Capa do romance ELE

ELE

8.3 / 10.0
A jovem académica Júlia vê seu mundo virar de cabeça para baixo após acordar completamente nua ao lado do seu professor

ELE Capítulo 1

Muito barulho, muitas pessoas, muito nervoso. Aperto minha mochila com as mãos e caminho em direção a secretária do campus. Tento ficar calma e fingir que ainda estou no meu quarto e que não vou precisar estudar fora, mas percebo que essa não é a realidade ao sentir muitos olhares sobre mim, não gosto da sensação. então abaixo a cabeça, aperto mais ainda a mochila, e também apresso os passos e assim, chego mais rápido à secretária.

— oi — levanto a cabeça e dou um sorriso, afim de deixar minha timidez de lado e ser um pouco gentil, mas é inútil. Meu sorriso murcha ao ver uma senhora do cabelo arrepiado mal humorada me encarando (ela parece a Cruella daquele desenho de tv).

— oque deseja flor? — ela inclina a cabeça para o lada e me dá um sorriso forçado.

— meu pai me matriculou ontem, mas não sei em qual turma estou. Pode ver para mim?

— ontem? Mas as matrículas se encerraram na semana passada.. tem certeza de que é nesse campus que foi matriculada?

— sim, oras — reviro os olhos ao ver ela me encarando

— não sei não.. — ela fala sem acreditar em mim Pego meu celular e ligo para o meu pai. Ele demora, mas me atente.

— oi amor, conseguiu achar sua classe?

— não papai, sua funcionária inútil não quer acreditar em mim.. — levanto a cabeça e percebo que a Cruella estava me encarando surpresa com o olho esbugalhado, bem feito.

— como assim? Pede pra falar com a Ellen — diz papai

— Ellen? — o olho da mulher se abre ainda mais..

— sim bebê. — afasto o celular do rosto e me preparo para falar com a Cruella

— com licença, eu poderia falar com a Ellen?—pergunto apreensiva por não saber quem era Ellen

— a Ellen? Claro, irei chamá-la. — ela usa o telefone por uns minutos e depois avisa que a Ellen está vindo.

— tabom, obrigada.. — agradeço ela e volto a falar com o papai no telefone — papai?

— Sim, anjo?

— a Ellen está vindo.. oque falo?

— não precisa dizer nada, dê o telefone a ela e eu mesmo falarei.

— tabom.. já consigo avistar uma moça loira, é ela?

— sim.

— olá, em que posso ajudá-la? — pergunta a loira com um sorriso gentil

— Ellen? — ela assente e eu estico o braço com o telefone — aqui. — ela confusa pega o celular  

— oque eu faço com isso?

— atende. Meu pai pediu pra falar com você e está te aguardando na ligação.._ explico e ela assente colocando o celular na orelha

— pois não?— ela diz e aguarda a resposta vir do outro lado da linha, minutos depois ela responde de novo. — sei sim.. É ela? Pode deixar comigo.. a tratou mal? Sim, sim.. Pode deixar vou resolver.. tchau, tchau — ela desliga e me entrega o telefone — anjo, sua classe é a 445. Desculpe a demora..

— obrigada! — após eu agradecer, ela sorri e assente como resposta e se vira para a Cruella  — pode arrumar suas coisas, está demitida. — observo elas boquiaberta 

— ma.ma.mas por quê? — à secretaria a questiona com os olhos cheio de água 

— você não pode estar na secretaria se não sabe recepcionar um aluno. — a loira já usava um outro tom de voz, soava rude e grossa 

— Srt. Ellen, mil desculpas eu estava muito ocupada, achei que fosse só mais um aluno zuando com a minha cara como de costume, ainda mas que ela disse que se matriculou ontem.. me desculpe, por favor.. me desculpe. O meu filho estuda aqui, também da área de Medicina e você sabe que não é barato, mesmo com ele trabalhando a noite eu ainda tenho que o ajudar, por favor me deixe ficar, pelo o Lucas me deixe ficar.

— o Lucas é um excelente aluno, você também é uma excelente funcionária, mas a ordem veio de cima. Sinto muito mas não posso contrariar o chef

— espera aí — me intrometo na conversa delas — meu pai mandou fazer isso? Porque?

— seu pai? — a Cruella abre a boca

— sim, foi ele. — a Ellen fala orgulhosa.

— então pode voltar atrás! Não quero ser responsável por destruir dois sonhos no meu primeiro dia de aula, não mesmo.

— infelizmente não posso.

— pode sim! eu fiz meu pai fazer isso. Agora tenho que desfazer. Pode ficar, só é falar para o meu pai que foi um mal entendido e que eu pedi para ela ficar

— tudo bem. falarei com ele, mas não posso garantir nada.

— tabom, obrigada. Agora irei para classe, 445 certo?_ as duas assente e eu caminho para lá.

 O corredor está vazio, tudo está em silêncio. Já se passaram mais de dez minutos e eu ainda estou estou perdida no 122 do segundo andar, apresso meu passo depois de ouvir alguem comentando que ficava no 4 andar. Acho uma escadaria e rapidamente a subo e avisto a sala 445 no final do corredor. corro rapidamente em direção a ela com um sorriso de vitória estampando na cara, mas acabo me chocando com alguém que estava saindo a sala

— POR QUÊ NÃO OLHA POR ONDE ANDA PORRA? PARECE CRIANÇA CORRENDO PELOS CORREDORES — ouço uma voz masculina enquanto me levanto e recolho meus livros que também haviam caído minutos atrás comigo.

— me.me desculpe — gaguejo baixo, e com a cabeça baixa pois não tenho coragem nenhuma para levantá-la e encarar a pessoa que acabara de me derrubar. O homem não fala nada, apenas da uma pequena volta por mim e caminha em direção as escadas, euen, isso que eu chamo de falta de educação. Balanço a cabeça para me dispersar dos pensamentos do recente  acontecimento e de cabeça erguida entro na sala. Sinto meu rosto corar ao perceber que o olhar de todos se voltou para mim, tento avistar um lugar vago, mas são poucos. Então caminho para a última fileira do canto, próximo a mesa do professor que ainda não havia chegado. No caminho ouço rumores..

“olha, aluna nova” pronunciou uma menina  “oloko, gostozassa” diz um garoto

— EI, GATA? — grita uma voz masculina, procuro ao redor para saber se é eu quem ele está chamando, paro de procurar ao avistar um cara loiro acenando em minha direção, ainda com dúvida de se era comigo continuo quieta só olhando para ele, ele olha para mim é abaixa o braço — vem e se senta aqui caloura — definitivamente era comigo que ele estava falando. Sem saber oque fazer, me sento ali mesmo na mesa do canto, sem o responder nada. Pego minha mochila, retirando minha agenda e guardo os livros na bolsa que estava vazia. (Não, eu não estou louca. Apenas peguei os livros hoje, por isso a mochila estava vazia). Estava vendo meus compromissos quando uma mão de homem encosta na minha carteira, levanto minha cabeça e me deparo com o mesmo loiro de minutos atrás, ele parecia alegre com um sorriso no rosto.

— prazer, sou o Lucas. — ele diz e em seguida estende a mão não sei exatamente como me comportar em relação a isso, ele é o primeiro homem que fala comigo, depois do meu pai é lógico. É que sempre vivi sozinha, nunca fui muito da vibe amizade, durante toda infância estudei em casa, não privadamente, foi uma opção minha sabe?! Bom, mas já que agora ele já está aqui, não custa nada fazer amizade.

— Oi, sou a Júlia. — aperto sua mão.

— olha.. — ele caminha duas carteiras atrás da que estou, pega uma cadeira vaga e volta para onde estou se sentando — a princesinha tem língua me sinto envergonhada então não digo nada, apenas sorri sem mostrar o dente

— então.. veio de onde? — pergunta o garoto

— sou de Seattle, me mudei para cá essa semana

— entendi..

— e você?

— sempre morei aqui na cidade, não aqui no bairro dos granfinos claro, mas sempre morrei aqui.. — Granfinos? Oque é isso?

— granfinos? — pergunto com dúvida

— sim, riquinhos sabe? Eles recebem esse apelido.. — ele diz com um sorriso no rosto

 —  sim. Entedi..

— mais e então?

— então o que?

— amigos?

— amigos. — confirmo sua pergunta Sou surpreendida por um abraço do mesmo

— poderia me soltar por favor? — ele rapidamente me solta

— me desculpe, é que estou acostumado a abraçar amigos. Não me entenda mal, por favor.

— sim, eu sei, mas é que não estou acostumada com isso

— tudo bem, então sem abraços_ ele da um sorriso meigo. Acho que deixei ele meio envergonhado, deveria abracá-lo para desfazer esse gelo que acabei de  criar entre nós? Acho que sim, isso é normal entre amigos pego ele de surpresa com um abraço. Ele demora, mas retribui

— me desculpe, prometo que aos poucos me acostumo com esses afetos de amigos.

— tudo bem, se você for grossa te darei uns tapas — arqueio a sobrancelha o encarando  — brincadeirinha kkkk — diminuo a tensão em que me encontrava e dou um sorriso.

— com licença, posso falar com a Júlia? — uma voz familiar me chama, mas o loiro se vira antes de mim

— Oi mãe, oque quer com a minha bff? — mãe? Bff? Me viro rapidamente para ver de quem se tratava, a mãe dele é a Cruella? Fico minutos olhando para os dois, vendo se encontrava alguma semelhança, mas nada. Então era ele o tal Lucas que ela citou mais cedo? Que loucura..

— ela é sua mãe? — cochicho baixinho para ele

— é sim — cochicha ele de volta

— Júlia? — a Cruella chama novamente meu nome

— sim? — respondo me levantando  

— poderia vir aqui fora um minuto?

— claro. — vou até ela que segue em direção a porta e saímos da sala

— obrigada!. — ela diz e me surpreende com um abraço, o povinho que gosta de abraço viu..

— de nada, mas por quê? — pergunto após a gente separar o abraço.

— você conseguiu me ajudar manter meu trabalho..

— sério? — pergunto pensativa.

— sério? — a voz do Lucas surge atrás de nós, me viro e era ele.

— sim. a Ellen já queria me despedir a um tempo. Eu fui meio grossa com você mais cedo por esse motivo, estava preocupada com o futuro do Lucas, só tinha cabeça para isso. Daí quando você veio com o papo de ter feito a matrícula no dia anterior pensei que fosse um trote.. — meu Deus, coitadinha dela.

— mas por que ela te mandaria embora?

— porque ela é uma cobra.

— como assim? Ela foi um doce mais cedo..

— máscara. Ela deve ter amado quando seu pai mandou ela me demitir, pois ela só esperava um motivo e essa foi a chance perfeita..

— pai? Por que seu pai mandaria minha mãe embora? — pergunta o Lucas confuso

— me desculpe, foi tudo minha culpa. Eu que liguei para ele

— ma.mais como assim?_ ele ainda não entende

— ela é a filha do dono daqui, filho. — o Lucas rapidamente arregala os olhos

— o quê?? — diz ele surpreso

— sim. Mas não tinha má intenção, me desculpem por tudo —  peço desculpa a eles. Enquanto isso um homem passa por nós, entra na classe e fecha a porta

— eu sei disso linda, mas é melhor vocês entrarem.. — diz a Cruella

— sim mamãe, depois teminaremos a conversa.

— quem é o cara? — pergunto ao Lucas enquanto voltamos para classe, já tinha me despedido da Tati e ela me fez prometer que iria até a sua casa tomar um café um dia desses.

— nosso professor

— bonito ele né?

— é, mas não é flor que se cheire. Agora mudando de assunto — ele passa a mão pelo meu ombro — por que não me disse que era filha do dono?  

— porque você não perguntou.. — digo dando de ombros e ele sorri.

— vamos entrar, vamos bobinha..

— vamos sim, não comenta com ninguém sobre quem é meu pai. Não quero nenhum tratamento especial..

— tudo bem..

Bato na porta e a abro.

— com licença.

— tá atrasada! — diz o professor olhando para um papel.. a voz dele é familiar, me lembra alguém.. Flashback on* "- POR QUÊ NÃO OLHA POR ONDE ANDA PORRA? PARECE CRIANÇA CORRENDO PELOS CORREDORES" Flashback of* É ele.. o mal educado de mais cedo, é o professor... estou chocada!

— entra Juh. — cochicha o Lucas atrás de mim.

— já vou — falo e dou um passo para frente onde acabo tropeçando, caindo e fazendo a classe inteira rir de mim. O Lucas rapidamente me ajuda a levantar

— está bem? Se machucou? — ele pergunta procurando por machucados

— não, foi só uma quedinha, nada de mais_ rio e sinto que estão todos olhando para nós dois, inclusive o grosso do professor

— bobinha — ele ri e da uns tapinhas na minha cabeça.

— SALA DE AULA NÃO É LUGAR PARA NAMORO! — ele grita e eu e o Lucas nos viramos em direção a ele.

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