Seguir
Capítulos
Compartilhar
Capa do romance Ele escolheu ela em vez de nós

Ele escolheu ela em vez de nós

Dediquei minha vida ao meu marido em coma, esperando nosso primeiro filho. Contudo, o retorno de sua ex-namorada, alegando gravidez, mudou tudo. Em um sequestro, ele me abandonou à morte para salvá-la, ignorando meu sangue no chão e nosso bebê. Ele achou que era o fim, mas sobrevivi. Agora, diante do meu salvador, tomei uma decisão drástica: é hora de encontrar um novo pai para o meu filho e deixar o homem que nos traiu no passado.
Capítulos
Compartilhar

Capítulo 2

Ponto de Vista de Helena "Lena" Porter:

O mundo parecia abafado, como se uma grossa camada de algodão tivesse sido enrolada em meus sentidos. Mal registrei o curto trajeto até a propriedade de Caio ou a maneira gentil como ele me guiou para a casa de hóspedes, que era maior e mais luxuosa do que a primeira casa que Gregório e eu compartilhamos.

"Lena?" Minha assistente, Clara, estava na porta, seu rosto marcado pela preocupação. "O Sr. Monteiro me ligou. Ele disse que você não estava se sentindo bem."

Afundei no sofá macio, as almofadas de seda parecendo impossivelmente suaves contra minha pele. "Estou bem, Clara." Era uma mentira, e nós duas sabíamos disso. Meu corpo parecia pesado, drenado de toda energia, uma manifestação física do buraco imenso na minha alma.

Clara não insistiu. Ela simplesmente colocou um copo de água e um pequeno prato de biscoitos na mesa de centro. "Sua sogra ligou. Eugênia. Ela está preocupada. Ela viu as notícias."

Eugênia Velasquez. Uma mulher tão dura e inflexível quanto o aço que seu marido um dia forjou. Ela nunca gostou de Adriana, havia avisado Gregório sobre ela anos atrás. Parte de mim queria ligar para ela, deixar sua fúria justa chover sobre seu filho. Mas essa não era a luta dela. Era minha.

"Diga a ela que estou tirando alguns dias para mim", eu disse, minha voz monótona. "E Clara... preciso que você faça algo por mim. Quero tudo o que puder encontrar sobre Adriana Paes. Onde ela esteve nos últimos cinco anos, com quem esteve, qual é a situação financeira dela. Tudo. E quero que seja discreto."

Clara assentiu, sua expressão sombria. "Claro, Lena."

Depois que ela saiu, fiquei sozinha com meus pensamentos, um tormento de memórias se repetindo em um loop implacável. Lembrei-me de Gregório, acordando do coma. Seus olhos, turvos e confusos, haviam percorrido o quarto até pousarem em mim. Ele não se lembrava do acidente, não se lembrava dos meses que o antecederam. Ele só se lembrava de mim.

"Você é minha âncora, Lena", ele sussurrou, sua mão fraca na minha. "Você é a única coisa real em toda essa bagunça."

Ele havia me prometido uma vida inteira de devoção. Ele havia prometido que os fantasmas de seu passado estavam enterrados. Ele havia jurado que seu amor por mim era um porto calmo e estável, diferente da paixão tempestuosa e destrutiva que ele compartilhara com Adriana.

Agora eu entendia. Seu amor por mim era uma escolha, uma decisão consciente de construir uma vida estável. Seus sentimentos por Adriana eram um instinto, uma atração primitiva à qual ele era impotente para resistir. E quando confrontado com ambos, ele deixou o instinto vencer.

Meu celular vibrou. Um número desconhecido. Quase ignorei, mas uma sensação doentia de pavor me compeliu a abrir a mensagem.

Era uma foto.

Gregório e Adriana, não no gala, mas no que parecia ser um quarto de hotel. Ele estava sentado na beira da cama, a gravata afrouxada, e ela estava de pé atrás dele, os braços em volta de seu pescoço, pressionando um beijo em sua bochecha. Seus olhos estavam fechados, uma expressão de contentamento cansado em seu rosto. Na mesa de cabeceira, ao lado de uma garrafa de champanhe, havia um tubo de batom. Um tom específico de carmesim profundo.

Ruby Woo. Meu favorito. Aquele que eu não conseguia encontrar há semanas.

A data na foto era de três semanas atrás. Meu aniversário.

A noite em que ele chegou tarde em casa, cheirando a um perfume que não era o meu, com uma leve mancha vermelha em seu colarinho que ele culpou uma garçonete desajeitada. A noite em que ele prometeu que estava fechando um negócio, mas me olhou com olhos vazios.

"Você conseguiu o batom que eu queria?", eu havia perguntado, tentando manter meu tom leve.

Ele franziu a testa, um lampejo de algo indecifrável em seus olhos. "Desculpe, querida. Estava esgotado em todos os lugares. Eu te compenso."

As peças do quebra-cabeça se encaixaram, cada uma uma nova facada de dor. As mentiras. O engano. A crueldade casual de tudo isso. Não foi uma recaída recente; foi uma traição calculada que estava acontecendo bem debaixo do meu nariz.

Outra mensagem chegou do mesmo número.

*Ele me compra seu batom favorito porque diz que a cor o lembra da primeira vez que te viu sorrir. Não é romântico?*

Minha respiração falhou. A tela ficou embaçada enquanto lágrimas que eu não sabia que ainda tinha começaram a cair. Salvei a imagem, a data, a mensagem. Evidência. Não para ele, mas para mim. Um lembrete do porquê eu nunca poderia voltar.

Uma terceira mensagem apareceu.

*Ele se sente culpado, sabe. Ele fala de você constantemente. Fala sobre como você é boa. Mas toda noite, ele volta para mim.*

Então o golpe final.

*Vamos fazer uma aposta, Lena. Vamos ver quem ele escolhe. Ele diz que não pode te deixar agora, não com o bebê. Mas eu aposto que ele vai. No momento em que ele estiver pronto para contar ao mundo que meu filho é dele, você vai embora. Sem cenas, sem briga. Você simplesmente desaparece. Fechado?*

Meu filho. As palavras se contorceram em meu estômago. Ela estava alegando que o filho dela era dele. Era uma mentira, tinha que ser, mas o veneno havia sido injetado. A dúvida estava lá.

A audácia disso. A crueldade pura e não adulterada. Ela não estava apenas tentando levar meu marido; ela estava tentando aniquilar meu espírito. Me tornar uma participante voluntária da minha própria destruição.

Meus dedos tremeram enquanto eu digitava minha resposta. Eu não me defendi. Eu não me enfureci. Eu aceitei o desafio dela.

*Fechado.*

Clara voltou algumas horas depois, seu rosto pálido. "Lena... eu tenho o relatório preliminar sobre Adriana Paes. Mas... há outra coisa. Gregório acabou de transferir a escritura de uma de suas coberturas no centro da cidade para o nome dela. E ele depositou dez milhões de reais em uma nova conta para ela."

Ele já havia lhe dado um lar. Ele já havia lhe dado uma fortuna. Tudo antes mesmo de voltar para casa para me encarar.

Senti uma risada amarga escapar dos meus lábios. A aposta já havia acabado. Eu já havia perdido. Ou talvez, apenas talvez, eu finalmente tivesse vencido.

"Clara", eu disse, minha voz surpreendentemente firme. "Guarde o relatório sobre a Adriana. Não me mostre. E o que quer que você faça, não deixe o Gregório saber que estamos investigando ela."

Eu precisava ver por mim mesma. Precisava de um último olhar para o homem com quem me casei, uma última chance de ver se havia algo dele que valesse a pena salvar.

Eu precisava vê-lo escolher.

Você pode gostar

Capa do romance A Cicatriz da Montanha: Um Recomeço Forçado
8.7
Clara, uma atleta de elite, desperta no hospital após um deslizamento terrível que quase lhe custou a perna e a vida. Enquanto ela e o pai infartado lutavam para sobreviver, seu marido Leo priorizou o resgate de uma amiga e seu gato. Ao confrontá-lo, Clara recebe apenas desprezo e um bloqueio cruel. Abandonada no momento de maior vulnerabilidade, ela decide romper o casamento. Agora, busca recuperar sua dignidade e garantir que Leo pague por sua negligência.
Capa do romance Barriga de Aluguel Entre desejos e segredos
8.8
Ao aceitar ser barriga de aluguel para um casal influente, Camila mergulha em um turbilhão de mentiras e perigos. Ela se apaixona por Ricardo, o pai da criança, despertando a fúria de Beatriz. A esposa, consumida pelo ciúme, inicia uma caçada implacável que ameaça a vida de todos. Entre fugas e manipulações, o casal luta por um amor proibido enquanto o parto se aproxima, trazendo à tona verdades devastadoras que podem cobrar um preço alto demais.
Capa do romance FRIO COMO FOGO
7.9
Vladimir Agostini, herdeiro do bárbaro reino de Duzzo, vê sua sucessão marcada pelo conflito com a próspera nação de Zaffi. Para evitar a guerra, o Rei Augusto propõe uma aliança matrimonial. Embora o Príncipe Erick deseje a favorita do Rei Emanuel, a Princesa Helena, a jovem surpreende a todos ao aceitar o acordo. Contudo, ela impõe sua própria condição: casar-se com Vladimir e tornar-se a futura rainha. Assim inicia-se a intensa saga de Vladimir e Helena.
Capa do romance Guto o dono do complexo da maré
8.3
Gustavo, o temido Guto, comanda o Complexo da Maré no Rio com sede de vingança. O sonho de ser pai é destruído por uma traição conjugal, transformando-o no criminoso mais cruel da história. Em paralelo, Maria Eduarda busca liberdade do controle rigoroso de seu pai policial. Ao arriscar-se em um baile na favela, Duda encontra Guto. O destino une a jovem ao maior rival de sua família, selando um encontro explosivo em um cenário de violência e opressão total.
Capa do romance Meu Odiado Protetor
9.3
Após sobreviver a uma tentativa de assassinato cometida pelo próprio marido, Carla é forçada a aceitar a proteção de um guarda-costas severo. John é um homem reservado, assombrado por traumas de infância que o mantêm distante de qualquer envolvimento feminino. No entanto, o contato com Carla desperta sentimentos inesperados. Ele acredita que sua alma fragmentada apenas destrói o que toca, mas esse encontro pode desafiar suas convicções sobre o amor.
Capa do romance O Silêncio da Guitarra Quebrada
9.3
Hugo Gordon, ícone do fado em Lisboa, viveu sob o domínio possessivo de Juliette Hayes até ser traído por ela. Para favorecer o surfista Leonel, Juliette forçou Hugo a mentir, destruiu a sua guitarra e permitiu a morte da sua avó. Após ser brutalmente humilhado e perder a sua única família, Hugo decide abandonar o passado. O homem submisso desaparece para dar lugar a Henrique Garcia, que busca apagar Juliette da sua vida e garantir que nunca mais será uma vítima.