
Ensinando um CEO a falar
Capítulo 3
Verônica sai no seu andar e consegue dizer de forma rápida um tchau para Ítalo , mesmo que dentro do elevador ainda tinha mais cinco pessoas. A mente dela fica curiosa e um pouco apreensiva sobre o rapaz, afinal ela nunca o tinha visto antes no prédio e não sabia em qual andar ele poderia trabalhar.
Pode ser que ele estivesse no ramo de advocacia, quem sabe? Pensou Verônica , única explicação para a possível verdade sobre a viagem para Dubai, ela deduziu. Entretanto, sua cabeça não ficou muito tempo focada nisso. Seus passos eram apressados para seu escritório, havia muita coisa para se fazer hoje, organizar suas ideias para o novo produto e supervisionar o progresso da apresentação que a sua equipe tinha para fazer mais tarde.
Ela passou pela mesa da sua assistente/estagiaria, Lizzie. A sua assistente era uma estagiaria porque o orçamento que a empresa deu para Verônica contratar uma auxiliar quando foi promovida só permitia esse nível de experiência, praticamente zero. Entretanto, não foi algo ruim, Lizzie tinha garra, determinação e uma animação impressionante para alguém que tem dezenove anos. Verônica até poderia considerar Lizzie como uma amiga ou uma colega de trabalho próxima, as duas já almoçaram juntas quando Verônica estava se sentindo generosa com os ganhos do seu outro trabalho. Elas conseguiam fofocar um pouco sobre os outros funcionários sem dizer algo muito comprometedor que pudesse dar demissão com justa causa.
Lizzie é uma jovem sorridente, cabelos loiros ondulados que vão até a metade das suas costas, seus olhos são esverdeados, é magra demais, sem qualquer peito ou bunda, seu rosto jovial e seu tipo de corpo faz ela aparentar ter na verdade quinze anos e não dezenove. Quando Verônica a entrevistou ficou muito impressionada com a sua idade e sua aparência, porém o que fez Lizzie conquistar a vaga foi sua inteligência para organização e ideias criativas para o trabalho, mesmo sendo algo desnecessário. Sua função era simplesmente antecipar praticamente todas as necessidades de Verônica e ela fazia isso com maestria.
Por conta disso, quando Verônica passou por sua mesa, Lizzie já estava de pé ao lado esperando por ela com uma pilha de recados e e-mails importantes que Verônica precisaria responder de prontidão.
— Bom dia, V — Lizzie disse com a sua voz aguda e animada. Seus passos eram ligeiros igual os de Verônica . — Aqui estão as ligações de hoje mais cedo, três são daquele agente de publicidade que quer uma resposta sobre as modelos. Você possui sete e-mails urgentes para responder e já deixei eles fixados no topo do e-mail. E aqui estão os banners impressões que você pediu.
As duas já haviam entrado no escritório da Verônica e Lizzie colocava todas as informações à sua frente, mostrando as opções dos banners que havia enviado para gráfica. Iria precisar conversar com o pessoal de design e pedir para refazerem algumas montagens, as cores não estavam favorecidas e as fontes escolhidas eram horríveis.
— Você consegue ver os erros grotescos que há nesses banners, Lizzie? — Verônica pergunta séria. Ela sempre tentava ensinar algo para Lizzie sobre seu trabalho como um plus por ser estagiaria. Lizzie quer trabalhar com marketing e design.
Lizzie se aproxima melhor da mesa e analisa as opções dos banners.
— As fontes parecem esquisitas, talvez? — ela supõe com dúvida.
— Talvez eu devesse lhe contratar como designer e não como assistente — Verônica a elogia. — Pode ir, obrigada L.
Lizzie sorri e sai do escritório, fechando a porta de vidro atrás de si. O escritório da Verônica não era algo luxuoso e grande para o seu gosto, mas possuía já a sua personalidade. O tamanho do escritório era o suficiente para ela conseguir andar por ele com um espaço que não fizesse ela bater nas coisas que o decorava. Havia sua mesa grande com dois monitores e o seu notebook, além de porta-lápis, um bloco de notas auto colante, dois quadros com fotos com as suas melhores amigas. No canto direito um pouco afastado, tinha uma escrivaninha com uma impressora e uma pilhas de papeis e outras tralhas do trabalho. No lado esquerdo ficava a janela ampla com uma boa vista do centro da cidade, a luz do pôr-do-sol dentro do escritório era quando o ambiente ficava mais acolhedor para Verônica e ela fazia questão de parar por alguns minutos o trabalho e observar a janela.
Na sua frente, ficava uma estante com muitos livros sobre moda, cosméticos, marketing e algumas outras decorações que ela trouxe de casa, além de dois troféus que ela ganhou quando era mais jovem, de quando seu passado ainda possuía boas lembranças. Ela tinha uma cadeira de frente para ela também, porém poucas vezes alguém entrava no seu escritório e ficava tempo o suficiente para precisar sentar, além de uma poltrona branca perto da janela que ela utilizava para sentar e ver a vista quando não conseguia almoçar fora e precisava comer dentro do escritório.
Há quadros pendurados na parede atrás dela em formatos diferentes, que deixam o ambiente mais amistoso para ela e menos sufocante, já que há dias que ela fica quase sem sair de dentro do escritório, apenas trabalhando e supervisionando o trabalho dos outros.
Quando Lizzie deixa Verônica sozinha, ela já toma seu devido lugar na frente do notebook que já está ligado e abre os e-mails que Lizzie deixou sinalizado. Ela lê com atenção cada um deles, um é sobre o prazo de entrega de umas das campanhas de outro produto que não é o de lançamento, outro e-mail é sobre reunião que precisa ser marcada com o pessoal do financeiro pra saber os orçamentos utilizados nas campanhas e o retorno previsto com isso. Verônica bufa com a chatice que são os e-mails e resolve responde-lo com poucas promessas e bem objetivos. Ela gasta quase vinte minutos respondendo os e-mails importantes.
Ítalo por sua vez, vive outro tipo de chatice no trabalho alguns andares acima de Verônica . Ele já possui um secretário pessoal, formato e muito competente chamado Robert que é na realidade dois anos mais velho que Ítalo . Robert ama o trabalho que tem, ele não se importa em ter como chefe um rapaz mais jovem do que ele. Para Robert, Ítalo é um revolucionário no mundo dos milionários jovens e admite que não gostaria de ter a vida que o Ítalo tem, afinal é ele que organiza toda a agenda do jovem rapaz e ele sabe como é desgastante comandar uma multinacional com a idade do Ítalo .
Os dois se dão muito bem, possuem uma amizade além do serviço. Às vezes Robert pensa que talvez ele seja o único amigo de verdade que Ítalo tem, já que a sua rotina não permite tantas brechas para curtição. Até nos finais de semana Ítalo está com alguma coisa envolvida ao trabalho que toma o seu tempo por horas a fio. Robert sempre tenta encaixar todas as coisas importantes durante a semana e deixar os finais de semana livres para Ítalo curtir, porém o jovem não consegue cooperar com o seu secretário e sempre pede para marcar algo ou remarcar alguma coisa nos fins de semana.
Muitas vezes Robert obriga Ítalo a sair para descansar, encontrar com alguma garota, ter um pouco de vida fora dos escritórios. Porém, Ítalo sempre se esquiva e acaba não fazendo nada disso, poucas foram às vezes que Robert viu Ítalo sair de umas das festas que os dois foram convidados a participarem com uma garota a tira colo e não era por falta de opção, muitas moças atraentes tentavam fisgar a atenção do CEO. Só que Ítalo nunca levava jeito com elas, ficava acanhado e tímido. Todos acham que CEOs são seguros de si, confiantes e mulherengos, Ítalo vai totalmente contramão. O foco da sua vida é o trabalho e parece que sempre será isso. Isso preocupa demais Robert, ele vê o Ítalo como um irmão mais novo que precisa ser guiado na vida pessoal, porque a profissional Robert sabe que o Ítalo é um gênio.
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