
ELE
Capítulo 2
- SALA DE AULA NÃO É LUGAR PARA NAMORO, PODEM FAZER O FAVOR DE IREM PARA SEUS LUGARES? — o professor berra e eu e o Lucas nos viramos para ele espantados
— quem disse que somos namorados? — eu e o Lucas dissemos em unisom
— não me importa, vão e se sentem! — eu olho para o Lucas que ri e vai para seu lugar, eu também vou para o meu
— ei, você! — o professor chama, me viro para ver se é comigo
eu? — pergunto apontando pra mim, ele ignora e entra em outro assunto, mas era comigo
— você é nova aqui, não é? — jura que só percebeu isso agora?! Aé, estava oculpado demais sendo grosso com a filha do chef
— sim. — respondo apenas o que sai
— venha aqui — caminho até a sua mesa
— pois não?
— qual é o seu nome? — pergunta ele me olhando nos olhos
— Júlia Almeida.
— Júlia Almeida.. — ele repete baixinho e me perco ali, naquele cara arrogante de olhos negros, cabelos arrepiados e seu peitoral absolutamente definido em baixo daquele camiseta social branca. Ele era um ator de novela grega, disfarçado de professor. — a que derrubou mais cedo não foi? — ele me chama de volta a realidade, quebrando o encanto e me lembrando do ogro que realmente era.
— na verdade foi ao contrário.. — sai um cochicho dentre meus lábios, ele arqueia a sobrancelha tentando entender o que eu tinha dito. — m.me desculpe. — digo, mas a voz quase não sai
— tranquilo. vou na secretaria pegar seus documentos — ele levanta e eu me contenho para não olhá-lo de cima a baixo. — pode ir sentar lá.
Assinto e volto para o meu lugar e o observo sair da sala, o Lucas vem correndo para cá.
— eai, oque o mané queria? — ele pergunta após se agaixar ao meu lado
— relembrar que eu o derrubei..
— kkkkkkk você o derrubou? Como? Quando? Onde?
— não exatamente, ele estava saindo da sala e eu entrando, fiquei um tempão conversando com a sua mãe e acabei ficando atrasada pra aula, então meio que vim correndo e acabamos nos bicando e caindo.
— kkkkk queria ter sido você, para derrubar esse mané metido a besta. Ele é assim só porque é amigo do dono, inclusive está se gabando porque vai jantar na casa dele...
— O QUE???! — arregalo o olho, e ele ao perceber oque havia dito também arregalou.
— ele vai pra sua casa, e agora?
— me ajuda Lucas, isso não pode acontecer. Oque eu faço?
— porra Juh, pior é que não sei como te ajudar. Não sabemos nem quando ele vai pra lá..
— eu tô ferrada, me ajuda a pensar em algo
— me passa seu número. Te mando uma mensagem se souber de alguma coisa a mais — passo meu número a ele e continuamos tentando pensar em algo enquanto ele não volta — estamos ferrados..
— estou né..
— se você está, eu também estou, não estou? Somos amigos e irei te ajudar
— certo, obrigada. — ele me dá um abraço e eu retribuo. O professor entra na hora
— Lucass, fora do lugar de novo Lucas? — eu e o Lucas separamos o abraço e ele volta pra seu lugar — então classe, como temos uma aluna nova. Vamos voltar um pouquinho no assunto dos semestres atrás para ela nos acompanhar..
— com licença, prof• — levanto a mão
— sim? — o professor me dá atenção
— não precisa mudar o assunto por minha causa, estive estudando em casa antes de vir para cá — na verdade eu já sei de quase tudo, pois meu pai me ensinou desde os 6 anos e por isso eu já sei do assunto é não quero atrasar o resto da classe.
— sabe, é?
— sim.
— e quem é que te falou do assunto?
— o Lucas. — minto, e ele me dá um olhar fuzilador, o Lucas também.
— o Lucas né?.._ ele repete oque eu acabara de dizer
— sim, ele esteve me enviando um resumo da matéria enquanto eu não chegava — desculpa Lucas, mas não posso revelar minha identidade.
— hmm, sei, sei. A cabeça se divide em quantas partes? — ahh, fala sério. Ele está mesmo me perguntando isso?
— duas — respondo o óbvio.
— e quais são elas?
— face e crânio. — reviro os olhos
— quantos ossos tem o crânio?
— oito ossos professor — respondo, e antes que ele fosse perguntar outra coisa idiota eu completo— e a face 14, 24 costelas, 7 mini ossos no carpo, 2 fêmur, 2 rádios, 2 unas, 2 úmeros, e vários outros totalizando a 208 ossos, tá bom de osseologia né? — ele me olha com uma cara de tacho
— okay, foda-se. — professor pode falar palavrão na classe?! — estava tentando te explicar o básico, mas já que esta querendo dar uma de espertinha já vai participar da prova de hoje com os outros.
— que prova? — todos (menos eu) perguntam em um unico som.
— a que eu descidi passar agora. Guardem o material, é sem consulta. — O pessoal guarda o material e ele distribui a prova para todos. — as provas são diferentes umas das outras, não tentem colar. Vocês tem 45 minutos, e ahh — ele se vira para trás me fitando — as provas estão em um nível avançado. — dou um sorriso para ele e abro a minha prova.
1- de qual lado costumamos fazer a bolsa de vasectomia?_ sério que esse é o nível avançado? Essas provas deveriam ser distribuídas para a turma de enfermagem, não de Medicina. Respondo-a e vou para a próxima rindo do que lia. sério isso? Essas perguntas estão extremamente ridículas nego e sorrio a segunda. A terceira pergunta queria saber a grande e a pequena circulação sanguínea. Eu respondi o óbvio. Que a pequena saia do ventrículo direito pela artéria pulmonar para os pulmões, onde fazia a hematose e voltava para o átrio esquerdo através da veia pulmonar. E que a grande saia da artéria aorta e blá, blá, blá. Enfim, a prova tinha 60 questões e conforme foi aumentando a questão, a dificuldade também aumentava, oque era bom, pois eu achava que continuaria aquela coisa tosca até o final. 25 minutos se passaram e estou na última questão, a qual citava a respeito de uma cirurgia de AVC. Nossa turma iria se especializar em neurocirurgia, então ele meio que já estava tentando nos ensinar a respeito.
— terminei — falo assim que escrevo meu nome no início da Folha.
— certeza? — pergunta o professor com uma cara de espanto, os alunos também fizeram a mesma cara que ele.
— sim. — digo confiante
— pode trazer a folha e sair, por hora está liberada. — Guardo minhas canetas, pego a minha bolsa, caminho até sua mesa e lhe entrego a prova, logo após saio da classe.
Cerca de uns dez minutos caminhando perdida resolvo me sentar em um banco que encontrei no primeiro andar, verifico meu celular e há uma mensagem de um número desconhecido. Abro-a, era o Lucas.
Lucas: acabou rápido.. já foi para casa?
Júlia: queria ter ido, mas estou perdida
Lucas: onde?
Júlia: aqui no campus kkkkk
Lucas: mds kkkkk. Não acredito, me fala onde mais ou menos você está que eu tentarei te encontrar.
Júlia: estou no primeiro andar, em um banco próximo a biblioteca.
Lucas: estarei aí em 5 minutos.. não saia daí Júlia: okay. Guardo meu celular e fico esperando por ele que já está a caminho, minutos depois ele chega próximo a mim
— mentindo com meu nome mocinha? — rio
— foi mal.. não tive outra escolha
— "foi mal".. kkk um dia aqui e já parece malandra — rimos — foi péssimo. O Mattew já não ia com a minha cara, agora ele só quer me matar.
— kkkkkk desculpa.
— Me diz aí, oque achou da prova? Eu achei mediana e você?
— não estava difícil
— Como conseguiu ser a primeira terminar se você não tem a matéria que estudamos?
— é que aprendi isso com 10 anos..
— aé, desculpa aí filhinha do chef_ ele se faz de ofendido em tom de brincadeira e rimos.
— me guia até a cantina por favor? estou perdidassa.
— claro, mas tem que me pagar um hambúrguer — ele me estende a mão
— pagarei — pego sua mão e andamos a caminho da cantina. Já lá, entramos na fila e faço meu pedido.. — vou querer duas coxinhas, um hambúrguer com batatas, 3 pães de queijo e uma Fanta uva de 600 ml por favor — a moça assente e anota meu pedido — e você anjinho, oque vai querer?
— eu? Nada não, estou sem fome
— como assim? Impossível não estar com fome depois daquela lorota toda daquele velho — eu falo revirando os olhos e ele da uma risadinha, minutos depois cochicha em meu ouvido
— é que eu estou meio sem grana.. deixa para um outro dia
— mas quem vai pagar sou eu — cochicho de volta
— de jeito nenhum, já estou acostumado a não comer nada.. em casa eu almoço. Pode ficar tranquila
— para ele é o mesmo que o meu — ele fica fazendo que não com a mão, mas não dou bola
— certo. Deu 140 reais — pego meu cartão e entrego a ela — é débito.
— certo. — após passar o cartão e pegar um cupom, caminhamos para a fila ao lado para aguardar e retirar o pedido
— você não se acha louca? Não precisava se incomodar comigo..
— lógico que precisa, não somos amigos agora?! — ele assente e eu continuo a falar — então, a partir de hoje não irei mais deixar você com fome, meu pai pagará a nossa merenda. — ele abre a boca, mas eu a tapo com a minha mão — e nem adianta retrucar. — Ele por fim se cala. Após pegarmos nosso lanche caminhamos a uma mesa..
— você é muito exagerada, não precisava ter comprado tudo isso
— precisava sim, só iremos sair daqui 16 horas e agora ainda é 13 hrs
— mas eu não vou conseguir comer isso tudo
— não tem problema, coma o quanto conseguir
— certo. — Comemos nosso lanche caminhamos de volta para sala — ainda não acredito que você comeu aquilo tudo sozinha..
— você comeu o seu inteiro também
— mais você é mulher!
— oque tem? Não posso comer porque sou mulher? Sou mulher, mas a minha fome é de Leão.
— kkkkkk por isso que é gorda desse jeito — oque? Não acredito que ele me chamou de gorda
— NÃO ACREDITO QUE VOCÊ ME CHAMOU DE GORDA!!!! — grito enquanto bato nele, ele ri correndo.
— vamos voltar logo, até porque nem deu a hora do intervalo. Era para a gente ficar no corredor esperando os outros acabarem para voltar para a sala.
— sério? — digo surpresa, mas depois lembro que ele não pode fazer nada comigo, porque sou a filha do chefe — não estou nem aí — dou de ombros
— kkkkkk você não vale nada, por isso gosto de você! —
— que horas é o nosso intervalo?
— 14:30
— até lá a minha barriga já muchou, da para gente comer um lanchinho…
— quê? Você acabou de comer a cantina inteira e já está pensando no que vai comer daqui uma hora e meia?
— isso mesmo — eu digo e ele balança a cabeça. Após chegarmos ao 4 andar observamos o corredor vazio — Lucas, ou todo mundo ainda está fazendo a prova, ou..
— estamos fodidos — o Lucas completa para mim batemos na sala e entramos
— com licença — dissemos juntos
— os dois — o prof nos mira com um olhar fuzilador — me esperem lá fora, iremos bater um papo.
Eu e o Lucas não falamos nada, apenas saímos
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