítalo estende a mão para que ela se sente com ele.
— Por gentileza, sente-se — ele oferece.
Verônica arqueia a sobrancelha e continua parada na frente de Ítalo, pensando se deve ou não aceitar o convite. Por fim, ela aceita, afinal ele está vestindo um terno muito bem alinhado Verônica observa. Provavelmente é algum contador ou advogado estagiário que deve ter bebido demais na noite anterior e perdeu o horário hoje, é o que a Verônica deduz.
— Sinto muito ter roubado o seu lugar — Ítalo retoma os pedidos de desculpa com elegância —, voltei de viagem ontem e ainda estou com o fuso-horário todo bagunçado.
— Viagem a negócios, imagino? — Verônica sugere e toma um gole do seu expresso. O sabor da cafeína preenche ela de uma maneira que Verônica precisa segurar um gemido de prazer.
Ítalo concorda com a cabeça enquanto observa Verônica tomar o café, como os lábios carnudos dela são convidativos e lindos. O jeito que ela os coloca na xícara é algo que mexe com a imaginação de Ítalo, mesmo ele não deixando transparecer nada.
Ele por sua vez abre a latinha de energético que pediu junto com o suco e mistura com o mesmo e toma um gole. Ao fazer isso Verônica arqueia novamente a sobrancelha, porém não diz nada. Ela não tem tempo para flertar agora, seu estomago ronca em protesto e isso faz com que suas mãos vão em direção ao bagel de frutas vermelhas e começa a come-lo.
Isso dá o sinal verde para que Ítalo faço o mesmo com o seu sanduíche. Quando ele dá a primeira mordida, sua boca saliva e ele não está tão alerta em seus modos como Verônica e ele solta um gemido enquanto mastiga o sanduiche. Isso faz com que ela ria com a cena e ele também.
— Perdão — ele fala com a boca um pouco cheia.
Verônica balança a cabeça e sorri. Os dois dividem a refeição de café da manhã com um silêncio natural, nenhum pouco desconfortável. Talvez por Ítalo ainda se sente cansado da viagem e prefere saborear seu sanduíche, enquanto Verônica está simplesmente pensando que sua fome só pode ser saciada se ela comer logo o segundo bagels e ir correndo para o trabalho antes que ela se atrase.
Mesmo com a refeição sendo compartilhada com esse silêncio. Verônica se sente compelida a perguntar algo para Ítalo , uma conversa boba e sem grandes expectativas. Só porque ele é bonito e ela gosta de rapazes bonitos.
— Viajou para onde? — ela pergunta com uma voz suave. Ítalo observa ela com um certo fascínio, se perguntando como ele não havia notado ela na empresa.
O prédio que a empresa está, tem mais de setenta andares, sendo que o andar em que o escritório dele fica é o último. Ítalo comprou o último andar, junto com mais quarenta e cinco andares do prédio comercial. Nem se ele quisesse, saberia identificar os funcionários que trabalha para a sua empresa, quanto mais o número de pessoas que entram e saem daquele prédio e possuem outras empresas nos outros andares que ele não é dono.
Além de que, a sede de Buffalo não é a matriz da empresa, é a segunda filial que ele conseguiu abrir no início da construção do seu império, a quase cinco anos atrás. Ele só estava aqui agora, porque gostava do estado de Nova York e gostaria de ver como essa filial estava com os planejamentos do novo produto que iriam lançar.
— Cheguei de Dubai — ele responde com certo cansaço. Era quase nove horas de diferença no fuso horário.
— Uau, por isso você está... — Verônica fala surpresa, mas não termina a frase.
— Um completo zumbi — ele finaliza por ela e ri.
— Você que disse — ela responde e ri junto com ele. — Mas conseguiu se divertir lá?
O fascínio de Verônica pelo rapaz que ela ainda não sabe o nome, surgiu após saber sobre a viagem. Ela ama viajar e saber de experiências de outras pessoas sobre o assunto. Suas viagens não são tão luxuosas a ponto de conseguir ir até Dubai, porém conheceu Argentina, Uruguai, Mexico e o Canadá. Europa é o continente que ela almeja ir, porém ainda não possui a grana para ter uma vasta experiencia do jeito que ela quer.
Ítalo percebe a mudança de voz na Verônica , entretanto ele percebe que não foi uma mudança igual ocorre com todas as outras mulheres quando percebem que ele tem dinheiro. O interesse dela parece ser genuíno para saber sobre a viagem e não se ele foi na primeira classe ou não.
— Na verdade não, foi bem chato — ele responde. E de fato foi, ficou uma semana lá apenas a trabalho, só teve oportunidade de passear pela cidade uma noite e ele acabou apenas conhecendo baladas e restaurantes com gente que não lhe entendia muito bem. — Fiquei pouco tempo por lá.
— Que pena, iria pedir dicas de pontos turísticos — ela responde um pouco desapontada e isso deixa Ítalo feliz. Ela de fato não quer saber se sou rico ou não, ele pensa. — Enfim, preciso ir. Vou me atrasar para o trabalho.
Verônica finaliza seu café e limpa a boca de leve antes de se levantar e ajeitar a saia. Ítalo coloca o último pedaço do seu sanduiche na boca e mastiga com rapidez antes de levantar e ficar de frente para ela.
— Obrigado pela companhia — ele fala após engolir o pedaço do sanduiche.
— Obrigada por roubar meu lugar — ela retruca com humor e pisca para ele.
Verônica coloca em cima da mesa o pagamento do seu pedido e vai caminhando por entre as pessoas para fora da padaria. Ítalo faz o mesmo, entretanto deixa um espaço considerável entre os dois, antes dela sair da padaria.
Ele observa Verônica andar na sua frente e a sua mente apenas faz suposições de como ela deve ser extremamente deliciosa na cama. A bunda dela redondinha e grande, bem empinada e justa na saia estava fazendo Ítalo quase ter uma ereção ali mesmo na padaria. Ele se obriga a desviar o olhar e manter a concentração em qualquer outra coisa, para que a sua malícia não tome o controle.
Verônica sabia que Ítalo estava observando sua caminhada. Ela conseguia sentir os olhos dele vidrados em suas costas e por causa disso, fez questão de andar rebolando. Sentia prazer em fazer isso, em saber que estava sendo desejada, afinal, não é ruim ter o ego acariciado logo cedo.
Entretanto, Verônica fica surpresa ao notar que ele está ao seu lado na rua, esperando os carros passarem para poderem atravessar. Geralmente o flerte não dito acaba rapidamente, cada um segue seu rumo e são esquecidos em um piscar de olhos. É assim que funciona para ela.
—Também vou nessa direção — ele fala e indica com a cabeça. Ítalo está adorando observar o rosto de Verônica e ver a desconfiança surgindo.
Os dois atravessam a rua e seguem em direção ao prédio da empresa. Verônica vez o outra olha para o lado, em direção ao Ítalo que está toda vez com um sorriso amigável no rosto. Ela começa a achar que ele é um maluco stalker. Quando os dois entram no saguão do prédio, Verônica toma a coragem de falar com ele novamente.
— Não me diga que você trabalha aqui? — ela diz com uma voz um pouco exaltada e duvidosa.
— Sim, trabalho — ele responde com humor e pisca para ela. — Você está me seguindo por acaso?
Verônica ri e nega com a cabeça. Em sua bolsa ela pega o crachá e passa no balcão de entrada onde é autorizada a passar. Ítalo por sua vez, simplesmente olho para o atendente que está sentado no balcão e abre um sorriso charmoso.
— Ítalo Roux — ele fala com a voz séria e o rapaz digita algo em seu computador, olha para tela e depois para o Ítalo e libera o acesso para ele.
— Bom dia, Sr.Roux — diz o rapaz com o tom educado. Ítalo apenas acena com a cabeça.
Seus passos largos logo alcançam Verônica que está parada esperando o elevador.
— Então você está me seguindo, senhorita... — ele diz perto do ouvido dela e isso causa um arrepio em Verônica .
— Senhorita Bagels — Verônica responde com humor. Os dois entram no elevador e ela aperta o seu andar, que é o quinquagésimo sexto.
Ítalo não aperta o último andar, porém fica contente em saber que a moça bonita que ele acabou de tomar café é da área de marketing. Afinal, hoje ele teria uma reunião com eles no final da tarde para saber sobre os projetos e campanhas. Torcia para vê-la na reunião.
Os dois não ficam sozinhos por muito tempo no elevador e faz algumas paradas para apanhar outros funcionários entre os andares. Isso faz com que o elevador fiquei um pouco cheio, obrigando Ítalo e Verônica ficarem próximos o suficiente para que ele consiga sentir o perfume que exala do pescoço da Verônica e com que ela sinta o calor que irradia dele e sinta o som da respiração bem perto do seu pescoço e orelha.
Nesse momento, os dois acabam por desejar a mesma coisa: que o elevador estivesse vazio, para que pudessem fazer algo totalmente insano dentro dele.
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