
Ele Fez a Sua Escolha, Eu Fiz a Minha
Capítulo 3
A sala de partos era fria e branca.
As luzes brilhantes pareciam zombar da escuridão que se instalara na minha alma.
A dor era constante, um ritmo brutal que me roubava o fôlego.
A minha mãe segurava a minha mão, o seu rosto uma máscara de preocupação e raiva.
"Respira, Ana. Pelo bebé, respira," ela dizia repetidamente.
Tentei concentrar-me na sua voz, mas a imagem do Pedro e da Sofia juntos continuava a piscar na minha mente.
A enfermeira verificou o meu progresso.
"Ainda não está totalmente dilatada. Vai demorar mais um pouco."
As horas arrastaram-se.
Cada contração era um lembrete torturante da minha situação.
Eu ia trazer uma criança a este mundo, sozinha.
A minha mãe tentou ligar para o Pedro várias vezes.
Sem resposta.
Ela deixou mensagens de voz furiosas, a sua voz a quebrar-se de vez em quando.
"Pedro, a Ana está em trabalho de parto! O teu filho está a nascer! Onde estás, seu cobarde?"
Silêncio.
Finalmente, depois do que pareceu uma eternidade de agonia, a médica disse: "Está na hora. Vamos empurrar."
Reuni toda a força que me restava.
Empurrei com um grito que rasgou a minha garganta, um som cheio de dor, raiva e desespero.
E então, ouvi.
Um choro.
Fraco, mas claro.
"É um menino," disse a médica, a sua voz suave. "Parabéns, mamã."
Colocaram o meu filho no meu peito.
Ele era tão pequeno, tão perfeito.
As suas pequenas mãos agarraram o meu dedo.
As lágrimas que eu tinha segurado finalmente caíram, a misturarem-se com o suor no meu rosto.
Ele estava aqui. O meu filho, o meu pequeno Leo.
Por um momento, esqueci-me de tudo o resto.
Só existíamos nós os dois.
A minha mãe chorava silenciosamente ao meu lado, a sua mão a acariciar o meu cabelo.
"Ele é lindo, Ana. Tão lindo."
Apesar da exaustão, senti uma onda de amor tão poderosa que me deixou sem fôlego.
Eu faria qualquer coisa por este pequeno ser.
Eu iria protegê-lo.
Eu seria suficiente para ele.
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