
ELE - livro 2
Capítulo 2
Pov. Júlia
Hoje faz um mês e meio desde que venho rodando a cidade com os exames de papai a procura de um médico para o operar.
O diagnóstico ainda não foi dado, cada médico diz uma coisa. Papai se auto-diagnosticou, indo ao contrário do que todos os médicos diziam. segundo ele só uma pessoa além dele capaz de realizar a cirurgia, mas não cita de jeito algum quem ela é.
— o doutor tem certeza de que não consegue realizar a cirurgia?
— tenho sim, pois os exames dele são muito confusos. A instabilidade é imensa, prefiro não arriscar. Mas conheço um cirurgião geral que se especializou em todas as áreas, ele com certeza saberá como te ajudar
— certo, Doutor. — assinto desiludida, pois eu já sabia que esse tal cirurgião era o meu pai, mas não seria possível ele mesmo se operar — obrigada, Doutor. Tem mais algum outro médico que possa me indicar?
— ahh — ele parece se lembrar de algo — conheço um outro cirurgião ótimo, inclusive ele acabou de inaugurar um hospital próprio...— corto a ladainha e vou direto para onde me interessa
— pode me passar o endereço? — ele engole em seco e sorri
— claro! já pego. — ele fuça em algumas coisas e por fim escreve o endereço em um papel e me entrega
— obrigada! Vou para lá agora mesmo. — falo e saio de lá imediatamente.
Entro no carro ansiosa, pego as chaves e o ligo o arrancando para longe dali, por pouco não percebo meu celular vibrando no bolso da calça.
— alô? — atendo Enzo no telefone
— Oi, Juh. Como vão as coisas por aí? — coloco a chamada no viva voz, penduro o celular no suporte e troco a macha do carro, o acelerando.
— na mesma.. acabei de sair de mais um médico e nada
— sério, Juh? Que porre!
— mas pelo menos ele me deu um endereço de outro médico.. ele é o dono do novo hospital da cidade que comentei
— sei.. sei.. Meu avião acabou de pousar
— o que? — pergunto confusa — pousar aonde doido?
— estou no Estados Unidos. Vim para lhe apoiar
— m.mas e o seu trabalho?
— isso não importa agora, me espere em frente ao tal hospital. Vou te encontrar lá.
— certo, e mais uma vez.. obrigada! Obrigada por tudo!
— beijos, linda! — ele desliga.
Ao chegar, estaciono e saio do carro. Fico em frente ao hospital esperando pelo Enzo que demora umas meia hora já estava vindo do aeroporto que ficava um bocado longe daqui
— AH, que saudade eu estava sentindo de você!! — o abraço forte
— eu também minha pequena, eu também.. venha, vamos subir..
— e suas malas? — pergunto curiosa
— é verdade, me dá as chaves do carro. Vou lá guardar e já volto. — sorrio e lhe entrego as chaves. Ele vai e em instantes já está de volta — vamos?
— vamos! — ele passa as mãos em volta das minhas costas e caminhamos para dentro do grande edifício. Ao entramos recebemos uma autorização para subir até o último andar e falar com o tal cirurgião e também dono desse lugar
— já falei disso com o Zinho, não brô... ele já disse que não sobe hoje! — passa por nós dois uma linda morena falando gírias no telefone
— bonita né? — comento baixinho com o Enzo
— sim, muito bonita. Você a conhece?
— não.. vi ela um dia desses brigando com um cara — me recordo das cenas do aeroporto e sorrio.
Entramos no mesmo elevador em que ela estava, ela se mantém com a cabeça abaixada, falando no telefone. Subimos com ela uns 4 andares
— com licença — pede ela sem olhar para gente, damos passagem a ela que desliga o celular e sai. A vemos correr e pular nas costas de um cara de jaleco
— me solta porra! — soa em tom brincalhão uma voz que já havia ouvido antes.. deve ter sido no aeroporto discutindo com ela.. O elevador se fecha nos levando para o último andar e contínuo a tentar assemelhar um rosto a voz que acabara de ouvir.
— oii! — comprimento a recepcionista que nos olha e sorri
— boa tarde, oque desejam?
— gostaria de falar com o cirurgião chefe
— certo, só um momento. — ela telefona para algum lugar — você esta perto do chefe? — ela guarda uma resposta — tem um casal procurando por ele — certo. — ela desliga o telefone e sua atenção volta para nós — esperem um minuto, ele já está subindo..
— certo, obrigada! — Uma porta ao lado da secretária se abre e sai dela uma linda ruiva com uma mini saia social preta curta, de paletózinho também preto e um enorme salto agulha, coisa típica de mulher de negócios
— jô, você viu se o meu batom cai.. — ela ergue o olhar em nossa direção e abre a boca em O, sorrio gentilmente a ela. — vocês...
— olá! — a comprimento
— o que eles fazem aqui? — ela me ignora e fala com a recepcionista
— eles querem ver o Zinho
— mano.. que cara de pau! — ela nega com a cabeça e sorri — o Zinho não pode atender vocês no momento, podem se retirar imediatamente por favor
— ma..mas a recepcionista acabou de nos falar que ele já estava subindo — explico confusa
— droga! Por que diabos você não me avisou que eles estavam aqui?! — ela se altera com a empregada — já não te falei que quem vai falar com a porra do chefe tem que passar por mim antes??
— me desculpe.. — a secretária se desculpa já soluçando
— não precisa a tratar assim.. — falo e ela volta a olhar para a gente
— o que vocês ainda fazem aqui? SAEM LOGO DAQUI PORRA!! — ela novamente se virar para secretaria — liga pra Tayssa, e fala pra ela não deixar o chefe subir!
"Plim" — escuto o elevador se abrir atrás de nós, mas não me viro.
— tarde demais.. já estou aqui. Quem me procura? — escuto a mesma voz de mais cedo e por fim finalmente a correlaciono um rosto, aquela era a voz do Matthew.
A ruiva nega pondo as mãos no rosto, Enzo se vira e rapidamente volta a virar para mim que aperto os olhos com força, finalmente me viro e abro os olhos me deparando com Matthew que fecha o sorriso ao me ver.
— você? — sua voz ecoa falhosa e ele engole a saliva.
Não sei por quanto tempo fiquei paralisada, mas ao me recobrar vejo Matt se levantando do chão com o rosto sujo de sangue e indo para cima de Enzo que acabara de parar no chão, vejo Matthew bater uma, duas, três, quatro e na quinta eu vou para cima deles para tentar parar o Matthew que estava com uma expressão de raiva, ou melhor, de ódio.
— Matthew, para! Por favor!! — ele me olha, seu olhar me dizia “ me deixe em paz”, e então ele volta a bater no Enzo
— você sabe quem eu sou? VOCÊ SABE PORRA?! — ele fala, e dá mais outro murro e então se levanta — não se meta mais comigo!
Ele me encara mais uma vez e entra no elevador que se fecha o levando pra não sei onde
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