
ELE - livro 2
Capítulo 3
Pov. Ju
Ainda sem reação, corro até o Enzo para ajudá-lo
— venha, vamos sair daqui. — estico a mão a ele que se levanta limpando o sangue que escorria pelo nariz
— me desculpe Juh.
— como vocês acabaram brigando? — tento entender aquilo que aconteceu tão rápido
— não consegui me segurar ao ver aquele infeliz, me desculpe
— está tudo bem.. — ele veio de tão longe para me ajudar, não iria o repreender
— oi, com licença — a morena que havia subido com o Matthew se aproxima — vocês estão bem?
— estamos sim, obrigado! — Enzo a responde e torna sua atenção para mim — vamos embora? — assinto me virando e o ajudando a caminhar
— Júlia, espera! — olho para a morena por cima dos ombros — podemos conversar?
— sobre o que?
— preciso saber uma coisa.. — continuo olhando para ela, desentendida. — só vai levar um minuto, prometo!
— certo. — assinto e olho para o Enzo — me espera um minutinho? — ele assente e eu o ajudo a se sentar
— me acompanhe — ela me conduz até a sala em que a ruiva havia saído. A ruiva também vem atrás de nós duas e fecha a porta — sente- se — ela se senta.
Olho tudo em volta, paredes brancas, piso azul. Grandes janelas de vidro e mobílias marrom. Me sento em uma poltrona marrom e a ruiva se aproxima sentando a minha frente. Pigarreia e me olha
— me desculpe por mais cedo — não respondo nada — eu nunca havia tratado ninguém de forma tão rude, mas no final você acabou sabendo o motivo..
— eu e a Rebeca, somos muito amigas do Matt, não sabemos o porque de você estar aqui. O Zinho acabou de se recuperar de uma baita depressão, espero que você não tenha vindo afundá-lo de novo
— depressão? — não consigo entender mais nada. Ela assinte.
— sim, quando conhecemos o Zinho ele havia acabado de virar.. — ela não termina de falar, pois a ruiva lhe dá um tapa
— isso não importa. — a Rebeca fala pela amiga — Matthew sofreu por uma menina que o deixou a quase dois anos depois de um grande mal entendido. Logo após esse mal entendido o pai da garota fudeu com a vida dele e fez com que ele ficasse sem casa e sem emprego. Depois vem nos duas super fãs do ator mexicano Lorenzo e comenta sobre seu noivado..
— sim. O problema é que não sabíamos que a noiva do cara era a mulher que havia lhe destruído. A única coisa boa nisso tudo é que a tal Karen vadia perdeu o emprego e hoje está mais fodida que tudo, nem na periferia ela foi aceita. Há boatos que ela tá morando na rua..
— Outra coisa boa, é que o zinho te superou e está recuperado. — Aquelas duas meninas me joga um balde de informações na cara. Eu permaneço imóvel tentando digerir tudo aquilo que me foi dito
Então quer dizer que o Matt não havia me traído, que ambos sofremos como idiotas. Que meu pai havia acabado com sua reputação e lar, que ele entrou em uma depressão e agora deu a volta por cima?! Minha nossa!
Eu e meu pai acabamos com a sua vida, é óbvio que ele não quer nem olhar na nossa cara. Queria tanto um buraco para enfiar minha cara agora
— obrigada.. — me levanto — por ter me contado, prometo não o incomodar mais. Já estou indo, com licença. Sem esperar por mais respostas me retiro da sala. Vou rápido até o Enzo. — vamos Enzo.
— vamos sim — ele se levanta e seguimos em silêncio para o elevador. Enzo não me pergunta nada sobre a conversa que eu acabara de ter com as meninas.
Descemos até o térreo e caminhamos para fora do hospital, em direção ao estacionamento, avisto um cara com um jaleco sujo e o rosto sangrando, certeza que era Matthew. Tento andar em direção a ele, mas sou parada por Enzo que me segura pelo braço
— é melhor não Juh.
— só vou ver como ele está, te encontro no carro — Enzo solta meu braço e eu lhe entrego a chave do carro. Ele me encara por um tempo em silêncio, parecia estar bravo, mas logo se acalma, se vira e por fim se vai.
Avisto mais uma vez o Matthew, fecho o olho, respiro fundo, torno a abri-lo e caminho até ele em passos firmes.
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