
Ele Fez a Sua Escolha, Eu Fiz a Minha
Capítulo 2
"Ana, o bebé está a mexer-se tanto hoje," eu disse, acariciando a minha barriga de nove meses.
Sentei-me no sofá, a olhar para o meu telemóvel.
O Pedro não tinha respondido a nenhuma das minhas chamadas ou mensagens durante todo o dia.
Uma sensação de inquietação crescia dentro de mim, tão forte como os pontapés do bebé.
A minha mãe, a Lúcia, saiu da cozinha com um prato de fruta cortada.
"Ele deve estar ocupado no trabalho, querida. Os arquitetos têm sempre prazos apertados."
Ela colocou o prato na mesa à minha frente.
"Come um pouco. Faz bem a ti e ao bebé."
Tentei sorrir, mas o meu rosto parecia tenso.
Peguei num pedaço de maçã, mas não consegui comer.
Liguei para o Pedro outra vez.
Desta vez, a chamada foi diretamente para o correio de voz.
O meu coração afundou-se. Ele desligou o telemóvel.
"Mãe, algo não está bem," eu disse, a minha voz a tremer ligeiramente.
"O Pedro nunca desliga o telemóvel."
A minha mãe suspirou e sentou-se ao meu lado, colocando um braço reconfortante à volta dos meus ombros.
"Não penses demasiado, Ana. Talvez a bateria tenha acabado."
Mas ambas sabíamos que era uma desculpa fraca.
Naquele momento, o meu telemóvel vibrou com uma notificação.
Era uma publicação no Instagram.
Uma amiga em comum tinha marcado o Pedro numa foto.
Abri a aplicação, o meu polegar a tremer.
A imagem era clara e devastadora.
O Pedro estava sentado num restaurante chique, a sorrir para a câmara.
Ao lado dele, com a cabeça apoiada no seu ombro, estava a Sofia, a minha "melhor amiga".
A legenda dizia: "A celebrar o novo projeto do Pedro e o noivado surpresa! Tão feliz por vocês os dois, @PedroAlmeida e @SofiaGomes!"
Noivado.
A palavra ecoou na minha cabeça, silenciosa e mortal.
O prato de fruta caiu das minhas mãos, espalhando pedaços de maçã e manga pelo chão.
Eu não conseguia respirar.
"Ana? O que aconteceu?" A minha mãe agarrou-me no braço, o seu rosto cheio de preocupação.
Virei o ecrã do telemóvel para ela.
Ela ofegou, os seus olhos arregalaram-se em descrença e depois em fúria.
"Aquele desgraçado," ela sibilou.
Eu não conseguia falar. Apenas olhava para a foto. Para o sorriso dele. O mesmo sorriso que ele me deu esta manhã antes de sair para o "trabalho".
De repente, uma dor aguda atravessou o meu abdómen.
Gritei, agarrando a minha barriga.
Era uma cãibra, mais forte do que qualquer coisa que já tinha sentido.
"Mãe... dói," consegui dizer.
Outra onda de dor atingiu-me, e senti um líquido quente a escorrer pelas minhas pernas.
A minha bolsa tinha rebentado.
"Oh, meu Deus. O bebé está a chegar," a minha mãe entrou em pânico por um segundo, mas depois a sua determinação tomou conta. "Aguenta, Ana. Vou chamar uma ambulância."
Enquanto ela corria para o telefone, eu fiquei ali, paralisada pela dor física e pela traição esmagadora.
O meu filho estava a chegar.
E o pai dele estava a celebrar o seu noivado com outra mulher.
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