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Capa do romance Ele escolheu ela em vez de nós

Ele escolheu ela em vez de nós

Dediquei minha vida ao meu marido em coma, esperando nosso primeiro filho. Contudo, o retorno de sua ex-namorada, alegando gravidez, mudou tudo. Em um sequestro, ele me abandonou à morte para salvá-la, ignorando meu sangue no chão e nosso bebê. Ele achou que era o fim, mas sobrevivi. Agora, diante do meu salvador, tomei uma decisão drástica: é hora de encontrar um novo pai para o meu filho e deixar o homem que nos traiu no passado.
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Capítulo 1

Eu cuidei do meu marido até ele sair de um coma, grávida do filho que eu achava que completaria nossa vida perfeita. Então, a ex-namorada dele reapareceu, também alegando estar grávida de um filho dele.

Durante um sequestro forjado, ele fez sua escolha.

Ele me ofereceu, junto com nosso filho ainda não nascido, aos sequestradores em troca dela.

Ele me viu cair, viu o sangue manchar o concreto e virou as costas para salvar a mulher que o estava enganando.

Ele achou que estava me deixando para morrer.

Mas eu sobrevivi. E a primeira coisa que eu disse ao meu salvador foi: "Estou pensando em trocar o pai do meu bebê."

Capítulo 1

Ponto de Vista de Helena "Lena" Porter:

"Estou pensando em trocar o pai do meu bebê."

As palavras saíram da minha boca antes que eu pudesse impedi-las, pairando no silêncio entre mim e Caio Monteiro. Soavam insanas. Delirantes, até. Mas o vazio doloroso no meu peito me dizia que eram a coisa mais honesta que eu havia dito em meses.

Caio não se abalou. Ele apenas me olhou, seu olhar firme e sério do outro lado da mesa de ferro do pátio. Anos de amizade me ensinaram a ler cada nuance em sua expressão. Não havia julgamento, nem choque, apenas um foco silencioso e inabalável.

"Ok", ele disse, sua voz um barítono grave que sempre foi minha âncora. "Me diga do que você precisa."

Essa era a essência de Caio. Ele não perguntava "por quê" ou "como". Ele perguntava "o quê".

Meu celular vibrou na mesa, uma intrusão grosseira e indesejada. Um alerta de notícias. Eu não precisava ler. Eu sabia o que diria. A manchete provavelmente já estava estampada em todas as telas do país: *Magnata da Tecnologia Gregório Velasquez e Mulher Misteriosa: Uma Chama Reacendida?*

Eu vi uma única foto perfeita carregar. Meu marido, Gregório, com o braço protetoramente em volta de uma mulher de aparência frágil. O rosto dela, manchado de lágrimas, estava enterrado em seu peito, o paletó de seu terno sob medida cobrindo seus ombros finos. Era uma imagem de devoção. A imagem de um homem salvando a mulher que amava.

A mulher que ele amava não era eu.

Meu celular vibrou novamente. Uma mensagem de Caio, mesmo ele estando sentado bem na minha frente.

*Você não precisa olhar para isso, Lena.*

Forcei um sorriso que pareceu vidro se quebrando. "É um pouco tarde para isso."

A imagem estava gravada na minha mente, uma cicatriz permanente sobre a ferida que havia sido aberta na noite anterior.

O Gala de Caridade da Fundação Velasquez era o evento social da temporada. Eu estava ao lado de Gregório, minha mão repousando sobre minha barriga sutilmente saliente, um símbolo de nossa vida perfeita. Ele era o bilionário da tecnologia que veio do nada, o homem que lutou para sair da miséria. Eu era Helena Porter, a herdeira que esteve ao seu lado, que segurou sua mão por meses enquanto ele estava em coma, sussurrando histórias do futuro que construiríamos.

O leilão de caridade era o evento principal da noite — vinhos raros, viagens exóticas, arte de valor inestimável. Então, o leiloeiro anunciou um item final e especial. Não um objeto, mas uma causa. Um "lance humanitário", ele chamou. As cortinas se abriram e um holofote iluminou uma mulher no palco.

Ela era magra, quase esquelética, vestida com roupas limpas, mas gastas. Seu rosto estava pálido, seus olhos arregalados com um pavor que parecia quase teatral. Ela era um fantasma de um passado sobre o qual eu só tinha ouvido falar, uma história que Gregório me contou em tons baixos e cheios de culpa.

Adriana Paes. Sua ex-namorada de antes do dinheiro, antes do coma, antes de mim.

O leiloeiro contou uma história triste de uma mulher que passou por dificuldades, uma mulher que perdeu tudo e precisava de uma segunda chance. O lance inicial era para um fundo para ajudá-la a se reerguer.

Senti Gregório enrijecer ao meu lado. Um som baixo e gutural escapou de sua garganta. Seus nós dos dedos estavam brancos onde ele segurava sua taça de champanhe. Era o som de um homem vendo um fantasma.

A história era que Adriana estava dirigindo o carro na noite do acidente que colocou Gregório em coma. Ela desapareceu depois, consumida pela culpa. Gregório sempre carregou essa culpa, acreditando que havia arruinado a vida dela.

Ele olhou para mim, seus olhos suplicantes. "Lena, eu..."

"Não", sussurrei, minha voz tensa.

Mas ele já estava se movendo. Ele caminhou em direção ao palco, cada passo ecoando no salão de baile subitamente silencioso. Ele não levantou uma placa de lance. Ele não ofereceu dinheiro. Ele se ofereceu.

Ele pegou o microfone do leiloeiro atônito. "O leilão acabou", anunciou ele, sua voz ressoando com uma autoridade que ninguém ousou questionar. "Eu cuidarei dela. O que quer que ela precise, pelo tempo que precisar. Essa é a minha promessa."

Um suspiro coletivo varreu o salão. Ele subiu no palco, tirou sua jaqueta de grife e a envolveu nos ombros trêmulos de Adriana. Os flashes das câmeras eram ofuscantes, uma barragem de explosões capturando minha humilhação pública.

Adriana desabou em seus braços, soluçando. Ele a segurou, acariciando seu cabelo, sussurrando palavras que eu não podia ouvir, mas que senti como um golpe físico. Ele a estava confortando. Protegendo-a. De um mundo do qual eu fazia parte.

Caminhei até a beira do palco, meus saltos afundando levemente no tapete felpudo. "Gregório", eu disse, minha voz mal um sussurro. "O que você está fazendo?"

Ele olhou para mim e, por um segundo, vi um lampejo do homem com quem me casei. Um lampejo de culpa. "Lena, não é o que parece. Isso é... isso é sobre o meu passado. Eu devo isso a ela."

Ele me deu as costas e guiou Adriana para fora do palco, protegendo-a dos olhares curiosos da imprensa, deixando-me sozinha sob os holofotes.

Eu não chorei. Eu não gritei. Eu os segui.

Eu os encontrei em um pequeno salão privado, fora do salão principal. A porta estava entreaberta. Fiquei nas sombras, meu coração batendo um ritmo frenético e doloroso contra minhas costelas.

Gregório segurava as mãos dela, de costas para mim. "Você está bem, Adriana? Eu estava tão preocupado. Quando soube que você tinha voltado..."

"Eu senti sua falta, Greg", ela sussurrou, sua voz embargada de lágrimas. "Todos os dias."

"Eu também senti a sua", disse ele, as palavras como uma adaga se torcendo em minhas entranhas. "Eu tenho uma cobertura no Itaim Bibi. Você pode ficar lá. Vou te dar um cartão de crédito, tudo o que você precisar. Apenas... fique segura."

Ele estava dando a ela um lar. Ele estava dando a ela dinheiro. Ele estava dando a ela a segurança que havia me prometido.

Então, ela se inclinou e o beijou.

Não foi um beijo longo. Não foi apaixonado. Foi suave, demorado e cheio de uma história compartilhada que eu nunca poderia penetrar. E ele não se afastou. Por uma fração de segundo, sua mão subiu para segurar o rosto dela, seu polegar acariciando sua bochecha.

O mundo girou. O homem que eu amava, o pai do meu filho, havia desaparecido. Em seu lugar havia um estranho, beijando outra mulher enquanto eu estava a poucos metros de distância.

Afastei-me da porta, meus movimentos rígidos e robóticos. Saí do gala, passando pelos olhares curiosos e sussurros, e não olhei para trás.

Agora, sentada em frente a Caio, o sol da manhã parecia brilhante demais, alegre demais para os destroços da minha vida. Olhei para o alerta de notícias no meu celular uma última vez. A foto. O abraço. A mentira.

Minha decisão estava tomada.

Meu celular vibrou novamente. Outra mensagem de Caio.

*A casa de hóspedes está pronta. Está há anos. É só dizer.*

Respirei fundo, o ar queimando meus pulmões. Digitei minha resposta, uma única palavra que continha o peso do meu passado e a frágil esperança pelo meu futuro.

"Ok."

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