
Ela Escolheu a Si Mesma
Capítulo 2
A chamada do meu marido, Léo, chegou no momento em que eu assinava os papéis do divórcio.
O advogado olhou para o identificador de chamadas e depois para mim.
"Tem a certeza, Sra. Alves? Depois de assinar, não há volta a dar."
Eu assenti, a minha mão não tremeu.
"Tenho a certeza."
"Ele vai ficar furioso", avisou o advogado.
"Eu sei", respondi, e empurrei os documentos assinados na sua direção. "É exatamente isso que eu quero."
O telefone continuava a tocar, uma vibração irritante na mesa de madeira polida.
Ignorei-o.
O meu filho, Tiago, de cinco anos, estava sentado no sofá do escritório, a brincar com um pequeno carro de bombeiros. Ele levantou a cabeça.
"Mãe, o pai está a ligar."
"Eu sei, meu amor. A mãe fala com ele depois."
"Mas ele disse que hoje trazia um presente para mim. Para o meu aniversário."
Hoje era o aniversário do Tiago.
E também o aniversário da morte da minha filha, Eva.
O meu coração contraiu-se. Eu forcei um sorriso para o meu filho.
"Eu sei, querido. A mãe também tem um presente para ti."
O advogado limpou a garganta, organizando os papéis.
"Vou tratar da notificação. Ele deverá recebê-la amanhã de manhã."
"Obrigada."
Saí do escritório com o Tiago, a sua pequena mão na minha. O telefone no meu bolso finalmente ficou em silêncio.
Momentos depois, uma mensagem de texto chegou.
Era do Léo.
"Onde diabos estás? A Ana está a ter uma crise de pânico. O médico está aqui. Ela precisa de mim. Porque não atendes a porra do telefone?"
Ana. A sua irmã mais nova.
Ela sempre precisava dele. E ele sempre ia.
Não respondi.
Em vez disso, levei o Tiago à melhor loja de brinquedos da cidade e disse-lhe para escolher o que quisesse.
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